Kagome Higurashi girou uma margarida entre dois dedos. A vida na cidadezinha era muito semelhante aquela flor que simbolizava... Simples e encantadora a certa distância, mas de perto, não tinha a menor graça.

Sua melhor amiga Sango Himura interrompeu-lhe os pensamentos:

"E então, você vai se candidatar a uma vaga no Shikon?" – Kagome encarou-a. Ambas se conheciam desde os três anos de idade. Seria de se supor que Sango a entendesse melhor aquela altura.Ela colocou a margarida atrás da orelha e recostou-se no carro da amiga, que acabara de chegar. Ambas trabalhavam na mesma mercearia, Kagome tento acabado de terminar seu turno das oito à uma, e Sango prestes a começar o dela da uma às seis da tarde.

"Não estou planejando fazer carreira como caixa de supermercado."


Por Kah-chan e San-chan
Sou Capaz de Amar
Capitulo 1
"Tem alguma outra opção que eu desconheça?"- Kagome mordeu o lábio inferior.

"Tenho planos."

"Você ouviu o velho Myouga. A mercearia Myouga's vai fechar em menos de dois meses. Como sabe, com a chegada do Shikon, Myouga não vem agüentando a concorrência há muito tempo e, enfim, decidiu vender a mercearia e se aposentar mais cedo. Mas o Shikon ainda está fazendo algumas contratações e oferece ótimo salário e vários benefícios. Eu mesma irei até lá logo para me candidatar a uma vaga. Não se pode querer mais que isso."- Kagome ponderou que se podia querer muita mais, mesmo que fosse na pacata Hinoshi

"Que bom para você"- Parecendo não notar o tom irônico, Sango sorriu, concordando.

"Que tal irmos ao Gordie's depois do almoço?"- Sugeriu Kagome.

"Claro. Boa idéia."- A brisa suave de verão soprou no rosto de Kagome, mas não contribuiu em nada para amenizar o calor escaldante de início de tarde que se estendia em ondas do asfalto. Já usando o horrível avental cor de beterraba da mercearia, Sango não parecia nada confortável também.

"Ei, você ouviu dizer que InuYasha Taisho está de volta à cidade? Lembra-se dele?"- Perguntou Sango de repente.

"O irmão de Rin? O que está fazendo aqui? Eles se mudaram da cidade quando tínhamos... o que... doze anos? Não imaginei que voltariam algum dia."

"Sim, a última coisa que ouvi dizer foi que Rin havia se casado com um rico executivo de Kyoto."

"E InuYasha esteve na cadeia, não foi?"- Sango sacudiu a cabeça.

"Não, não. Você não deveria dizer isso, mesmo que ele tenha sido uma espécie de..."- Lembrando-se dos antigos rumores Kagome terminou a frase:

"...Delinqüente? Ah, agora me lembro. Parece que passou um período num centro de reabilitação de adolescentes."

"Bem, ele andava com o grupo dos setes."- Aquilo dizia tudo. Todos sabiam que o grupo dos setes tinham sido maus elementos e, felizmente, haviam deixado a cidade a um determinado tempo. Provavelmente, para seguir 'carreiras' nada louváveis.

"Mais InuYasha não era como eles."- Prosseguiu Sango. – "Acho que apenas sofreu sua má influência por uns tempos. Depois acabou se corrigindo. Foi morar em Kyoto também e ganhou muito dinheiro na internet. Agora, comprou a antiga casa dos Yukawa. Kikyou Matsuri foi à corretora. Ela me contou tudo a respeito dele. Pelo que comentou, parece que InuYasha se tornou um homem bastante atraente."

"Kikyou Matsuri acha que qualquer homem com mais de quinze dentes e menos de quatro ex-esposas bastante atraente." – Lembrou-a Kagome. – "Mas ainda não entendo o que InuYasha está fazendo de volta a Hinoshi. A irmã dele nunca gostou deste lugar, nem de nós, aliás. Os Taishos não tem mais nenhum parente aqui e, se ele ganhou muito dinheiro, poderia morar em qualquer lugar que desejasse. Por que escolher Hinoshi?"

"Talvez ele tenha sentido falta daqui. Quem pode saber? Bem, eu tenho que ir. Meu turno começou faz 5 minutos atrás."- Sango entrou no carro – "Ligue-me depois." – E deu a partida.

Então, InuYasha estava de volta. Exatamente o que Hinoshi precisava... Outro encrenqueiro. O tipo de InuYasha Taisho já foi bastante de tolerar com sua rebeldia e petulância de garoto rico no passado, mas, agora, com dinheiro próprio? Bem, ele que fizesse bom proveito naquela cidade. Kagome não estava nem um pouco curiosa para saber o que o atraíra de volta para aquele fim de mundo. Tinha seus próprios interesses para cuidar.


