Siempre

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aishi, Febe e Hélios são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Boa Leitura!


Capitulo 2: Efeito Dominó.

.I.

Ouviu a voz da comissária de bordo avisar que logo iriam decolar, mas tais palavras pareciam tão vagas para si, enquanto outras ecoavam ainda de maneira aterrorizante em sua mente.

Fechou os olhos, lembrando por um momento, parte da conversa que tivera com Luna.

-Lembrança-

-Há dezoito anos atrás, quando Hades ainda estava se preparando para reencarnar, eu tive uma visão; Luna começou, sob o olhar atento da jovem. –Eu vi muitas coisas, das quais, a principal era que Ares conseguiria o que tanto queria;

-Me matar? –Saori perguntou, cautelosa.

-Também, ele conseguiria lhe matar e dominar esse mundo, até que tudo fosse destruído; ela explicou. –Você sabe como meus poderes funcionam?

-...; Saori assentiu. –Você precisa fazer parte de suas visões para conseguir interferir com as linhas tecidas pelo destino e voltá-las ao seu favor;

-Foi o que eu fiz; Luna respondeu.

-Como? –ela perguntou intrigada.

-Eu pedi que Hades me deixasse usar a adaga do destino, para que reencarnasse como mortal, alem de interferir no destino, ainda teria a chance de restabelecer meu cosmo, devido ao que aconteceu na ultima guerra; a jovem explicou.

-Mas aonde entra o Aioros nisso tudo? –Saori perguntou, temendo ouvir a resposta.

-Um ano antes dele 'morrer'; Luna falou, fazendo o sinal de aspas, ao pronunciar a palavra morrer. –Ele foi mandado em missão, para o Brasil;

-"Brasil"; ela pensou, sentindo um breve tremor, ao compreender em que aquilo implicava.

-Quando eu usei a adaga, Hades guardou meu corpo imortal em um dos templos nos Elíseos e mandou minha alma para que reencarnasse em algum lugar do planeta que por coincidência, era o único país que não iria sofrer de forma alguma com a guerra entre os titãs e os cavaleiros; a Deusa da Lua começou a explicar. –As Deusas do Destino fizeram com que nossos caminhos se cruzassem, foi assim que como mortal eu conheci o Aioros;

Respirou fundo, serrando os punhos sobre o colo, tentando manter a calma e ignorar uma 'vozinha' irritante em sua mente, que lhe sussurrava o maior dos absurdos, não era possível que estivesse com ciúmes; ela pensou, balançando a cabeça levemente para os lados, assustada com essa conclusão.

-Acho que não preciso lhe falar o quanto ele é excepcional, um cavaleiro fiel e dedicado e um homem igualmente maravilhoso; Luna continuou, com um meio sorriso, esperando o momento certo para dizer a ela o porque estava ali.

-Nunca duvidei disso; Saori respondeu num tom frio. –Mas não entendo o que isso tem a ver comigo;

-Bem...; Ela começou hesitante. –Zeus disse que vocês estavam juntos, então pensei q-...;

-Ele está errado; a jovem a cortou, secamente. –Papai tem o péssimo habito de enxergar com malicia até mesmo uma conversa entre crianças; Saori exasperou, deixando aquela 'vozinha' invadir de vez sua mente, dando vazão a tudo que sentia.

-Athena; Luna murmurou, surpresa com o tom agressivo dela.

-Enfim, se você veio procura-lo, Aioros esta viajando, parece que foi para o Brasil comoutros cavaleiros, não faço a mínima idéia de quando volta; ela continuou, mantendo-se indiferente e fria.

-Não é isso, eu...; a jovem tentou continuar, mas foi cortada novamente.

-Agora, se for só isso que você queria, peço que se retire, ainda tenho algumas coisas para resolver antes de viajar; Saori mentiu.

-Mas...; Luna falou, vendo a jovem se levantar. Deu um suspiro frustrado, não era isso que queria quando decidira contar a ela o que aconteceu.

Só queria que ela entendesse o que o fazia agir da forma que agia, para que em vez de se magoar, ela aprendesse a ter paciência e esperasse pelo tempo certo, mas agora, parecia que só havia piorado a situação.

-...; Assentiu, dando-se por vencida, deveria ter ido falar com outra pessoa primeiro, em vez de ter se adiantado e ido falar com ela. –Athen-...;

-Até mais, Luna; Saori despediu-se, dando a entender que não falariam mais sobre aquilo.

