EA: ... Não! Eu tentei aquele creme, mas pareceu uma erupção na minha barriga... Então parei de usar.
SS: Ai... Oh deus.
EA: Sara... Tudo bem?
SS: Minha bolsa estourou. Meu deus.
EA: Respira fundo. Eu to indo pra aí... Enquanto isso. Tenta caminhar... Ajuda a acalmar e acelerar o parto.
SS: Obrigada.
Esther levou Sara até o hospital. O médico pediu pra ela andar pras contrações não doerem tanto.
EA: Tem certeza que não quer ligar pra ele?
SS: Tenho!
Sara preencheu a papelada dizendo que estava sozinha.
Mas Esther pediu pra assistir.
Sara queria dizer 'não' mas a dor era muito forte...
Ela precisava de alguém pra segurar sua mão. No começo da gravidez, ela jurava que esse alguém seria Grissom.
No fundo no fundo, ela queria ele ali, do seu lado.
Duas Horas e Meia Depois.
Sara estava toda suada e completamente dilatada.
O médico e as enfermeiras ficavam falando "Puxa com mais força!"
Ela tentava, mas parecia que quanto mais fazia força, mais fraca ficava.
Não conseguia mais ouvir nada, pensou rapidamente em quando Grissom e ela fizeram compras de sapatinhos umas semanas antes do acontecimento.
Era uma imagem tão doce e encantadora e tão inapropriada pro momento que Sara sabia que estava prestes a desmaiar.
até que a enfermeira disse que a cabeça estava aparecendo.
Isso lhe deu as forças necessárias pra acordar daquele transe, dando uma última empurrada.
Ela deitou suada, enquanto Esther enxugava o suor do seu rosto.
Sara relaxou o corpo. Dando graças a Deus que aquilo tinha terminado.
Foi quando a enfermeira colocou o bebê em seus braços.
Ele estava chorando. Todo sujo e revoltado.
Sara colocou em seu peito, perto do coração.
Ela podia jurar que depois de uns segundos, Os dois corações começaram a bater na mesma batida.
Esther estava chorando. Ver um lindo bebê nascendo fez com que ela se sentisse culpada pelas tantas vezes que sentiu raiva da filha que esperava.
Agora ela via claramente, ela não sentia raiva do bebê.
Sentia raiva dela. Porque sabia que nunca ia poder dar uma vida decente pra ela.
Esther ficou olhando os longos dedos de Sara contar infinitivamente os também longos, mas ainda bem pequenos dedos do filho.
Uma enfermeira quase que teve que lutar com Sara pra poder limpar ele.
EA: Calma. Daqui a pouco ela devolve.
Alguns minutos depois.
EA: Qual vai ser o nome?
SS: Eu não sei. Ele tem cara de... cara... de...
EA: Cara de que?
SS: Gilbert. Ele tem cara... de Gilbert
EA: Você vai...
SS: Não! De jeito nenhum. Que tal Leonard?
EA: Claro, se quer que seu filho seja motivo de piadas no Ensino Médio, é com você.
SS: Porque piada?
EA: Tem "Nerd" no meio do nome, Sara!
SS: Ok... Ah... Carlos?
EA: Latino... Nome de namorador bonitão. Gostei.
SS: Esquece!
SS: Esquece!
EA: Que preconceito!
SS: Não pela parte do 'latino'. Pela parte do 'namorador'.
EA: Ah... Que tal um simples... Como sei lá Ted?
SS: Jesse?
EA: Esse é fofo.
Ele começou a se mexer.
SS: Ele concorda, olha!
SS: Hm... Jesse. Combina com ele.
EA: Bem vindo ao mundo... Jessie.
SS: Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas você aceita ser a madrinha?
EA: Claro! Se você aceitar ser a madrinha dela.
Disse acariciando a barriga.
A enfermeira entrou no quarto sorrindo.
E: Vocês mamães devem estar muito felizes!
SS: Sim, eu estou.
E: Pra quando é o bebê da sua companheira?
SS: Ela é minha amiga, na realidade.
E: Oh. Desculpe. É que agora é costume pra poupar tempo... Companheiras femininas de vida engravidar mais ou menos no mesmo tempo.
EA: Ah... Ela não faz o meu tipo.
Disse brincando.
Sara estava aflita pra ver seu pequeno Jessie... Queria saber se ele aceitaria seu leite... Se a saída de maternidade cabia nele.
Esther foi pra casa quase a ordem de Sara. Ela disse que tomaria um banho e voltaria.
A enfermeira entrou no quarto vendo Jesse tentando mamar, chorando faminto.
E: Vai ser a primeira refeição. Vamos ver se você aceita o leite da sua mãe.
Disse colocando-o nos braços de Sara.
Ela espremeu um pouco na boca dele, pra ele entender que dali era onde a comida saía.
Ele colocou as mãozinhas em volta do seio e começou a sugar com vontade.
E: Você deu sorte, alguns bebês rejeitam o leite.
SS: Eu sei. Fiquei com medo disso. Nossa... Ele é forte.
E: E vai ficando pior... Minha dica: Troque sempre de seio, senão ele pode se acostumar com esse e depois você fica com os seios tortos.
SS: Eu não me preocupo com essas coisas. Só quero ele feliz. Sara olhou pra aquela coisinha rosa no meio dos seus seios.
SS: Eu prometo. Que você vai ser o único homem na vida de mamãe... a ter acesso a esses seios...
Disse apontando pros seios.
