Nota da autora: Olá pessoal! Aqui vai mais um capitulo. Dedico este e todos os outros às meninas do grupo Jisbon Brasil que acompanham minhas fics e que me incentivam com suas loucuras. Agradeço tbm a quem postou reviews aqui no Fanfiction: fico muito feliz e espero que comentem mais. Lá vamos nós pro jantar: o que será que vai acontecer? Enjoy!

Jane e Lisbon seguiram para o restaurante do hotel em silêncio: era notório que o clima estava diferente e isso deixava os dois tensos. Olhando a situação de fora muitos diriam que nada mudou e eles eram apenas aqueles parceiros em mais um jantar, mas outras pessoas (como a romântica Grace) diriam que eles não estavam sabendo como lidar um com o outro após os grandes acontecimentos. Era como se enquanto Red John estivesse solto eles não tivessem permissão de serem felizes juntos e que, agora eles estavam livres. Nenhum deles tinha dito nada, mas a mudança era perceptível no ar.

Sentaram-se e fizeram os pedidos. Lisbon optou por tomar uma taça de vinho mas Jane preferiu chá: decidira que, se fosse fazer algum movimento naquela noite com ela queria estar totalmente sóbrio para não esquecer de nada no dia seguinte e passar pelo que passou com Kim.

Aí está outra questão importante. Tinha conhecido duas mulheres: uma na ilha e outra no Texas. Era óbvio que ela estava atraída por ele, mas suas atitudes lhe intrigavam. Porquê manter-se tão distante se queria se aproximar? Nem mesmo Lisbon foi tão relutante com ele no início.

"Jane?" chamou Lisbon na mesa.

"Oh, me desculpe Teresa. Estava pensando em algumas coisas."

Teresa. Ok, isso já era um mau sinal. Ele não tinha esse hábito a não ser quando queria coagi-la a fazer algo por ele. Ou seja, mau sinal novamente.

"E posso saber que coisas são essas?" Jane relutou em responder.

"Estava pensando em como as pessoas tem um grande poder de manipulação nas mãos, principalmente as mulheres." Teresa riu.

"Sério que você está perguntando isso? Você é o maior filho da mãe manipulador que eu conheço e faz esse tipo de pergunta? Por favor, Jane!"

"Ok, mas eu nunca finjo ser algo que eu não sou. Posso até manipular, mas me mostro para as pessoas como realmente sou. Não invento personagens."

"Tenho que concordar com você. Mas porque estava pensando nisso? Você falou sobre mulheres... Tem algo a ver com a agente Fisher?" Lisbon perguntou ressabiada mas tentando esconder com um sorriso misterioso.

"Sim, tem. Conheci duas mulheres tão diferentes que custo a acreditar que eram a mesma. Kim não lembra em nada a agente Fisher."

"Parece que o que vocês viveram naquela ilha foi mesmo importante..." Lisbon sentia seus olhos marejarem porém se mantinha forte em não perecer diante dele. Choraria depois em seu quarto sozinha, como fez em muitas noites que não conseguia dormir pensando nele. Barlow sempre esteve certo.

"Sim, foi muito importante pra mim e pra minha decisão de voltar." Jane terminou de dizer enquanto os pedidos chegavam. Ok Lisbon, era isso: ele tinha voltado por ela. Não era saudade do trabalho, da terra natal, dos amigos. Era por causa daquela mulher; ela deveria ter desconfiado disso desde o momento em que viu os dois se encontrando no FBI mas seu coração bobo teimou em fazê-la crer no contrário. Segurando a raiva e a decepção que surgiam tentou engolir a comida pelo bolo que se formava em sua garganta. Seja forte, Teresa! Não desmorone!

Jane sentiu o clima e tentou mudar de assunto. "Mas me conte: o que você fez nesses dois anos? Não pudemos conversar desde que cheguei. Sabemos que seu emprego era um saco mas devia ter algo em Washington que te fazia bem. Conte-me."

Teresa decidiu que não ficaria por baixo: se ele tinha ficado com alguém, ela também ficaria. Mesmo que fosse mentira. "É uma cidade pacata por isso meu trabalho era entediante, mas é um ótimo lugar para se viver principalmente se quiser ter uma família. As pessoas são muito interessantes e gentis." Realmente: tinha tido um ou dois encontros com homens das redondezas mas nada tinha mexido com seus brios. O que não queria dizer que os homens de Washington não serviam, e sim que seu coração estava pesado demais para deixar alguém se aproximar.

"Humm, interessante. Não pensei que os homens de Washington te atrairiam: você não faz o tipo de homens pacatos. Você é intensa e peculiar como eu já havia dito; não é qualquer homem que consegue lidar com você."