-Até; ela falou, desaparecendo em seguida.

-Fim da Lembrança-

Agora muitas coisas ficavam claras, o porque dele hesitar tanto, às vezes que a tratara de maneira tão formal mesmo quando pedia para que não fizesse isso. Ele já tinha uma deusa a quem proteger e destinar seus sentimentos e certamente, não era ela; Saori concluiu.

Respirou fundo, passando a mão insistentemente pelos olhos, tentando aparar algumas lagrimas que teimavam em cair.

-Senhorita, esta se sentindo bem? –uma comissária perguntou, tocando-lhe levemente o ombro.

-Estou sim, obrigada; ela falou, com um sorriso forçado.

-Gostaria de tomar algo? –a comissária perguntou, apontando para o carrinho de bebidas que empurrava.

-Não, agora não obrigada; Saori agradeceu, vendo-a assentir e se afastar.

.II.

Abriu os olhos lentamente, quando conseguira pegar no sono o despertador do celular tocara. Definitivamente àquela não fora uma de suas melhores noites; ele pensou, levantando-se da cama, quase se arrastando.

Tentou arrumar-se o mais rápido que pode, iria descer e tomar café com os outros no restaurante do hotel, não estava com nem um pouco de animo para ficar ali; Aioros pensou, enquanto terminava de vestir uma camisa branca qualquer que pegara na mala e depois de guardar no bolso de trás da calça preta o celular. Saiu do apartamento.

-o-o-o-o-

-Nossa, agora sei porque o Aldebaran fala tanto daqui; Aiolia comentou, deixando os olhos correrem pelo lugar. –Até a atmosfera é diferente;

-Mais convidativo eu diria; Shura o corrigiu. –É a vantagem dos paises latinos;

-Ai lá vem você de novo; o leonino resmungou.

-Não comecem a brigar, por favor; Saga pediu, tentando apaziguar a situação, mesmo porque aqueles dois pareciam bastante animados para discutir as qualidades do Brasil e da Espanha, que só faltavam se digladiar para defender suas opiniões.

-Mas cadê o Aioros? –Shura perguntou, mudando de assunto.

-Já deve estar descendo; Aiolia respondeu, recostando-se melhor na cadeira. –Mas aproveitando que ele não esta, o que vocês acham disso?

-Disso o que? –o geminiano perguntou.

-Esse lance dele com a Saori estar encalhado, por causa do que aconteceu; ele respondeu, passando a mão levemente pelos cabelos ainda úmidos.

-Olha, é difícil tirar alguma conclusão disso; Shura respondeu, dando um baixo suspiro. –Aioros sempre foi mais reservado com relação a sua vida pessoal, se não fosse ele a contar sobre tudo aquilo que aconteceu com entre ele e a Luna no passado, eu não acreditaria;

-Realmente, mas eu entendo porque ele hesita tanto; Saga se manifestou. –É normal, desde que o mundo é mundo existem determinados preconceitos que estão incrustados na cultura do mundo e dificultam mais as coisas;

-Você diz isso pela diferença de idade? –Aiolia perguntou, voltando-se para ele.

-Também, mas eu me refiro a relação deusa/cavaleiro; o geminiano explicou. –Vocês sabem que desde que Athena passou a reencarnar na Terra como mortal, o povo simplesmente se esqueceu que ela é uma mulher normal, como qualquer um de nós;

-Espera ai; Shura o cortou. –Mulher igual a nós, não; ele falou, enquanto Aiolia desatava a rir.

-Estou falando no sentido de mortal, idiota; Saga falou, voltando-se para ele com os orbes serrados.

-Ah sim, explicando dessa forma; o espanhol de adiantou, engolindo em seco.

-...; Aiolia simplesmente balançou a cabeça levemente para os lados, ainda tentando conter o riso.

-Mas a questão é que sempre a colocaram num pedestal de ouro que ninguém tem acesso e esquece que ela sofre das mesmas coisas que o resto dos mortais. Não é porque ela tem a missão de reencarnar na Terra a cada 200 anos para uma Guerra Santa que a torna alguém intocável;

-Vai explicar isso para aqueles que decoraram o 'manual do bom cavaleiro' de trás para frente e de frente para trás; Shura falou, com sarcasmo.

-São leis que existem há muito tempo, mas que algumas pessoas ainda conservadoras acham que no mundo de hoje isso ainda tem de ser assim, mas não é; Aiolia falou.