InuYasha sentou-se no primeiro degrau da outrora grandiosa escadaria que conduzia ao segundo andar de seu novo lar. O lugar estava um caos. Apesar de estruturalmente bem, o que, de fato era o mais importante, precisava de uma boa reforma. Bem, felizmente ele adorava um desafio.
O celular em seu bolso tocou, e viu o número da irmã no visor. Ótimo, ela provavelmente já encontrara Kaguya em algum lugar. Ela o aborreceria com um sermão indignado e altivo qualquer, mas nada melhor do que começar a praticar para quando seus pais descobrissem o que ele fizera.

"Rin?"

"Onde você ta afinal?" – Indagou a irmã com impaciência.

"É bom falar com você também."

"Não brinque comigo. Kaguya me ligou."

"Imaginava"

"Ela tava uma pilha de nervos. O que deu em você, afinal? Kaguya disse que você rompeu o noivado!"

"Ela fez a escolha." – Respondeu InuYasha simplesmente.

"Oh, claro. Céus, Kaguya andou se desdobrando para deixar tudo pronto para o casamento, até pesquisou bairros onde vocês poderiam morar. Vocês tiveram sorte em conseguir uma casa em um ótimo bairro de Kyoto. O corretor estava esperando um cheque hoje para segurar a propriedade. Você deixou Kaguya numa situação bem delicada."

"Eu pesquisei bairros diferentes."

"Em Hinoshi? Você perdeu o juízo? Não pode esperar que Kaguya se mude para essa central caipira. Céu é obvio que esse lugar atrasado nem sequer tem uma joalheria ou uma butique!" – Rin soltou um suspiro desgostoso. – "De qualquer modo, eu conseguir acalmar Kaguya. Ligue para ela a fim de deixá-la saber que recobrou o juízo. Algumas dúzias de flores, e tudo ficarão bem."

"Adeus, Rin."

"O quê? Vai ligar para ela?"

"Ligarei para você daqui a um mês..." – 'Ou daqui a um ano!' – InuYasha desligou no meio de um protesto ultrajado da irmã. Ela provavelmente não seguiria até lá. Aquilo significava ter de ir até a 'central caipira' e, portanto, não precisava se preocupar em esperar a irmã tão cedo. Agora, quando seus pais retornassem da Europa, seria uma história deferente. Então, o pai criaria um verdadeiro estardalhaço.

InuYasha não pode conter o sorriso. Não que tivesse ansioso pelo inevitável confronto entre ambos, ao contrário, Mas um encontro já estava passando do tempo havia muito. Ele e o pai não viam as coisas da mesma maneira, não davam valor às mesmas coisas. Ele se dera conta daquilo pela primeira vez ali em Hinoshi. Havia se rebelado quando fora apenas um garoto de quinze anos com dinheiro e tempo livre de mais e amor e atenção de menos. Depois, passara os dez anos seguintes tentando provar que não era um imprestável.

InuYasha estava farto de se desculpar por quem ele era, de tentar ser algo que os outros queriam que fosse. Agora, aos vinte e cinco anos, estava começando de novo e, daquela vez, faria as coisas a sua maneira. Olhou mais uma vez ao redor do interior decadente da casa. Era melhor pôr mãos a obra. Teria muito o que fazer.


O gordie's era o ponto de encontro mais freqüentado de Hinoshi, principalmente entre os jovens e solteiros. Em um grande salão retangular, à esquerda da entrada, ficava o palco e a pista de dança. Na outra extremidade, encontravam-se o bar e três mesas de bilhar. O local vivia apinhado, na maioria, pôr moradores da região; o ambiente, familiar. A esposa de Gordie, Yuki, não tolerava que menores bebessem e proibia-lhes a entrada. Havia sempre uma banda tocando ao vivo, e a daquela noite entretinha a todos com uma animada musica country.
Kagome estava sentada a uma das pequenas mesas que lotavam a área central, bebericando uma cerveja com Sango que de repente arregalou os olhos.

"Veja só quem está aqui e quem trouxe a tiracolo!"- Kagome acompanhou a direção do olhar da amiga. Kikyou entrara no Gordie's num vestido vermelho colado e sorrindo radiante para o homem com quem estava de braço dado.

"Uau, quem é o moreno gostosão de olhos dourados?" – Sango olhava abertamente para o casal. Com seus longos olhos e cabelos castanhos, era bastante bonita, mas igualmente tímida em relação aos rapazes, limitando a fazer seus comentários a uma distância segura.

