- Ah Sakura. Você sabe que odeio deixá-la sem minha ilustre companhia – começou Ino, levantando da cama – Mas preciso ir. Papai vai surtar se eu chegar cedo de novo.
- De novo? O que você estava fazendo ontem à noite? – perguntou Sakura, erguendo a sobrancelha.
- Tendo umas conversas com a Buffy. Ela pode te ajudar com esse problema.
Sakura nem ao menos se deu ao trabalho de responder, até porque não tinha uma resposta à altura. Deixou Ino rir da própria piada à vontade, até que a loira percebeu que realmente era tarde e realmente arrumaria problemas com seu pai se ficasse mais cinco minutos rindo da cara de pão da Haruno.
- Espero que o tio Inoshi te dê uma surra! – Sakura gritou da varanda, enquanto observava a Yamanaka deixar a casa fazendo um sinal obsceno.
No andar de baixo, a mãe de Sakura, que não ouvira nem vira a delicada despedida das meninas, se regozijava do fato da filha ter uma amiga tão prestativa, educada e amorosa.
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Sakura se arrependia de ter deixado Ino ir embora. Se tivesse a coagido a ficar mais um pouco, não estaria escondida no armário, com uma lanterna e o celular nas mãos. Tentou ficar na varanda, mas estava muito quente. Tentou ficar no quarto, mas o ambiente parecia a engolir. O armário pareceu convidativo e aconchegante o suficiente para uma medrosa que estava quase gritando pela mãe.
Fechou os olhos e tentou se imaginar num lugar feliz. Pensou em Forks, na casa dos Cullen, no quarto de Edward. Sem a Bella, com certeza. Apertou os olhos, tentando dar mais realidade à sua imaginação. Falhando, obviamente. Ela ainda pensava no cheiro estranho que sentira. Lembrava demais o cheiro do porão da casa de seus avós. Será que era sua avó, vinda de uma longa viagem, decidiu subir pela parte externa dos fundos e rasgou a perna na grade da janela da sala? Mas desde quando sua avó se tornara tão atlética? Será que as massagens que andava fazendo e todos os energéticos que ela tomava estavam a transformando em uma atração circense?
Sacudiu a cabeça, tentando apagar de sua mente a imagem de sua avó com barba num trapézio. De repente percebeu que o armário também estava lhe proporcionando efeitos contrários aos esperados. Não se sentia em paz, muito menos relaxada.
Chutou a porta e pulou numa bandeja de biscoitos que sua mãe deixara ali mais cedo. O barulho a assustou tanto que o grito de pavor foi inevitável. Sua mãe irrompeu no quarto segundos depois, como uma maratonista, perguntando de um modo pouco delicado e silencioso se estava tudo bem.
- Está tudo bem, só me assustei com a bandeja – ela respondeu repetidamente, tentando aliviar o coração acelerado da mãe.
- Você não tem idéia de como me assustou. Pensei que fosse seu tio bêbado tentando entrar e roubar nosso dinheiro – ela respondeu, com as mãos sobre o peito, arfando. Seu maior medo era ser roubada pelo ex-cunhado, um bêbado delinquente que achava muito errado ter perdido parte do dinheiro que seu irmão deixara para a sobrinha.
- Mamãe, ele foi preso há um ano atrás – Sakura parecia chocada pelo fato de sua mãe ser uma escrava do dinheiro e não estar nem aí para seu estado físico e mental.
Ela pareceu um pouco aliviada, mas isso não a impediu de checar cada milímetro da casa. Sakura suspirou e tombou na cama, tendo agora outro assunto em mente.
Quando a senhora Haruno passou novamente no quarto para ver se estava tudo bem, a rosada já dormia tranquila, provavelmente sonhando com uma convenção de Cullens em seu quarto.
Ela balançou a cabeça, numa falha repreensão. Também tivera seus momentos de fã louca quando nova. Apagou a luz e deixou o quarto, enquanto Sakura sonhava com seu tio trazendo uma mala de livros e dvds de Crepúsculo.
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Quando Sakura acordou, o calor já entrava através da janela aberta. Ela se livrou das pesadas cobertas e desceu da cama cambaleante, aquele calor a deixava doente. Podia escutar os sons que sua mãe fazia na cozinha, e pensou seriamente em não descer e ficar ali, deitada no chão do quarto, procurando uma brecha gelada.
