# Bakuten Shoot Beyblade não me pertence e essa fanfic não possui nenhum fim lucrativo.

# Kai x Ana

# Tributo ao capítulo 99 de Beyblade: O Retorno por Anamateia Haika. (Recomendo a leitura da mesma.).

# Hurt/Confort (é melodrama mesmo ¬¬)

# Fluffy (muito açúcar, Jesus...).

...

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IV

Os dois estavam em algum lugar do piso do apartamento, largados e um pouco fudidos. Ana olhava para algum lugar do teto, enquanto Kai se perdia em uma tempestade de pensamentos. Tudo havia acabado, mas nenhum deles conseguia se sentir feliz.

De alguma forma os dois haviam escapado da multidão que comemorava a vitória, por alguma razão eles sentiram que não faziam parte daquele círculo e numa muda e mútua decisão esfumaram-se feito uma névoa onde sequer Carter pareceu notar a ausência do casal.

Kai se levantou e andou pelo apartamento a passos lentos. A ruiva ouviu os passos se afastando, mas continuou olhando para o teto como se o mundo inteiro houvesse perdido o sentido. Sua cabeça estava fria e seu coração havia parado de bater com tanta intensidade, mas ela ainda tinha vontade de gritar e chorar e... Cometer um crime. Roubar um banco, talvez. Só para não enlouquecer.

Quando Hiwatari retornou e sentou do seu lado ela se permitiu desviar o olhar da cobertura. O bicolor levou os dedos cravejados de carinho ao rosto da ruiva que fechou os olhos aproveitando a sensação dos dedos enregelados do outro afastando os fios. Kai não pôde deixar de observá-la com os olhos cheios de tristeza e preocupação. O polegar traçou cada machucado com cuidado relembrando a cena que lhe atormentava uma e outra vez.

- Ana. Consegue se levantar?

- Acho que sim.

V

Os dois andaram em silêncio até o banheiro. Ana observava os corredores como se não conhecesse o lugar enquanto acariciava os dedos enlaçados aos seus, recordando o calor quase fantasmal de seu toque.

A banheira estava fumegante e o cheiro doce impregnava as quatro paredes. Kai retirou as roupas tão rápido quanto o seu corpo cansado lhe permitiu, e ele estava pronto para provar a água quando notou que a ruiva não havia se movido nem um centímetro.

O bicolor se voltou para ela e tomou seu rosto com ambas as mãos notando o medo nos olhos fugazes da garota, os lábios crispados em uma linha.

Ele beijou com ternura sua testa e atraiu um pouco mais o corpo dela ao seu. Os dedos desceram à borda da camiseta, deslizando o tecido para cima enquanto o retirava com cuidado. Desfez-se do cinto, abrindo o botão do short, descendo a cremalheira, fazendo a prenda deslizar por si só entre as largas e maltratadas pernas. Os dedos subiram pela linha da coluna procurando a abotoadura do sutiã, uma vez solto, puxou as alças finas pelos braços inertes e machucados. Beijou-lhe a curva do maxilar lhe atraindo para a banheira.

Quando entraram, ambos emitiram um protesto dolorido, sentindo o ardor da água contra as feridas abertas.

Kai esticou um dos braços para pegar o sabonete líquido, mas desistiu na metade do caminho, optando pela barra. Começou a deslizá-lo por toda a extensão de seus braços com cuidado, subindo para o pescoço e descendo devagar.

- Eu não sou um bebê. – ela limitou-se a apenas dizer enquanto ele sutilmente retornava aos seus ombros fazendo uma leve massagem.

- Não parece. – respondeu despreocupado.

Ela se virou finalmente o encarando com falsa irritação.

Untou o sabonete nas mãos enquanto endireitava o corpo de modo que ficassem de frente. Levou as mãos às bochechas do outro e esfregou, produzindo uma espuma azulada à medida que retirava a tinta.

Ana não pôde evitar rir divertida e cheia de ternura ao ver o rosto manchado do outro. Kai, por outro lado, não pareceu muito rido, raspando o canto da unha pela curvatura de suas costas fazendo o corpo da garota empinar pelo repentino arrepio. O bicolor sorriu vitorioso enquanto ela inflava as bochechas.

