Caro Insanity

Capítulo 2

A sala obscuramente fria e negra continha uma ar podre e denso conforme as sobras dançavam em derredor do trono grande e espaçoso onde, ao seu lado, repousava um de mesma arquitetura, porém menor. Aquele era o trono da Josei no soburin*.

No trono do rei repousava o soberano e cruel Uchiha Sasuke.

A única coisa perceptível para humanos seriam as orbes rubras, comum em qualquer demônio, porém com uma espécie de estrela de seis pontas de cor negra cintilando sua maldade cada vez mais viva em seu olhar fúnebre.

O Uchiha estava sentado confortável em sua posição ereta e seu torso nu era exposto por um sobretudo negro que atingia seus pés, contudo este estava aberto revelando sua estonteante beleza.

As sombras agora rodeavam seu senhor e sons horripilantes fizeram-se audíveis no grande salão do trono localizado no auge do castelo Uchiha, este que continha uma imensa sacada para que seus súditos o venerassem.

As almas caídas em desespero e famintas por sangue, que antes eram apenas sombras, agora tomavam forma.

Corpos irregularmente deformados com a pele escurecida em um tom avermelhado com pequenos, mas mortais, chifres saiam do chão para logo direcionarem-se ao seu mestre, deixando um repugnante rastro de sangue negro que escapava de suas "bocas"; o mesmo que já putrefara a muito tempo.

Cerca de cinco demônios Fotófabos encontravam-se em frente ao rei, curvados.

Sasuke imaginava se eles haviam conseguido concluir a fácil tarefa de localizar um fugitivo de suas masmorras, o mencionado, que fugira à dias, continuava desaparecido.

Demônios Fotófabos não eram uma raça muito inteligente de tal espécie e suas limitações por serem cegos e abominarem a luz eram compensadas com o quesito velocidade e força; porém eram criaturas movidas a instintos primitivos, ou seja, não raciocinavam e, tão pouco; tinham deduções conclusivas e espertas. Em preceito estratégia em batalha a seguinte espécie de demônios era totalmente inútil.

Uma das criaturas aproximou-se ainda, mesmo que irracional, hesitante de seu soberano. Este, dentre todos o maior, depositou na mão estendida de Sasuke um pequeno pedaço de tecido negro, velho e gasto assim como sujo.

"A roupa do maldito", depreendeu ao cheirar o pano que continha um odor agridoce e levemente putrefato, típico em Hidras.

-Para onde ele foi? - A voz rouca e terrificante fez-se audível no local imenso produzindo um tenebroso e lúgubre eco.

As bestas recuaram diante de presença imponente nada satisfeita. O que parecia ser o líder, soltou uma espécie de rumor feroz incompreensível enquanto focalizava sua fronte para o chão, algo que o Uchiha interpretou com uma falha na missão.

As feras não sabiam. O haviam perdido. Eles falharam. Algo que ele nunca perdoaria. Sorriu de canto, debochado.

-Inúteis! - fechou os olhos momentaneamente ao ouvir o reverbero de desespero daquelas almas medíocres e frívolas. Não eram mais proficientes para si.

E logo depois ouviu todos eles tentarem escapar desengonçadamente de suas garras atropelando uns aos outros por sobrevivência, mas nunca o conseguiriam. Ninguém, nunca fugia de si.

Ao abrir os olhos vislumbrou todos contorcerem-se em agonia e exasperação na pavimentação de pedra. Um sorriso insano surgiu em seu semblante ao deliciar-se com as chamas eternas e negras de seu Amaterasu queimando a carne pútrida e nula de seus servos improfícuos.

Deixou escapar um riso curto de divertimento ao ver o sofrimento das presenças condenadas a dor eterna.

-Karin!

Imediatamente uma sombra saiu da parede e o corpo feminino coberto por uma capa negra de nuvens vermelhas seguiu calmamente em sua direção. A fêmea de um de seus homens mais confiáveis reverenciou-o ao parar diante de si, ignorando totalmente os grunhidos de sofrimento das feras, como se fosse algo comum, o que certamente o era.

