Capítulo 2: Quadribol é um duelo para dois

Na manhã do jogo, à mesa do Salão Principal, Regulus deixou seus olhos pousarem sobre a figura de James. Ele ingeria uma grande quantidade de cereais com leite de maneira despreocupada, enquanto parecia se gabar aos amigos na mesa da Grifinória. Regulus não conseguia comer absolutamente nada, embora Crabble e Goyle, os corpulentos batedores do time, insistissem para que ele se alimentasse.

- Anda, Regulus, coma alguma coisa! – disse Crabble, enquanto enchia seu próprio prato com ovos fritos e bacon em quantidade suficiente para alimentar um trasgo.

- Você vai precisar de energia para detonar aquele traidorzinho do sangue – prosseguiu Goyle enchendo a boca de muffins de chocolate. – Chegou a hora do babaca do Potter parar de se gabar, tenho certeza!

Os dois truculentos e encrenqueiros batedores deram tapinhas nada suaves nas costas de Regulus, que não conseguia estar tão certo de sua vitória quanto seus companheiros de time. Era por isso que não podia sequer tomar o suco de abóbora que uma das garotas de sua casa, do tipo das que seguem jogadores de quadribol por onde quer que eles andem, havia colocado em seu copo. Apenas permanecia mexendo o líquido com uma colher, enquanto não despregava os olhos de seu oponente grifinório, que dava gargalhadas ao lado de Sirius.

Sirius. Conforme os anos em Hogwarts passavam, seu irmão ficava cada vez mais rebelde em casa. Era quase impossível conviver com ele e as críticas dos pais em relação às suas más companhias quando voltavam para o Largo Grimmauld nas férias. Porém, Regulus tentava permanecer indiferente às brigas, e raramente se envolvia nelas. Seu relacionamento com o irmão era relativamente calmo, embora soubesse que o ele não o suportava por ser tão pacifico em relação aos pais. Regulus tinha aprendido a não questionar. Era mais fácil ficar calado do que colocar suas opiniões para fora e correr o risco de ser repreendido. Por isso, julgava que suas idéias deveriam ser guardadas apenas para si. Nunca tomava partido de nenhum lado. Quando as brigas começavam, fechava os ouvidos e apenas ignorava. Seguia seu caminho natural: se os pais e amigos queriam que ele fosse um seguidor das Trevas, ele o seria. No entanto, não odiava Sirius. Certas vezes, até o admirava pela coragem de sempre dizer aquilo que pensava.

A massa colorida de alunos seguia excitada para o campo de quadribol após o café da manhã. As cores dos cachecóis, luvas e toucas remetiam às casas para as quais torceriam naquele dia, dividindo-se num mar de verde e prata da Sonserina e vermelho e dourado da Grifinória. Até mesmo aqueles que não pertenciam a nenhuma das duas casas tomavam partido para aquela que julgavam melhor, e ostentavam nem que fosse uma bandeirola colorida para demonstrar o seu apoio às serpentes ou aos leões. O vento estava gelado e o ar bastante úmido, tempo característico no auge do inverno e propício para tempestades de neve.

No vestiário, Mulciber deu as últimas instruções aos seus jogadores, que tentavam se proteger do frio como podiam, vestindo luvas e blusas quentes por debaixo do uniforme:

- Alecto, Amycus e Avery, concentrem-se na goles e em nada mais, entenderam? Deixem os balaços com Crabble e Goyle, não quero nenhum de vocês bancando o batedor, como Amycus fez no último jogo da temporada passada. Isso pode nos render punições. E não se esqueçam: na primeira oportunidade que tiverem, utilizem a Formação de Ataque Cabeça-de-Falcão. Se precisarem trombar algum jogador do time adversário, não hesitem em fazê-lo, e derrubem-no da vassoura, se for possível! Avante, Sonserina!

Enquanto os jogadores se reuniam para o grito de guerra, Mulciber puxou Regulus de lado pela extremidade da capa, assustando o franzino rapaz:

- Escute aqui, Black: contamos com você. Faça o mesmo que fez durante os treinos e agarre aquele maldito pomo antes que Potter o faça, se não quiser ser azarado por uma multidão de sonserinos raivosos. Sem pressão, ok?

