Capítulo II — Tenha amigos sacanas
As pessoas simplesmente não conseguem entender que quando você fala "eu não estou afim de ir", significa que você realmente quer ficar em casa, pois é onde você pode dormir até mais tarde e que você realmente quer fazer isto. Mas não! Sangô tem que me ligar às sete da manhã para avisar que Inuyasha faria aniversário na semana seguinte e que nesse dia em questão seria o único em que o povo estaria livre para escolher um presente para o infeliz.
E eu com isso?! Não estou disponível até as dez da manhã! Nem para minha mãe eu fico a disposição antes desse horário! Quanto mais para amigos que, no meu aniversário, deram-me um caderno de caligrafia.
Foda-se o Inuyasha.
Acontece que argumentos não funcionam com Sangô. Ainda mais os meus argumentos.
Conclusão: lá estava eu no shopping center, com um copo de café expresso da Starbucks na minha mão direita e com a outra mão enfiada num dos bolsos do meu sobretudo bege. Quando Sangô aparecesse, eu iria fazê-la sofrer com o meu clássico mau-humor matinal.
— O que é que você está fazendo aqui? — ouvi a voz de Sesshoumaru atrás de mim.
Virei-me surpresa.
Sesshoumaru estava vestido praticamente todo de negro, com coturnos, calça de brim escura e um casaco longo. Qualquer pessoa ficaria ridícula vestida assim. Ele não. Maldito desgraçado sexy filho de uma mãe.
Respirei profundamente. Tomei um gole de café, enquanto pensava no que responder. Para Sesshoumaru estar aqui, significava que ele também ajudaria a escolher o presente do Inuyasha. Santa mãe. Que coisa mais bizarra ao menos cogitar que Sesshoumaru se importava em fazer do aniversário do Inuyasha um dia especial.
— Você vai ajudar a escolher o presente do Inuyasha? — perguntei lentamente, apenas para desencargo de consciência.
— Lógico que não. — ele respondeu com uma careta de desprezo.
Pisquei confusa.
— Então o que você veio fazer aqui? — perguntei.
— Sangô esqueceu o celular na minha casa e Inuyasha me obrigou a vir entregar para ela. — ele respirou fundo, olhando em volta nervosamente, incomodado com o fato de haver tantas pessoas ali — Sinceramente, ela podia ter escolhido outro local de encontro.
Sim, tenho certeza que ele se incomoda com mulditões. Todos sabem disso. Inclusive eu, que não faço parte do círculo de amigos íntimos dele (isso é apenas frase de efeito, quero deixar claro; esse maldito é incapaz de ter amigos). Sesshoumaru é um maldito antissocial que não se importa em lidar com as pessoas. Ele vive trancado numa suíte de cem metros quadrados, comendo fast-food e comida oriunda de deliveries.
A gente (leia-se: Sangô) reclama com Sesshoumaru sobre esse costume absurdo de sumir da face da Terra quando está escrevendo. Inuyasha sempre defende o irmão, alegando que, enquanto Sesshoumaru está trabalhando, não reclama da pilha de louça suja que ele deixa na pia. Sim, Inuyasha, você é um irmão muito atencioso. É visível.
O engraçado é que eu também sumia quando estava escrevendo, mas pelo motivo contrário. Eu geralmente vou atrás dos locais mais movimentados para observar as pessoas, uma vez que tenho uma curiosa dificuldade para descrever a aparência de personagens sem ser repetitiva (se eu não sair para observar gente real, eu acabo por ter todos os meus personagens masculinos como homens altos, de olhos angulosos e expressão rabugenta, que aliás, ficam deliciosos).
O fato de ele estar tão desconfortável com as pessoas ao redor quase me deixava feliz.
— Você vai ter que superar. — eu disse para Sesshoumaru, sorrindo maldosamente e me sentando em um banco. Ele ficou me encarando com expressão séria, como se estivesse se perguntando o que fazer (Vá embora! Vá embora!).
— E você? — ele perguntou, por fim, com cenho franzido.
— Vim nadar na fonte. Topa? — ele ergueu a sobrancelha e olhou de relance para fonte, como se perguntasse se eu finalmente tinha ficado louca de vez. — O que se faz em um shopping? — perguntei retoricamente.
— Pensei que seus lucros autorais fossem tão baixos que só dessem para comprar absorventes. — ele olhou em volta — Há supermercados mais perto da sua casa.
Se meu café ainda estivesse quente, eu juro que iria jogar todo o conteúdo do copo na cabeça desse infeliz. Ou dentro da calça dele. Evitar assim que a raça maldita se propague. Joguei o café inútil no lixo e cruzei os braços. Por dois longos minutos, o ranzinza ficou parado, olhando em volta, esperando que Sangô brotasse a qualquer momento do chão para pegar o celular e livrá-lo da dolorosa companhia (eu).
Por fim, ele se sentou ao meu lado.
— Por que você sentou?! — exclamei.
— Porque estava cansado de ficar em pé.
— Não permiti que você sentasse! — falei em tom cortante.
— Não sabia que você tinha reservado o banco pelo resto da manhã.