Ana suspirou ainda cansada e juntou as testas. Kai enlaçou os dedos em sua cintura traçando movimentos circulares em sua pele.

- Vou cuidar de você também. – esticou o braço até alcançar a esponja.

Kai não pareceu incomodado, ele sequer contestou, parecia necessitado da garota mais do que nunca, isso fez o coração de Ana aquecer mais um pouquinho.

Isso até a primeira esfregada que fez Kai grunhir e apertar os dedos contra a pele da ruiva.

- Oh meu deus! Desculpa. Te machuquei? – a ruiva perguntou quase em pânico.

- Minhas costas não estão necessariamente em bom estado. – o bicolor explicou com dificuldade por conta do ardor.

- Deixa eu ver. – se inclinou para frente.

Devido às posições a ruiva o segurou pelos ombros, mas não percebeu os seios se pressionarem com insistência uma região um pouco... Incômoda.

- Ana... – o bicolor chamou um pouco arreliado.

Quando Haika percebeu que lhe tocava a bochecha quase saltou para trás e seu rosto ficara quase tão vermelho quando o tom de seu cabelo.

- V-vire-se.

Kai não pôde deixar de revirar os olhos.

A ruiva reprimiu a respiração por um segundo. A pele pálida do bicolor mostrava mais marcas do que ela recordava, havia uma quantidade quase absurda de arranhões e cortes. Comprimiu os lábios traçando com cuidado as costas machucadas, lavando a pele maltratada e tentando acalmar seu coração cada vez que o bicolor reagia ao tocar em uma zona delicada. Apesar de ter ficado assombrada com a situação, ainda evitava olhar o pescoço, sabia que não suportaria se encarasse a região que provável estaria roxa tamanha havia sido a violência.

- No que você está pensando? – o bicolor começou com calma.

Ana ponderou por alguns instantes.

- Que se você quiser tranzar, eu tô muito cansada pra isso. – sorriu.

Kai se virou com o cenho um pouco franzido e bagunçou os cabelos ruivos com vontade sem pensar duas vezes, arrancando um sorriso divertido da garota.

- Vamos dormir antes que cozinhemos aqui.

VI

A magia pareceu morrer no instante em que ingressaram ao quarto. A ida não parecia muito diferente da chegada. Medianamente se vestiram e ambos sentaram na borda da cama, um de cada lado, de costas ao outro.

Ana olhou para algum canto escuro, viajando com o olhar pelas silhuetas dos móveis, foi dali que ela viu: As instalações quebradas, os escombros, Kai e... Voltaire. Ela viu a cena com riqueza de detalhes, os braços se fechando com violência e o barulho engasgado que a garganta de Kai produzia ao tentar respirar, a expressão à borda do desmaio e o grito mais ensurdecedor que ela jamais havia ouvido: "Atira!".

Haika começou a tremer e respirar estava se tornando uma tarefa difícil, a imagem estava tão nítida que tudo o que ela queria ela fugir.

Fugir. Gritar. Chorar. Cometer um crime. Às vezes parecia que isso era tudo o que ela conseguia fazer.

Ela se arrastou pelas cobertas até suas costas baterem nas de Kai que pareceu enfim reagir.

Ele tocou numa das mãos geladas e trêmulas da ruiva e a apertou tentando trazê-la de volta. Virou-se sutil e a abraçou.

- Ana.

Ela não pareceu responder, continuava olhando um ponto fixo entre o guarda roupa e a parede.

- Ana. Eu estou aqui. – apertou um pouco mais o corpo trêmulo da garota. – Por favor, Ana... – a voz do russo falhou por um miserável segundo.

Ana piscou algumas vezes, como se recém-saída de um de seus surtos – por que fundamentalmente não era. Ela olhou para um dos lados tentando ver a expressão do russo, mas ele escondia o rosto em suas costas.

- Kai... – ela sentiu o aperto em resposta.

