Beta: Claudia Ackles.
Com um suspiro aliviado, Jared finalmente entrou em sua casa.
Já era tarde da noite e estava exausto. O dia fora totalmente cheio, e, além disso, teve que ficar até tarde no consultório, trabalhando mais horas do que os outros dias.
Mas quem inventara de caminhar até um museu, quase do outro lado da cidade mesmo?
Bufou, jogando de qualquer maneira sua bolsa e as chaves em cima do sofá e se dirigiu até a cozinha. Abriu a geladeira e se serviu de um copo de leite. No dia seguinte bem cedo, teria que voltar para a clínica, então não poderia beber algo mais forte e alcoólico, faltando poucas horas para amanhecer. Não queria enfrentar uma dor de cabeça infernal.
Abriu os primeiros botões de sua camisa social, tirando os sapatos com os pés. Sentou-se na poltrona de estofado cor de vinho e fechou os olhos. Deu um sorriso amargo e pensou no quão especial o dia de amanhã seria. Ou normal como todos os outros. Na verdade nem se importava mais com isso... Em sair pra beber com alguns amigos, ou até para ir ao cinema.
Não poderia esperar algo diferente do dia seguinte, seu aniversário.
Seu celular apitou e resolveu não verificar o que quer que fosse. Deveria ser algumas felicitações de amigos, ou de sua tia Margareth.
Com passos lentos, subiu as escadas e tirou sua roupa, ficando apenas de boxer preta. Jogou-se na cama, e de bruços marcou o horário certo para levantar no despertador. E então caiu em sono profundo.
Mas... Não foi por muito tempo.
Bocejando, abriu apenas um olho e viu de relance que eram 02h45min da manhã. Com alguma força que ainda o restava, sentou-se de maneira torta na grande cama de casal. E então seu coração deu um pulo ao ver uma sombra perto da porta do seu quarto.
Um Homem.
Jared em um primeiro momento achou que estava em algum sonho maluco... Mas lembrou de que nem sequer havia bebido. Depois, pensou que poderia ser um ladrão, claro! Mas, rapidamente viu que não era exatamente disso que se tratava.
O homem era diferente de tudo que Jared vira antes. Se vestia socialmente. Calça e terno de cor vinho, e camisa preta. Pela penumbra da luz da lua, ofegou ao ver os intensos olhos verdes que o fitavam.
Mas, não o fitavam com malícia ou maldade. O encaravam com certa... Curiosidade.
Depois de alguns minutos constrangedores, Jared finalmente caiu em si. Estava avaliando um homem. Por Deus, ou ele enlouqueceu de vez ou estava trabalhando demais da conta.
- Você é Jared Tristan?
Jared engoliu em seco.
- Sim... E você por acaso é quem? E... Como entrou aqui?
O homem desconhecido se aproximou devagar com um leve sorriso, ao mesmo tempo em que Jared se encolhia mais, até suas costas encostarem totalmente na cabeceira da cama. Que raios estava acontecendo?
- O que você quer? – Xingou-se mentalmente por sua voz tremer de leve. Mas não por medo... E sim, por que seus sentidos pareciam ter virado geleia com a intensidade do olhar que recebia. E não era para menos, por que o outro não sabia o efeito que estava causando.
- Jared Tristan... Padalescki, certo? – Jensen sorriu mais abertamente, esperançoso.
E então Jared gargalhou.
Jensen não entendendo nada apenas olhou para os lados discretamente procurando o real motivo para aquele moreno extremamente diferente estar gargalhando daquele jeito tão... Único.
Oh sim... Por que ao acordar de um sono de sabe-se lá quanto tempo, Jensen realmente percebeu que não estava mais em sua humilde vila nos montes distantes do árabe. Lembrava-se de algumas coisas que aconteceram antes de ser aprisionado, como algumas tochas, fogueiras, e uma lâmpada.
As palavras ditas por Alona, e qual era a condição para ainda estar vivo.
Talvez, por ficar um enorme tempo aprisionado, sua mente possa ter apagado alguns momentos.
Lembrava-se também de impactantes olhos azuis que eram realmente adoráveis.
Quase todo o tempo, eles vinham a sua mente. E não conseguia esquecê-los... E não queria. Lembrar-se deles, o fazia sentir algo muito bom, mesmo não tendo certeza de quem eram.
No momento em que a lâmpada fora esfregada, havia o escolhido.
Seu Amo.
Então por que ele agia daquele jeito? Parecia nem saber realmente quem ele era.
''Humanos... ''Jensen bufou.
Jared recuperado de seu ataque de riso, agora olhava com diversão para o estranho que ainda o encarava confuso e provavelmente esperando por uma resposta.
- Padalecki, Jared Padalecki. – Jared se surpreendeu por ainda não ter colocado aquele cara para fora de sua casa. Mas resolveu entrar no jogo. –E eu posso saber quem é você e o motivo da sua importante visita a essa hora da madrugada?
Jensen colocou as mãos nos bolsos, parecendo contente e deu um sorriso misterioso.
