- Capítulo 1
Na manhã seguinte, em uma luxuosa mansão, James observava o teto do seu quarto concentrado em seus pensamentos e completamente esquecido da figura loira adormecida ao seu lado. Desde a noite anterior não conseguia tirar a imagem da ruiva de sua cabeça. Enquanto dançavam pôde observá-la melhor e percebeu que seu corpo e o cabelo flamejante não eram seus únicos atrativos. Sua pele parecia feita de seda e todo seu ser exalava graça e elegância. No entanto, o que mais o encantou foi o rosto; era delicado, mas ao mesmo tempo forte e decidido. Sua boca era bem delineada e seu nariz bem feito. E seus olhos eram levemente amendoados e de um verde-claro, além de misteriosos e profundos. Em nenhum momento James conseguiu lê-la. Elle parecia um daqueles livros coloridos e com figuras lindas, mas completamente escrito em outra língua.
Ele se revirou na cama, contrariado.
"Me chame apenas de... Elle."
- Já chega disso. – resolveu James se levantando da cama, decidido – Eu realmente tenho que tirar isso da cabeça.
- Então, depois da dança ela simplesmente sumiu noite à dentro? – perguntou Sirius, o moreno de olhos cinza, que se inclinava sobre as pernas traseiras da cadeira e era alvo de grande parte dos olhares femininos dirigidos para aquela mesa.
James confirmou, distraído, olhando ao redor do salão e sorriu quando duas jovens arrumadas passavam.
- E você simplesmente foi embora? – disse Remo, o loiro que, por conta da bebedeira da noite anterior, apresentava a cara vermelha de ressaca, embora isso não o impedisse de estar bebendo novamente.
James bufou, entediado com o assunto. Já devia ser umas oito horas da noite e aquele assunto ainda estava o atormentando. Passara o dia batendo perna pela cidade, indo a restaurantes, teatro, praças, tudo o possível para anuviar sua mente. Até que por fim desistira e resolvera se encontrar com os amigos no Moulin Rouge, esperando que uma garota o fizesse esquecer outra, embora a da noite anterior não tivesse conseguido.
- A gente pode falar de outra coisa?
- Sinto muito Pontas, mas essa é nova! – Sirius parecia meio maravilhado – Uma mulher linda e gostosa, que não se importa com identidade e provavelmente nem quer saber de compromisso? Eu realmente devia ter ido falar com ela ontem...
- Cala a boca, Almofadinhas... – resmungou James – Como foi com a loira de ontem?
- Ótimo. – Sirius deu um sorriso malicioso.
- Vai procurá-la hoje de novo? – perguntou Remo.
- Claro que não. Figurinha repetida não completa álbum... – citou Sirius, esfregando as mãos, ansioso. – Agora o que vocês acham de calarem a boca que a apresentação vai começar?
Remus bufou, mas se ajeitou na cadeira, procurando um ângulo melhor de enxergar o palco. Não gostava de como estava levando a vida, dormindo de dia e bebendo à noite, mas não via outra saída.
Já James olhava distraído para o palco, com a mente longe. As cortinas vermelhas ainda estavam fechadas, embora luzes piscassem ao redor e Richard, o dono do Moulin Rouge, já se dirigisse ao microfone.
- Boa noite, caros amigos! – o homenzinho foi recebido por uma onda de aplausos e assobios – Isso é que é platéia animada... Pois bem, como eu lhes prometi há um mês, o Moulin Rouge tem uma atração nova! Isso mesmo, cavalheiros, podem vibrar. Pois diretamente de Londres e pelo patrocínio de Lorde Gaunt, apresento-lhes as novas meninas do Moulin Rouge!
James sentiu seu queixo cair quando viu surgir entre uma nuvem de fumaça, purpurina e papel laminado, a mulher que o encantara na noite anterior. Atrás dela vinham mais dez mulheres e James não conseguiu reconhecer nenhuma como 'usual' do Moulin Rouge, provando a palavra de Richard. Todas usavam cartolas e collants brilhantes moldavam seus corpos, levando os homens à loucura.
A música começou a tocar e pouco a pouco a fumaça foi se dissipando. As garotas continuavam com seus olhos encobertos pelas cartolas, olhando para baixo, quando uma voz melodiosa começou a cantar.
