Notas da Autora:

Yo people~~

Bom, capítulo 2 no ar, mas rápido do que eu imaginei. É que esse FDS não vou poder postar, então já vou adiantar alguma coisa para vocês.

Nesse capítulo vocês vão conseguir enxergar algumas relações mais explicitamente. Temos tbm a introdução do casal secundário da história, afinal, ninguém vai ficar para titia aqui não!
Espero que gostem e comentem PFV! Preciso do feedback de vcs! ^^
Beijos e Boa leitura =*


"I'm six feet from the edge and I'm thinking:

Maybe six feet, ain't so far down."

One last breath - Creed

O pequeno Sasuke estava correndo. Correndo em meio a uma escuridão que parecia não ter fim. Há quanto tempo? Não sabia dizer, mas sabia que já era tempo o suficiente para suas pernas se sentirem exaustas e o desespero por chegar a lugar nenhum começar a tomar seu coração.

Tou san, Kaa san, Nii san... Para onde foram todos? Por que o haviam abandonado? Ele ainda era tão inocente... Confiava tanto neles! Mas estava sozinho, com medo e com frio.

Lágrimas grossas começaram a rolar pela sua face. Queria gritar, mas a sua voz não saía e não havia ninguém para ajudá-lo, ninguém para fazer toda aquela escuridão desaparecer. Sentou-se no chão abraçando as pernas pequeninas e escondendo o rosto nos joelhos. As mãos infantis apertavam a pele pálida até deixá-la vermelha pela compressão do sangue. Era assim que os adultos amavam? Então Sasuke nunca amaria ninguém...

O moreno Uchiha acordou de mais um pesadelo com uma dor de cabeça incrível. Não sabia exatamente se por causa desse sonho que se repetia de vez em quando ou se por causa das batidas insistentes na porta de seu quarto.

"Uchiha san, infelizmente tenho que lembrá-lo de que amanhã é o seu último dia. Mas estive conversando com o proprietário e ele aceitou mantê-lo se pagar o aluguel até amanhã." A senhoria da república avisou o Uchiha de seu prazo final.

Fechou a porta e se jogou na cama com o rosto enterrado no travesseiro. Não suportava mais isso. Teria que achar uma solução ainda hoje para seu problema.

Há cerca de dois anos havia deixado a luxuosa mansão dos Uchiha, uma família tradicional e rica família de plurocratas que há mais de 50 anos eram os donos da mais importante rede de lojas de departamentos do Japão entre vários outros negócios secundários que mantinham em paralelo. Por ser o segundo filho, Sasuke nunca se viu como um futuro homem de negócios. Itachi, seu irmão mais velho, sim. Havia nascido para aquilo! Era inteligente, bem sucedido e carismático. Um verdadeiro líder natural. Crescendo na sombra de um irmão assim, Sasuke sempre se sentiu livre para sonhar seus próprios sonhos e acreditar que os poderia realizar.

As coisas começaram a mudar quando o moreno estava no último ano do ensino médio. As empresas passavam por uma crise profunda devido a investimentos errados e negócios mal feitos. Tudo parecia perdido até que uma solução drástica surgiu como única escapatória: Unir às empresas Uchiha à fortuna de uma família milionária dona de uma rede de cassinos no Egito. O negócio seria selado através do casamento de seus herdeiros como garantia de que se tornariam um só e que esforços não seriam poupados para assegurar o futuro das famílias. Aos 17 anos Sasuke assistiu seu irmão, que na época tinha apenas 21 anos, unir seus caminhos aos de uma completa desconhecida para o resto da vida. Assistiu também aquela pobre moça subir no altar com lágrimas nos olhos, não de felicidade, mas porque havia dito adeus ao seu verdadeiro amor para sempre. Naquele dia jurou a si mesmo que não teria o mesmo destino. Itachi havia se sacrificado para salvar os Uchiha, então Sasuke iria viver duplamente livre: por si próprio e pelo irmão.

Porém, antes que se desse conta, a situação se repetiu. Desta vez não foi uma crise, mas a oportunidade de ótimo negócio. Fugaku estava interessado no lucrativo ramo de jóias e a chance de casar seu filho mais novo com uma herdeira milionária desse setor acabou sendo o estopim para uma guerra interna na família.

"E o que você vai fazer quando não tiver mais filhos para negociar, oyaji? Vai vender a sua mulher?! Eu não vou fazer parte desse circo!"

Sasuke, que a essa altura já era considerado um filho problemático devido à suas escolhas profissionais e sexuais, revoltou-se de tal forma qualquer diálogo tornou-se inviável. Saiu definitivamente de casa e cortou qualquer contato com os Uchiha desde então. Raramente se encontrava com Itachi que lhe dava notícias de como Mikoto, sua mãe, que tinha a saúde frágil, ainda estava desolada por não ter mais seu caçula próximo a ela. Seu pai, por sua vez, cortou qualquer facilidade vinda da família para o filho. Dinheiro, cartão de crédito, mensalidades da universidade e até mesmo anúncios publicitários de empresas das quais era sócio.

Agora Sasuke estava à beira do precipício. Só mais algumas horas e ele provaria, não aos Uchiha, mas a si mesmo, que não era capaz de nada e, essa era sua maior frustração. Levantou-se e foi tomar banho. Não podia desistir! Ainda restavam algumas horas e, no Japão, isso era tempo mais que o suficiente para conseguir um emprego temporário.

