Autor: Lady Bogard
Título: Die for me
Sinopse: "Se ele não pode ser meu, não será de mais ninguém." Por todos os demônios do inferno! Eu ia socar a cara do desgraçado até transformá-la em pó!
Banda: the GazettE, Miyavi, outros
Ship: MxK, AxU, menção de AxK
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos (só porque é yaoi)
Gênero: angst, drama, suspense, policial, violência
Observação: Universo Alternativo, ainda não me decidi se terá um final feliz ou não...
Die for me
Lady Bogard
Parte I
Ah, eu estava atraso! Malditamente atrasado. Olhei o relógio de pulso, checando as horas. Sorte que aquele cara era um doce, e estaria me esperando ainda. E... ele era um distraído, o que livrava metade da minha barra.
Assim que cheguei ao restaurante o vi sentado em uma mesa de canto, com um copo de suco de laranjas à frente. Ele também me notou praticamente invadindo o local. Torci esperando o veredicto. Estaria encrencado demais ou não?
Então ele sorriu pra mim. Yes! Estava tudo bem!
Imediatamente fui até a mesa, larguei meu corpo sobre a cadeira em frente a Yutaka, meu namorado, e suspirei exagerando no drama.
– Ano ne... gomen nasai, koneko chan... – cantarolei – Me atrasei pro nosso encontro...
– Outra vez. – me acusou, apesar de estar sorrindo e exibindo aquelas covinhas que eram sua marca registrada.
Não resisti, estiquei o braço e dei-lhe um beliscão na bochecha que o deixou sem graça. E meu melhor sorriso lhe abaixou todas as defesas. Ah, tio Miyavi é demais. Acho que a deusa da sedução me abençoou umas três vezes.
– Gomen, gomen. – peguei o cardápio que o garçom me estendia – Mas tentei lhe avisar! Sabe... ninguém atendeu seu celular...
Vi Yutaka ficar extremamente sem jeito. Adivinhei do que se tratava, mas deixei que ele me explicasse:
– Aa... acho que esqueci a mochila no estágio... – olhou pra cima, tentando se lembrar. Vi como as sobrancelhas se contraíram de leve – Ou foi no apartamento?
– Koneko chan! Você está andando por aí sem celular, carteira e documentos?
– Hai...
– Seu esquecido! – peguei no pé dele – Só não perde essa linda cabecinha porque está colada em seu pescoço.
– Gomen. É tanta coisa pra lembrar...
Balancei a cabeça e comecei a ler as opções do menu. Quando achei algo que me agradasse acenei para o garçom que veio prestativo anotar os pedidos. Escolhi por mim e por Yutaka.
Ao ficarmos sozinhos novamente, recostei-me na cadeira e cruzei as mãos atrás da nuca. Admirei meu namorado, aproveitando que ele bebia seu suco de laranja. Céus, eu nunca me cansaria de olhá-lo. Era tão lindo, e tão fofo! Minha vontade era abraçá-lo e apertá-lo com fooooorça!
Acabei rindo do pensamento e atraindo sua atenção pra mim. O que me fez iniciar a conversa:
– Como foi o seu dia? – eu não o via desde antes de ontem. Morria de saudades – Está tudo bem?
Ele concordou com a cabeça antes de responder: – A faculdade está indo maravilhosamente bem. Meu grupo terminou as apresentações e foi dispensada das aulas de apoio. Estamos quase saindo de férias.
Enchi-me de orgulho. Eu mesmo cursara aquela exigente faculdade, local onde conhecera Yutaka há três anos atrás. Eu, um aluno veterano, prestes a me formar; ele, um calouro ingressando no curso. Bons tempos...
– E o estágio? – continuei o interrogatório. Meu namorado fazia estágio, pois já estava no último ano de curso. Tinha grandes chances de ser contratado pela multinacional.
Yutaka não respondeu imediatamente. Deu um gole no suco, visivelmente enrolando. Meu cérebro captou o sinal de perigo e apitou. Ele não era de enrolar...
– O que aconteceu? Algo errado?
– No estágio...? – desconversou distraído.
Hum... ele estava me provocando? Ou tentando despistar? Não ia escapar!
– Sim, no estágio.