Regulus engoliu em seco enquanto carregava a vassoura para fora do vestiário, ao lado dos outros jogadores. Quando o time saiu para o vento gelado, sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, mas não sabia precisar se era de frio ou nervoso. A multidão urrava enquanto os jogadores montavam suas vassouras e iniciavam o vôo ao redor do campo, acenando para a arquibancada. Regulus não acenava porque achava que, se o fizesse, vomitaria no instante seguinte, ou pior: cairia da vassoura. Por isso, mantinha as mãos firmes no cabo. Ouviu a voz de Charlie Jordan ecoando no megafone enfeitiçado:

- Aqui estamos para mais uma abertura emocionante da temporada de quadribol em Hogwarts! E nada melhor do que começar com um verdadeiro duelo entre Sonserinos e Grifinórios, para esquentar a nossa fria manhã de inverno! O time das serpentes já sobrevoa o campo, levando a arquibancada ao delírio – e Jordan deixou que os estudantes explodissem em vivas, retornando a falar em seguida. – E aí vem o time dos Grifinórios!

O coração de Regulus deu um pulo dolorido no peito: James foi o primeiro a entrar em campo, deslizando no ar com a moderna Nimbus 1700 que ganhou do pai. Era a melhor vassoura de quadribol daquele ano, utilizada pelos grandes times profissionais da Grã-Bretanha. Regulus sentiu-se um idiota em sua Shooting Star, embora a vassoura ainda fosse nova e bastante potente. Porém, mesmo que o sonserino tivesse uma vassoura biônica não conseguiria se sentir satisfeito. Potter e toda a sua excessiva confiança lhe provocavam pontadas incomodas no estômago.

Enquanto isso, o confiante grifinório sobrevoava o campo de quadribol e sorria, passando as mãos pelos cabelos espetados. Avistou Lily Evans na arquibancada e estufou o peito, acenando com ênfase e fazendo seu sorriso brilhar ainda mais. Porém, a colega de casa não percebeu, pois parecia entretida em examinar as próprias unhas enquanto seus cabelos vermelhos voejavam com a força do vento gelado que soprava sobre Hogwarts.

Frustrado, os olhos de James passearam pelo time adversário até pousar em Regulus. Sua figura pálida e magra parecia bastante assustada diante dos olhos astutos de James, cobertos pelas lentes dos óculos, protegidas por um feitiço Impervius para que não se molhassem enquanto voava. Apesar de estar visivelmente assustado, James observou que Regulus tinha um bom porte enquanto montava a vassoura: mantinha os ombros ligeiramente curvados para melhorar a aerodinâmica do vôo, e seus pés também permaneciam posicionados de maneira correta, os joelhos dobrados para dar mais equilíbrio. Enquanto deslizava pelo ar, a capa verde esvoaçando com o vento, mostrava o domínio pleno que tinha de seu equipamento de vôo. Mas o que chamou a atenção de James foi a forma como Regulus segurava o cabo da vassoura, as mãos grandes, fortes, posicionadas de maneira firme e determinando a direção para a qual queria rumar com precisão quase milimétrica. Os dedos longos, cobertos pelas luvas de jogo, pareciam hipnotizar James, que manteve os olhos pregados no adversário mesmo enquanto ele voava para longe. Nesses momentos, James franzia a testa e forçava os olhos para não perder as mãos do sonserino de vista.

- Esse ano a casa vermelha e dourada está de arrasar! – continuava Jordan pelo megafone enfeitiçado para ampliar o alcance de sua voz. - A formação da temporada passada ganhou a artilheira Mary MacDonald, do sexto ano, que parece bastante entrosada com Frank Longbottom e Meaghan McCormack enquanto tocam a goles. Mas o destaque vai mesmo para James Potter, o nosso apanhador invencível desde que entrou no time! Será que o novato Regulus Black, da Sonserina, vai conseguir tirar o reinado de Potter? Eu duvido e... AI!!!

Minerva McGonagall, professora de Transfiguração e diretora da Grifinória, puxou a orelha de Jordan e fez com que ele se calasse. O jovem também fazia parte da casa dos leões e não era muito imparcial ao narrar os jogos.