"Bem, acho que não será difícil para você descobrir. Afinal, foi você que andou conversando com ela recentemente." – Kagome sorveu um gole de sua cerveja.

"Oh minha nossa! Aquele é InuYasha Taisho? Ela disse que ele tinha se tornado um homem bastante atraente, mas acho que não contou todos os detalhes." – Sango acenou na direção de Kikyou.

"O que está fazendo? Oh, ótimo, agora eles estão vindo para cá." – revirando os olhos, Kagome soltou um suspiro resignado.

"Olá Sango." – Kikyou abriu seu maior sorriso de ex-miss Hinoshi e jogou os luxuosos cabelos pretos para trás , os olhos castanhos brilhando. – "Kagome." - acrescentou, seu tom alterando-se ligeiramente. – "Vocês se lembram de InuYasha Taisho, não é mesmo?" – Disse, olhando, orgulhosa, para seu acompanhante.

Então aquele era mesmo InuYasha. Kagome observou, enquanto Sango balbuciava tolices e gesticulava, quase derrubando os copos e as pequenas garrafas da mesa, como se estivesse diante de um astro de cinema. Admitia, InuYasha era bonito, com talvez um metro noventa e corpo atlético, cabelos pretos e olhos Âmbares. Mas e daí? Aparências podiam enganar. InuYasha mostrara sua verdadeira natureza muito tempo antes.

"Você se lembra de Kagome Higurashi, não é InuYasha?" – Sango estava puxando Kagome para a conversa. Kagome virou a cabeça para lado e deparou-se com calorosos olhos âmbares.E que olhos... Ela não se lembrara de que ele possuía olhos tão intensos e expressivos.

"Claro. Como tem passado Kagome?" – Ela foi pega de surpresa pelo cumprimento simpático e o sorriso caloroso que o acompanhava.

"Oh, bem."

"Você mudou bastante. Eu não a teria reconhecido se não tivessem me dito quem é você." – A voz dele era agradável. Kagome sentiu peculiares arrepios, subindo-lhe pela espinha. Não era atração, assegurou a si mesma, por certo não pelo garoto rico e inútil. Kikyou alternou um olhar entre Kagome e InuYasha.

"Kagome era uma moleca do tipo que vivia subindo em árvores, nadando no rio e fazendo travessuras, até mesmo nos tempos do colegial." – Kagome não pôde ignorar o comentário deito em tom desdenhoso.

"Não creio que InuYasha esteja interessado sobre o que eu fiz no colegial."

"Não, provavelmente não." – Retrucou Kikyou – "Mas ser uma moleca pode tornar o ato de se manter um homem a seu lado um grande desafio." – Kagome segurou sua garrafa de cerveja com mais força do que necessário.

"Você entende bem sobre como manter um homem a seu lado? Pensei que roubar o homem das outras fosse mais a sua especialidade."

"Não é roubo se ele já está em outra." – A voz de Kikyou continha um ligeiro tremor. Remorso, da parte daquela leviana? Não podia ser.

Sango pousou a mão no braço de Kagome.

"Você precisa de mais uma cerveja?" – Notando o rosto tenso da amiga, Kagome afrouxou a mão em torno de sua garrafa.

"É verdade. Não se pode roubar o que já está perdido, e acho que toda a cidade precisa de um serviço de achados e perdidos. Parabéns por está fazendo seu trabalho."

"Que tal um drinque Kikyou?" – Sango saltou da cadeira, praticamente arrastando Kikyou pela mão em direção ao bar. InuYasha permaneceu ao seu lado na mesa, estudando Kagome com um brilho indecifrável no olhar.

"Com licença InuYasha. Foi um prazer revê-lo, mas acho que preciso ir até o toalete." – Ela levantou-se e adiantou-se na direção do toalete. Na primeira oportunidade, acenaria para Sango a fim de irem embora. Não sabia por que ainda deixava Kikyou irritá-la tanto, mas aquela bruxa certamente arruinara sua noite.


