Capítulo I – Reencontro
Lily Evans. Bonito nome, não?
Essa sou eu. Ruiva, olhos verdes, 18 anos – apesar de ter a altura de um garoto de 15 –. Estudante de teatro durante o dia; pianista, violinista e o que mais for preciso nos tempos livres.
Bem-vindo ao meu mundo.
- Então tchau, Harry! Até mais. – despediu-se a jovem, sorridente, apoiando a alça da bolsa em um dos ombros.
- Não se esqueça de aparecer para o jantar, minha querida! – respondeu o senhor, acenando gentilmente.
- Só se der tempo, Harry. Tenho uma reunião com o pessoal da peça.
- Você trabalha demais e ganha muito pouco, mocinha!
- Então talvez você devesse me dar um aumento – ela brincou, e se afastou rapidamente, deixando o velhinho a rir sozinho.
Lily Evans atravessou cinco ruas, e entrou em uma cafeteria simples. Carregando três copos de café, ela saiu de lá, e ainda andou dois quarteirões antes de entrar em um galpão.
- Atrasada. – disse uma moça, sentada sobre o palco improvisado. – Oh, você trouxe café, então está perdoada.
Lily riu, e distribuiu os copos a seus dois companheiros.
- Sinto muito, Dorcas; sinto muito, Mark – ela também se sentou no palco, entre os dois – Estava ajeitando os detalhes do restaurante com o Sr. Bennett. Vamos inaugurar nesse fim de semana, não é o máximo?
- Com toda certeza, Lils, mas nossa peça é mais importante. – Mark disse, bebericando o café – E Max está com catapora, e Jane com aquelas crises de grávida, então se eu não voltar cedo estou encrencado.
- Oh, sim, claro. Negócios, então. – Lily tirou uma porção de papéis da bolsa – A estréia é depois de amanhã, e surgiram alguns imprevistos.
- Como, por exemplo...?
- Erro nas medidas de alguns figurinos, problemas com o aluguel do teatro, baixa bilheteria... Só pra começar.
- Alguns imprevistos?
- Oh, céus! – o homem suspirou, acomodando-se melhor – É hoje que a minha mulher me mata...
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Então era esse o lugar, pensou ela, mirando o letreiro. Harry's Bar. Talvez não fosse uma boa idéia, no final das contas.
Suspirando, ela ajeitou os cabelos louros, e entrou.
O local era pequeno e aconchegante. Estava ainda bastante bagunçado, mas as mesas já estavam dispostas, assim como o bar, e a pequena pista de dança. Parecia um daqueles restaurantes legais dos anos quarenta, onde as moças solteiras de família iam jantar, dançar ao som do piano, e procurar um bom partido.
Um pouco mais animada, ela abordou um rapaz. Ele tinha a pele muito branca, e cabelos claros jogados displicentemente na frente dos olhos verdes.
- Com licença, estou procurando pelo Sr. Bennett.
- Esse seria eu. Ou meu irmão. Ou meu pai. – o jovem respondeu, sorrindo. – Depende de com qual deles você quer falar.
- Seria, hum, o Sr... – recorreu à folha de papel que carregava – Harry Bennett.
- Então infelizmente não é comigo. – ele disse, em um desapontamento charmoso, e a moça sorriu sem graça – Sou Daniel. Harry é meu pai, aquele senhor lá atrás, brigando com o cara das bebidas.
Ela agradeceu, e andou a passos rápidos até onde o homem estava. Harry já era um senhor de idade, e tinha os cabelos branqueando, mas os olhos – verdes, como os do filho – ainda conservavam o brilho jovial. Ele e o rapaz travavam uma briga vigorosa.
- Agora caia fora, garoto, e me dê licença que eu tenho uma moça bonita para atender. – ele sorriu para a loira.
- O senhor é Harry Bennett?
- O próprio. Em que posso ajudar?
- É sobre esse anúncio. – ela estendeu um recorte de jornal – A vaga já foi preenchida?
Sr. Bennett puxou-a até uma das mesas, e a fez sentar.
- Qual sua graça, minha querida?
- Anya Dickenson.
- Pois bem, Srta. Dickenson, você infelizmente chegou um pouco tarde. – ele disse – A vaga foi preenchida esta manhã.
- Jura? – ela deixou os ombros caírem – Que pena. – olhou em volta – Um lugar muito legal, devo dizer.
- E não é? – ele riu, também admirando o local – Bem, não posso lhe dar o emprego, mas quero que jante conosco.