SS: São só seus.
E: Eu vou precisar levar ele... Mas daqui a algumas horas, vocês dois vão poder ir pra casa.
SS: Tem algo errado?
E: Não, é procedimento. Fazer alguns testes. Observar, ver se ele tem alguma alergia.
SS: Mas ele nasceu saudável e no tempo previsto.
E: Por isso eu disse 'algumas horas. ' é só pra observação.
SS: Quando eu vou poder vê-lo de novo?
E: Daqui a algumas horas.
Algumas horas depois.
Esther chegou no quarto com um ursinho de pelúcia na mão.
EA: Meu deus... Nenhuma mulher vai ser boa o suficiente pra ele, certo?
Disse observando como Sara idolatrava o filho.
SS: Certíssima.
Jesse levantou os olhos pra encarar a estranha que fez a moça simpática que estava dando comida pra ele parar de fazer cafuné em sua testa.
Esther reparou em como Jessie ficou olhando pra ela. Com aqueles grandes e agora ela conseguia ver direito, olhos azuis.
EA: Sara?
SS: O que?
EA: Já olhou nos olhos dele?
SS: Claro.
EA: Reparou na cor?
SS: Agora que você falou... Depois do parto ele não abria direito e depois eu fiquei tão presa nele como um ser inteiro. Que acho que não reparei.
EA: Vira ele na sua direção.
Sara virou, encarando os olhos tão azuis... Tão parecidos...
SS: Ele tem os olhos dele e daí? Ele tem... ah... Meus dedos e formato do rosto.
EA: Ah... Têm a boca, nariz, olhos dele... Dedos e formato do rosto seus.
SS: Quem liga? Ele vai passar muito mais tempo comigo do que com ele.
EA: Quando o médico vai te liberar?
SS: Em poucos minutos.
Sara se levantou e começou a arrumar o filho.
EA: Primeira roupa que ele vai vestir na vida. Posso tirar mais uma foto?
SS: Claro... Só não cega ele do jeito que você quase me cegou durante a hora mais dolorosa da minha vida.
EA: Doeu muito?
SS: Pensa na sua pior cólica menstrual que você teve na vida. Agora multiplica por 10 mil vezes.
EA: UGh! Fiquei feliz agora com a cesárea.
Sara terminou de vestir o pequeno Jesse.
Com as mãos meio sem jeito.
Mas dispostas a aprender.
SS: Ele tá tão bonito.
EA: Aham.
Ela tinha perdido peso rapidamente.
Parto normal faz isso.
Ainda mais o estresse de noites mal dormidas fez com que ela comesse muito menos...
Estresse porque estava obcecada em ser uma mãe perfeita. Qualquer barulho ela ia ao quarto dele. Jesse chorava de madrugada quase todos os dias.
Duas semanas e alguns dias depois do nascimento do filho, Sara decidiu que era hora de avisar pro ex-marido.
Ela trabalhava no turno da noite, mas tinha mudado desde que entrou de licença. Agora o horário dela era diurno.
Ficou encarando o telefone. Tinha sido assim nas últimas semanas. Não sabia por que, mas queria ele com ela.
Queria contar as milhares de coisas que já sabia sobre Jesse.
Jesse estava mamando muito fortemente.
Pensou no que a enfermeira disse. Não que estivesse preocupada com vaidade.
Mas doía muito. Trocou de seio.
Ele pareceu não gostar da mudança. Mas depois de um tempo se adaptou ao novo seio.
Depois que conseguiu colocar Jesse para dormir. Voltou e se jogou no sofá da sala.
Estava exausta e mesmo assim tinha ligado pra Catherine mais cedo dizendo que precisavam conversar.
Ela queria perguntar mais coisas, mas ela foi logo cortando.
Sabia que ela tinha as melhores intenções, mas não queria falar com ninguém sobre o nascimento. Não ainda, pelo menos.
Pensou em fazer uma lista de coisas para fazer. Pegou o caderno e começou a anotar:
"Ligar para Grissom." "Ligar para os meus advogados."
Sara não tinha ouvido falar deles desde que assinou os papeis.
Começou a se lembrar de uma frase que Grissom tinha tido pra ela da primeira vez que tentaram o "Relacionamento a distância."
"Se o Relacionamento não segue em frente. Ele se desgasta."
Foi isso que tinha acontecido. Embora em sua cabeça Grissom tinha toda a culpa. Seu coração sabia que eles tinham se distanciado. Que foi mútuo.
Balançou a cabeça tirando os pensamentos embaralhados e confusos ligando o rádio...
Estava tocando uma musica que a fez lembrar da época que era solteira e costumava escutar esse tipo de ritmo sem parar.
Rock Romântico...
A musica era algo como "Toxic"... Não não! So contagious... Isso mesmo.
Se fosse verdadeira consigo mesmo. Ela o perdoaria se ele pedisse.
Por isso evitava a conversa séria. Tinha fugido dele por meses.
Ele sempre parecia que tinha algo a dizer. Mas ela não queria escutar.
Já era duro saber que ele tinha dormido com outra mulher.
Ela não queria saber dos detalhes. A única coisa que realmente queria, era poder encarar ele.
Olhar nos olhos mais encantadores que já tinha olhado e não sentir absolutamente nada. Mas sabia que ia ficar vulnerável...
Grissom fazia ela ficar assim. Ele conseguia ver sua alma.
Pensou em como estava sozinha e como daria tudo pra começar tudo de novo.
