Mascaras
Capitulo II
A musica era agradável e fazia aos mais entusiasmados dançarem no meio da praça, pois aquela noite não era de timidez e sim de alegria. Ela andava por entre as pessoas, todas com suas fantasias coloridas que riam e bebiam a confraternizarem em perfeita harmonia. Sua mascara, ao contraria da grande maioria lhe escondia apenas parte de seu rosto, visto que ela assim o desejava, pois queria ser reconhecida de imediato pelo seu amado, que encontrava-se a rir muito em meio a um alegre grupo.
_Demetri, veja se não acaba de chegar a tua Columbina...
Isabella suspirou ante ao apelido que a perseguia desde os tempos de colégio, mas sorriu com abertura e desenvoltura assim que dele se aproximou.:_Se de fato ele fosse meu Arlequim, já teria me levado para dançar...
_Só não o faria se um cego fosse! – Isabella sentiu com enorme prazer as mãos grandes dele se apossarem de sua cintura e os dois girarem até o meio da praça chegar.:_Esta noite as estrelas ficaram com inveja de ti, minha Bella!
Rindo lisonjeada ela comentou que ele fora infeliz com as suas primeiras palavras, visto que eram mais furadas do que os buracos do queijo.:_Mas veja que sou apenas o Arlequim, aquele que te faz rir e amar, palavras bonitas pertencem aos poemas do Pierrô, minha Columbina.
_Bella, apenas Bella!
_Ainda muito melhor – ela sentiu ao arrepio percorrer todo o seu corpo a começar pelo cangote, onde ele encostou seus lábios para falar próximo ao lóbulo de sua orelha e, sua calcinha se umedeceu imediatamente.
_Porque? – ela ergueu ao seu queixo o que deixou seus lábios próximos demais dos dele e, ambos passaram a sentir o aroma que vinha de suas bocas, um elixir poderoso e sensual que antecedia ao beijo. Demetri, que ao longo dos anos via com olhos gulosos o desabrochar da jovem Isabella, excitou-se com a oferenda assim, tão gratuita dos lábios dela, que estavam vermelhos, carnudos e muito próximos de sua boca e, preparando-se para abocanha-los, ele sentiu antes, ao um cotovelar dolorido por entre as suas costelas que o fizeram largar a cintura fina e quente de dela.
_O quê? – a dor que fincada tirara momentaneamente o ar dos pulmões do belo Demetri não o permitiu ver que a jovem estava sendo levada para longe dele por outro homem, vestido da cabeça aos pés com a fantasia de um palhaço e que usava a uma mascara que impossibilitava ver-lhe o rosto. Ele chegou mesmo a ouvir a voz dela a chamar-lhe.:_Demetri? - Mas que se ia para longe dele e, com um respirar dolorido ele conseguiu se por em pé, no que foi auxiliado pela ultima pessoa que esperava ver em sua frente novamente.:_Eduardo!
_Demetri, a pronuncia é Edward!
_Si! Mas que ao final tem o mesmo significado. Quando foi que você voltou?
_Esta noite! – Demetri teve que erguer ao seu queixo para olhar nos olhos de Edward, que vestia a uma fantasia larga, branca e preta e segurava em suas mãos a uma mascara.
_Parece que roubaram a tua Columbina rapaz!
_Si, se encontrar com aquele desgraçado juro que quebro a cara do calhorda!
_Por te roubar a mulher?
_Não! Por me socar as costelas!
_Verdade? Mas veja, acho apenas que foi um esbarrão, muito normal. Agora se me der licença vou curtir a festa do carnaval.
E Demetri viu o rapaz alto, filho do medico inglês que mudara-se com sua família anos atrás para aquela vila. Ele viu Edward rodopiando com uma mulher fantasiada para depois sumir de suas vistas. Já Isabella, que fora praticamente arrancada dos braços de Demetri, bem no momento em que finalmente seria beijada, se via sendo arrastada através de rodopios cada vez mais rápidos por toda a praça até que eles acabaram por entrarem no salão dos espelhos e, somente lá, ela foi solta pelos braços fortes do palhaço que a conduziu. Ela teve que esperar ainda por alguns minutos até sua vertigem passar e, quando por fim sentiu-se normal novamente, ela abriu a sua boca para xingar ao intrometido no que foi surpreendida por encontrar-se sozinha e com a sua imagem refletida por toda a parte. Aproximou-se de um dos espelhos Isabella tirou a sua mascara que, ao final, não lhe escondia a identidade.
_Nunca gostei deste lugar. – e quando, decidida a deixar a sala dos espelhos, ela foi surpreendida novamente pela entrada dele.