- Eu sou Jensen Ackles, seu Gênio Mágico.
A cara de Jared era realmente cômica.
- Estou aqui, por que tenho o dever de realizar sinceros Sete Desejos seus. – Continuou sorrindo, agora sim estava realmente perto de sua liberdade. Aquele humano se lembraria e então faria seus pedidos e tudo voltaria ao normal.
Jared levantou suspirando pesadamente e com passos decididos parou em frente a Jensen, mas percebeu que estava muito próximo, pois ficou abobalhado ao ver as íris verdes mais de perto. Deu um passo para trás. Era muito surreal... Como uma pessoa poderia ter olhos verdes daquela intensidade?
Seus pensamentos estão incoerentes, Jared. O moreno balançou a cabeça em negação ignorando uma vozinha irritante.
- Olha só, Anh... Jensen não é? – O loiro afirmou com a cabeça. – Eu não sei de onde você veio, como veio parar na minha casa e o que quer de mim. Só sei que tenho que acordar daqui a poucas horas e estou cansado. – Jared deu um sorriso gentil, mesmo estando com enorme vontade de que aquele estranho fosse embora por onde veio. – Então, o convido para que se retire.
Jensen que até então não entendia praticamente nada do que o humano Padalescki dizia, se viu sendo empurrado gentilmente pelos ombros até o andar de baixo daquela casa esquisita. Com coisas esquisitas. E pelo que pode ver agora, pessoas esquisitas também. Observou o outro abrir a porta num convite mudo para que saísse. Mas Jensen nem se quer se preocupou em dar um passo a frente.
Jared revirou os olhos e respirou fundo.
- Tenha uma boa noite. – E então, o gênio estava do lado de fora da casa encarando a porta fechada.
Jensen franziu o cenho extremamente aborrecido.
Jared subiu as escadas mais uma vez e pensou que estava realmente tomando muitos remédios para enxaqueca. Balançou a cabeça e foi se arrastando até o quarto bocejando e corou levemente ao ver que estivera de boxer na presença de outro homem e nem notara.
Fechou a porta e por via das dúvidas, a trancou.
E quase soltou um grito ao ver o homem que tinha acabado de expulsar gentilmente de sua casa, do lado da janela de vidro olhando pra ele. E como apenas alguma penumbra da lua passava pelas cortinas longas, a luz dava a Jensen um aspecto fantasmagórico.
- Que raios está acontecendo...? – Jared murmurou assustado.
Jensen suspirou e se aproximou do moreno que permanecia estático encostado a porta fechada.
- Jared, escute... Eu sou seu Gênio. Você tem o direito a Sete desejos. Depois que fizer isso, nunca mais me verá. Eu prometo.
- Bom, neste exato momento eu desejo que você caia fora daqui. – Jared sibilou pegando um taco de beisebol que estava esquecido do lado de sua escrivaninha apontando para o rosto belo do rapaz loiro.
Jensen deu uma pequena risada e Jared sentiu sem estomago dar voltas.
- Isso infelizmente eu não poderei conceder a você. – O gênio começou a dar voltas no quarto calmamente e em cima da escrivaninha encontrou uma luminária. Seus olhos acompanhavam os pequenos movimentos das suaves luzes e sorriu abertamente. Até que de relance viu a expressão raivosa de seu Amo.
- Ok, vamos considerar que por um breve momento você se esqueceu de quem eu sou.
Jared ia protestar dizendo que nunca o tinha visto na vida, mas o outro continuou.
– Para ter me convocado, provavelmente você encontrou a minha lâmpada.
Então tudo pareceu se encaixar.
O museu. A lâmpada... Mas aquilo não podia estar acontecendo, era loucura!
- Você só pode estar brincando comigo!
- Por acaso a lâmpada era prateada? – Jensen perguntou e deu um sorriso satisfeito ao ver Jared aos poucos baixar aquele objeto estranho de sua direção.
- Como isso aconteceu...? Essas coisas, mágica ou magia, seja lá o que for não existem! Você é apenas um cara realmente maluco e que precisa se tratar e me deixar ir dormir! - O mais alto suplicou torcendo para que aquilo fosse tudo uma brincadeira de mau gosto.
- Bom, eu tenho que dizer que está enganado. Magia existe... Há muito tempo. Ela é presente em todo o lugar, só que nem todos tem o poder de enxergá-la.
- Está querendo dizer que você enxerga?
- Enxergar? – Jensen deu um sorriso maroto, balançando a cabeça, divertido. – Eu não apenas enxergo como tenho alguns talentos. De onde eu venho muitos outros gênios tem os seus próprios. E estou aqui, por que essa é a minha missão.
- E qual seria? Perturbar meu sono? – Jared perguntou ríspido.
Com a voz levemente rouca, Jensen sorriu mais ainda. – Satisfazer você.
Jared não soube explicar o porquê de sentir um arrepio intenso ao ver a determinação nos orbes verdes do gênio a sua frente.
- Vamos supor que eu acredite em você. – Passou a mão por seus cabelos, fazendo a franja castanha cair novamente em seus olhos. – Prove o que diz.
