Nota: Os personagens de Naruto pertencem a Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.
Sumário: Eu também te amo... Aquela era a frase pela qual mais ansiara em toda a sua vida, poder de fato compreender um sentimento literalmente tatuado em sua pele, algo que jamais pudera experimentar. Mas seria ele capaz de realmente compreender esse sentimento?
Aishiterumo
Capítulo II: A Konoichi escolhida
O amarelo pálido do fim de tarde, se abatia sobre as dunas de Suna quando suas mãos vieram a tocar o corrimão empoeirado da sacada. As servas poderiam passar o dia todo o limpado – e de fato o faziam – que ainda sim restariam grãos de areia alojados ali. Árido, quente durante o dia e frio, um frio quase cortante, durante a noite. Assim era Suna.
Aquele era um prazer pessoal e intimo: fitar o por do sol. Mesmo temendo que ele não mais retornasse, todos os dias assiduamente o observava se por no horizonte. A mão pálida e invisível do sol não tinha olhos temerosos, tão pouco via diferença entre si ou qualquer outro habitante da vila. Um carpinteiro, uma criança, uma jovem e bela mulher... Para o sol era como se fossem todos iguais, portanto, todos, inclusive a si, mereciam a sua terna caricia antes do fim do dia. A noite era fria e solitária... como a si.
-Gaara!
Seus olhos imediatamente abandonaram as dunas e o por do sol para se focar na figura que o havia chamado: Temari. A irmã acenava para si no meio do pátio, no andar de baixo. Junto dela estavam alguns guardas que obviamente recebiam instruções suas e também ela... A Konoichi especialista em armas...
Sua primeira e única aluna.
Aquela informação há muito tempo guardada lhe veio nitidamente a mente e foi como se revivesse por alguns instantes aquele dia, o dia em que decidira recomeçar a sua vida com outros olhos. Naquele dia decidira aprender a domar o demônio dentro de si e conquistar o reconhecimento por seus próprios feitos, por sua própria força e coragem, não ao poder demoníaco do Shukaku. Essa fora a lição que Uzumaki Naruto lhe ensinara. Já fazia alguns anos que sequer topava com sua ex-pupila a ponto de quase não a reconhecer. Ela já não era mais a mesma. Já não era mais a garotinha que tinha medo de armas e precisava de proteção, agora era ela quem protegia os demais e as armas eram como partes de si. Era a melhor de Suna, naquilo que fazia.
Temari se despediu da jovem e subiu até onde jazia o irmão deixando que a Konoichi terminasse o que tinha de ser resolvido entre os guardas. Instantes depois de subir alguns lances de escada, a mais velha dos Sabaku jazia ao lado do irmão mais novo. Anos depois ainda era como se estivesse na companhia do mesmo garoto triste e distante, a diferença era que agora já não o temia. Seria hipocrisia de sua parte dizer que também não temia pela sua ira quando ainda era dominado pelo poder do Shukaku. Todos temiam Sabaku no Gaara. Pela graças dos deuses há muito tempo já não sentia mais isso. Naqueles tempos, uma conversa como a que estava prestes a iniciar, jamais aconteceria.
-Kankurou me falou sobre a proposta feita pela Vila Oculta da Pedra e eu acho que...
-Eu aceitei; Gaara cortou a irmã que arregalou os orbes quase que chocada para si.
-Como assim aceitou? Aceitou se casar com uma mulher desconhecida que...
-Eu aceitei conhecer a princesa, filha do Tsuchikage do País da Terra...; Gaara continuou com um olhar distante no horizonte. –Se ela de fato desejar isso, então iremos firmar esse contrato. De forma alguma pretendo obrigar alguém a viver ao meu lado se não for de seu gosto, muito menos se isso for apenas um capricho de um velho ambicioso por poder.
-Acha que o Kage do País da Terra vê esse casamento como uma espécie de joguete político?
-E o que mais seria? –Gaara se voltou para a irmã que o fitava surpresa.