InuYasha observou enquanto Kagome se afastava da mesa. Ela era incrível. De estatura média, confiante e atrevida... Nada daquilo mudara. O que estava diferente era a aparência. Os cabelos pretos, antes usados como se a mão tivesse acostumado a cortá-los, sempre acima dos ombros. Agora iam até a cintura, brilhantes e sedutores. Emolduravam-lhe o rosto bonito, servindo de complemento perfeito para os intensos olhos azuis, os lábios e o nariz delicado. Se não se lembrava de já tê-la visto antes sem uma camada de poeira cobrindo-a dos pés á cabeça, agora ela lhe pareceu uma visão das mais tentadoras. Continuava magra, mas agora com todas as curvas nos lugares certos. Numa saia jeans um tanto curta, exibia pernas bem-feitas, e a blusa justa e sem mangas deixava á mostra um abdome firme, um umbigo tentador. Sem mencionar que moldava seios arredondados e perfeitos.
Ele precisava de uma cerveja. Livre de Kaguya a menos de vinte e quatro horas e já estava procurando substitutas. Recobrando a concentração, olhou ao redor. Normalmente evitava locais barulhentos e lotados como aquele, mas Kikyou lhe assegurava que, naquela noite, poderia apresentá-lo novamente a uns dois ou três homens que ele conhecera com adolescentes baderneiros. De algum modo, tinham-s tornado adultos respeitados e influentes na comunidade. Os vultosos lucros obtidos com a venda de sua empresa de consultoria na internet, a estavam muito bem aplicados, mas, com certeza era cedo demais para ele se aposentar, e como. Se queria começar a ter idéias de que tipo de negócios poderia abrir em Hinoshi, precisava de todos os contatos que pudesse fazer.
No dia seguinte, depois do turno das oito á uma na mercearia Myouga's, Kagome parou seu jipe no caminho de cascalho que seguia á lateral da casa de sua avó. Saltando do veículo, seguiu até a varanda ampla da frente, subindo os degraus, enquanto observava a fachada de pedra da casa pintada em tons alegres, as jardineiras nas janelas repletas de flores. A visão da casa da avó era sempre bem-vinda e confortadora. A caixa de correio vazia. Cinqüenta currículos enviados e nenhuma resposta. Pelo jeito, ela ficaria presa em Hinoshi para sempre.
"Vovó Kaede, estou em cada." – Anunciou depois que abriu a porta da frente. Encontrou a avó na cozinha, desatando o avental branco que lhe envolvia a silhueta robusta, os cabelos grisalhos preso no costumeiro coque, os olhos, azuis como os dela, brilhando, satisfeitos. Kagome beijou-a na face e, então abriu a geladeira para pegar a jarra de chá gelado e servir-se de um copo.

"Vá lavar as mãos e sente-se para comer, Seu prato já está pronto e ainda quente no forno, como sempre."

"Algum telefonema?"

"Nenhum. A secretária eletrônica ficou silenciosa a manhã toda." – Kagome soltou um suspiro frustrado. Também não recebera ligação alguma em seu celular.

"O que fez ontem a noite?" – perguntou a avó após um momento.

"Oh, nada em especial." – Kaede não aprovava o clube noturno, e Kagome não estava disposta a uma discussão. – "Diga-me, você se lembra dos Taishos?" – Perguntou, enquanto começava a almoçar.

"Creio que não."

"Eles eram uma das famílias proprietárias de minas. Moraram aqui por cerca de cinco anos antes de terem se mudado. Tinham uma filha da minha idade e um filho cerca de um ano mais velho do que Solta." – acrescentou ela, referindo-se a seu irmão.

"Ah, parece que estou me lembrando..."

"O filho, InuYasha, mudou-se de volta para a cidade. Sango e eu o vimos ontem á noite."

"É um rapaz bonito?" – o que aquilo importava?

"Sim, tem... boa aparência."

"Arranjou um emprego aqui?"

"Eu não sei. Não foi muito claro quanto ao que está fazendo. Mas, segundo Kikyou, tinha um negocio na internet que vendeu por muito dinheiro. Ela lhe vendeu a casa dos Yukawa." – Kaede arqueou uma sobrancelha grisalha.

"Ouvi dizer que alguém havia comprado o antigo casarão. Ele deve ter mesmo dinheiro se o comprou. Bem InuYasha Taisho deve estar planejando ficar então."

"Acho que sim. Pelo menos até que fique entediado com a gente."

"Não há nada de entediante aqui. E o rapaz parece ser dessa opinião também, ou não teria voltado."

Kagome acabou de almoçar e aproveitou o pretexto de ir trabalhar no seu computador para encerrar a conversa. Não sabia ao certo qual era o súbito interesse de Kaede por InuYasha, mas não queria encorajá-la. Quanto mais tempo ela passava diante de seu computador, mais a avó parecia maquinar mantê-la em Hinoshi. Kagome jamais confessaria seus planos de partir, mas Kaede parecia intuir os motivos da neta para ter aprendido web design.

Se achava que um homem a manteria em Hinoshi, a avó estava completamente enganada. Kagome cometera aquele erro uma vez antes. Não o cometeria novamente. Talvez devesse relembrar a Kaede o passado de InuYasha Taisho. Se soubesse eu ele passara tempo demais matando aula e andando com o grupo dos setes, talvez desistisse do assunto. Ou talvez, não. Quando Kaede abraçava uma causa, não havia muito o que pudesse fazê-la recuar.

