Capítulo 2 - Lua.
Sentada em seu solar, com o sol já se posto, deixando o céu em roxo e laranja dançantes que se extinguiam no horizonte, Sansa tomava uma xícara de chá de limão com mel, tentando acalmar o estomago. Tinha acordado com torturas e falta de apetite.
Ela bebericava o liquido quente com prazer, o gosto era bom, lembrava-a dos tempos de infância quando sua mãe curava suas enfermidades com chás e afeto. "Ela está morta agora, sua garota estúpida. Sua mãe se foi. "
Suspirando pesadamente ela levantou do batente da janela onde estava sentada e colocou a xícara de porcelana na mesa poucos metros de onde estava sentada. Seu longo vestido cinza se arrasava pelo chão enquanto caminhava. E antes que pudesse fazer alguma outra coisa, seu marido adentrou no solar apos uma leve batida na pesada porta de madeira.
_ Querida? Me falaram que acordou indisposta essa manhã _ Jon se aproximou, dando um beijo longo na testa da esposa. Ele havia saído antes do sol nascer e só havia retornado a poucos minutos, ao anoitecer.
_ Nada demais... _ ela apontou para a xicara em sua mesinha _ Já tomei providencias. _ ela riu suavemente.
_ Eu vim direto da cavalgada para cá, para ter certeza que estava bem. E eu preciso de um banho _ Jon torceu o nariz e deu uma risada _ Jantaremos juntos aqui quando eu voltar, está bem?
_ Claro, vá para seu banho. Você está cheirando a cavalos _ agora, os dois riam.
Jon não conseguia acreditar na felicidade da vida domestica que tinha encontrado com Sansa. "Será que com Ygritte eu teria a mesma coisa? O mesmo sentimento?Ygritte se recusaria a vestir saias pesadas e compridas como Sansa." Ele afastou os pensamentos com um suspiro e beijou novamente a testa de sua esposa antes de sair do solar em direção ao seu quarto, onde uma quente banheira o esperava.
Já Sansa, no qual o estomago estava retorcido agora pelo cheiro de estábulos que veio das vestes de Jon, não se sentia com a menor vontade de jantar. Resolveu sentar-se novamente no batente da janela, retornou a xícara em suas mãos e bebericou o chá agora gelado.
A lua lá fora estava cheia, agora aparecia brilhante e enorme no escuro céu de Westeros. O reflexo da lua batia no liquido da xícara e ela deixou seus pensamentos divagarem. A lua era tão linda, tão brilhante, de uma beleza espetacular.
Lua.
Lua.
Foi então que percebeu que seu sangue de lua ainda não havia descido. "Quando eu deveria ter sangrado?" ela pensava consigo mesma.
Em uma onda só, a realização tomou conta dela.
"Sua garota estupida! Você está gravida!"
Suas mãos agora tremiam, ela tinha duvidas, medos, muitas mulheres morriam em trabalho de parto. A vida delas pela de seus filhos.
"A mãe de Tyrion havia passado por isso."
O pensamento de Tyrion e seu casamento tomou conta de sua mente como um sonho, e se fosse ela a ter um bebê no qual ela não conseguiria escapar no final? E se eles tivessem consumado o casamento? Seria o seu destino igual a de Joanna Lannister?
Mas aquele não era o filho de Tyrion Lannister. Era o de Jon Snow, mesmo ele agora sendo o principe Targaryen.
A criança haveria de vir saudável.
Ela não percebeu por quanto tempo ficou imersa em pensamentos, mas Jon já havia retornado ao quarto, vestido e perfumado. A barba e cabelo penteados.
_ Parece que a minha senhora gosta da lua que vê _ ele riu, percebendo a esposa olhando fixamente para a lua amarela e cheia lá fora.
Sansa sorriu e virou o rosto para ele, olhando nos seus olhos escuros.
_ Gostarei mais ainda da lua que verei daqui vários meses. _ sua mão desceu a sua barriga, lisa, sem nenhum indicio de que ali havia um ser crescendo. Por suas contas, seu sangue estava atrasado em três semanas.
Jon a olhou com confusão, seus olhos escuros nublados pela duvida.
_ Sansa? _ ele indagou.
_ A lua mais bonita sera aquela que trará nosso filho aos nossos braços, Jon. E ela não demorará a chegar.
Os dois sorriram largamente um para o outro, antes de se beijarem e se abraçarem, como um sentimento entre eles que só poderia ser descrito por amor