- There's only two types of people in the world…
Todas levantaram a cabeça e formaram uma pirâmide a partir da ruiva que era a única que ainda se mantinha nas sombras, embora James pudesse vê-la dançando levemente junto com as outras. Os holofotes finalmente iluminaram-na, ao mesmo tempo em que mais pessoas entraram em cena, complementando o espetáculo. Era um show de luzes, dança e movimentos, embora James não conseguisse prestar muita atenção ao resto. Seus olhos não desviavam da figura ruiva que dançava de um modo que ele nunca tinha visto ninguém dançar.
Quando acabou, o palco explodiu em luzes e a platéia explodiu em palmas. Uma grande parte dela ainda encarava abobalhado o palco já coberto pelas cortinas vermelhas, sem acreditar no que viam.
- Isso foi... MARAVILHOSO! – Sirius pulou da cadeira, em êxtase. Seus olhos brilhavam quando ele se virou para os amigos. – Nós temos que ir agora mesmo falar com o responsável por isso!
Ele puxou os amigos e se dirigiram para onde um grande número de homens convergia. No centro do grupo, estava Richard com um sorriso de orelha a orelha, provavelmente sonhando com o quanto essa novidade faria a popularidade do Moulin Rouge aumentar. E bem ao seu lado, estava o verdadeiro centro das atenções: um homem magro, charmoso, bem vestido, de altura mediana, com o cabelo liso e negro cuidadosamente penteado e um olhar esnobe nos olhos verdes. Parecia levemente entediado com a turba à sua volta, respondendo à suas perguntas quase mecanicamente. No entanto, James teve a impressão de ter visto seus olhos brilharem de um modo estranho quando os três chegaram à frente da roda, após acotovelarem meio mundo. O homem virou-se imediatamente para eles com uma expressão de alegria imensa.
- Ora, ora... Quem são esses jovens tão distintos?
- São os senhores Black, Potter e Lupin, Lorde Gaunt. – responde Richard, ainda incapaz de parar de sorrir. O homem apertou a mão de cada um deles, sem dar mais atenção nenhuma ao restante do público.
- Não seria um dos Black da família da formosa Walburga, seria?
- Oh, sim, senhor... Walburga é minha mãe. – Sirius fez uma leve careta ao responder.
- Mas que maravilha! Que honra conhecer o filho de tamanha mulher! – ele se virou para os outros dois homens restantes – Já que temos aqui um jovem de tão bom circulo social, só posso crer que nosso caro senhor Potter, seja filho de Edmund Potter, o famoso empresário.
- Edmund, na verdade senhor, é meu tio. Eu sou filho do mais velho, Charles.
- Melhor ainda! É um enorme prazer conhecê-los. Finalmente alguém que aparente ter um pouco mais de cérebro, se é que vocês me entendem... – ele deu um sorriso cativante e pegando-os pelos ombros, impeliu-os para o bar, onde a algazarra era um pouco menor. Pouco antes de chegar lá, ele virou-se para Remus – Tenho tentado me lembrar de algum Lupin que eu tenha conhecido, mas não tive nenhum sucesso até agora, meu jovem... Poderia me ajudar a refrescar minha pobre memória?
- Não se culpe, senhor – respondeu Remus de mal-humor – Não creio realmente que já tenha ouvido em algum momento de sua vida falar da minha família. Ou que, se tivesse, teria prestado atenção. Usualmente, não freqüentamos os mesmos círculos sociais que o senhor. Ai! – Ele gemeu quando recebeu uma cotovelada de um Sirius mal-encarado.
- Acredite, meu amigo... O senhor não tem idéia de por quais círculos sociais eu já andei... – respondeu o Lorde, ligeiramente taciturno – Boa noite, senhorita! Gostaríamos de uma mesa, sim?
A moça correu a atendê-lo, levando-o a uma das melhores mesas do bar, bem no centro dele e de frente para a pista de dança. No entanto, Lorde Gaunt retorquiu que prefeririam uma mesa mais silenciosa, na qual um grupo pudesse conversar civilizadamente. A moça encarou-o levemente surpreendida, mas, seguindo as diretas instruções dadas por seu chefe, atendeu-o prontamente. Logo estavam instalados em uma mesa no canto do salão, onde era um pouco mais escura e muito mais silenciosa, embora ainda se tivesse uma boa vista do palco.