A treinadora Madame Hoock fez soar o primeiro apito e ambos os times se reuniram próximos a ela. A arquibancada continuava aos gritos, cada um tentando soar mais alto que a torcida do adversário. Leões encantados rugiam, enquanto os sonserinos tentavam enfeitiçá-los de longe para que miassem como gatinhos assustados. O barulho era ensurdecedor. Mas James não ouvia nada. Tinha posicionado a vassoura no ar um pouco acima do círculo formado pelos jogadores de ambos os times ao redor de Madame Hoock, que já tinha soltado o pomo de ouro, mas ainda não havia dado o apito de início do jogo. A bolinha dourada voejou entre os dois apanhadores, passando rapidamente em volta da cabeça de James. Depois, seguiu veloz na direção de Regulus, enquanto os olhos anis do sonserino acompanhavam o movimento do pomo. Então, ambos os apanhadores se encararam e foi como se o vento soprasse mais rápido e mais gelado. Enquanto os olhos de Regulus permaneciam pousados sobre o rosto de James, o oponente não conseguia se controlar e fazia seu olhar caminhar por cada detalhe do sonserino, descendo pelos lábios finos, o pescoço delgado e o peito magro até chegar às mãos. Ah, que mãos eram aquelas de Regulus Black?

O segundo apito se fez ouvir e o duelo começou. Porém, James estava tão absorto no adversário que sequer percebeu que Mary voava em sua direção, trombando com a colega do time.

- VOCÊ NÃO DEVERIA ESTAR PROCURANDO PELO POMO, POTTER? – a menina gritou, voando atrás da goles em seguida.

"O que diabos eu estou fazendo aqui parado?" – pensou James assim que notou que Regulus já estava muito acima do campo. Subiu para perto do oponente e deixou que os jogadores de seu time fizessem o serviço lá embaixo. Não desgrudaria do sonserino, a menos que avistasse o pomo antes dele, o que provavelmente aconteceria devido ao seu "talento nato".

Enquanto isso, Jordan continuava com sua narração:

- Longbottom parece particularmente inspirado hoje! Ele e MacDonald formam uma excelente dupla, com o suporte da sempre fantástica Meaghan McCormack! A mãe dela, como todos sabem, é jogadora profissional do Pride of Portree, e parece que a filha está seguindo os mesmos passos!

Os três artilheiros da Grifinória tocavam a bola com facilidade, escapando das mãos ágeis dos sonserinos por um triz. Vassouras riscavam o ar de maneira tão veloz que os olhos precisavam ser treinados e acostumados para que pudessem acompanhá-las.

- Parece que os sonserinos têm dificuldades em barrar nossos artilheiros, ops, digo... os artilheiros da Grifinória – disse Jordan, observando o olhar severo da professora McGonagall, sentada estrategicamente ao seu lado. - Eles se aproximam do gol, será que Mulciber conseguirá detê-los e... Oh, droga! Crabble e Goyle fizeram uma incrível Dupla-Defesa de Batedores e o balaço atingiu em cheio as costas de Longbottom, que deixou a goles escapar e agora parece respirar com dificuldades. Mas olhem só, os irmãos Carrow e Avery começaram a voar em Formação de Ataque Cabeça de Falcão! É uma jogada ensaiada na qual os artilheiros formam um V e voam juntos em direção às balizas. O balaço de Wood passou a esmo pelos artilheiros da Sonserina, que continuam em formação e ultrapassam MacDonald e McCormack sem dificuldades! Não foi dessa vez que elas conseguiram recuperar a goles, que está de posse de Alecto. A artilheira verde e prata vêm pela esquerda e... por Merlin! Ela faz um difícil passe de revés para o irmão e continua avançando para as balizas de Evangeline Johnson, e... e... é GOL! 10 pontos para a Sonserina, droga!

Jordan estava visivelmente decepcionado. A multidão verde e prata urrou de alegria, incentivando o time a continuar com a excelente apresentação. Imediatamente o placar mágico saltou, confirmando que a Sonserina estava na frente. A posse da goles passou para Frank Longbottom, que já tinha se recuperado do balaço de Crabble e Goyle e voava rapidamente para as balizas defendidas por Mulciber.