Anya o olhou, espantada.
- Não, senhor, não precisa, eu... Realmente não precisa.
Harry levantou, meneando a cabeça.
- Deixe de besteira. Você se dispôs a vir até aqui, é o mínimo que posso fazer.
- Mas não há necessidade de... – ela também se levantou, e acompanhou o senhor pelo salão.
- Eu faço questão. DANNY! Avise à Candice para preparar mais um lugar à mesa. Lily possivelmente não vem, mas teremos outra jovem companhia esta noite.
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- E é isso. – Lily suspirou – Minhas medidas foram para todos os figurinos da Marie, e vice-versa.
- Que inferno! – Dorcas bufou – Eu vou matar o Raynold!
- Ele vai consertar as roupas de Marie. – Lily disse, muito rápido.
- E as suas? – Mark perguntou – Cabem duas de você nas medidas dela!
A ruiva prendeu os cabelos em um coque frouxo, e se jogou deitada no palco. Eles já estavam ferrados, e os problemas só aumentavam.
- Ray não vai ter tempo de refazer tudo. Eu mesma vou ajustar as minhas.
- Rhá, quando? Enquanto estiver na aula ou no Harry's? Talvez você devesse parar de dormir, anda perdendo muito tempo com isso.
Lily bufou, e fez um gesto feio para a amiga, que riu.
- Não sei, mas eu vou dar um jeito, não se preocupe. – a ruiva levantou-se, e ajeitou as roupas – Agora tenho que ir. Fiquei de jantar no restaurante, com o pessoal. Acho que nem vai mais dar tempo...
- Vocês se deram bem, não foi? Você e o Sr. Bennett.
- No meio de uma porção de rapazes? – ela riu – Eu virei a filha que ele nunca teve.
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- Então ficamos acertados – Harry disse, quando o último prato foi retirado da mesa – Você presta consultoria uma vez por semana, e fica conosco nos eventos importantes.
- Ótimo – Anya sorriu – Vou adorar.
- Todos vamos. – Daniel piscou.
A loura agradeceu pelo jantar – e tentou pagá-lo, mas não conseguiu – e foi embora. Já estava entrando no carro, quando reconheceu uma moça que andava apressadamente.
- Hey, cenoura!
Lily olhou para trás, e viu uma garota fitando-a. Tinha madeixas louras com tranças de diversas cores dispostas aleatoriamente pelo cabelo solto. Era magra, sorria muito, e vestia-se bem.
- Lily Evans em Londres novamente, quem diria!
- Anny!
As duas envolveram-se em um abraço apertado, que durou vários minutos.
- Por onde você andou, mulher de Deus? – Anya perguntou, ainda abraçada à amiga – Eu te mandei uma porção de cartas, e então você parou de responder...
- Dois anos, Anny. Muita coisa aconteceu depois da formatura.
- E você vai me contar tudo agora!
- Mas eu tenho que...
- Não interessa, e não se atreva a dizer não.
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Anya e Lily estavam em um pub no centro, "relembrando os velhos tempos".
- Lembra quando a gente pensou que tinha matado a Sra. Collins, e o Jake teve que ir lá ver se a velha ainda respirava?
- Claro! – Lily riu – Me rendeu dois meses de castigo... – bebeu um gole do drink – Falando em Jake, como ele está? Já se formou?
- Já, sim, no começo do ano passado.
- Biologia, não?
- Isso. – Anya meneou a cabeça – Ele ainda arrasta um caminhão por você. Se te ver agora, cai duro, 'cê 'tá mais linda do que nunca!
Lily riu, corando, encabulada.
- Que isso, linda está você! – fez a amiga levantar, e dar uma "voltinha" – Aliás: roupas legais, cabelo legal...
A loura passou a mão pelas trancinhas vaidosamente.
- Ficaram legais, não? – sentou novamente, rindo.
- Você está super diferente, Ann... O que tem feito?
Anya suspirou, sem jeito.
- Bem, minha mãe meio que me "convidou" – fez o sinal de aspas com os dedos – a sair de casa, logo depois da formatura.
- Por quê? – Lily perguntou, desconfiada.
- Ela... – pigarreou – Ela acabou descobrindo que eu tinha aulas particulares com o professor de matemática.
- O professor Raisher? Anny, ele é casado!
- Eu sei...
- A mulher dele é a melhor amiga da sua mãe!
- Eu sei...