- Então... O que fazem três jovens ingleses educados aqui em Paris? Claro, eu entendo porque vêm ao Moulin Rouge – ele deu um sorriso cúmplice – mas não consigo parar de me perguntar o que estão fazendo fora de sua cidade natal.
- Queríamos viajar pelo mundo, senhor. Viajar e estudar por toda a Europa primeiramente, para depois passar pela Ásia, talvez, e quem sabe, até mesmo visitar a famosa América. – James tinha seus olhos brilhando enquanto falava.
- No entanto, acabamos presos à Paris e suas diversas... Distrações, se é que o senhor me entende. – completou Sirius e Lorde Gaunt deu outro sorriso cúmplice, batendo sua taça na dele com um "À Paris!".
- He, He... Bem, e um ótimo plano, e os senhores deveriam continuar com ele. O mundo está cheio de maravilhas prontas para nos deslumbrar... No entanto, também está cheio de perigos... - seu tom de voz mudou levemente. No entanto, Remus foi o único que pareceu perceber. – Mas, não esperem tanto da América, muito menos de Nova Iorque. Muita coisa ao mesmo tempo logo cansa, seus prédios todos cinzas logo nos enjoam e, por conta daquele maldito show de cores que há nas ruas, passasse a conviver com uma grande dor de cabeça. É só fogo de palha... Acreditem-me, nada melhor do que nossa querida e velha Londres.
- O senhor já viajou muito, Lorde Gaunt? – Sirius olhava para o homem à sua frente com uma expressão de admiração.
- Oh, muito! Até mesmo mais do que eu gostaria. Não tenho por natureza o gosto pelo sedentarismo, mas mesmo um homem como eu se cansa depois de tantos anos fora de casa. Acho que no fundo, a saudade de nossa terra sempre é maior que nosso gosto pelo mundo. – ele deu uma piscadela para eles, como quem conta um segredo – E é por isso que agora eu estou de volta à Europa. Paris é apenas uma parada. Tenho um negócio a finalizar aqui... O mesmo negócio que me impulsionou a tantos anos de viagens, pra falar a verdade, mas não creio que esse negócio me tome mais tempo do que já tomou.
- Me desculpe a indiscrição, Lorde Gaunt... – Remus estava dividido entre o medo de ser indelicado e a desconfiança – Mas me permite lhe perguntar quantos anos o senhor tem? Mencionou que depois de tantos anos fora de casa, o senhor se cansou... Mas não é possível que tenham sido tantos assim, quando o senhor não aparenta ter mais de quarenta.
- Muito obrigado, senhor Lupin, acabei de ganhar o dia graças à você! Eu sei que geralmente são as mulheres que são afeitas de frescuras quanto às idades, mas terei que declinar à chance de ser bem visto aos olhos dos senhores perante a certeza de que, com a resposta, isso diminuiria ainda mais... – ele sorriu amarelo – Mas não se deixe enganar, meu caro senhor Lupin... Basta que saiba que, na verdade, meus anos vividos já resultam em muitos. Espero que não se ofenda com essa minha resposta evasiva, meu senhor.
- Claro que não senhor, jamais... – Remus deu um sorriso amarelo, embora sua desconfiança crescesse ainda mais, mesmo sem entender o porquê. Havia algo naquele senhor que o desagradava. Sabia que ele era o responsável por aquela noite e que todos, se não o admiravam, pelo menos o respeitavam, mas... Ninguém conseguira ver os olhos de uma das meninas? A tristeza de algumas ou a defesa de outras? E aquele sorriso cínico que o Lorde parecia não ser capaz de tirar do rosto completamente, sempre deixando um traço... No entanto, James e Sirius conversavam abertamente com o distinto senhor, sem aparentar terem percebido nada. Deveria ser tudo imaginação de sua mente já confusa pela bebida, deveria sim.
- Gostaríamos de saber, Lorde Gaunt, quais são seus planos para o Moulin Rouge. Saiba que esse foi o melhor show que eu já vi aqui. – elogiou Sirius no que foi apoiado enfaticamente por James.
- Ainda não temos certeza de nenhum, para falar a verdade. Estamos mais na fase de... Negociações, por assim dizer. Mas, pelo menos para um mês, o contrato das minhas moças está fechado com o Moulin Rouge. Não deixaremos vocês assim tão cedo, senhores! – Lorde Gaunt comemorou com um toque em sua taça, no que foi acompanhado pelos outros três.