-Tem razão; Temari murmurou com amargura e então voltou a fitar o irmão. –Mas Gaara, isso não quer dizer que deve aceitar tal proposta. Não estamos em tempos de guerras para partirmos a extremos como esses; ela concluiu esperançosa por uma resposta diferente vinda do irmão. Aquilo era absurdo! Gaara não podia concordar com aquilo.
-Também não estávamos em guerra quando você se casou com um homem que não amava...
-Gaara; Temari suspirou e desviou o olhar.
Os belos olhos azuis da ninja fitavam o mosaico de pedra sob seus pés e seus punhos cerravam em discórdia, mas contra aquilo não tinha com o que argumentar. Aquele fora um sacrifício – se casar com um nobre de Suna – do qual ainda se arrependia, a exceção era ter tido Hajime. Ele era a sua luz e sua força.
-É tudo pela vila; Gaara completou como se estivesse a ler os pensamentos da irmã. –Você, melhor do que ninguém sabe como é isso. Não foi nada fácil conquistarmos o que temos hoje, ainda mais depois do motim que armamos contra Konoha há alguns anos. Reatar laços com as demais vilas e voltarmos a ser aliados confiáveis foi uma tarefa árdua e cheia de sacrifícios. A verdade é que devo isso tudo a Naruto, sem a intervenção dele talvez nada disso existisse hoje, nem mesmo estaria vivo sem a ajuda dele.
-O Hokage da Vila da Folha...; Temari completou num meio sorriso. –Quem diria que aquele pirralho irritante um dia realmente se tornaria o Hokage?
-De fato a vida sempre surpreende; concordou Gaara. –Veja! – ele apontou na direção do pátio. Lá estava a jovem Konoichi ainda a dar instruções aos guardas.
-Matsuri? –indagou Temari, a sobrancelha levemente arqueada.
-Sim. Quem diria que aquela garota insegura e traumatizada pela morte dos pais, se tornaria a melhor especialista em armas de Suna?
-Também cheguei a duvidar disso.
-Eu não; disse Gaara chamando a atenção da irmã que ainda fitava o andar de baixo, onde por fim os guardas eram dispensados. –De uma forma estranha e incompreensível eu sempre soube que aquela garota tinha potencial. Talvez porque mesmo insegura ela tinha muita coragem e determinação dentro de si, algo que precisava apenas ser despertado. Além do que, não é qualquer um que se vê capaz de ficar frente a frente com um monstro e ainda se ver apto a aprender, justamente com ele, a exorcizar seus demônios.
-Gaara...; Temari suspirou. Ainda se lembrava daquele pequeno grupo de crianças, o primeiro grupo de aprendizes ninjas de Suna após adotarem o método de ensino de Konoha, todos, temendo serem treinados pelo irmão, menos ela, Matsuri. Ela fora a única que o escolhera.
-Ela foi a única que não me temeu, mesmo quando até mesmo vocês, meus irmãos, ainda me temiam; ele completou, mais uma vez como se lesse os pensamentos da irmã.
Não era fácil escolher as palavras certas, mas Temari sempre preferiu a sinceridade à hipocrisia. Era absolutamente verdade tudo o que ele dizia, levaram-se muitos anos até que de fato conseguissem se tratar como se tratavam agora.
-De fato, foi graças a você e os seus primeiros ensinamentos que Matsuri adquiriu forças para se tornar o que é hoje; ela por fim respondeu acompanhando o olhar do irmão que se decaia sobre o pátio naquele instante.
Agora eram ambos os irmãos a fitar a jovem ninja que, após uma respeitosa e breve mesura na direção de ambos, se afastava rumo ao portão de saída do pátio. Matsuri há muito já não era aquela garotinha insegura. Era uma mulher, segura de si e de suas habilidades como ninja. Isso era algo visível não só aos olhos do Kazekage, mas de todos.
-Vou precisar dela na viagem que farei até a Vila Oculta da Pedra...
Temari se voltou para o irmão que ainda continuava a fitar a konoichi se afastar.
-Desde que me tornei o Kazekage e que o espírito do Shukaku foi retirado de dentro de mim, acham que sou feito de porcelana e posso me quebrar ao mais leve bocejar do vento...