- Eles visitavam a sua casa direto!
- EU SEI! – Anya gritou, e esfregou os olhos – Mas eu gostava dele. De verdade. – torceu as mãos nervosamente – Nós tínhamos um relacionamento sério, sabe?
- Ele tem, Anny, chamado casamento!
- Ele gostava de mim, 'tá legal? Me tratava melhor que o imbecil do Chris jamais foi capaz! Era por causa dos sentimentos, não de uma nota estúpida de matemática.
Ao ver que a amiga começava a ficar melancólica, Lily resolveu retornar ao foco principal.
- Tudo bem, vamos esquecer isso. Pra onde você foi?
Assim que o rumo da conversa mudou, o bom humor habitual de Anny voltou a aparecer. Ela sorriu, e esfregou as mãos nas coxas.
- Então... Passei os últimos anos andando por aí. Alemanha, França, Escócia, Tailândia... Voltei não faz uma semana.
- E quem bancou essas viagens todas?
- A grande vantagem de se ter pais separados. – ela explicou, rindo – E como eles não se falam, papai não ficou sabendo que não eram exatamente viagens de entretenimento cultural... – as duas riram – Mas e você?
- Passei um tempo com minha avó na Irlanda, e voltei há uns cinco meses. – Lily revirou os olhos – Agora estou estudando teatro. Comecei no mês passado.
- Jura? Onde? – a outra perguntou, fascinada.
- No Instituto Hogwarts de Arte. – Lily respondeu.
- Não brinca! Vou tentar Gastronomia lá. – elas riram da coincidência – Você 'tá morando onde, sem seus pais?
Lily revirou os olhos com desgosto.
- De favor, com a égua pescoçuda da minha irmã e o marido dela.
Anya fez uma careta.
- A Petúnia? Oh, não, de jeito nenhum! – ela levantou, e puxou a amiga pelo braço – Você vai morar comigo. Tenho um loft no centro que é grande demais só pra mim – deixou uma nota de vinte sobre a mesa – Preciso de alguém pra me ajudar a limpar – e as duas saíram, rindo.
Já fora do bar, Anya tentava guiar Lily até o carro.
- Vamos, vou te mostrar nossa casa...
- Nossa casa? – a ruiva riu – Não, não, tenho que pegar o metrô até Enfield.
- Negativo – a outra puxou seu braço – Você vem comigo.
- Não, Anny, deixa pra outro dia... Eu 'tô cheia de coisas pra fazer...
Vendo que exigir não funcionaria, Anya recorreu à chantagem emocional.
- Poxa, Lily... Você foi minha melhor amiga desde sempre; a gente não se vê há dois anos! Vai me fazer essa desfeita?
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Chegaram ao prédio, em Camden, e subiram até a cobertura. Quando a porta foi aberta, o queixo de Lily caiu.
O espaço era gigantesco. Um duplex – sem paredes divisórias – em tons de roxo e marfim, com móveis pretos. A cozinha era o maior cômodo, muito bem equipada, com um balcão de mármore negro separando-a da sala, que era igualmente mobiliada com elegância. Várias janelas – estreitas, mas que iam do chão ao teto – ocupavam quase toda a parede, dando um toque moderno ao ambiente. (N/A – Uh, que inveja )
- Nossa.
- Papai é exagerado, eu sei. – Anny riu – Ele e minha mãe estão disputando para ver quem trata melhor seus filhos. Ele, por enquanto, está ganhando... – se jogou no sofá, e ligou a televisão – Eu não gosto de ficar aqui sozinha. Chamaria o Jake pra morar comigo, mas ele não suporta meu pai, então não daria certo...
Lily nem prestava atenção, reparando em cada detalhe da casa da amiga, maravilhada.
- O que tem lá em cima? – perguntou, apontando para uma escada de aço preta.
- Uma suíte, e o closet. – a loura respondeu – Ainda não está tudo pronto. Como cheguei faz pouco tempo, a decoração ficou mais ou menos como meu pai preparou. Eu só equipei a cozinha, e pintei as paredes.
Lily olhou em volta, e sorriu. Uma mistura de lilás, roxo e marfim deixava o lugar elegante e descontraído, ou seja, a cara de Anya. Tão diferente da casa em que ela mesma morava, branca e sem personalidade. Decidiu na hora que queria, e muito, morar ali.
- Vamos ser práticas – Anya virou-se para a amiga, animada – O que você tem em casa?