Mas seus pensamentos foram interrompidos quando Ino entrou no quarto gritando, trazendo Hinata junto, que encarava o chão envergonhada.
- BOM DIA, TESTA!
- Bom dia, Sakura-chan - começou Hinata – Eu trouxe bolo de castanha pra você.
Sakura sorriu. O bolo de castanha compensava qualquer coisa.
- Tudo bem então, vamos descer pra comer na cozinha – respondeu a rosada, deixando o quarto. Ainda estava minguada, como uma bóia vazia.
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Depois de comerem e conversarem com a Senhora Haruno por alguns minutos, as três meninas deixaram a casa amarela e resolveram andar de bicicleta pelo bairro. Ino tentou tirar as mãos do guidão e levou um tombo feio, e decidiu que já tinha andado o suficiente. Elas pararam embaixo de uma das grandes árvores que ladeavam a avenida e descansaram ali, bebendo suco de morango e conversando sobre aulas de verão.
- Hinata-chan, você ainda gosta do Naruto, né? – perguntou Ino, sendo incrivelmente indiscreta. Hinata, de repente sem ar, corou até o último fio de cabelo – Acho que isso me serve de resposta.
- Como você é malvada, porca. Controle-se, ninguém tem obrigação de responder suas perguntas indiscretas.
- Faço uma indiscreta pra você também e tudo acaba bem. Aposto que isso é ciúme – respondeu a Yamanaka – Você ainda gosta do Edward Cullen?
- Claro que sim – respondeu a Haruno, soando óbvia demais e assustando as amigas – Não tem como deixar de gostar dele.
Ino balançou a cabeça, desapontada. Sakura não crescia. Hinata, por outro lado, não julgava a amiga e estava sempre disponível em qualquer momento. Era incrrível como aquele trio tão disitinto se completava de maneira tão fácil. Aquele pensamento pegou as três despreparadas, e elas riram juntas, imaginando a sorte de serem assim, tão peculiares.
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Quando voltaram para a casa de Sakura, a mãe da Haruno já estava fazendo seus famosos biscoitos. Ino sentou na mesa e comeu quatro de uma vez, deixando Hinata novamente envergonhada. A Senhora Haruno não parecia ligar e de fato, até se divertia com a "vivacidade" da Yamanaka.
- Você não vai casar desse jeito – alfinetou Sakura, mastigando educadamente.
- Você também não, se continuar presa em Forks.
Hinata pressentiu o momento que estava por vir muito antes, quando Ino começou a utilizar a obssessão de Sakura por Crepúsculo como uma desculpa para sua má conduta de vez em quando. Como quando ela chutou a estátua de ferro da praça principal, e Sakura foi reclamar. Ino justificou dizendo que se a estátua pertencesse a um super vilão de Crepúsculo, que ela nem ao menos sabia o nome, Sakura faria o mesmo em nome de seu amado Edward. A rosada concordou, sem perceber o quanto parecia estúpida.
- Já cansei disso. Você adora usar minha paixão pelo Edward como desculpa para as merdas que você faz! Vê se cresce, porra! – Sakura bradou, batendo na mesa.
- Sakura! – gritou a Senhora Haruno, envergonhada. Sentia-se impotente pois sabia que aquela situação não lhe pertencia.
Ino se encolheu e fechou a cara. Seu rosto de repente tornou-se vermelho, sua boca começou a tremer e ela apertou os olhos como se não quisesse abrí-los nunca mais.
- Ino-chan... – murmurou Hinata, pousando uma mão no ombro da amiga. Ela romperia em lágrimas a qualquer momento.
Sakura, no entanto, começou a chorar antes da amiga. Ela estava morrendo de vergonha, e frustrada por ter ofendido Ino daquele modo. Elas eram melhores amigas, mesmo que vivessem se engalfinhando.
- Não é minha intenção... – Ino disse, entre fungadas – Mas é que é tudo tão difícil pra mim... Às vezes eu só quero desaparecer... Pra deixar meu pai viver uma vida diferente...
A Senhora Haruno abraçou a Yamanaka, que pareceu ainda mais tristonha ao sentir os braços magros da mãe de Sakura ao seu redor.