— Você podia ir se sentar em outro lugar. — argumentei.
— Você vai comprar o presente do Inuyasha. E imagino que seja com a Sangô ou ela não teria marcado para nos encontrarmos aqui. Então, vou esperar com você. — Ele lançou um olhar de esguelha — E o seu mau-humor matinal espanta os transeuntes. Você se sente orgulhosa por não ser uma inútil completa?
Inspirei profundamente com os olhos fechados, firmando um propósito pessoal de ignorá-lo pelo resto do tempo em que ele me obrigaria a aguentá-lo.
Olhei o relógio. Sangô estava atrasada. Era impossível que ela tivesse se perdido no shopping center. Nós havíamos marcado na frente da livraria exatamente para isso não acontecer (ela sabe que as únicas lojas que conheço daqui são as que vendem livros e doces). Sem falar que ela nunca se atrasava. Nunca.
O que poderia ter acontecido? A única coisa que consigo imaginar é que ela tenha entrado em trabalho de parto. Ah, meu Deus! Ela estava parindo no meio do trânsito! Não, espera... Sangô nem mesmo completou oito meses ainda. Sem falar que se de fato ela tivesse entrado em trabalho de parto, ela teria me ligado para me mandar para o inferno por tê-la obrigado a sair de casa nesse dia maldito (sendo que era ela quem havia me tirado de casa, mas, enfim...).
Está bem. Se ela não estava parindo, então qual o motivo do atraso?
...
Jesus. A única coisa que consigo imaginar é muito pior do que minha afilhada nascer no meio de um engarrafamento.
Olhei para Sesshoumaru.
Aquela alcoviteira filha de uma porca desdentada.
Preciso conversar seriamente com Sangô, e essa conversa fará ela ficar tão traumatizada que dará a luz à minha afilhada onde quer que esteja!
— Você disse que a Sangô esqueceu o celular na sua casa? — perguntei estreitando os olhos — Engraçado que ela me ligou esta manhã e era o número dela, tenho certeza. Deixe-me olhar esse celular.
Sesshoumaru não pareceu exatamente surpreso com as minhas indagações, apenas tirou um aparelho celular do bolso e estendeu para mim sem me olhar. Suspirei, enquanto apertava o maldito celular na mão.
— Esse celular é do Inuyasha. — eu disse entredentes — Quão estúpido você é para não perceber isso?! Os idiotas armaram para gente: fizeram com que nós dois viéssemos aqui! Infelizes! Desgraçados! — Olhei para ele. — E por que diabos você está tão calmo?!
— Agir como você não vai me ajudar.
Percebi que estava hiperventilando e fiz um esforço para me acalmar. Peguei o celular do Inuyasha (apenas pelo prazer de fazê-lo pagar pela ligação) e disquei o número da Sangô.
— Sua vadia! — exclamei, fazendo algumas pessoas que passavam por perto virarem para me olhar — Sua puta de esquina, o que você tinha na cabeça quando achou que era uma boa ideia colocar eu e o ranzinza filho do capiroto no mesmo local?!
— Ah, você descobriu — E a maldita não faz nem esforço para desmentir. — Tratamento de choque, para ver se vocês param de transformar todas as festas entre amigos numa espécie de cruzada literária. Comecem agir como os amigos que são. Escolham um presente para o Inuyasha com calma. E podem deixar que nós vamos pagar pelo presente.
— Por "nós" você quer dizer...
— Miroku e os irmãos Shingi, óbvio. Eu e Rin somos as pobres da situação...
— Todos vocês tramaram isso juntos? — falei com falsa calma.
— Sim. — ela respondeu, orgulhosa.
Mordi o lábio e comecei a acenar afirmativamente, em resposta ao meu sentimento de extrema traição.
— Muito bem. Escolheremos os presentes e vou solicitar pagamento pronta-entrega. Mandarei para a sua casa. — E desliguei antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
Nesse momento, eu sinto inveja do Sesshoumaru por não ter amigos, ok? Ok.
— Vamos nos vingar. — eu disse, virando-me para Sesshoumaru — O inimigo do meu inimigo é meu amigo. — declarei, levantando-me e olhando para o teto como se estivesse fazendo um discurso de efeito dramático.
— E como você pretende fazer isso? — ele perguntou com cinismo.
— Comprando a coisa mais inútil e cara que encontrarmos.
Com isso, a expressão de Sesshoumaru se abriu em um sorriso capaz de congelar o inferno de tão malvado.
Quase gostei dele nesse momento.
Fkake
Olá, aqui é o ser divo que vem trazer divicidade em sua vida... e não, sou Dollynho seu amiguinho.
Enfim, Sinceramente, essa fic esta a muito tempo no docs e foi finalizada a pouco tempo, tenho que ler de novo, falando nisso, pois minha memória não existe.
Pois bem, não esqueçam de comentar, espero que estejam gostando do plot, é algo que a gente se divertiu muito fazendo, serio mesmo.
Fico pesando, to fudida, não sei mais escrevem sem meu amor TracyCleide Duarte, serio mesmo, como pode?
Pois bem, espero que gostem, me amem, se amem, amem o próximo.
Fui