-Sim, meu senhor? - Inquiriu incerta, pois ainda que seu rei fosse "amigo" de seu Otto* o mesmo dar-lhe-ia medo eternamente.

-Toma. - Estendeu a ela o tecido que pouco lhe havia sido entregue.

A ruiva levantou-se para apanhar entre os dedos finos e delicados o retalho sujo que cheirava a Hidra.

-Encontre-o, todavia assim que tiver uma localização não vá atrás dele sozinha. Chame reforços e, se algo der errado, retorne e aborte a missão!

-Dois!

-Agora saia.

Retirou-se rapidamente da presença obscura para dar início ao que lhe fora mandado. Não poderia falhar! Era sim uma ótima demônio rastreadora, porém não tão boa quanto seu primo Naruto.

Sasuke levantou de seu lugar e pôs-se a andar à esmo por entre os grandes corredores gélidos e soturnos.

Estava ficando louco. Sua vontade de ver sua pequena estava dando-o , até mesmo, dor física. Seu peito, que por muito tempo esteve morto, agora acelerava cada vez que pensava estar longe dela. Quando pensava que poderia Tê-la em seus braços. Quando imaginava-a sorrindo para si.

O seu demônio interior necessitava dela tanto quanto ele necessitava de sangue para sobreviver. Na verdade ele precisava de Sakura como um todo.

Seu bebê indefeso e ingênuo.

Sua doce criança casta e pueril.

Sua Sakura e de mais ninguém!

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A rosadinha admirava as árvores balançarem de um lado para o outro enquanto mantiha-se sentada ao chão de frente para a sacada de seu quarto. O verde vivo das folhas perdiam-se ao vento e sua dança no mesmo a deixava hipnotizada no presente momento. Desviou a atenção das folhas para seu ursinho azul que repousava em seu colo.

Usava um vestido rosa de seda com babados brancos que ganhara de seu papai a algum tempo. Sua peça preferida. Sorriu doce pela lembrança enquanto desamassava a barra da roupa.

Foi tirada de seus pensamentos pelo barulho de passos em sua direção. Não precisaria olhar para ver quem era, já que ele havia prometido que voltaria para lhe ver. Seu amigo voltara para ela. Um sorriso gigante rasgou seu rosto ao perceber que ele não mentira para si.

Levantou-se em um salto e direcionou suas feições infantis e jocosamente encantadoras para o moço moreno que a olhava com um sorriso de canto.

Soltou um gritinho fino e infantil de felicidade por vê-lo ali e correu em direção à ele para logo abrasar suas pernas longas cobertas por um calça negra. Sentiu-se ser levantada e seu pequeno peso fora sustentado pelos braços de Sasuke. Enganchou-se, agora, em seu pescoço o abraçando.

Estar com ela em seus braços era tão tranquilizador. Senti-la abraça-lo como se o mesmo fosse o único em sua vida o deixava venturosamente completo. Sentir que era amado e venerado por ela o deixava prazenteiramente preenchido.

Aconchego-a adequadamente em seu colo e afagou os cabelos róseos que batiam no final de suas pequenas costas. Mudou-a de lugar estabilizando-a em seu braço esquerdo, para que a visse melhor. Como sua pequena era encantadora.

-Que bom que veio, achei que não voltaria! - Sakura contava-lhe seu pensamento enquanto ainda sorria e abraçava-o.

-Por que pensou isso? - A voz tão rouca e sempre vazia de sentimentos, porém presente de crueldade agora soava fleumática e cálida.

-Achei Que me abandonaria ... Como todos.

Puxou o rostinho mimoso, agora um tanto tristonho, para si e pressionou seus lábios finos contra a têmpora da menininha.

-Eu jamais a abandonarei.

Sakura sorriu alegre e depositou um beijinho na bochecha do homem. "Agora ele parecia só um pouquinho mau",ponderou feliz a garotinha.