Eu sei que o começo já é agitado e - pelo menos para mim - difícil de acompanhar. Mas aqui vai um textinho que eu tirei da internet e pode ajudar na compreensão:
" (...) Mas o rei Malcolm nunca pode realizar o desejo de expandir o reino pelo norte da Inglaterra, pois Guilherme da Normandia que se tornou rei da Inglaterra, e que o futuro apelidaria o Conquistador, avançou pela Escócia em 1072. Descobrindo a ambição do escocês, decidiu aniquilá-lo. Houve batalha em Stirling. Edgar Atheling abandonou Malcolm Canmore e fugiu para Flandres, na atual Bélgica. Quando Malcolm descobriu o tamanho do exército normando, prometeu jamais incursionar pela Inglaterra e tomou ainda a decisão de prestar homenagem ao rei da Inglaterra - decisão que teria futuramente consequências fatais para a independência da Escócia, em tempos mais perigosos." Wikipedia.
Pra quem já leu a fic O Senhor de Darkenwald (s/5966426/1/O_senhor_de_Darkenwald) fica mais fácil de entender. Esta história (esta que você está lendo) se passa logo após a batalha de Hastings.
Eu sou humana, portanto se vocês encontrarem alguns nomes diferentes como "Anvrai D'arques" ou "Isabel", por favor, avisem-me :)
Nortúmbria, 1072, fim de verão. Castelo de Swan
Sir Edward Cullen olhava para os lados, inquieto, incapaz de descontrair-se. Não conseguia se envolver no ambiente alegre, nem com as músicas que eram executadas sem parar. As obras do castelo-forte não tinham sido concluídas. Além disso, nos últimos tempos os cavaleiros de lorde Swan haviam se dedicado mais a ajudar na construção do que ao treinamento com objetivos de defesa.
Seria muito fácil para os escoceses atacarem o castelo durante as festividades em comemoração à chegada de Bella e Alice, as duas filhas do lorde.
Apoiado na balaustrada superior, observava lady Bella dançando com os incontáveis pretendentes.
— Edward Cullen! — Harry Clearwater, o auxiliar de maior confiança de lorde Charlie, estendeu a mão para saudá-lo efusivamente. — Bem que disseram que o senhor veio no lugar do barão Eric. Fico satisfeito em encontrá-lo. Já faz dois anos que não nos vemos?
Apesar de respeitar o cavaleiro idoso, não se encontrava com disposição para conversar.
— Sim, se não for mais — Edward respondeu, com o cenho franzido.
— Noto que o senhor está muito sério. Hoje é um dia de festividades e descontração. — Harry riu. — Segundo me consta, o senhor não assumiu o comando da guarnição do rei em Winchester.
Edward cerrou os dentes. Havia um ressentimento profundo entre ele e o rei Guilherme. De todos os cavaleiros que estavam na corte e podiam aproveitar a notoriedade de comandar um dos exércitos do monarca, Edward Cullen fora o que rece bera menores recompensas. Pelo menos, nada de substancial. Edward teria encontrado muita satisfação em possuir uma pe quena propriedade... Um lar... Como recompensa pelos anos em que estivera a serviço de Guilherme. Antes e depois da batalha de Hastings.
Mas Guilherme não tinha intenção de recompensar o homem que o desafiara. Por esse motivo, Edward Cullen vivia nas casernas de Belmere, a serviço do barão Eric Yorkie, lorde de Belmere. O fato era uma permanente fonte de irritabilidade, mas não havia solução possível. Edward Cullen era tão obstinado quanto Guilherme, o Conquistador.
Edward apontou para as muralhas do castelo e explicou os motivos de sua preocupação.
— Sir Harry, as fortificações ainda não foram terminadas. Será que lorde Charlie não receia o ataque de escoceses?
— Nossos inimigos nunca demonstraram interesse em con quistar nosso longínquo território a oeste — Harry retrucou. — Mesmo assim, não deixamos de tomar precauções. Temos cavaleiros patrulhando o perímetro das muralhas que não estão terminadas e...
Edward escutara histórias a respeito das incursões violentas contra os cavaleiros normandos. Os escoceses eram bárbaros. Sequestravam mulheres e crianças para serem escravizadas ou vendidas. O melhor seria poder contar com muralhas altas, além de cavaleiros armados nas rondas.
— O senhor acha que isso seria o suficiente para deter um bando de escoceses selvagens?