Na verdade Padalecki começava a achar que aquele cara misterioso a sua frente não era do seu mundo pelo simples fato de sumir a sua frente e segundos depois estar parado no mesmo lugar onde estava. E o olhar que recebia, simplesmente não parecia normal.
Era intenso, arrebatador e único.
E o que mais o surpreendia eram todos esses pensamentos um tanto estranhos na sua cabeça. Por hora, culparia ser aquele homem sorridente que estava usando seus poderes paranormais nele, sem que percebesse.
- Provar? Hm... Vejamos. – O loiro estalou os dedos e sorriu.
Jared não entendeu até que viu.
As luzes da luminária em vez de suaves, agora piscavam rapidamente. O taco de madeira polida que antes segurava e segundos atrás estava no chão, agora flutuava em sua direção. O objeto parou enfim a sua frente e Jared que ainda estava de olhos arregalados hesitantemente o segurou, desviando seu olhar do taco de beisebol para o loiro parado em pé com os braços cruzados o avaliando.
Realmente vou ter que tomar cuidado ao ver uma lâmpada mágica na minha frente, novamente.
Passaram-se mais alguns segundos que pareceram uma eternidade para o gênio, que esperava algo diferente na expressão de assombro e incredulidade do moreno. Era um humano um tanto complicado este. Mas, ele era engraçado. E incrivelmente bonito também.
E esse detalhe o fazia lembrar-se de alguém. O dos olhos azuis hipnotizantes.
- Ok, você venceu. Você é um Gênio de uma lâmpada mágica que por alguma surpresa do destino eu encontrei e fiz um ato impensado de esfregá-la. Se eu pedir os tais Sete Desejos, você irá embora?
- Sim... – Jensen pareceu surpreendido pela súbita compreensão do outro.
- Então tudo bem. – Jared deu um sorriso como se tivesse achado a solução de uma charada e estufou o peito. – Eu desejo...
- Não.
- O que? – Olhou surpreso para Jensen que negou com a cabeça com uma expressão que parecia de levemente ultrajado.
- Não pode desejar assim. Desejos fúteis, feitos de uma hora pra outra. Eu sei que me quer longe daqui, mas se desejar algo que não queira realmente, o seu pedido poderá ser realizado ao contrário. Ou ter um efeito péssimo. E como eu tenho experiência nisso, sei que não vai querer pagar pra ver.
Jared passou a mão pelo rosto, rendido.
- Certo, então o que você sugere?
- Eu não sei... Como eu disse antes, só poderei realizar seus Desejos se forem realmente sinceros.
- Mas, eu não preciso de nada! Eu sou feliz do jeito que vivo hoje, obrigado. – Jared disse e por um lado, sua mente sabia que estava sendo estúpido com Jensen. Mas por outro, não conseguia realmente compreender. Até horas atrás o único dever que ele tinha era ir para a sua clínica, trabalhar como se não tivesse uma vida social e vir para casa beber antes de dormir. Simples.
Mas, justamente naquele dia recebera uma visita um tanto... Inesperada. E perturbadora.
- Eu não tenho para onde ir. Eu até poderia voltar para a minha lâmpada, mas isso apenas funcionaria se você realmente desejasse isso, ou se ela estivesse próxima a mim.
- Tenho que abrigar você aqui? Por quanto tempo? – Jared perguntou desconfiado. – E se você quiser me matar ou me jogar uma praga no meio da noite enquanto eu estiver dormindo?
Jensen riu divertido.
- Você é engraçado!
Jared se levantou e com passos lentos, ficando a centímetros do rosto do outro, disse sorrindo.
- E você é irritante. E atrevido. E cabeça dura.
- Bom, então estamos no mesmo barco. – Jensen sorriu animado. – Ah, posso comentar uma coisa?
O moreno deu de ombros e o loiro tomou isso como um sim.
- Aquela coisa lá embaixo meio quadrada e com anteninhas... É perigosa? Digo... Me pareceu muito interessante.
Jensen se referia a televisão.
Jared somente riu.
Não sabia no que estava se metendo ao permitir que aquele homem ficasse tão perto dele.
Por outro lado, havia dado mais risadas do que propriamente em um dia inteiro. Percebeu que de alguma maneira, seu aniversário seria realmente diferente dos tantos outros que se passaram.
E talvez... Ter um Gênio a seu dispor, não seria tão ruim assim.
E Jared não sabia o quanto estava certo.
Continua...
*Féach leat go luath - Até em breve.*
Olá leitores! Primeiramente agradeço aos reviews maravilhosos que recebi no primeiro capitulo e é incrível ver que estão aceitando a história, e gostando.
Bom, sobre Matt... Até eu fiquei um pouco triste pelo o fim dele. Mas isso não significa que ele não voltará, de qualquer forma. Afinal, essa fic é diferente, mágica e tudo mais... Tudo pode acontecer, rsrs.
Na próxima quinta tem mais, lindos. Super beijos e até semana que vem!