Então ele me enviou um sorrisão cheio de dentes e soltou de uma vez: – Você não vai acreditar na incrível coincidência. Eu cheguei hoje pra cumprir meu horário e adivinha quem eu encontrei? Você nunca vai acertar. O Aoi. Ele foi transferido e...
– Aoi? – dei um pulo na cadeira. – Seu ex-namorado?
O retorno do garçom o salvou de responder. O homem colocou nossos pedidos sobre a mesa e afastou-se. Yutaka pegou seu hashi e provou da comida.
– Oishii! – exclamou evitando me encarar. Eu ainda digeria a informação. Precisava saber mais:
– Está dizendo que Shiroyama, seu ex-namorado, está trabalhando no mesmo lugar que você...?
– Hai.
– Aoi, aquele que não aceitou o fim do namoro...?
– Hai, hai.
– Que te perseguiu por meses...?
– Hai...
– Do qual só se livrou depois que acionei meus contatos e pedi para darem uma prensa nele?
–Hai!
– Uke Yutaka, você não vai voltar praquele estágio, me ouviu? – fui taxativo e autoritário. Ele apenas me olhou, com o hashi suspenso no ar, e sorriu:
– Miyavi, deixa de grilo. As coisas mudaram.
– Kai... – sem querer usei o apelido que eu, secretamente, odiava. Aquele nome remetia ao passado de Yutaka, lembrava de seus elos com Aoi e Uruha, e as loucuras da adolescência.
– Ele me cumprimentou educadamente, e sugeriu que marcássemos um dia para conversar. Junto com Uruha, claro.
– Que hipócrita! – de repente eu estava sem um pingo de fome. Não conhecia nem Aoi nem Uruha pessoalmente, mas vira fotos de ambos. E Kai me contara muito sobre eles.
– Eu aceitei. – afirmou simplório, de um jeito que me deu arrepios.
– Você o quê? – berrei fazendo as pessoas do restaurante olharem pra mim. Não liguei a mínima pra eles – De jeito nenhum!
– Miyavi, está sendo imaturo e super protetor. Não vou discutir isso com você.
– Ah, vamos discutir isso sim. Que eu me lembre bem, não foi nem um pouco divertido fazê-lo entender que 'não' quer dizer 'não' ao invés de 'sim', 'talvez', 'quem sabe' e 'vem que eu to facinho'! – em alguns segundos eu ia começar a espumar.
– Yuu me pediu desculpas. Se retratou e foi muito humilde. Eu apenas aceitei as desculpas dele. Não é como se ele ainda fosse aquele adolescente.
– Adolescente deturpado, imoral e retardado. – meu humor fora pro espaço! Aquela notícia acabara com o meu dia por completo. Secretamente já começava a matutar um jeito de tirar Kai daquele estágio amaldiçoado. Ele tinha capacidade de conseguir coisa melhor.
Eu continuaria na batalha silenciosa em minha mente, mas Yutaka sorriu pra mim daquele jeitinho todo dele:
– E o seu dia, como foi? – me olhou ansioso – Deu certo com a gravadora?
Murchei um pouco. Na verdade murchei muito. Meu emprego, definitivamente, era um assunto delicado. Miyavi era supostamente meu nome artístico. O nome de um músico que tentava carreira solo.
Digo supostamente, por que a realidade era bem diferente. Eu saíra da faculdade direto para o departamento de polícia. E meu jeito descontraído me dava o perfil perfeito pra trabalhar disfarçado. Ah, eu era bom na coisa. Um verdadeiro homem camaleão. Nunca tinha um penteado fixo por muito tempo, nem mesmo uma cor de cabelo definitiva. Usava as roupas mais diferentes pras mais diversas ocasiões. Muitas vezes cobria meu corpo com tatuagens removíveis. E usava piercings, podendo camuflar os furos com maquiagem especializada sempre que a missão exigia.
Meu comportamento também não deixava a desejar. Podia passar de um moleque falastrão e inconseqüente a um rapaz íntegro e sério, se o caso investigado exigisse. A carreira como cantor era apenas um álibi criado pelo departamento. E Miyavi nada mais era do que meu codinome oficial.
Poucas pessoas dentro da polícia me conheciam pessoalmente. Apenas os dois superiores mais graduados de cada delegacia de Tokyo. Os outros simplesmente ignoravam quem era o verdadeiro Miyavi.