"Pois é, mas na falta dos que possam fazer isso a gente se vira com o que tem." Uma indireta. Dolorida porém altiva, sem se deixar abater. Essa era a sua garota. Sempre foi. Melhor mudar para assuntos mais leves.

"E Van Pelt e Rigsby, como estão? Confesso que senti falta deles algumas vezes." Como sempre arrogante, pensou Lisbon. Parece que o fim de Red John não havia feito alguma mudança nesse quesito. Pousou os talheres em cima do prato e tomou um gole de vinho.

"Estão bem. Montaram sua própria empresa ligada ao ramo da tecnologia. Você sabe que Grace sempre foi boa nisso. E tiveram filhos: dois. Parecem bem felizes."

"Ótimo. Grace e Rigsby trabalhando pra si próprios, Cho no FBI... Fico feliz em saber que não estraguei a vida de tanta gente assim." Lisbon sentiu seu sangue ferver.

"O que você quer dizer com isso? Que você estragou minha carreira? Não se julgue dono da minha vida, Jane. Eu escolhi ajudar você e tive que arcar com as consequências disso, como todos arcaram. Eles só tomaram rumos diferentes que o meu. O fato do meu trabalho ser chato não quer dizer que eu estava infeliz: eu tinha o descanso e a calma que eu perdi em todos esses anos que você trabalhou comigo e isso me fez muito bem, se quer saber. Ah, mas agora eu consigo entender: você exigiu que eu trabalhasse com você pro FBI porque se sente responsável pelo fim da CBI e consequentemente da minha carreira e está tentando se redimir tirando um peso das suas costas! Tudo faz sentido." Muito bem, Patrick Jane! Seu jantar está saindo pela culatra!, pensou ele.

"Não, Teresa. Não se trata disso." Teresa levantou-se da mesa e pegou sua bolsa.

"Pois bem, grande Patrick Jane. Está dispensado de sentir pena de mim: eu não preciso. Sou uma boa policial e posso arranjar o emprego que eu quiser. Não preciso de você pra fazer isso. Pode tirar esse peso das suas costas. Eu pensei que você tinha mudado; estava enganada. Você continua o mesmo arrogante e prepotente que sempre foi, achando que o mundo gira ao seu redor." Havia raiva e dor naqueles olhos verdes, mas Jane também se sentiu magoado. Algumas pessoas no restaurante já olhavam para a discussão dos dois mas eles não notavam. Jane também levantou-se.

"Eu nunca enganei você. Esse sempre foi eu. Você que sempre acreditou que eu poderia mudar; você se enganou sozinha. Eu não fiz nada."

"Você está certo: eu sempre fui a burra nessa história toda, mas não mais. Amanhã irei ao FBI e direi que não quero trabalhar com você. E não ouse colocar isso como condição pra qualquer coisa pois não vai funcionar. Você apenas vai acabar de novo naquela suíte de detenção sem ter a idiota pra te tirar de lá."

"Ei, EU me tirei de lá! Eu falei sobre a lista e usei isso como poder de barganha, não você!"

"Desculpe lembrá-lo mas enquanto você corria atrás de Red John como um louco foi a MINHA EQUIPE quem descobriu o depósito do Bertram e o pen drive, sendo assim você não fez tudo sozinho." Teresa percebeu que estava quase gritando e diminuiu o tom de voz. "Não quero mais discutir isso. Acabou. Passou. O fato é que eu não vou trabalhar com você de novo. Você não sabe o que é melhor pra mim; você nunca soube. Sabia apenas o que era melhor pra você e conseguiu, em detrimento de qualquer outra coisa. Parabéns. Mas eu decido a minha vida. Adeus." Saiu do restaurante com Jane a seguindo com os olhos, sem acreditar que aquele jantar cheio de pretensões sedutoras tinha ido por água a baixo. Ele acenou para o garçom pedindo a conta e foi atendido. Quando estava levantando da mesa para sair, percebeu um volume embaixo do guardanapo que Teresa tinha usado e ergueu-o. Eram em torno de cinco envelopes com a letra dela e com o seu nome como destinatário. Ela havia escrito cartas para ele também. Pegou o bolo e saiu voando do restaurante, louco para chegar em seu quarto e ler o conteúdo daquelas cartas.

Teresa chegou ao seu quarto arrasada: tinha esperado tanto daquele jantar e, como sempre, Patrick Jane havia lhe decepcionado. Ela devia estar acostumada; ele era como uma caixinha de surpresas que você nunca sabia o que podia esperar sair de dentro. Jogou a bolsa em cima do criado-mudo e tirou o vestido, jogando-o em qualquer canto. Pegou sua camiseta de dormir do Chicago Bulls e foi até o banheiro, quando esbarrou no grande espelho que havia lá e olhou-se. Viu a lingerie que ela fantasiosamente tinha escolhido pro que pensava ser uma grande noite.