_Você! – ela correu para o palhaço, afim de arrancar-lhe a mascara e, quem sabe não estapeá-lo também, mas, foi vencida pela agilidade e força dele que se desvencilhava de todas as suas investidas, o que somente a irritava ainda mais e, ela passou a correr atrás dele que acabou por rir embaixo de sua mascara.
_Pare de rir! Você me irrita!
_Então pare de querer arrancar a minha mascara! – a voz saiu abafada por debaixo da mascara de porcelana, mas ela notou que era rouca e forte.
_Tira então!
_Somente se me der um beijo!
_Atrevido! – ela falava por entre seus dentes e tentava adivinhar quem estava a lhe pregar aquela brincadeira e passou a medir a altura do homem dentro daquela fantasia, mas não se recordou de nenhum de seus amigos que fossem assim, tão altos.
_Doce Bella, linda mulher! Você quer tirar a minha mascara mas não quer pagar o preço? Não, não! – ele fez o sinal negativo com um dedo que também estava encoberto por luvas pretas, o que irritou ainda mais a Isabella que deu um pulo de gato para cima dele, mas que foi pega por ele e envolta em seus braços quentes.
_Vamos dançar? – ele a pegou com leveza a girando no meio da sala, Isabella sentiu o perfume e o calor do corpo dele e com uma mão se esticou para tentar tirar-lhe a mascara.:_Somente com um beijo querida...
_Está bem! Eu dou, agora tira!
Ele parou de girar com ela e, Isabella firmou as suas vistas na face bonita da mascara de porcelana, tentando ver a cor dos olhos e isto somente lhe causou frustração. Ela deu dois passos para trás, ansiosa por ver o rosto do desconhecido intrometido que deu dois passos até ela com a mão posicionada a tirar a mascara finalmente e, sem saber o motivo, ela estava muito ansiosa por isto.
_Sabe que terá que cumprir com a sua palavra? Vou tirar a minha mascara e você me dará o beijo!
_Tire a mascara primeiro.
_Não vale fugir da sua promessa...
_E para onde eu iria? – ela fez um gesto mostrando os espelhos que os cercavam e o palhaço olhou a volta sentindo-se confiante diante da expectativa dela. Ele deu outro passo a tomando pela cintura com uma mão e, estranhamente, Isabella não teve medo, pois algo lhe dizia que ela conhecia aquele estranho homem. Mas, quando finalmente a mascara começou a sair as luzes da sala dos espelhos se apagaram. Isabella chegou mesmo a abrir sua boca para gritar no que foi surpreendida por outra a lhe cobrir com um beijo quente e exigente. Ela sentiu sendo levada de costas até um dos espelhos e lá sendo comprimida contra ele, enquanto era beijada, pela primeira vez, por um completo desconhecido e, ela estava gostando e muito daquela experiência. Os lábios dele eram quentes e molhados e lhe sugavam a boca desesperadamente. As mãos em sua cintura a trouxeram mais rente ao corpo dele e ela gemeu ao sentir que algo nele lhe roçava bem no meio de suas coxas, abrindo a elas, bem como, a sua boca, que foi invadida pela língua molhada e libidinosa. Não era nada parecido com o que ela algum dia imaginara. Não havia ternura ou ingenuidade naquele beijo, que era potente e completamente sexual. Isabella sentiu o membro pulsando em meio as suas pernas quase a encostar em sua intimidade que úmida latejava. E a língua dele, lhe fazia gemer alucinadamente...
Em um momento em que ambos buscaram o ar, ela lhe perguntou o nome, no que foi novamente beijada com ardor, para depois, ser largada sem prévio aviso, assim, sem mais nem menos. Isabella sentiu o frio da distancia que separava a ambos e tateou o espelho em meio à escuridão.
_Cadê você?
_Obrigado pelo beijo, seus lábios são doces Isabella. – assim que ela o ouviu falar, soube que ele colocara a mascara novamente.
_Mas eu não vi o teu rosto, não é justo!
_Boa noite minha Columbina, desfrute da festa, mas, não beije qualquer um, eu sou ciumento!
_O que? Você vai me deixar aqui no escuro? Assim? – o desespero passou a tomar conta dela, que sentiu um pouco de tudo, raiva, medo, susto, frustração e, algo que escorria pelas suas pernas, vindo do meio de sua intimidade...
_Amanhã, me encontre no lago a meia noite...
Ele se foi e as luzes voltaram, ela girou em torno de si mesma olhando a sua volta e via somente a sua imagem refletida no espelho.
Continua...
Olá leitores (as),
Estou agradavelmente surpresa com a quantidade de leitores com esta historia e, ficaria ainda mais feliz com o envio de alguns reviews!
