CAPÍTULO 2

...

Permaneço sozinho, por alguns instantes. Em um impulso levanto, decidido a seguir minha sina, busco minha escolha. Ando, cegado pela luz do sol poente. Sinto um impacto. A procura da opção coerente esbarro em minha dúvida.

Ela me olha irritada, me agride verbalmente. Eu rio. Impossível não faze-lo. Como posso...situação imprevisível. Eu a amo, ela me detesta. Eu a irrito, ela me seduz. Perco a coragem. Mudo de idéia. Volto a situação inicial.

Ela continua esbravejando. Tento ajudá-la a recolher seus pertences, mas suas mãos delicadas e suas palavras mordazes não me permitem. Fico parado, analisando sua silhueta desaparecer ao longe.

Volto a andar. A cada passo sinto o impacto como se vagasse em câmera lenta. Paro. É hora de jantar. Atravesso os corredores decidido a abandonar os planos feitos para mim e morrer só, se não puder te-la.

Me sento com meus amigos. Por alguns instantes, esqueço meus problemas. Ao levantar os olhos, no entanto, o magnetismo do impossível me leva a seguir seus movimentos. Todos param, apenas ela se movimenta. Meus pensamentos voam.

A realidade invade meus sonhos. Meus amigos me voltam para outra cena. O senso de posse me invade. Aves de rapina cercam o meu futuro. A presa se diverte. Ela planejava se vingar. Não suporto a idéia de ser trocado, mesmo que a hipótese de deixá-la tivesse passado por minha mente.

Levanto. Saio. Deixando para trás a utopia que me ignora e o presente que me desnorteia. Me retiro para a sala comunal. Me sento com a companhia de um livro. Releio diversas vezes a mesma página. Meus pensamentos não me acompanharam.

CAPÍTULO 3

Insônia