Enquanto isso, James praguejava e Regulus mantinha os olhos atentos, esquadrinhando cada canto que conseguia alcançar. Porém, o vento e os raios de sol que ultrapassavam a neblina úmida do inverno complicavam a situação de ambos os apanhadores. James tinha um agravante: não conseguia se concentrar. Sua tática era sempre se desligar do jogo enquanto procurava pelo pomo, mas naquela ocasião distraia-se com o menor movimento do oponente, acabando por deixar que seus olhos passeassem pela figura de Regulus, eventualmente se focando nas mãos. Não conseguia entender porque elas o atraiam quase como se fossem ímãs. Era a primeira vez que James se importava menos com o pomo do que com o apanhador adversário num jogo de quadribol.

Os artilheiros da Sonserina estavam inspirados naquela manhã, e pareceram ficar ainda mais empolgados quando a neve fininha começou a cair sobre o campo. Embora dificultasse a visão dos jogadores, era evidente que a sorte não estava ao lado dos Grifinórios quando Alecto marcou mais um gol em Evangeline.

- E com esse gol de Alecto, o jogo está quarenta a zero para a Sonserina! – disse Jordan, num tom de voz desanimado.

A torcida não entendia o que estava acontecendo. A Grifinória tinha o time dos sonhos, e havia começado bem o jogo. Qual era o problema com eles? Todos pareciam cansados, desanimados, atrapalhados com as jogadas ensaiadas dos sonserinos e a neve que caía por sobre o campo. Até mesmo Meaghan McCormack, filha da mais famosa artilheira do Pride of Portree, que ajudou o time a conquistar duas Taças da Liga na década de 1960 e jogou pela Escócia trinta e seis vezes, não estava muito bem naquela partida. Mesmo assim, a situação ainda não estava crítica para a Grifinória. Se James apanhasse logo o pomo, eles ganhariam 150 pontos e encerrariam o jogo desastroso com a vitória.

James lutava para se concentrar, mas tudo o que conseguia era seguir Regulus insistentemente, o que não significava que este já tivesse encontrado o pomo dourado. Certa vez ambos até voaram na direção de um ponto brilhante na extremidade oposta do campo, mas se tratava apenas de um floco de neve cintilando com a luz do sol. James sabia que quadribol era um jogo para dois, e se considerava a peça fundamental do time. Se agarrasse o pomo, ninguém se lembraria dos gols tomados por Evangeline, nem do papel desastroso dos artilheiros que não marcavam. O verdadeiro duelo era entre ele e Regulus, era ao sonserino que precisava vencer, o qual tinha que superar e ultrapassar. Era o irmão de seu melhor amigo. Era o Black puro-sangue. Era o garoto com as mãos mais belas que ele já vira na vida.

- E a capitã da Grifinória, McCormack, pede tempo – anunciou Jordan no megafone mágico. - Será que irão discutir alguma estratégia para sair desse labirinto de trasgo? Espero... Quer dizer, a torcida espera que sim.

James desceu em círculos para o canto direito do campo, onde o time estava reunido e Meaghan aos berros, tentando incentivar os jogadores de um jeito bastante peculiar:

- SEUS MONTES DE BOSTA DE DRAGÃO! PRECISAMOS MARCAR GOLS, GOLS! A GOLES NÃO VAI VOAR EM DIREÇÃO A BALIZA SOZINHA, ULTRAPASSAR MULCIBER E MARCAR OS PONTOS QUE PRECISAMOS PARA VENCER! – no momento em que James se reuniu aos colegas, a atenção da capitã se voltou para ele. – E VOCÊ, JAMES POTTER, O QUE ESTÁ FAZENDO QUE AINDA NÃO APANHOU A PORCARIA DO POMO?

- Eu estou procurando, Meag, eu juro que estou! – disse James, meio sem jeito, mas logo recuperando a altivez da voz. – Não se preocupe, eu nunca deixei de apanhar sequer um pomo de ouro desde que comecei a jogar. Talento...

- TALENTO NATO, EU SEI! E ESPERO QUE ELE NÃO FALHE DESTA VEZ! – berrou ela mais uma vez. – VAMOS, MONTES DE TRASGOS MONTANHESES, VOLTEM AO JOGO!