-Só que você se esquece, que Aioros ainda é da geração de conservadores; Saga falou, com ar pacifico. –Quando fomos treinados, Eraen fazia questão de que soubéssemos de cór todas as regras do santuário, para que não corrêssemos nenhum risco ao sermos jogados aos chacais, como ela dizia; ele completou.

-Mas Aioros resolveu seguir muito ao pé da letra, não? –Shura perguntou.

-É da natureza dele, meu irmão teve que assumir algumas responsabilidades muito cedo, logo que nossos pais morreram, fomos viver com a família do Garahn, até ele ser escolhido para treinar para ser cavaleiro; Aiolia falou, lembrando-se de como fora difícil aquele tempo para ele. –Aioros sempre foi muito responsável, não foi só meu irmão e mestre, mas teve de assumir às vezes de pai, até que eu tivesse idade suficiente para ser treinado. Ele sempre seguiu as regras, porque era o modo mais fácil de fazer as coisas sem ter problemas;

-Vendo por esse lado; o espanhol murmurou.

-Ele só não previa que essa rotina seria destruída quando veio para cá; Saga comentou.

-Ele estava disposto a jogar tudo pro alto; Aiolia murmurou pensativo, imaginando o como seria se Sheila não houvesse morrido aquele dia e ele não houvesse retornando ao santuário.

-Sabe, tem algo que me intriga; o geminiano falou, quebrando o silencio que recaia lentamente sobre eles.

-O que? –os dois cavaleiros perguntaram.

-O quão isso influenciou no destino; Saga respondeu.

-Como assim? –Shura perguntou, confuso.

-Você sabe, para toda ação a uma reação, só que toda ação influencia não apenas o meio em que acontece, mas de forma indireta, influencia os acontecimentos no mundo todo, podemos definir melhor como um 'efeito dominó'; ele explicou.

-Eu já vi algo assim, quando você faz uma fileira bem grande de dominós e ao derrubar o primeiro, ordenadamente os outros vão caindo; Aiolia falou, vendo o geminiano assentir. –Entendo, você quer diz que o que a Luna fez não só alterou o destino do Aioros, como também o nosso indiretamente, já que fomos afetados com isso, mas...;

-O quanto isso pode ter afetado aos demais; Shura completou, concordando com o raciocínio deles.

-Vocês sabem, para cada vida que se esvai, uma nova nasce. Por isso não se pode trazer alguém de volta a vida, sem dar uma outra em troca; Saga continuou.

-Então, quando a Sheila morreu, Luna reassumiu seu corpo imortal, mas na Terra, deve ter nascido um correspondente; Aiolia falou.

-De qualquer jeito, essa ação desencadeou tudo aquilo que vivemos e afetou o mundo, de forma que não cabe a nós interferir, só que...;

-Só que? –os dois cavaleiros perguntaram, esperando Shura continuar.

-E se ela tivesse dado um jeito de não mudar muitas coisas, apenas o necessário; ele completou.

-Como assim? –Aiolia perguntou confuso.

-Você sabe, Harmonia quebrou esse efeito dominó quando nos trouxe de volta, porque em vez de uma vida, ela trocou a imortalidade dela, não foi? –ela perguntou, vendo-os assentirem. –Então, já pensaram se a Luna não tivesse feito algo parecido, para evitar que as coisas fugissem do controle;

-Vendo por ele lado, tem lógica; Saga murmurou.

-O que? –alguém perguntou se aproximando.

-Que na próxima copa o Brasil vai ser hexa e vai chutar a Espanha pra fora da competição; Aiolia adiantou-se.

-Hei! –Shura reclamou, chutando-o por baixo da mesa.

-AI; Aiolia gemeu ao sentir a dor, voltou-se para o cavaleiro e ambos se fuzilaram com o olhar.

-Parem com isso; Aioros mandou, vendo que eles ainda estavam brigando por causa de futebol.

-Esses dois não tem mais jeito; Saga suspiro. –Mas senta logo ai estávamos te esperando;

-...; O sagitariano assentiu, sentando-se, enquanto Aiolia e Shura ainda resmungavam, um emburrado com o outro.

.III.

Suspirou um pouco desanimada ao desembarcar, antes de embarcar ligara para Shun avisando que estaria de volta em algumas horas e mesmo se recusando, ele adiantou-se avisando que iria busca-la.