— Em breve esses ataques terminarão. Os arautos do rei Guilherme estão atualmente percorrendo a Nortúmbria, arre gimentando vassalos para a luta. — Harry observou as fes tividades que tinham lugar embaixo, no salão. — O rei foi pessoalmente para o norte e reuniu legiões de cavaleiros no trajeto.
— Ir ao encontro do rei Malcolm em seu torrão natal será uma aventura arriscada.
— Concordo com sua opinião, mas o exército de Guilherme é muito mais numeroso. O mensageiro chegou há uma hora com ordens para que todos os súditos fossem até a foz do rio Tees, onde se encontram reunidos inúmeros navios norman dos. O rei pretende arregimentar uma grande tropa sob seu comando.
— Até quando?
— Até o final do mês.
Edward deu um passo atrás, raciocinando com rapidez. Teria de agir sem perda de tempo. Era preciso organizar os cavalei ros de Belmere sob seu comando.
— Nada deverá ser feito até amanhã — Harry segurou ami gavelmente o braço de Edward. — Por ora, concentremo-nos em apreciar a festa no salão nobre.
Edward negou com um gesto de cabeça.
— Isso não é para mim.
— Duvido que lorde Eric o tenha enviado aqui somente para vigiar as ameias, mesmo que o senhor pretendesse fazer uma saída repentina. — Harry deu um sorriso triste. — O se nhor é um cavaleiro bastante conhecido e respeitado, apesar de ser tão jovem. Com certeza há uma legião de donzelas que esperam suas atenções.
Edward Cullen ignorou o comentário, certo de que não fora mal-intencionado. Nenhum cavaleiro da Inglaterra ou da Normandia ignorava o aspecto chocante da fisionomia de Edward Cullen. Mesmo os que não o conheciam, teriam ouvido comentários a respeito. O lado esquerdo do rosto dele era mar cado por cicatrizes, e a órbita vazia que antigamente abrigara um olho causavam repugnância.
Fazia muito tempo que Edward aprendera uma lição amarga. Nenhuma jovem, da mais simples a mais atraente, poderia se interessar por ele. A não ser, era evidente, as que visavam uma generosa remuneração.
Qualquer homem poderia apreciar a beleza de uma jovem, sonhar em tocá-la ou mesmo em beijá-la. Se Edward tomasse atitude semelhante, seria chamado de ogro. Por esse motivo nunca lhe ocorria participar de danças ou festas.
— O senhor não pretende ir embora, não é? Ouvi dizer que lady Bella escolherá um noivo esta noite — Harry comentou. — Ainda teremos muitos brindes para erguer.
Edward descontraiu-se um pouco. Harry tinha razão. Não havia motivo para ausentar-se naquele momento. Viera com ordens de representar Belmere e era o que faria. Deixara a tropa de prontidão, enquanto prestigiava o banquete em honra das filhas de lorde Charlie. Para o evento, até vestira uma túnica ricamente bordada. Nunca estivera com tão boa apa rência como naquela noite.
— Está bem. Ficarei por hoje e amanhã cedo assistirei à missa. Depois irei embora. Tenho muitas incumbências em Belmere. Será preciso organizar tudo para a campanha militar de Guilherme.
— Acredito que lorde Eric deve ter recebido a mensagem do rei e até já deve ter iniciado os preparativos.
Edward concordou. Conhecia lorde Eric. Quando retor nasse a Belmere, tudo estaria encaminhado.
— Lady Bella, a mais velha das irmãs, é encantadora — Harry comentou, mudando de assunto. — Talvez ela escolha sir Mike para marido, ou então sir Tyler Crowley. Ambos são rapazes dignos e bem relacionados.
Edward deu de ombros. Ouvira dizer que lady Bella teria permissão de fazer a escolha entre a multidão de nobres que o pai reunira no salão nobre. Por considerar-se um noivo ina dequado para qualquer jovem, especialmente uma dama tão adorável como Bella, tivera sorte por ter escapado das aten ções de lorde Charlie. De qualquer forma, pouco lhe importavam os atos das grandes famílias do reino.
Interessava-se muito mais pelas eminentes operações militares do rei Guilherme contra os escoceses. Embora ultima mente não houvesse participado de nenhuma das batalhas do monarca, sabia que há muito o rei empenhava-se contra os ataques bárbaros dos habitantes do norte.