Delicadeza nunca foi palavra de ordem para Meaghan McCormack, mas ela precisava ser enérgica para manter o time da Grifinória como o melhor de Hogwarts.

As vassouras levantaram vôo mais uma vez e James se reuniu a Regulus no ar. Reparou que os flocos de neve tinham se espalhado pelos cabelos negros do oponente, mas as mãos continuavam firmes na vassoura, quase como se ele não sentisse o frio intenso que arrepiava as costas de James.

Lá embaixo, a bronca da capitã surtia efeito: Mary McDonald marcou o primeiro gol pelo time da Grifinória, o que fez os leões da torcida rugirem com força, alheios aos feitiços e frustração dos sonserinos. Depois, Frank voou para o alto, levando os artilheiros adversários a acreditarem que ele estava tentando se livrar deles para poder marcar. Mas os torcedores sabiam que ele estava armando um Ardil de Porskoff, pois Meaghan esperava a goles próxima às balizas de Mulciber. Assustado com a repentina ousadia do time da Grifinória, o goleiro não conseguiu segurar a bola, que passou zunindo pelo seu ouvido esquerdo e entrou certeira na baliza.

- 10 PONTOS PARA A GRIFINÓRIA! – gritou Jordan bastante entusiasmado. – ARDIL DE PORSKOFF, POR MERLIN, LONGBOTTOM! ESSE É O NOSSO ARTILHEIRO!

- SEUS IDIOTAS! – berrava Mulciber para os artilheiros da Sonserina. – PEGUEM AQUELA GOLES E NÃO DEIXE ELES MARCAREM DE NOVO! CRABBLE E GOYLE, REBATAM OS BALAÇOS PRA CIMA DA MCCORMAK!

A recuperação chegava a galope de unicórnio. Para empolgar ainda mais a torcida, os apanhadores mergulharam, de repente, num vôo arriscado, seguindo a visível bolinha dourada, que passou veloz pelas balizas de Evangeline. Gary McKinnon e Carl Wood fizeram uma Dupla-Defesa de batedores, tentando em vão atingir Regulus, que passou por eles como um borrão verde e prata em alta velocidade. Estava à frente de James na corrida, embora fosse uma tarefa difícil de notar até mesmo para Jordan.

- Os apanhadores estão atrás do pomo de ouro numa corrida maluca e desenfreada! Será que Black vai bater nas balizas para apanhá-lo? Anda, Potter, anda logo, agarra esse maldito pomo!

Dessa vez a professora McGonagall não fez sequer menção de acertar Jordan. Também estava vidrada no movimento dos apanhadores, sem conseguir acreditar no que seus olhos viam.

Um giro rápido, dedos ágeis que se fechavam em torno do pomo, e um sonoro baque se fez ouvir em seguida.

- BLACK APANHOU O POMO! – gritou Jordan incrédulo, e completou em seguida – E ESTÁ CAINDO!

A velocidade acentuada fez com que o apanhador sonserino perdesse o controle do vôo depois que agarrou o pomo. Embalada, a vassoura tinha se chocado com o aro da baliza e se espatifou em mil pedaços. Regulus bateu no metal, escorregou e começou a cair numa velocidade vertiginosa.

Um bolo se formou na garganta de James e uma sensação amarga de derrota o invadiu por completo. O duelo estava perdido. Porém, não poderia deixar que o oponente morresse, pois precisaria de uma revanche. Venceria Regulus para restaurar sua honra.

Um borrão vermelho e dourado passou veloz em direção ao chão e agarrou o sonserino pela capa antes que ele colidisse com o gramado, jogando-o para cima da vassoura. O cheiro de Regulus, um misto de perfume e suor, invadiu as narinas de James enquanto ele o carregava para o chão. Em meio aos gritos e a confusão que se formava para socorrer o garoto ferido, James retirou o pomo das mãos do sonserino. Desacordado, Regulus foi levado para a enfermaria. James acompanhava o corpo levitar, o pomo de ouro se debatendo na mão fechada, as asinhas velozes fazendo cócegas enquanto eram pressionadas.

O cheiro de Regulus tinha ficado na ponta dos dedos, na roupa, no ar ao redor, absolutamente impregnado em James mesmo depois que a maca já estava longe o suficiente.