Eu costumava passar toda noite pelo metrô central quando voltava do trabalho na agencia de modelos. Não que eu nunca estivesse com minha moto, mas as vezes era mais conveniente chegar no trabalho de metrô. Nova York era uma cidade conturbada demais. Senti o celular vibrar no bolso da calça jeans e rapidamente olhei para a mensagem instantânea de Marlene: "Passe no escritório mais tarde". Era um milagre ela ter saído daquele maldito bar, vê-la ser cantada por clientes embriagados não era a melhor coisa do mundo, mas eu gostava de acreditar que só era para Marlene poder pagar a faculdade, afinal, seus pais não eram muito a favor da faculdade que ela queria fazer. Não me impressionara ao vê-la chegar no meu apartamento, dizendo que conseguira um cargo de estagiaria na New York Time, logo depois ela já estava em um cargo bem melhor do que estagiaria.

-Marlene?
Eu a chamei logo que cheguei a redação, ela sorriu para mim e logo estava pedindo licença ao idiota que conversava com ela para vir me abraçar.
-Que bom que você veio, meu expediente está terminando e você pode esperar ali.
Ela indicou uma poltrona em um canto afastado do escritório e me deu um beijo discreto.
-Lene, quem era aquele cara?
Perguntei sem rodeios e ela pareceu não entender.
-Como assim?
Eu indiquei o rapaz com a cabeça e ela apenas riu de mim.
-Era apenas um dos novos estagiários, Sirius, não me diga que está com ciúmes?
Ela estava apoiada em mim e eu tive uma leve impressão de que aquele homem a observava. Leve.
-E se estiver?
Ela riu novamente e me deu mais um beijo.
-Você estará sendo fofo, mas por favor... Não exagere.
Ela saiu dizendo que ia tentar falar com seu chefe para sair mais cedo e eu fui me sentar no lugar que ela havia indicado. Eu até cheguei a pensar que Marlene tivesse um caso com aquele homem, certo, eu estava exagerando demais. Mas eu amava a Lene e isso só prejudicava ainda mais minhas crises repentinas de ciúmes. Vi ela sair e fui até lá perguntando:
-Planos para hoje?
Saímos pela porta da frente e sem pressa fui até minha moto parada na esquina. Tive vontade rir ao ver a careta de desgosto se formar no rosto da minha noiva.
-Prefiro caminhar, sinceramente... Você sabe que tenho medo de andar nessas coisas.
Me afastei da moto e olhei para ela, Marlene parecia estar segura com sua decisão, não tinha outra escolha, me afastei da moto e voltei para o lado da garota que me esperava.
-Ok, vamos andando, então.

Há abracei pelas costas, Marlene sorriu e segurou minha mão.
-Vamos na casa da Lily, tudo bem? Esqueci minhas coisas lá ontem.
Eu assenti e saímos andando, nem me passou pela cabeça que eu estava mimando demais Marlene.
-Você está linda.
Olhei novamente para ela, claro, eu sempre reparava em sua beleza, mas hoje ela estava visualmente diferente. Os cabelos castanhos presos em uma trança longa e desfiada, ah, como eu gostava desses cabelos! O cheiro de mel e o tom sedoso me encantavam. Seus olhos hoje estavam com um brilho anormal cor de mel. Ela estava perfeita, simplesmente perfeita.
-Obrigada.
Marlene disse docemente me tirando de devaneios. Tirei do bolso da calça um cigarro.
-Tem alguma isqueiro?
Indiquei o cigarro com a mão e ela rapidamente fechou a cara, parecendo não gostar nada da idéia.
-Você e esse maldito vício!
Eu recoloquei o cigarro no bolso, sabia que mesmo se ela tivesse não iria me dar, então apenas a abracei.
-Como eu já disse, você é meu único vício.
Marlene me empurrou cruzando os braços. Ela sempre ficava furiosa quando o assunto era eu e meus cigarros.
-Não venha com esse papo para cima de mim... Quando você vai parar de fumar?
Ela perguntou sem rodeios, me fazendo mudar de assunto.
-Sabe, eu soube que sua amiga, Lily, está namorando James. É verdade?
Marlene pareceu mais feliz quando um pequeno sorriso apareceu no canto de seus lábios.
-Então o namorado misterioso dela é o James? Como soube?
Eu segurei a mão dela novamente.
-Peter me contou, ele é um grande fofoqueiro, sabe, o Peter.
Ela assentiu e parou na porta de um prédio, com certeza aquele devia ser o apartamento de Lily e como eu previa era o mesmo prédio do meu melhor amigo. Marlene chamou o porteiro e pediu para subir, ele nos deixou entrar sem fazer objeção.
-Você notou que ela é vizinha de James?
Ela apertou o botão do elevador e se virou para mim.
-Suspeitei, Lily vive falando do tal vizinho.
Ela riu e entramos no elevador, um minuto depois estávamos na porta do apartamento de Lily. Marlene costumava dividir o apartamento com sua melhor amiga, mas desde que entrou para a New York Times e começou a ganhar um salário bem elevado em relação ao que ganhava no bar, ela decidiu comprar um apartamento só para ela.

Lily abriu a porta com uma expressão de espanto, seus olhos ainda estavam cansados, mostrando que havia acabado de acordar.
-Lene? Sirius? O que vocês fazem aqui?
Ela perguntou e Marlene, adiantada, logo entrou no apartamento.
-Minhas coisas, deixei aqui ontem e disse que ia passar. Não lembra?
Lily bocejou e passou a mão pelos cabelos bagunçados.
-Tudo bem, eu pego.
Ela falou, mas Marlene se adiantou e foi em direção ao quarto que aparentemente era de Lily.
-NÃO ENTRE!
Lily gritou e segurou Marlene a impedindo de entrar. Marlene a olhou espantada, estranhando o comportamento da amiga, eu olhava tudo calado.
-Por quê?
Ela pareceu por um momento sem palavras e logo depois inventou uma desculpa qualquer.
-Meu quarto está um lixo.
Marlene fez sinal de descaso com a mão.
-Que besteira Lily, eu não ligo para isso.
Marlene novamente tentou abrir a porta e novamente Lily a impediu.
-Mas eu ligo.
Lene levantou uma sobrancelha e colocou novamente a mão na maçaneta, mas sem abri-la.
-O que você está escondendo, Lily Evans?
Lily ficou extremamente vermelha e Marlene abriu a porta com os olhos arregalados.
-Que safada você, Lily Evans.
Eu me aproximei e vi James deitado na cama dela com um olhar culpado para a namorada que estava em pé totalmente envergonhada.
-Hey, Sirius, o que faz aqui?
Eu dei de ombros e Marlene atravessou o quarto para procurar suas coisas.
-Pelo visto se divertiu muito hoje, não?
Perguntei e Lily me deu um tapa no braço, infelizmente ela tinha uma mão pesada quando se tratava de bater em pessoas inocentes.
-Mais respeito, Black.
Marlene voltou para o meu lado com um sorriso no rosto.
-Não achei meus CDs, se achar você me avisa?
Lily assentiu e eu pisquei para James.
-Bom, vamos embora para vocês aproveitarem o resto da noite.
-SIRIUS!
Lily gritou vermelha até a raiz dos cabelos e Marlene me arrastou até o elevador, quando chegamos ao subsolo já estamos tão descabelados quanto Lily e James.