Correndo os dedos pelos cabelos pretos, Kagome adiantou-se até seu quarto na casa térrea. Não era muito grande, com espaço para uma cama de solteiro, um guarda-roupa e sua mesa de computador. Ela nem sequer acrescentara muito em termos de decoração pessoal, apenas alguns retratos de família encimando a mesa do computador. Não era muito, mas passara a ser seu lar desde que Kaede sofrera seu primeiro derrame, cerca de dois anos antes. Uma semana depois Kagome vira-se precisando de uma nova casa, e ir morar com Kaede parecera fazer sentido.

Na época, fora perfeito. Ela e a avó tinham ajudado uma á outra a se fazerem, Kaede fisicamente e Kagome emocionalmente. Agora, porém, Kagome dava-se conta de que precisava de algo mais, algo que não era em Hinoshi. Já deixara sua vida em suspenso por tempo o bastante. Era o momento de correr alguns riscos e enfrentar o mundo.

Enquanto ligava o computador, ela lançou um olhar a algumas velhas cestas artesanais a um canto e esboçou um sorriso. Kaede ensinara-a a tecer cestas, quando tivera dez anos de idade. Fora um tempo especial apenas para as duas desfrutarem, e Kagome o adorava. Ma, por melhor que tivesse se tornado aquilo, tecer cestas não a levaria a lugar algum, a menos não além de Hinoshi. Ela precisava se concentrar em algo que tivesse potencial de mercado na cidade grande. Determinada, olhou para a tela do computador, preparando-se para mais uma tarde de treinamento.


InuYasha observou enquanto o grupo de trabalhadores começava a restaurar o casarão, como um pequeno exército em campo de batalha. Em princípio, pensara em fazer os reparos necessários sozinho, mas não demorara muito para comprovar que não tinha a menor prática naquilo. Dois dias antes, encontrara Souta Higurashi (Nota: Aqui o Souta é mais velho que a Kagome) na loja de ferragens e, embora não tivessem convivido muito na adolescência, o irmão de Kagome logo o reconhecera e lhe dera as boas-vindas à cidade. InuYasha tivera de se conter para não lhe perguntar sobre Kagome, a imagem sexy que se tornara ainda impregnada em sua mente. Ficara desapontado quando não a vira mais no Gordie's naquela noite, mas lembrara a si mesmo mais uma vez que devia se concentrar nos seus negócios.
Mesmo com os importantes contatos que ele mantivera através de Kikyou no clube noturno, ainda estava indeciso quanto ao que fazer e resolvera se concentrar primeiro na reforma da casa. Depois que tivesse melhor instalado, conseguiria se organizar e pensar com mais clareza. Souta tinha um amigo empreiteiro, ao qual o apresentara, e, logo no dia seguinte, o homem aparecera com seu grupo de operários para iniciar a reforma. Fora melhor coisa que lhe acontecera. InuYasha cometera um erro comprando uma casa que precisava de tantos reparos. Agora, aquilo estaria resolvido rapidamente, e poderia se concentrar em iniciar seu novo negócio... Qualquer que fosse.

Souta também o convidara para um churrasco na casa de seus pais no final de semana seguinte, e InuYasha não tivera como recusar. Não quisera recusar por nada, admitia. Apesar de dizer a si mesmo que estava bancando o tolo, a verdade era que mal podia esperar para rever Kagome Higurashi.


Kagome fizera um lanche rápido ainda no trabalho e, depois que encerra o turno na mercearia, rumou em seu jipe diretamente para o rio a fim de dar um mergulho. Avisara Kaede que chegaria mais tarde e levaria seu biquíni na bolsa, tendo-o colocado por baixo da roupa, antes de ter deixado o serviço. Era uma das vantagens de se trabalhar meio período e morar numa cidade tranqüila. Costumava fazer aquilo ocasionalmente, indo sozinha desfrutar a água fresca do rio, ou com Sango, o irmão e mais alguns amigos nos finais de semana. Era melhor aproveitar enquanto podia...
Havia vários trechos magníficos no rio, cercado de vegetação exuberante e partes onde a correnteza era mais forte, permitindo-lhes praticar canoagem. Também havia um pequeno píer, onde costumavam fazer piquenique, ou era utilizado pelos moradores que gostavam de pescar. Ela decidiu ficar ao sol e dar seu mergulho lá naquela tarde, sabendo que ficava vazio nos dias de semana.