- Um piano, um violino, uma cama, um guarda-roupa embutido – Lily respondeu, ainda sem prestar atenção, observando um quadro que era maior que ela, pregado no pé-direito do cômodo – E um peixe-beta.
- Ótimo. – ela sorriu – E quando você se muda pra cá?
A outra tropeçou na mesinha de centro quando se virou, e encarou a amiga, em choque.
- O quê?
- É. Eu falava sério quando te convidei para morar comigo. – Anny levantou do sofá, e começou a andar pela sala – Podemos colocar um biombo aqui, e você fica com espaço para o piano e o violino. Colocamos mais uma porta e uma parede lá em cima, aí seu quarto fica pronto, e tem privacidade. Você divide o closet comigo, e problema de guarda-roupa resolvido. – abraçou a amiga com força – Não tem erro, vai ser perfeito!
A ruiva riu, encantada com a impulsividade da amiga.
- Claro que não, Anny, você 'tá louca?
Ela fechou a cara.
- Por que não? – perguntou, emburrada.
- Qual é! Nos encontramos há duas horas, depois de anos sem nos ver... Você sempre foi minha amiga, e eu quase morri de saudades enquanto estava na Irlanda, mas sei lá, não é meio precipitado?
Anya refletiu por uns segundos, e sentou novamente.
- Você quer um tempo pra pensar, é isso?
- Acho que sim. – Lily, que andava atrás da amiga, sentou também, e ela deitou em seu colo – Meu grupo de teatro vai estrear a primeira peça em dois dias, e minha cabeça está a mil!
Ouviu-se um miado fraco, e um gato persa muito branco desceu preguiçosamente pelas escadas.
- Oh, bebê, vem cá! – Anny chamou, e esperou até o gato pular sobre sua barriga – Lily, esse é o Spike.
Ele miou mais uma vez, e se enroscou inteiro, transformando-se em uma bolinha felpuda.
- Que gracinha! – a ruiva disse, afagando o animal.
Anya recomeçou a discursar sobre como seria o máximo se as duas morassem juntas, e Lily saiu do sofá, rindo do jeito que ela falava. Definitivamente gostaria de morar ali.
- Então depois da estréia nós conversamos – pegou sua bolsa, e foi até a porta – Você vai ver a minha peça?
- Claro! – Anya espantou o gato do colo, e acompanhou a outra – Eu te levo pra casa, Lils.
Desceram à garagem, e entraram no carro de Anya – um Mustang conversível prateado.
- Realmente seu pai está ganhando a disputa...
- Com certeza... Meu carro é bem mais legal que o do Jake. – as duas riram – Mas estou tentando minha independência, sabe? Desde que cheguei de viagem, já consegui dois empregos.
Lily arregalou os olhos e cobriu a boca com as mãos, teatralmente.
- Jura?
- Juuuro. Num restaurante francês, que eu já comecei a trabalhar, e no Harry's Bar, que inaugura nesse fim de semana...
A ruiva gargalhou escandalosamente.
- O que, você conhece o lugar?
- Eu trabalho lá. – explicou, ainda risonha, ao ver a cara confusa da loura. – Quantas coincidências, não... ?
- É o destino, amiga!
As duas foram rindo e cantando alto durante todo o caminho até Enfield. Chegando lá, Anya estacionou o carro na frente de uma casa tradicional de dois andares, e deu dois beijos no rosto de Lily.
- Nos vemos em dois dias, Lil. E pense com bastante carinho.
- Vou pensar. – ela sorriu – Com muito carinho, Ann.
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N/A- Então, eu demorei, né? Mas a culpa é única e exclusivamente da Lilly Ke! Sim, amorzinho, vc mesma, que fez eu me viciar em McFLY de tal forma, que entre um encontro e outro com o Dougie, não arranjava tempo nem pra digitar o cap (que já estava pronto há séculos, por sinal). Eu enrolei, enrolei, mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos
E aí está o primeiro capítulo... Nada de Marotos pra vcs, por enqto, mocinhas (risada maléfica), mas eles logo aparecem...
Espero que tenham gostado, estou amando escrever essa fic, mesmo com todos os personagens cheios de disfunções (sorriso enigmático) e NÃO, não é esse tipo de disfunção que vc está pensando, Fezinha... iUAHiuhaHAOhaiuH xD
Destiny postada, IT2 à postar... Estou me sentindo muito boazinha, hoje.
Beijos a todos, e até mais.