Aquilo poderia ter soado piegas, uma espécie de piada, mas não quando vinha de Gaara.
A verdade era que se tratava de algo realmente... Incomodo. Sempre cercado de gente por todo o lado, sendo que, mesmo sem o espírito do Shukaku dentro de si ainda podia, talvez não com a mesma intensidade, mas ainda sim, podia controlar a areia. Ela era parte de si, da mesma forma que era parte das dunas de Suna. Ainda tinha forças para proteger e ser protegido, por isso mesmo, ainda era o Kazekage.
-Os conselheiros querem que um exército o acompanhem até a vila não é? –Temari revirou os olhos e cerrou os punhos novamente. –Aqueles velhos estão mesmo todos senis...
-Matsuri é a melhor ninja que temos, vale por uma dúzia de soldados, se não mais. Essa foi a condição que impus ao conselho: Uma comitiva pequena, um guarda pessoal, que será Matsuri, e alguns dos membros do conselho. Nessa viagem irei apenas conhecer a princesa Hana e saber o que ela acha sobre tudo isso; explicou Gaara.
-Hana? Então é esse o nome dela? –Temari não conteve um meio sorriso com uma ponta de malicia. –E se... Hana hime, sua futura esposa tiver uma verruga no nariz? Ou, se for tão feia que mal consiga se olhar no espelho?
A sobrancelha arqueada e o tom jocoso de Temari logo se esvaiu. Aquela era uma tentativa frustrada. O irmão permanecia apático diante da brincadeira. Nenhum sorriso, nem mesmo um esgar de lábios. Tão pouco, contrariedade. Nada. Esse era Sabaku no Gaara.
-Quando parte? –Temari voltou a adquirir uma postura séria.
-Amanhã.
-Já?
-Sim. Segundo os conselheiros, o Kage da Vila Oculta da Pedra está a nos esperar. Parecem ter pressa em resolver esse assunto.
-Velhos malditos! –Temari por fim explodiu. –O que pensam que você é? Você e essa tal de Hana? É sobre a vida de duas pessoas que eles estão discutindo e não sobre o que comerão no jantar! –a ninja estava indignada.
Gaara se voltou para a irmã e a fitou por longos instantes antes de responder.
-Não somos mais do que joguetes do destino e devemos nos conformar com isso. Sacrifícios devem ser feitos para bens maiores e menos egoístas.
-Não é egoísmo querer ter o direito de viver a sua própria vida; Temari discordou com um olhar triste, porem conformado.
-Mas é egoísmo por em risco a vida de centenas de pessoas para que eu possa escolher com quem me caso ou não. Recusar esse pedido pode desencadear um desfalque no tratado de paz que viemos mantido até agora.
-Isso não é justo! –Temari havia finalmente entendido o irmão, mas não estava menos indignada por isso. Mais uma vez fitava o chão.
-Nada é justo nessa vida minha irmã...
Ooo –O– ooO
A arena de treinos estava vazia àquela hora, já era tarde. Uma lua pálida iluminava o chão pedregoso e seco. Como o de costume, o sopro do vento àquela hora era gélido mesmo estando em pleno verão, o que não parecia incomodar a jovem Konoichi que ali estava. Sua atenção estava voltada para os tocos de madeira há uns dez metros longe de si, neles jaziam fincadas várias kunais e shurikens. Ser "a melhor de Suna" exigia muita determinação e sacrifícios. Uma gota de suor rolou por sua testa e seus dedos vieram a contê-la. Estava suada, suja e cansada. De fato uma konoichi não tinha uma aparência feminina lá muito agradável, pelo menos não depois de um dia de treino. A verdade é que às vezes até se esquecia que era uma mulher, antes de ser uma ninja.