E esse último fato incluía Kai. Meu namorado também não sabia da minha real profissão. Eu temia por ele, não queria que se preocupasse comigo, ou que se expusesse sem querer. A ignorância pode ser a maior de todas as proteções. Pra mim a segurança de Yutaka era o mais importante.
Por isso ele acreditava que eu não passava de um cantor fracassado, que nunca acertava uma audiência. E continuava comigo ainda assim, me amando. Kai era mesmo um doce.
Respirei fundo antes de mentir, mais uma vez, provando que era uma das minhas especialidades:
– Essa foi das grandes. Estou quase lá, Koneko chan. Quase. – comecei a comer também – Depois dessa, vou mudar o rumo da minha vida.
Kai me olhou surpreso: – Nani?
– Sim. Vou mudar minha carreira. – eu falava sério. Estava pensando em sair de campo e ficar com trabalhos mais simples. Assim teria mais tempo com Yutaka, e não me envolveria em casos complicados, onde, geralmente, eu agia sozinho.
– Vai desistir de seu sonho? – meu namorado me olhou incrédulo – Miyavi, você sempre sonhou fazer sucesso e ser profissional. Porque mudou de idéia agora?
"Eu mudei de idéia faz tempo, Kai". Não tive coragem de dizer aquilo em voz alta. Continuei comendo, sorrindo tranqüilo pra Yutaka. Sim, naquele momento estava decidido a parar de fazer coisas perigosas e ficar junto de meu koi. Não queria negligenciá-lo mais. Seria a última missão.
Na hora de pagar a conta, Yutaka me olhou com aqueles profundos olhos de cãozinho sem dono. E eu ri. Tínhamos o habito de rachar a conta, mas como meu koi esquecera a carteira, eu teria que pagar tudo.
– Gomen, gomen! – sorriu pra mim – Prometo que te compenso depois.
– Com certeza. – e minha afirmação veio acompanhada de um sorriso safado – Só que eu não quero o pagamento em dinheiro...
Kai entendeu a indireta e sorriu ainda mais, expondo aquelas covinhas aos meus olhos: – Pode deixar que vem com juros...
Ri, sentindo-me um bobo apaixonado. Mas meu koneko chan me deixava assim, meio flutuante, meio tarado. Só ele conseguia fazer meus sentimentos se misturarem num turbilhão. Por Kai eu permitia que meu lado mais puro mesclasse-se com o mais depravado, e ambos o idolatravam.
Depois do almoço ofereci uma carona pra Yutaka, mas ele recusou. Tinha vindo de carro e eu, de moto.
– Dá um jeito de me ligar. – pedi – E procura seus documentos. Não deve andar sem eles.
– Hai, hai, okasa! – ora! Ele caçoava de mim! Belisquei-lhe as bochechas de leve, querendo roubar-lhe o sorriso e esconder em meu coração, impedindo qualquer pessoa de admirá-lo. Queria Kai só pra mim! – Vou passar em casa antes de ir à faculdade e pego a mochila.
– Ótimo. Me liga, ou passa mensagem. Vou morrer de saudades.
– Atashimo!
Nos despedimos com um beijo. Enquanto Yutaka seguia pra faculdade, eu ia pra minha casa, trancar-me no "escritório".
Estava investigando um caso surpreendente. Me via prestes a desmantelar uma quadrilha que agia por toda costa leste do Japão. Havia de tudo um pouco: extorsão, drogas, seqüestro, prostituição infantil, tráfico de armas... era grande.
Depois de muito tempo, depois de caminhar sobre ovos e dinamite, conseguira me infiltrar num posto mais adiantado da máfia. Era apenas questão de coletar as provas e acusar os sujeitos certos. Seria uma prisão grandiosa, pra encerrar minha carreira com chave de ouro!
Juntei minhas coisas e sai de casa outra vez. Trabalho disfarçado exige paciência, perseverança, otimismo e sobre tudo muita presença de espírito. Requisitos que eu tinha de sobra.