-Essas moças... São apenas dançarinas ou... Bem, o senhor sabe, cortesãs? – James finalmente teve coragem de fazer a pergunta que lhe incomodava desde que vira Elle em cima dos palcos.
Lorde Gaunt deu um ligeiro sorriso e preferiu responder com outra pergunta:
- Interessado em alguma, senhor Potter?
- Eu... – James tentou se desvencilhar, mas foi cortado pelo próprio Lorde.
- Ah, vejam só, senhores... – o Lorde olhava por cima do ombro dos três homens – Aprontem-se, pois o nível de beleza de nossa mesa vai subir extremamente!
Um grupo das dançarinas vinha se aproximando. Vinham falando alto, rindo, jogando olhares e provocando suspiros por onde passavam. No entanto, poucos homens ousavam se aproximar delas enquanto caminhavam até a mesa dos três amigos e os que ousavam eram polidamente ignorados.
Antes mesmo que chegassem já haviam sido acopladas mais mesas à original, formando uma que ocupava quase o bar inteiro. O grupo feminino sentou-se, todas com graça. Sirius sentia-se no céu cercado por tantas mulheres e logo estava atracado aos beijos com uma loira; Remus teve sua atenção chamada repentinamente para uma das dançarinas mais silenciosas, sentada perto do fim da mesa e dela não conseguiu mais tirar o olhar ou a mente. Já James não conseguia parar de encarar a jovem moça que sentou-se no colo do Lorde e que não era ninguém menos que Elle, a ruiva que ele não conseguia tirar da cabeça.
- Elle, minha querida, esses são Black, Potter e Lupin. Jovens encantadores, devo dizer... – ele sorriu enquanto passava a mão pelas costas da moça – Estavam me fazendo companhia enquanto esperava por você. Senhores, essa é Elle, minha amiga preferida.
- Olá. – ela cumprimentou a todos com um aceno da cabeça, mas na vez de James seu olhar demorou-se mais – Senhor Potter, por acaso, já não fomos apresentados?
- Sim, senhora. – ele concordou confuso. Não conseguia entender o que era aquilo que estava sentindo. Era uma mistura de raiva, medo e algo que não conseguia definir... Seria ciúme? – Ontem mesmo, no bar.
Elle sorriu charmosamente e nada mais falou por um bom tempo. Limitou-se a ficar sentada no colo de Lorde Gaunt, distraída. Algumas jovens tinham saído com alguns parceiros, mas Remus reparou que eram apenas os mais importantes do Moulin Rouge: uma loira alta tinha saído com Richard, mal chegara na mesa; uma pequena moça com o cabelo castanho todo cacheado fora levada pelo maior banqueiro de Paris para conversar; uma outra que mal podia se segurar parada logo se jogara para cima de um rico empresário, levando junto consigo mais duas. E assim, uma a uma, logo não restava quase nenhuma moça na mesa. Apenas a ruiva sentada com Lorde Gaunt, a mulher que estava atracada a Sirius (Remus estava quase sugerindo que subissem para um quarto) e mais duas moças que conversavam baixinho, sendo que uma delas era a jovem silenciosa que Remus notara mais cedo e que a outra parecia estar tentando convencê-la a fazer algo. Porém, a silenciosa resistiu, até o ponto em que a outra bufou, revirou os olhos e saiu salão à fora.
Remus não conseguiu resistir à tentação de vê-la ali sozinha, parecendo quase perdida e dirigiu-se até ela. A moça só percebeu-o quando Remus estava logo ao seu lado e ficou levemente surpresa. Era inteira pequena, pálida, com diversas sardas pelo corpo. Seus cabelos negros contrastavam bruscamente com sua pele, mas aquilo só fez Remus achá-la encantadora. Estava maquiada para a época, mas aquilo parecia incomodá-la e Remus pegou-se imaginando como ela deveria ser quando estivesse sem tudo aquilo.
- Oi. – Remus tentou dar um sorriso encorajador – Posso me sentar aqui? – ele apontou para a cadeira ao lado dela.
A moça pareceu perturbada e, sem encará-lo, respondeu:
- Fique à vontade, não está ocupada.