Estacionou o jipe por perto, apanhou sua sacola com toalha, água mineral e filtro solar e adiantou-se até o píer. Despindo a saia e a camiseta, ficou com seu biquíni verde e espalhou o filtro solar pelo corpo. Estendeu, então, a toalha a fim de deitar-se e desfrutar o sol da tarde por algum tempo.


InuYasha estava satisfeito com o progresso da reforma na casa. No ritmo em que o empreiteiro mantinha seus funcionários, ele calculava que a casa ficaria pronta em poucas semanas. Mal podia esperar, pois estava vivendo de maneira improvisada, dormindo um tanto precariamente num dos quartos e fazendo suas refeições no restaurante da cidade. Chegara a pensar em se hospedar no pequeno hotel local, mas suas coisas já estavam todas na casa e seria apenas uma questão de tempo até ter sua total privacidade de volta. À noite, ao menos, quando tudo ficava silencioso, podia refletir sobre aquela questão dos negócios e, embora já tivesse algumas idéias, ainda não escolhera nenhuma para pôr em prática.
Naquela tarde, querendo fugir um pouco de toda a agitação, resolveu dar uma volta pela cidade em seu BMW. Não havia muito o que se ver, na verdade, a cidade podia ser percorrida de ponta a ponta em menos de quinze minutos. Algo lhe correu, de repente, e seguiu com o carro por uma estradinha que levava ao rio que passava por uma extremidade de Hinoshi. Ainda não fora até lá e seria bom rever o lugar onde costumara se divertir com os colegas quando garoto, nadando ou pescando. Antes da fase rebelde, por assim dizer.

Descendo o carro, teve de caminhar por uma trilha até o píer do qual ainda se lembrava. O sorriso descontraído nos lábios morreu-lhe de imediato, quando se deparou com o inesperado.

Kagome, num biquíni verde, espalhando filtro por um corpo curvilíneo de tirar o fôlego. Ele sentiu o pulso se acelerando enquanto a observava e manteve-se imóvel até que a viu deitar-se numa toalha no píer. Sabia que deveria ir embora antes de ser visto e deixá-la desfrutar sua tarde em paz. Mas não pôde. Afinal, por alguma razão, não tivera ansiando por vê-la desde aquele encontro casual no clube noturno? 'Só iria até lá cumprimentá-la', disse a si mesmo. Não havia nada de mal naquilo. Era a atitude educada a tomar na verdade.

Não passando nem da metade daquelas justificativas, InuYasha já estava no píer antes que se desse conta.

"Olá, Kagome. Como vai?" – Kagome sentou-se abruptamente na toalha. Aquilo era coincidência, ou teria feito o homem se materializar ali com a simples força do pensamento?

"Olá. O que faz aqui?"

"Apenas resolvi dar uma volta para relaxar. Minha casa está um verdadeiro caos com toda aquela reforma. Lembrei-me do rio e resolvi vir até aqui. Afinal, não há muito o que se ver na cidade.

"Nisso, você tem toda a razão" – Sentindo-se pouco á vontade em seu biquíni, Kagome concluiu que era hora de dar aquele mergulho. Sem mencionar que a maneira como InuYasha a estudava com seus olhos dourados parecia ter um efeito mais escaldante do que o sol.

Ela deu um mergulho gracioso e, logo, emergiu, jogando os cabelos para trás, a água chagando-lhe quase até o peito naquele trecho do rio. InuYasha observou-a, fascinado, os olhos azuis dela mais intensos sob o sol, as gotículas de água escorrendo-lhe pelo rosto, até a curva dos seios sedutores emoldurados pela parte de cima do biquíni. Não demorou para que o fogo do desejo percorresse suas veias. Céus! Estava e, brasa, e não demoraria para que ela percebesse.

"Acho que também vou dar um mergulho. A água está convidativa demais num dia... Hã... Quente como este."

"Vai mergulhar de roupa e tudo?" – Perguntou Kagome com ar duvidoso.

"É claro que não." – Sem hesitar, InuYasha despiu a camiseta.

Kagome observou-o, boquiaberta, incrédula. Não apenas achara que o homem teria coragem de ficar so de bermuda na sua frente, como também não soubera que ele era um verdadeiro deus grego. (Amo falar isso xD) Engolindo a seco, observou-lhe o peito músculos bem-definidos, o abdome rijo, as coxas fortes... Felizmente, ele mergulhou depressa no rio, dando vigorosas braçadas de uma margem á outra, o que deu tempo a ela de se recobrar ao menos um pouco.

Num certo momento, ele emergiu inesperadamente a sua frente, bem próximo, os incríveis olhos dourados estudando-a com um brilho indecifrável. Ela tornou a engolir a seco.

"Você é maluco, sabia?" – disse, tentando usar um tom descontraído para romper a evidente tensão entre ambos.