Edward avaliou o céu através da janela. Pareceu-lhe bastante provável contar com boas condições atmosféricas até a manha seguinte, quando empreenderia a volta a Belmere. Se tivesse sorte, o tempo continuaria estável por mais dois dias. Tempo necessário para chegar em casa e partir ao encontro do exército do rei Guilherme no rio Tees.
— Lady Bella é muito atraente e fará um belo casamento — Harry considerou. — O senhor estava no salão esta manhã quando ela contava histórias?
— Ah, sim — Edward Cullen respondeu casualmente. E presenciara o interesse com que muitas crianças e um sem-número de adultos haviam acompanhado a história de um herói grego que Edward desconhecia. Bella mudava a in flexão de voz para cada personagem da narrativa e mantivera os ouvintes encantados.
Durante os trechos engraçados, os olhos cor de chocolate faisca vam e os cabelos castanhos e brilhantes ganhavam vida sob a luz da manhã. Edward admitiu ter ficado cativo pela maneira en volvente com que a formosa lady Bella encadeara as palavras. Deixara-se levar pelo timbre suave daquela voz e chegara ao absurdo de imaginar que Bella falava só para ele. Os aplausos entusiasmados haviam quebrado o encantamento. O que fora excelente. Ele não era daqueles que perdiam tempo com frivolidades.
— Milady iguala-se ao mais festejado dos bardos — Harry alegou. — Se não for mais inventiva de que qualquer um dos poetas heróicos celtas. Ela contou histórias que eu nunca...
De repente, gritos estridentes abafaram a voz de Harry e também a música. Edward desembainhou a espada e correu, lamentando não estar com a cota de malha nem com o escudo.
— Vamos! — Edward chamou Harry.
Eles desceram de dois em dois os degraus de pedra e no patamar intermediário defrontaram-se com cinco escoceses munidos de espadas e escudos. Sem demora, Edward atraves sou o peito do primeiro com a lâmina de folha larga, enquanto Harry lutava com o segundo. Os três outros atacaram ao mes mo tempo. Edward atirou um banco de madeira na direção deles e atingiu dois. O terceiro foi logo tirado de combate. Quando os dois desfalecidos se recuperaram e investiram con tra Edward, Harry veio em seu auxilio. Juntos, mataram os dois remanescentes e desceram o outro lance de escada rumo ao salão.
— Por onde eles entraram? — Edward quis saber.
— Deve ter sido pela muralha meridional, a única que real mente não oferece resistência.
Edward murmurou uma imprecação. Eles viraram à esquer da e tiveram de enfrentar mais dois escoceses. Aquela não era a única passagem vulnerável. A fortaleza e varias construções externas encontravam-se inacabadas. Ele e Harry combateram os dois guerreiros. Edward estava aflito para alcançar o salão nobre. Era ali que os bárbaros estavam cometendo as maiores calamidades. Matavam quem ousasse defender-se e levavam os que poderiam aproveitar como escravos.
Edward e Harry percorreram uma galeria lateral antes de chegar ao salão. Ali estavam crianças, mulheres aterrorizadas e as pessoas idosas demais para lutar. Gritos estridentes cortavam o ar por todos os lados. O caos se instalara.
— É preciso ir até o pátio — gritou Harry. — Não vejo lady Bella e sir Mike por aqui. Eles estão desprotegidos.
Edward teria de abrir caminho entre a multidão que se con centrava no salão nobre, reunir o maior número possível de cavaleiros e rumar para o pátio. E no momento que lá chegasse, seria bem provável que os agressores já houvessem matado Mike e levado Bella.
Os invasores, inclementes, haviam chegado às ameias do anteparo do torreão, de onde atiravam flechas para atingir os cavaleiros normandos que lutavam para defender o castelo-forte. Edward viu o pai de Mike cair. Porém, cercado por todos os lados, nada pôde fazer para ajudar o homem.
— Ao pátio! — Harry insistiu.
Edward deu um golpe fatal no abdômen de um dos oponen tes dianteiros, mas foi atacado por trás. Sentiu no ombro des protegido a ponta de uma espada escocesa. Experimentou uma dor lancinante, mas não se deteve. Virou-se e combateu o mais novo agressor, enquanto recuava em direção ao pátio.
Quanto mais demorasse, pior seria. Os escoceses não hesi tariam em capturar um prêmio tão encantador quanto lady Bella. Vira várias jovens, a maioria delas servas, serem levadas pelos desvairados.