Fui atrás de meus contatos. O cerco estava se fechando, eu só precisava participar de uma das negociações, fosse do tráfico de entorpecentes ou tentativa de suborno. Se eu presenciasse isso, poderia entrar em ação, e acusá-los dos outros crimes seria conseqüência. Pegando os peixes menores, alcançaríamos os tubarões.
Fui até um dos armazéns, zoando em minha moto. Cheguei ao local com muita algazarra, chamando atenção de todos os trabalhadores. Rumei direto ao escritório do cara da logística. Eu já tinha esse grau de liberdade.
Antes de entrar, acendi um cigarro. Dei uma longa tragada e prendi a fumaça por poucos segundos. Era uma cartada decisiva. Passei a língua sobre o piercing: o rapaz era doido por aquilo, eu sabia que ele estava de quatro por mim. Abençoada deusa da sedução...
Entrei no escritório sorrindo. Daigo respondeu ao sorriso imediatamente. Hum, sempre achei que ele fazia mais o tipo galã do que mafioso. Sem dúvida alguém lá em cima caprichara na hora de dar a vida a ele. Ah, se eu não amasse tanto o meu koibito, pegava o Daigo sem pensar duas vezes...
Hum... voltando a missão...
– Ken! – levantou-se da cadeira e veio até mim. Ah, Ken era o nome que eu usava naquela missão. Não podia usar meu codinome ou mesmo o nome real, é óbvio. – Eu ia mesmo te ligar... – informou. Um cara como eu tem, no mínimo, cinco números de celular. – Você está dentro, rapaz. Sexta feira, à noite no cais. Ainda não é com o Chefe, mas você vai ser apresentado ao braço direito dele.
Meu corpo vibrou. Se eu pegasse esse encarregado, já estaria dando um passo e tanto na eliminação da quadrilha. Tentei disfarçar a euforia, me mostrei animado na medida certa.
– Sabia que faria isso por mim, Daigo. – segurei-lhe o queixo e apertei com carinho. Daigo não tinha mau coração. Estava apenas envolvido com os caras errados. Desde que o conhecera, me prometera fazer algo por ele, não ia deixá-lo apodrecer na cadeia.
– Ken, e sobre o nosso jantar...? – droga! Eu tinha esquecido da promessa. Teria que enrolá-lo um pouco mais.
– Claro, claro. Daigo chan. – quem disse que o trabalho era fácil? Eu sei mentir bem, mas nunca afirmei gostar de fazer isso – Dê-me mais um tempo, e prometo uma noite digna de você, está bem?
Quando os olhos dele brilharam me senti pior ainda. Tive certeza de que bastava pra mim. Estava amolecendo e precisava sair de campo.
– Certo. Vou esperar por isso.
– Então estou dispensado?
– Ora, se me disser porque veio aqui...
Sorri de lado: – Pra perguntar exatamente isso que você me respondeu, quando eu entraria em contato com os Poderosos. Você sabe que eu quero chegar no topo, não é?
Ele acenou com a cabeça. Fiz um gesto de despedida e fui embora. O dia estava ganho. Era sexta-feira, ele me encaixara de última hora, por isso era perfeito. Caso tentassem alguma investigação e descobrir algo sobre mim não teriam muito tempo.
Parei com a moto uns quatro quarteirões acima, numa zona segura. Tirei o maço de cigarros pra fumar mais um. Tudo corria como planejado. Foi nesse momento que um dos meus celulares vibrou na mochila. Vasculhei-a atrás do aparelho com medo de perder a chamada. Fui tomado pela felicidade quando reconheci o número:
– Yutaka! Então já pegou suas coisas. Estavam no apartamento...? – escutei a resposta. Senti no timbre de voz que Kai sorria. Aquele sorriso que amo tanto – Então... nani? Está falando sério? Mas que cara de... ee? EE? Assim até aceito! Que horas? Te pego em casa! Ja nee!
Desliguei o aparelho. Aoi tivera a petulância de marcar o jantar com meu koneko chan praquela noite, junto com o Uruha. Kai ligara pra me avisar e pra pedir que eu fosse junto. Era o jeito dele de fazer tudo certo. Adorei a atitude.
Certo. Duas noites brabas me esperavam: um jantar com o ex-namorado do meu koibito e um encontro com traficantes mafiosos. Ora, quem disse que a vida não era emocionante?
Continua...
