2- Toda a Noite

2- Toda a Noite

- Sabes, há de chegar o dia em que eu hei de comer uma batata frita que, realmente, soubesse como uma batata frita.

Ron e Hermione estavam sentados numa das mesas da cantina. Hermione tinha uma revista à frente de si na qual estava a fazer um teste, com toda a sua atenção de maneira a que o comentário de Ron lhe passou ao lado.

- Já alguma vez tiveste numa manage à troi? – perguntou Hermione, em voz pensativa.

Ron engasgou-se, pensando que aquela pergunta era dirigida a ele.

Só depois se apercebeu que ela estava a ler uma das perguntas da revista. Hermione, com o seu lápis, rodeou a letra correspondente à sua resposta, sem perder a concentração.

- O que raio é isso? – perguntou Ron, inclinando-se por cima da mesa e tirando-lhe a revista. Os seus olhos esbugalharam-se – um teste de pureza? Quanto pura és tu?

Hermione riu-se.

- Ok. – Ron fechou a revista, e pousou-a em cima da mesa, ao seu lado – hora de pôr isto de lado. Não podes estar a falar comigo e fazer estes testes ao mesmo tempo.

Hermione riu-se mais uma vez pois as orelhas de Ron tinham ficado de um vermelho característico de embaraçamento.

- Vá là! É divertido! – exclamou Hermione, esticando-se para apanhar a revista que Ron tinha pousado na mesa.

Ron chegou à revista, antes dela, e pô-la debaixo do braço.

Hermione endireitou-se, cruzando os braços e com um leve sorriso.

- Ah! Não penses que eu não sei o que se passa aqui – disse – tu és um daqueles rapazes que tenta dar a entender ao mundo que é muito experiente quando, na verdade, é tão virgem como o Popas.

Ron ainda ficou mais vermelho. Cruzou os braços, pensando numa resposta.

- Sabes que mais? – perguntou Ron – apanhaste-me. – levantou os braços em sinal de rendição. A revista caiu no chão e Hermione apanhou-a - sou o embaraçosamente puro.

Hermione sorriu, com a alegria de uma vitória. Guardou a revista na mochila.

- Então, vou ver-te na sessão de estudo hoje? – perguntou ela, levando uma das batatas fritas de Ron, as que não sabiam a batatas fritas, à boca. Era uma pergunta que quase não era preciso ser feita.

- Claro – respondeu Ron e acrescentou – quando tiveres lá dentro faço questão de passar ao pé da janela da sala no meu caminho para casa – brincou, bebericando a sua coca-cola.

- Ron! – exclamou Hermione, surpreendida. Isso era uma das coisas fascinantes em Hermione. Depois de todos estes anos a conviver com Ron, continuava a esperar que ele se aplicasse. Ela tinha fé que ele, um dia, pusesse a cabeça no sítio. Hermione acreditava nas pessoas quando toda a gente já não o fazia – não me digas que não vais? Tu não te podes baldar nesta sessão de estudo. É demasiado importante.

Ele encolheu os ombros. Tinha pensado em ir para casa jogar o novo FIFA que tinha ganho.

- Para ti.

Hermione fitou-o, como se ele tivesse a dizer uma barbaridade.

- Não, para todos que se preocupam com a sua nota.

- Cá está o ponto que eu pretendia frisar – continuou Ron, gesticulando, quase atirando o seu copo de coca-cola ao chão – tão empenhada como tu estás em ter o teu A, eu estou igualmente em ter o meu C, possivelmente D se não conseguir deitar uma boa olhadela às tuas respostas.

- Ron! – voltou a exclamar Hermione.

Ron suspirou.

- Dá-me uma boa razão para ir.