"Sabia."

Enquanto a observava e olhava para seus lábios fixamente, InuYasha inclinou a cabeça como se fosse beijá-la. E, de repente, Kagome esqueceu-se de tudo o mais e ansiou para que aquilo acontecesse. Foi por aquela razão que quando, de fato, ele lhe tomou os lábios com os seus, uma explosão de sentimentos tomou-a de assalto, e ela se colocou na ponta dos pés, abraçando-o pelo pescoço. Seguindo um impulso incontrolável, correspondeu ao beijo com todo seu ardor.

Ele abraçou-a pela cintura, moldando-lhe as formas femininas a seu corpo, evidenciando a intensidade de seu desejo.

De repente, deu-se conta do que estava fazendo e parou, interrompendo o beijo abruptamente, mas continuando a mantê-la junto a si. Kagome observava-o com os olhos confusos e sonhadores, a respiração ofegante, as faces coradas.

"Tenho de ir." – disse de repente e saltou com agilidade até o píer, vestiu rapidamente as roupas sobre o corpo molhado e desapareceu pelo meio da vegetação, alguns momentos depois ela ouviu o ruído do motor de um carro rompendo o silêncio bucólico do lugar.Kagome permaneceu no rio, atordoada, ainda recobrando a respiração e confusa.


No dia seguinte, Kagome continuava exasperada consigo mesma. Em primeiro lugar, não se perdoava por seu momento de fraqueza no rio. E, em segundo, depois daquilo, simplesmente não conseguir parar de pensar em InuYasha Taisho. Até cometera a insensatez de passar naquela manhã em seu jipe pela rua dos carvalhos, a fim de dar uma espiada no antigo casarão dos Yukawa. E em InuYasha, tinha de admitir. Felizmente, não o vira. Mas a velha mansão vitoriana estivera em plena atividade, como imaginava, com pessoas trabalhando desde o topo do amplo telhado até os degraus da varanda da frente. Souta lhe contara que recomendara o amigo empreiteiro. (Pedreiro, sei lá) a InuYasha e, pelo aspecto das coisas, a reforma no novo lar dele ia de vento em popa. (Rápida) O que a irritara fora que o irmão lhe dissera que o convidara para o churrasco que haveria na casa de seus pais no sábado seguinte. Por que fora convidá-lo, afinal? Ela não teria como deixar de ir, ou os pais ficariam aborrecidos. E, de repente, teria de se ver mais uma vez frente à InuYasha Taisho, achando-o irresistível... Mas agora tendo de redobrar seus esforços para resistir a ele.
Bem, bastaria se concentrar no que interessava, lembrou a si mesma. Só porque não conseguia tirar InuYasha dos pensamentos não significava que sentia algo por ele. Bem, além de atração física claro. Mas o fato era que simplesmente imaginara-o de uma maneira e, então, ficara surpresa com o homem sexy e confiante que o ex-garoto rebelde se tornara. O que importava agora era esquecer o encontro no rio e concentrar-se em seu objetivo de deixar Hinoshi.
Á tarde, na privacidade de seu quarto, enquanto Kaede assistia TV na sala, Kagome apanhou o celular. Ligou para o numero de Kouga. Conhecera-o seis meses antes, durante um seminário na Universidade de Wokasa, e haviam feito alguns contatos desde então. Naquela manhã, no jornal da cidade de Wokasa, houvera o anúncio de que uma equipe de engenharia estava recrutando um profissional para um projeto de web design e o nome de Kouga e seu numero haviam constado no final. Se ela tivesse sorte, aquela poderia ser sua grande chance. A secretária eletrônica dele estava ativada e, portanto, deixou uma mensagem com o numero de seu celular.
Finalmente, aos vinte e dois anos, estava fazendo algum progresso, dando o primeiro passo concreto rumo a seus sonhos. Não haveria nada que Kaede ou um simples recém-chegado á cidade pudesse fazer para interferir em seu caminho.

Sango, por sua vez, já havia se candidatado a uma vaga no Shikon e não se conformava que ela não tivesse feito o mesmo, uma vez que ambas tinham trabalhado juntas em vários coisas desde o termino do colegial. Será que sua amiga a queria mais?Ver o mundo? Morar em algum lugar onde as pessoas não soubessem absolutamente tudo a seu respeito? Onde as pessoas não a julgavam baseadas nos erros de seu passado? Kagome ansiava por tudo aquilo.


Foi uma questão de poucos dias para que ela recebesse a tão desejada resposta do telefonema, embora parecesse ter se passado uma eternidade. Quando já começara a achar que Kaede esquecera sua existência por completo, seu celular tocou no final de uma tarde:
"Kagome, você está interessada no projeto de web design?" – A voz de Kouga soou familiar do outro lado da linha – "O pagamento não é muito, mas é uma chance que pode levar a coisas melhores. Deseja tentar?"