Seus olhos se voltaram para suas mãos: O jouhyou. Aquela fora a primeira das muitas armas que aprendera a usar e era também algo que jamais a havia abandonado. Sempre a trazia junto de si, era quase que como parte de seu corpo, como um braço ou perna. Sem ele, mesmo estando cheia de kunais e shurikens envenenadas, era como se sentisse nua diante do inimigo. Aquela era a arma que melhor sabia manejar, algo que servia tanto para defesa como ataque. A longa corda com uma lança cortante em uma das extremidades poderia parecer algo quase que simplório, diante de tantas outras armas melhores e mais agressivas, mas ainda sim, era a sua preferida. Para alguém que nunca apreciara ferir os outros, aquela era a melhor arma. Mesmo sendo uma ninja de elite, antes de qualquer coisa preferia aprisionar seus inimigos com o seu jouhyou, defender-se deles, e só em ultimo caso eliminá-los. Mas aquele era o seu dever não? Ajudar a proteger Suna? Sendo então matar acabou fazendo parte da sua profissão.
Com o tempo aprendera que os sonhos utópicos daquela garotinha que temia o poder das armas, não podiam ser realizados se não aprendesse a conviver com seus próprios temores.
"As armas servem para matar, mas também servem para proteger... Proteger aqueles que amamos...".
Certa vez ouvira isso, seu sensei lhe ensinara isso há muito tempo...
Devia a ele tudo o que era hoje.
Passos... Seu sentido aguçado estava em alerta e os percebeu quase que instantaneamente. O jouhyou em sua mão direita foi desenrolado numa rapidez quase que, absurda, indo deter-se na parede atrás de si. Foram apenas alguns milímetros a salvarem o olho direito do estranho que ali chegava.
-Matsuri...
-Devia ser mais prudente... Eu poderia ter arrancado um olho seu; ela disse ainda segurando a corta, de costas para o recém chegado. Seu braço direito esticado na direção em que jazia preso o objeto.
De fato, ainda lhe incomodava ter de matar ou ferir alguém, mas sua experiência como ninja lhe havia ensinado a nunca fechar os dois olhos. Sempre havia um potencial de risco, principalmente, quando se tratava de "gatos" a perambular pela noite.
O soldado, um rapaz jovem, que havia sido o recém chegado ainda parecia aturdido pelas palavras da konoichi. Suspirou recuperando-se do susto – por que sim, havia se assustado e muito com a rapidez da ninja – e então finalmente completou o que fora designado a fazer:
-O Kazekage-sama deseja que vá até ele; a jovem finalmente se voltou para o rapaz com a sobrancelha levemente arqueada, sinal de curiosidade, e ele continuou. –Imediatamente; completou o rapaz e sem mais delongas se foi.
A konoichi pareceu absorver por alguns instantes as palavras do soldado enquanto o via se afastar da arena, certamente a amaldiçoando pelo que quase havia acontecido. Aproximou-se da parede e retirou o jouhyou dali deixando uma marca funda na parede. Realmente por pouco não arrancara um olho do pobre rapaz, mas chegar na surdina havia sido imprudência de sua parte, só ninjas inimigos faziam tal coisa.
Mais uma vez o jouhyou jazia em suas mãos. O objeto sempre bem afiado e polido refletiu sua imagem meio que distorcida. A Konoichi imediatamente franziu o cenho em desaprovação. Os cabelos curtos despenteados e o rosto cansado. Aquela não era a melhor forma de se apresentar ao Kazekage, entretanto, não podia o deixar esperando. Uma rápida passada em casa, para pelo menos lavar o rosto e lá estava ela indo em direção ao chamado de seu antigo sensei... Seria quase que um reencontro entre dois estranhos conhecidos...
Continua...
N/a: E aí gostaram? Então... Reviews! Reviews! Reviews! XD
Konoichi: ninja feminina.
Hime: princesa.
Tsuchikage:"Sombra da Terra". Kage do País da Terra.
Jouhyou: Foi a primeira arma que Matsuri aprendeu a manusear no anime. Gaara escolheu o jouhyou avaliando as habilidades (ou seria a falta delas? XD) da pupila, a pedido da própria Matsuri. Acho que todo mundo se lembra disso né? rsrs
Bjus!
Hana.