- Sakura, pegue o bolo de morango na geladeira. Tem sorvete de creme no freezer. Hoje vamos comer bastante – ela disse, suspirando.
Hinata pensou, por breves instantes, em como as Haruno se mantinham tão magras, quando a comida parecia jorrar das paredes.
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À noite, as duas meninas deixaram a casa amarela das Haruno. Sakura as levou até metade do caminho, e voltou sozinha, em lentos passos, para casa. Estava frio demais para uma noite de verão e ela viu o brilho branco do relâmpago clarear o céu escuro. Uma brisa gelada arrepiou sua espinha, e ela apressou o passo, mortificada de medo.
- Por que tanta pressa?
"Não vire, não vire" ela repetia para si mesma, em pensamentos.
O estranho se aproximou e pôs a mão direita sobre seu ombro. Sakura tremeu com o toque da mão gelada e queria muito gritar, mas não encontrou forças. Seu corpo estava mole, como gelatina derretida. O que era aquilo?
De repente, a mão subiu delicadamente para o pescoço, virando devagar sua cabeça. O estranho tinha agora uma visão privilegiada do pescoço alvo da garota. Sentiu o toque da boca dele, tão fria quanto sua mão, atingir sua pele em cheio, e depois disso, tudo escureceu.
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Quando a Haruno acordou, estava perfeitamente alojada em sua cama, coberta até o pescoço por três pesados cobertores. Em pânico, tocou o pescoço, à procura de qualquer evidência do encontro com o estranho de mãos geladas.
Sua mãe a observava, visivelmente preocupada. Ao seu lado, no criado mudo, avistou uma bandeja de metal com biscoitos e chá.
- O que aconteceu? – perguntou a Haruno mais nova, colocando as mãos na nuca.
- Você desmaiou na entrada de casa. Trouxe esses biscoitos para você comer agora. Ainda são duas da manhã, se estiver com sono, volte a dormir. Amanhã iremos ao médico.
Sakura sorriu ao ver a mãe deixar o quarto. Levantou da cama e devorou os biscoitos como Ino tivera feito anteriormente, dando algumas goladas no chá morno em seguida. A porta da varanda estava aberta, e as cortinas esvoaçavam como braços num balanço.
Saiu do quarto depois de comer, levando a bandeja para a cozinha e subindo para o banheiro em seguida. Demorou cinco minutos lavando o rosto, para despertar de verdade, e voltou para o quarto.
- Melhorou?
Não pôde responder, pois a mesma mão gélida que antes repousara em seu ombro e pescoço agora cobria sua boca gentilmente.
- Vim aqui para ter certeza que você não contaria nada para sua mãe e também para terminar meu trabalho – ele disse, sem tirar a mão da boca da rosada.
Sakura engoliu seco, e percebeu um tanto aliviada que ele se afastara alguns passos e livrara sua boca de sua mão.
- Trabalho? Que trabalho?
- Sou um homem – ele parou e riu de lado, como se estivesse aproveitando alguma piada privada – de poucas palavras. Já lhe disse o suficiente. E não grite, sua mãe não precisa ser prejudicada.
Ela temeu pela mãe por alguns instantes, mas nem por isso se calou.
- Ou você é um pervertido com fetiche por pescoços ou – Sakura pausou e respirou fundo, não imaginando o que estava prestes a falar – você é um vampiro.
- E se eu for os dois?
Os olhos da garota brilharam. Um vampiro! Aquilo era magnífico! Quantas perguntas ela tinha para fazer!
- Mas não sou Edward Cullen, muito menos um dos Salvatori. Não bebo sangues de rato como se fossem latinhas de refrigerante. Eu estou aqui procurando comida. Entende?
- Eu não ligo.
- Vai ligar quando eu terminar o trabalho.
O estranho escutou um tanto assustado as palavras que vieram a seguir.
- Você ainda nem começou.
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Desculpem a demora! Minhas aulas voltaram e acabaram hoje de novo, então fiquei meio melancólica, mas hey, o capítulo saiu! ;D Espero de coração que as pessoas que gostaram do primeiro também gostem desse! E a Sakura conheceu um vampiro, já pode morrer feliz! Ou não... Hihi.
Então é isso, feliz carnaval, fiquem alegres e aproveitem as miniférias!
Beeijos chuchus !