Não queria incomodar ninguém e sabia que quando ele contasse aos demais, Tatsume seria o primeiro a fazer alarde com a sua chegada; ela pensou, enquanto caminhava pelo aeroporto.

Foram poucos passos dados, pois logo estancou ao ver não muito longe de onde estava, algo que poderia definir como uma das sete maravilhas do mundo moderno; Saori concluiu com a face aquecendo-se levemente.

Um jovem de longos e volumosos cabelos verdes, num tom esmeralda e poderia dizer que havia algumas mechas num tom mais escuro quase avermelhado, insinuando-se entre os verdes. Encostado em um dos pilares do salão de embarque.

Os óculos escuros caiam suavemente pelo nariz, deixando parte dos orbes igualmente verdes a mostra. A face parecia impassível, entretanto, ele parecia ter sido esculpido pelos deuses. Ou como algumas conhecidas suas mais audaciosas costumavam definir 'O universo estava em completa harmonia quando ele fora concebido'; a jovem concluiu corando ainda mais ao deixar os orbes descerem pelo corpo mui bem definido pelo terno preto, certamente italiano, mas todo aquele porte somado ao rostinho de anjo, sem duvidas ele se tornara o sonho de consumo de qualquer mulher com um pouco de bom senso; ela concluiu com uma rápida olhada.

Por que agora, ele estava longe de ser aquele garoto franzino que dava até a ultima gota de sangue, para não entrar em uma luta, mas pelo visto, algumas coisas andaram mudando, mesmo porque, ele não tinha mais nada de franzino.

Engoliu em seco, as influencias de Milo de Escorpião estavam lhe afetando até ali; Saori pensou, continuando a andar, embora por algum motivo os passos saíram mais trêmulos do que desejava.

Viu-o retirar os óculos colocando-os em um bolso no paletó e voltar-se para ela com um sorriso capaz de iluminar até o canto mais escuro do Tártaro.

Céus, não era por nada, mas Ares e Hades tinham ótimos gostos para escolheres os corpos que decidiam reencarnar; ela concluiu, pensando na possibilidade do ar-condicionado ali estar desligado, porque a temperatura subiu de repente.

-Saori; o cavaleiro falou, abrindo os braços.

-Shun; ela falou sorrindo, correndo para abraça-lo.

Fazia um bom tempo que não se viam, alias falavam-se apenas por telefone ou muito raramente por videoconferência, mas não era a mesma coisa. Sentia muita saudade dos amigos, mas a muito decidira que permaneceria na Grécia.

Sentiu os braços estreitarem-se em torno de si e suspirou, era tão bom sentir um abraço tão acolhedor como aquele.

-Sentimos saudades; Shun falou, afagando-lhe as melenas lilás. –Tatsume queria vir te buscar com uma comitiva, quase quebrou aquela shinai (1) dele na minha cabeça, tentando me convencer do contrario; ele completou rindo.

-Diz pra mim que você não deixou? - ela falou, erguendo os orbes com ar suplicante.

-Claro que não; ele falou com um sorriso gentil. –Sei que não gosta daquelas excentricidades dele, por isso pedi a Ártemis que desse um jeito de despistá-lo, enquanto eu vinha para cá;

-Obrigada; Saori falou, lançando-se ao pescoço dele, abraçando-o ainda mais forte.

-Não precisa agradecer; Shun falou, quase com um sorriso envergonhado, prova de que não mudara tanto nos últimos anos, embora algumas coisas ainda viessem a surpreender mais tarde. –Porque infelizmente não consegui impedir que ele preparasse uma festa;

-Shun; Saori falou com ar manhoso.

-Eu sei, mas é só para daqui dois dias, até lá da pra darmos um jeito nisso, ele ainda não mandou os convites; o cavaleiro apressou-se em responder.

-Ótimo; ela falou mais animada, mas corou furiosamente ao ver que ainda estava pendurada no pescoço dele e que algumas pessoas passavam fazendo comentários nada inocentes sobre aquilo. –Her! Bem...;

-É melhor irmos, você deve estar cansada; ele falou notando o desconcerto dela, abaixou-se para pegar a mala a jovem ignorando os comentários.

-...; Saori assentiu sorrindo, era bom estar de volta e ter aquele tempo para arejar a cabeça; ela pensou, enquanto seguiam juntos para o estacionamento.

Continua...


Nota:

(1) Shinai, é uma espada de bambú normalmente usada em kendô.