- Obrigado. – agradeceu Remus. Ele se sentia de um modo que não se sentia há meses: interessado, com um objetivo em mente. E aquilo o fazia se sentir liberto daquela amargura que vinha lhe perseguindo, deixando-o perto da exultação. No entanto, sem entender como, ele soube que deveria ir devagar, com calma ou a assustaria, perdendo-a para sempre. Remus mal notou, mas sem pedir licença nem nada, aquela moça já lhe tinha tomado o coração por completo. E bem quando ele achava que já o tinha perdido irreversivelmente.
- Olha, - a moça virou-se abruptamente para o loiro, angustiada – se você vai me levar pra cama, por favor, simplesmente me leve logo para podermos acabar com isso e eu ir me deitar. Não tente me distrair me embebedando, achando que assim vai ser mais agradável pra mim. – a moça o encarou, mordendo os lábios.
- Bom, eu não tinha nenhuma pretensão de levá-la para a cama, senhorita... – defendeu-se Remus, surpreendido – Não que você não seja atraente, o que você com certeza é, muito, aliás, mas... Oh. – ele bateu a mão na cabeça, bravo pela confusão que estava fazendo – Sinto muito pela confusão, mas não, eu não pretendia levá-la para a cama. Vim aqui apenas desejando conversar com alguém. Eu sou Remus Lupin, aliás.
A moça sorria levemente, mais relaxada e não o encarava mais com medo. Parecia surpresa, aliviada.
- Obrigada. – ela parecia extremamente agradecida – Eu sou Emme... – ela se interrompeu e balançou a cabeça - Quero dizer, Megan.
Remus apertou a mão que ela oferecia.
- É um prazer. Então, podemos conversar agora que nós e nossos objetivos foram apresentados?
- Na verdade, senhor Lupin, de todas as coisas essa é a única que eu não posso fazer com o senhor. – ela deu um sorriso triste. – Mas obrigada pela oferta. Aliás, eu agradeceria imensamente se o senhor também não comentasse com ninguém sobre o meu ataque agora há pouco. Eu perdi um pouco a cabeça, foi um dia cheio hoje...
- Obviamente, não comentarei com ninguém... – respondia Remus, mas Megan começou a se levantar. Então Remus segurou-a delicadamente pelo pulso – Por favor, não vá embora ainda.
- Senhor Lupin, - ela virou-se devagar – nossos objetivos não batem. Eu não posso conversar com o senhor e o senhor, gentilmente, não vai me levar para a cama. Logo, não há nada que eu possa fazer pelo senhor.
- Bom... – Remus tentava pensar em algo para falar, rápido. Não queria deixá-la ir tão cedo – Então não precisamos conversar realmente; basta que a senhorita não fale, se isso lhe é proibido. Deixemos assim, então: que apenas eu fale! Será um monólogo e não uma conversa.
Megan arqueou as sobrancelhas, parecendo divertida.
- Eu quero dizer, apenas se você não se importar, é claro. Não precisa fazer nada que não queira, eu... – Remus bufou novamente e coçou os olhos, com um sorriso amarelo – Por favor, não me faça começar novamente...
Megan riu docemente e Remus sentiu um gostoso formigamento no peito, com o sorriso subindo para o seu rosto sem explicação alguma.
- Bom... O senhor pode me convidar para uma dança. – ela sugeriu com um movimento dos ombros.
- Seria um prazer. – concordou Remus, conduzindo a moça para o meio do salão.
Do outro lado da mesa, James encarava emburrado o lugar à sua volta. Elle continuava sentada junto a Lorde Gaunt, conversando com ele em uma língua que James não conseguia identificar. Lembrava o inglês, mas era mais puxado e mais forte. Elle, com seu vestido de crepe negro, parecia ligeiramente contrariada ou, no mínimo, hesitante, frente ao que Lorde Gaunt lhe falava. Ele estava animado, seus olhos verdes brilhavam de excitação e gesticulava muito com a mão. Então, Elle suspirou e balançou a cabeça imperceptivelmente e logo Lorde Gaunt saia da mesa para buscar mais bebidas.
Estavam apenas James e a ruiva à mesa e também eram os únicos na área do bar. Ele não pretendia ficar puxando conversa e tagarelando como um adolescente nervoso em sua primeira noite. Gostava de manter um certo mistério sobre si; afinal, quanto menos você fala, menos você se envolve. E quanto menos você se envolve, mais você dá as cartas. No entanto, isso estava provando ser uma tarefa surpreendentemente difícil perto de Elle.
- Dança há muito tempo?