Riu amargamente. Ela continuava fugindo e fugindo e ali estava Kai, tentando trazer ela de volta. Ele sempre estava lá, maldito fosse. Voltou a olhar para frente, aquela imagem ainda estava lá, impregnada nas paredes e tatuada em seu globo ocular.

- Eu não fiz nada... Nada... – as lágrimas correram pesadas sobre seu rosto, e salgadas e inflamáveis. – Eu só fiquei olhando e... – soluçou.

- Do que você está falando? Sou eu quem... – ele a virou bruscamente, estava à beira de um colapso e o controle estava fugindo de seus dedos.

Kai engoliu em seco ao ver novamente a silhueta dos machucados e arranhões e hematomas. Estava escuro, mas ele via claramente o roxo abaixo do olho esquerdo, o inchaço da bochecha, o lábio partido.

- Me desculpa, eu estava lá e... Eu estava lá e não fiz nada. Ele quase matou você...! E se ele estivesse armado? E se Carter tivesse te atingido? E se...! "E se eu tivesse te perdido?"

- Ana, pelo amor de deus, olha pra mim. – segurou o rosto da garota com cuidado, suas mãos tremiam sem controle. – Você tem noção do que eu senti vendo ele te bater daquele jeito e eu não consegui fazer nada? Ele poderia facilmente ter te matado e por um segundo eu... Eu... – mordeu os lábios com força, os ombros tremiam. – Olha pra você... Olha o que ele fez com você. Eu nunca senti tanto medo na minha vida. "E se eu tivesse te perdido?"

Ana abriu mais os olhos, sentindo o pânico desaparecer por um segundo, um eterno segundo onde tudo o que ela viu foi o medo, o medo quase sólido de Kai, e o seu próprio medo.

"E se eu tivesse te perdido?".

E ela chorou, chorou como um bebê, despejando toda a angústia que ela havia sentido desde que saíra das instalações, desde que Kai havia escapado da morte pela enésima vez, desde que ela soube que aquilo havia deixado de ser apenas um namoro banal, naquele momento Ana soube que jamais poderia se desprender daqueles braços e jamais poderia deixar de ouvir aquela voz.

Para Kai era o mesmo, em algum momento Ana não parava de invadir seus pensamentos e as memórias voltavam uma e outra vez, ao mesmo ponto em que a sua vida era dela. Sempre havia sido.

E eles desejaram por um momento que aquele quarto fosse a fortaleza do qual eles jamais precisassem sair, e que jamais precisassem se desatar daquele abraço.

Extra

- Tá doendo Kai, dá pra ser mais gentil?

Ana choramingou pela enésima vez enquanto Kai terminava de cobrir o último ferimento. Seu rosto estava quase que completamente coberto de curativos.

- Não sou eu, é o remédio que está fazendo efeito. – limpou com suavidade um pequeno arranhão na testa. – Pronto.

Ana sorriu plenamente feliz e Kai levantou a sobrancelha sem entender. Ela depositou um curto beijo em seus lábios e continuou sorrindo. Arrumou-lhe as bandagens um pouco frouxas do pescoço do bicolor. O medo de alguma forma havia se esfumado e ela só conseguiu sorrir por... Bem, por estar viva... E por estar ao lado de Kai.

- Eu amo você. – sorriu sinceramente.

Hiwatari havia ficado um pouco surpreso, jamais ouvira dos lábios da ruiva semelhante frase e sendo franco ele não precisava, bastava com ela estar do lado dele, mas eles se sentiu feliz por ouvir daqueles lábios que para Ana não haveria ninguém mais que receberia seus abraços, seus beijos e sua voz cheios de carinho. Beijou-lhe o topo da cabeça com ternura.

- Também te amo.

...

...

Remate.

...

Notas: Aí está meu tributo. Era ara eu terminar ontem, mas graças a uma certa pessoa que ficou de ameaçinhas e me deixou desesperada com medo de mandar essa fic por água abaixo, eu precisei de um tempinho pra me recuperar...

Bem, espero que tenham gostado.

Bey-jos e bye!