Edward conseguiu impedir o rapto de muitas mulheres e deu-lhes a oportunidade de fugir, porém os cavaleiros norman dos estavam em menor número e tinham sido apanhados de surpresa. A patrulha de lorde Swan falhara. Os convidados não usavam armadura e tinham sido feridos. Os escoceses ven ciam a batalha de Swan e retiravam-se com todos os itens de valor que podiam carregar. Ateavam fogo no que deixavam para trás, acrescentando ainda mais pânico à confusão reinante. Ferido e sangrando, Edward deixou o salão e foi combater do lado de fora do castelo. Os escoceses retardatários riam e provocavam os normandos derrotados. Embora o linguajar de les fosse ininteligível, o tom de ameaça era bem claro. Os invasores proclamavam a vitória e caçoavam dos opositores normandos.
A ofensiva final foi o incêndio da estrebaria, com muitos cavalos presos no seu interior. Os escoceses haviam roubado tudo o que lhes interessava e destruído o restante.
Edward não viu sinal de Bella nem de Mike. Por um ins tante, considerou o que poderia acontecer àquela formosa don zela. Seria um destino terrível para qualquer jovem inocente, independentemente de ser bela ou não. Suspirou, arrasado. Nada mais poderia ser feito. Bella sumira.
— Eles foram para as colinas, sir! — um dos cavalariços gritou. — Os desgraçados atearam fogo em tudo e debandaram como ladrões miseráveis que na verdade são!
Edward não perdeu tempo. Em meio a cavalos apavorados pelas chamas e cavalariços que as combatiam com baldes de água, selou um garanhão de bom aspecto. Ordenou a vinte cavaleiros que fizessem o mesmo e liderou a comitiva que galopou atrás dos atacantes. Determinado, jurou a si mesmo que faria o que estivesse a seu alcance para resgatar a noiva de outro homem.
Isabella Swan, a moça criada no convento de St. Marie, foi atirada no chão sem a menor cerimônia, como se fosse um saco de grãos. Rastejou até onde se encontrava Mike. O rapaz fora amarrado e deitado de costas em uma carroça, em meio a mercadorias roubadas pelos vitoriosos. Bella reconheceu que, nem nos recônditos mais férteis de sua imaginação cria tiva, poderia ter inventado uma história tão selvagem de ma tança e crueldade. Agressores escoceses haviam invadido o castelo de seu pai, vindos de todos os lados, matando quem ousasse fazer-lhes oposição. Perdera o fôlego diante de tama nha carnificina.
— Sir Mike! — Bella gritou e foi puxada pelos cabelos.
Levou uma bofetada do atacante. Sentiu a vibração nos den tes e seus lábios ficaram inchados. Engoliu em seco e escutou o homem vociferar palavras estranhas e violentas. Aturdida com a rudeza do tratamento, encolheu-se e protegeu a cabeça com as mãos. Não fora preparada para acontecimentos dessa espécie, durante os anos em que permanecera na abadia de St. Marie. Os escoceses a matariam se ela lhes causasse proble mas. A seu redor, escutava sons abafados de gemidos, mas naquela escuridão pouco se podia enxergar. Apenas alguns olhares apavorados que certamente eram semelhantes ao dela.
O pobre Mike fora duramente atingido na cabeça. Nem tivera a oportunidade de puxar a espada da bainha. Desacor dado, fora arrastado em direção à muralha do castelo-forte. Um dos atacantes a atirara sobre o ombro e a jogara sobre o lombo de um cavalo, antes de disparar rumo às colinas.
Bella não se entregava com facilidade. Lutara desesperada, para libertar-se. Socara as costas de seu captor e berrara sem parar. Em vão. Sem lhe dar a menor importância, os bandidos empreenderam desabalada carreira por cerca de uma hora, an tes de fazer uma parada em um pequeno matagal no alto de um cômodo, ao norte do castelo de seu pai. Era ali que conti nuavam esperando.
No silêncio, Bella escutou o tropel dos cavalos nos cami nhos abaixo deles. Abriu a boca para gritar um aviso, mas foi atirada ao chão, onde lhe puseram uma mordaça. Enquanto lhe amarrava o trapo sujo na boca, o homem sussurrava pala vras estrangeiras, mas de sentido inconfundível. Bella estre meceu, enojada.
O imbecil se deitou sobre ela, impedindo-a de mover-se. Respirar ficava cada vez mais difícil. E Bella nada podia fa zer, enquanto os outros esperavam, emboscados, pelos normandos que vinham resgatá-la.
Por favor, comentem! Não faz sentido algum publicar algo sem que alguém acompanhe =/