Como podia ser tão ingênua? Como tinha conseguido chegar a essa idade e ainda acreditar nos homens e pior: acreditar em Patrick Jane?

Vestiu a camiseta enquanto deixava escapar uma lágrima e pensava porque tinha sido tão burra. Ela viu os sinais, eles estavam ali mas não eram pra ela: eram pra Kim Fisher. Pelo menos isso tinha servido para fazê-la perder toda e qualquer esperança em relação a ele: nada a nutrir, nada com que se decepcionar. Mas nem por isso doía menos.

E como se isso não bastasse ele ainda tinha sentido pena dela. Dela e do seu emprego ridículo em Washington. Ele só não sabia que ela teve opções de ir para grandes cidades, mas que escolheu passar um tempo ali relaxando e se encontrando. Reaprendendo a se enxergar depois de tantos anos enxergando apenas ele.

Como ela podia acreditar que ele sentia sua falta? Que era tanto que lhe escrevia cartas, mesmo sabendo que não receberia resposta? Era tudo apenas solidão pura: qualquer uma podia resolver o problema, como foi o que aconteceu. E como tinha imaginado ela era só um bode expiatório: alguém para distrair o FBI enquanto ele conseguia o que queria. Pelo menos esse último caso serviu para que ela mostrasse a Abbot que era uma oficial da lei competente e que não se escondia por detrás da 'genialidade' do grande Patrick Jane.

Lavou o rosto, escovou os dentes e quando deitou-se na cama percebeu que faltava alguma coisa. As cartas, que ela tinha levado para entregar a ele. Devia ter deixado em cima da mesa. Que fosse! Talvez tenha sido melhor que ele nunca soubesse o que ela havia dito naquelas folhas. Coisas que tinha escrito com todo o seu coração e a sua saudade; coisas que ele não merecia saber.

Passou vários minutos pensando em tudo e revirando na cama, tentando dormir. Teresa só queria esquecer aquela noite e voltar pra sua vidinha pacata em Washington. Recomeçar. Novamente.

Quando chegou, tirou a primeira carta do lacre com a sigla do FBI e abriu o envelope: era de se imaginar que não lhe entregariam. Sabia que tinha o dedo de Kim Fisher nisso mas isso pouco importava agora. Queria saber o que Teresa Lisbon tinha de tão importante para lhe contar que não queria que fosse pessoalmente, ou ela não tinha coragem...

Pensou nela: como ela poderia achar que ele tinha feito dela sua exigência por pena? Se havia algo que ele tinha percebido desde a primeira vez em que a viu foi a sua competência e sabia que ela tinha condições de entrar na Segurança Nacional se quisesse, e até mesmo no próprio FBI. Então sabia que ela tinha escolhido um pouco aquele emprego monótono em uma cidade tranquila para ter um pouco de paz: tantos anos sob forte pressão da chefia que queria que ela o controlasse e desse resultado ao mesmo tempo a tinham desgastado. Teresa precisava desse tempo, longe da agitação e dele para se recompor. Se cuidar e reconstruir.

Jane havia quebrado vários paradigmas em sua cabeça bem formada e ela precisava se encontrar novamente, como policial e como mulher: como uma policial honesta que não utiliza de subterfúgios para concluir casos e como mulher, que se abnegou e devotou sua atenção para um homem e seu objetivo sem esperar nada em troca. Mesmo que achasse isso, estava errada: ela sempre esperou algo. Gratidão? Lealdade? Amor? Não é possível saber com certeza. O que ele sabia é que tinha errado feio na forma de retribuir tudo que ela havia lhe dado. Achava que lhe dando um novo emprego estaria agradecendo por todo o sacrifício mas apenas demonstrou que apesar de tantos anos juntos, ele não sabia ao certo o que se passava em seu coração. Talvez ela quisesse mesmo um emprego, mas ela esperava mais dele. Muito mais. Algo que ele não deu.

Voltando sua atenção para a folha na mão, respirou fundo e se convenceu de que veriam naquelas linhas tudo que aquela mulher queria falar e não conseguia por algum motivo. Então leu as primeiras linhas.

OBS.: Não me matem, pessoal! Eu sei que vcs estão curiosos para ver o que Lisbon escreveu, mas só no próximo domingo. Que vai ser o último do hiatus e também o do ultimo capitulo desta fanfic. POR FAVOOOR COMENTEM O QUE ACHARAM: SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE PARA MIM. Um beijo e até domingo o/