Kagome respirou fundo, procurando vencer o nervosismo.

"Sim claro"- Confirmou imediatamente.

"Ótimo. Que tal ir almoçar comigo amanhã? Poderemos conversar sobre os detalhes"

"Ta certo.Almoçamos amanhã"

Assim que desligou o telefone, Kagome deu um salto em seu quarto, mal em si de alegria. Ali estava, a sua grande chance! Partiria de Hinoshi.


Sentada na varanda da frente da casa dos pais no final da tarde de sábado, Kagome examinava uma margarida que pegara do jardim da mãe. Ainda parecia convidativa a distância, mas sem graça de perto.
"Aceite o trabalho" – murmurou, arrancando uma pétala – "Não aceite" – disse, arrancando outra.

Seu almoço de negócios com Kouga, ainda naquele dia na cidade de Wokasa, não fora exatamente empolgante. O trabalho seria temporário, o de criar site para a mineradora Sunrise, que iniciaria uma nova operação ao sul de Hinoshi, nas proximidades de Matsuru. Minas de Chumbo. Ela se lembrava de que, na sua infância, houvera um riacho perto de Hinoshi, onde costumava brincar com seu irmão e os amigos... Um lugar de águas cristalinas, cercado de antigos carvalhos e flores silvestres. Na ultima vez em que estivera lá, tudo desaparecera, destruído pelos desejos das minas.

Ela poderia iniciar o projeto ali mesmo em Hinoshi e ir a Matsuru ocasionalmente. Se gostassem de seu trabalho, Kouga lhe dissera que haveria a oportunidade de um emprego permanente com uma carreira promissora de web design.Por que não estava saltando de alegria então? Haveria algum outro motivo além das minas em relação aquele trabalho?

'Não, nenhum', disse para se mesma com firmeza. E, embora jamais tivesse aprovado a devastação causada pelas minas, aquela oferta de trabalho era a única oportunidade que tem de sair de Hinoshi. Afinal, sempre desejara isso. Não tinha muitas opções, se deixassem aquela oportunidade escapar, talvez acabasse ficando presa ali para sempre.

Ao longo do tempo, muitas fábricas tinham fechado na cidade. Exceto pelo supermercado Shikon, nenhum negócio novo surgira em Hinoshi. O desemprego acabara afugentando muita gente dali. Sim, ela tinha que pensar em termos práticos e encaminhar seu futuro da melhor maneira possível.

Com a mente menos anuviada, Kagome tornou a entrar na casa dos pais, apreciando os aromas da cozinha, onde a avó e a sua mãe terminavam de preparar os acompanhamentos para o churrasco, incluindo as tortas de maçã para a sobremesa. Seu irmão, Souta ( Ele é mais velho que a kagome, ta?) já chegara do pequeno apartamento onde morava e estava ajudando o pai de ambos a acender a churrasqueira no pátio dos fundos.

Quando ouviram uma batida na porta da frente, a mão de Kagome virou-se sorridente para Kagome:

"Pode ir atender, querida? Deve ser o garoto que Souta convidou. Não posso pensar em ninguém mais que teria o trabalho de bater á porta.

Kagome sentiu o coração disparar. Lembrou-se do maravilhoso beijo que trocaram no rio. Não tinham conversado desde então, e ela esperava manter um ar sereno quando o visse. Respirando fundo, espiou no olho mágico da porta. InuYasha estava para diante da porta, segurando um buquê de rosas, parecendo incrivelmente lindo.


InuYasha respirou fundo, sentindo-se pouco á vontade. Não sabia ao certo como se aproximar de Kagome, depois da maneira como a beijara no rio. Decididamente, algo acontecera entre os dois. Não tinha certeza do que, mas houvera uma mudança. Não era uma mera atração física, um simples beijo roubado. Havia uma química forte demais entre ambos. Uma química rumando a algo que poderia torná-lo a metade de um casal novamente em vez de um indivíduo completo. Uma mudança para a qual não estava pronto.
Sumário
Hinoshi: Uma cidade que inventamos para a fic. Já que não conhecíamos nenhuma que sejam com as aparências que demos nesse capitulo.
Olá,
Esperamos que tenham gostado. Essa é nossa primeira Fan fic que podemos considerar aqui no site Rsrsrs. Qualquer duvida sobre a fic estamos a sua disposição. xDD

Caro leitor...

Que vc decida se essa fic é ou não merecedora de uma Review!!

Kissus!