Elle, que estivera até o momento divagando com o copo de champagne, piscou, fazendo com que James momentaneamente se distraísse com a cor dos olhos dela.
- Desde de pequena. Dança é comum na minha terra... A nossa não é como essa, mas bom... Dança é dança.
- Então a senhorita não é daqui?
- Não, assim como o senhor. – Elle concordou e James percebeu que ela estava muito mais receptiva do que na noite anterior. – Inglês, não?
- Como sabe? Meu sotaque me traiu? – ele deu um sorriso entre culpado e falsamente envergonhado.
- Muito pouco. O senhor tem um francês muito bom, senhor... Potter, certo? – o homem assentiu em resposta e ela continuou – Vive aqui há muito tempo?
- O bastante para dever ter percebido que a senhorita jamais seria daqui. Dança com muita leveza, se me permite dizer. – ele fez um aceno em sua direção e ela respondeu com um sorriso de canto, mas sem dizer nada.
- Sempre some depois de dançar, senhorita Elle? – James retomou a conversa, sem conseguir se segurar.
- Sinto muito, senhor Potter. Houve uma emergência e eu tive que ir embora antes da hora.
- Então, se eu convidá-la para dançar agora, a senhorita não vai desaparecer magicamente pelos ares? – disse James com um tom malicioso e se aproximando um pouco mais dela.
Elle deu um sorriso espirituoso e parecia pronta a responder à altura, quando algo na direção do ombro do rapaz lhe chamou a atenção. Ela ficou séria por um momento para então, com uma jogada do cabelo, virar para James:
- Na verdade, agora eu vou ter que desaparecer magicamente pelos ares, como o senhor mesmo falou – lamentou ela, mordendo os lábios que estavam curvados em um meio sorriso -, mas eu prometo que numa próxima vez isso não tornará a acontecer. – ela levantou-se alisando a saia do vestido - Boa noite, senhor Potter.
- Espere!
Elle se voltou para o homem que continuava sentado, encarando-a com o mesmo sorriso.
- Sim?
- Posso hoje saber seu nome?
- Elle. – ela respondeu simplesmente.
- Não, seu nome real. - James insistiu. – Ontem a senhorita usou como desculpa a suposição de que jamais nos veríamos novamente e bem... Aqui estamos, não? E aposto como nos veremos ainda mais vezes. Então por que não me dizer seu nome?
- Senhor Potter, sinto muito se não tenho um nome mais refino que porventura agradasse mais ao senhor. Mas meu nome é Elle. Contente-se com ele, assim como eu faço. – Ela não parecia irritada ou ofendida. Simplesmente disse isso e se virou para continuar seu caminho rumo aos camarins.
- Isso não é justo.
- Bom - Elle parou novamente e colocou algumas mechas que lhe caiam aos olhos para atrás da orelha – muitas vezes a vida não é justa, senhor Potter. Todos temos que aprender isso, cedo ou tarde... Alguns só bem mais cedo do que outros... – sussurrou ela para si mesma e, se James foi capaz de ouvir a última sentença, não foi capaz de ver os olhos momentaneamente nublados.
N/A:
Capítulo re-editado. Aquela música tava me incomodando. Não que eu não tenha feito esse capítulo em cima dela (a música que ela começa a cantar ainda é a mesma, Circus da Britney), mas me incomodava todo aquele espaço só pra música. Parece coisa de quem quer deixar o capítulo maior, mas não conseguiu escrever mais. ¬¬
Então, me lembrei de avisar uma coisa: essa fic é mais como uma homenagem ao filme Moulin Rouge, que eu amo de paixão. Ela não vai seguir seu enredo ou nada assim e até mesmo a maioria dos personagens vai ser diferente (até parece que eu ia matar a Lil aqui, né? Já odeio a JK por isso!). Além do nome do bar, (que realmente veio como homenagem), o período em que se passa, as semelhanças entre Lil/Satine e James/Chris (que foram o que mais me fez pirar no filme), e umas coisinhas no desenrolar do enredo, as duas histórias não vão ter tanta coisa em comum.
Bom, beijos à todos que tem lido! E beijos especiais pra Yuufu, Niinhasm, Flor Cordeiro, Thaty e Dadi Potter! Isso ai! Galera que comenta ganha beijo especial.
Por que não ganhar um também? :)
E o próximo capítulo eu juro que não demora! É tudo culpa da escola!
Beeijos.