~x*X* *X*x~

"Com certeza se eu tivesse uma neta, agora seríamos uma família, Fugaku kun! Haha..." Shimura Danzou era o típico homem de negócios que está prestes a se aposentar: Gentilezas forçadas para todos os lados.

Hinata observava de longe o avô de seu noivo conversando com dois homens muito charmosos. O mais jovem devia estar entre os 25 e 30 anos de idade, e o mais velho, no alto dos seus 50 e tantos. Este em particular, a jovem já havia visto em sua casa em reuniões à portas fechadas com seu pai, porém, nunca haviam sido apresentados de fato. Talvez alguma negociação que não deu certo no final das contas...

Naquela tarde um almoço especial estava sendo preparado e vários empresários importantes haviam sido convidados. Uma vez que o presidente estava para se aposentar, eram necessários vários eventos sociais para apresentar o seu sucessor e manter estreita a rede de relacionamentos e, conseqüentemente, de negociações. Porém, Sai havia conseguido uma brecha na vigilância de Danzou e fugido para algum lugar que Hinata não saberia dizer onde ficava. Apesar de não ter dito nada, a moça podia imaginar o quão pressionado ele estava se sentindo naquela noite.

Após ser apresentada para várias pessoas, responder incontáveis perguntas sobre sua família e, especialmente, sobre seu pai, Hinata também buscou uma forma de escapar do salão lotado de magnatas e seus sucessores/herdeiros. Um garçom passou e ofereceu uma taça de Champanhe rosé para a jovem que aceitou com um sorriso educado. Caminhando para longe do salão principal e das pessoas que nele estavam, a Hyuuga seguia sem uma direção definida.

Levou o líquido de aroma delicado à boca e sentindo cócegas no nariz quando as borbulhas estouravam no céu da boca. Deveria degustar o sabor devagar, pois não poderia beber outra taça. Fora ensinada que as damas nunca bebem qualquer coisa e, principalmente, nunca bebem além do que devem para nunca perder a compostura em público.

Distraída com sua bebida, foi adentrado na mansão Shimura cada vez mais sem perceber até que, por acaso, encontrou um quarto escuro com cheiro de tinta e outros solventes químicos. Acendeu a luz do local e pode perceber que, na verdade, era uma espécie de atelier. Vários quadros estavam espalhados por todos os lugares. Aquarelas, carvão, grafite, giz colorido, telas à óleo e, principalmente, os tradicionais sumiê. Hinata ficou impressionada com a versatilidade e talento da pessoa que pintara aquelas telas. Ou seria mais de uma? Afinal, alguém capaz de transitar com tanta perfeição entre estilos tão diversos não seria alguém que tinha a arte apenas como um hobby. Aquele era o nível de um profissional!

Por um breve instante, sentiu que não deveria estar ali. Mas, logo aquela seria sua casa também, então, nada mais natural do que conhecer todos os seus cômodos, certo? A Hyuuga colocou a taça de champanhe em cima de uma mesa qualquer e começou a analisar os quadros com mais atenção. Percebeu que em vários uma figura se repetia: Uma bela jovem de cabelos longos, que nos desenhos coloridos sempre apareciam loiros, e olhos vividamente azuis. Ela sempre estava sorrindo, acenando e olhando com ternura para o artista. Porém, em vários ela aparecia chorando e com um olhar profundamente frustrado. Hinata ficou intrigada com aquela personagem. Quem seria? Deixou de lado o pequeno desenho a carvão que estava segurando e voltou-se para um cavalete no centro da sala. Ele estava coberto com um lençol branco, como se estivesse escondido. Mesmo hesitante Hinata o levantou.

Embaixo do lençol havia uma tela pintada a óleo. Sua tinta já estava seca, mas era perceptível que estava inacabada. Nela a mesma moça loira olhava fixamente para o artista com as duas mãos sobre a boca e os olhos cheios de lágrimas. A expressão em seus olhos era tão intensa que Hinata sentiu um nó na garganta. O misto de tristeza, frustração e humilhação que seu olhar passava estava tão fielmente retratado que a Hyuuga não conseguiu continuar a olhar. Abaixou o lençol interrompendo o contato com aquela figura misteriosa.

"O que faz aqui?" A voz grave de Sai soou da porta do atelier assustando Hinata.

"E-eu me perdi, Sai kun. Acabei vindo parar aqui por acaso."

"Não deveria estar aqui. O dono desse atelier pode não gostar de visitas." Ele disse sem emoção adentrando no recinto. Não havia reprovação em sua voz. Era apenas um comentário.

"Ah... me desculpe. Mas de quem é o dono dessa sala?" A Hyuuga perguntou deixando a curiosidade falar mais alto que a vergonha.

"Eu." Sai respondeu sem muitas delongas.

Hinata ficou surpresa com a resposta. Nunca imaginaria que alguém apático como Sai fosse um artista tão brilhante capaz de reproduzir emoções com tanta perfeição. Foi, então, que percebeu o quão pouco sabia sobre o homem com quem iria se casar.

"Durante muitos anos eu acreditei que poderia ser um profissional e viver da minha arte... Mas agora parece que só as traças daqui é que vão viver dela." Sai disse com sua expressão vazia de sempre enquanto olhava uma aquarela pintada em uma tela do tamanho de seu braço.

"Você não desenha mais?" Hinata perguntou com um leve tom de lamento na voz.

"Essa tela que você acabou de ver foi a última. Olhe a data..." Sai levantou a ponta do lençol e mostrou a pequena seqüência de números no canto inferior da tela sobre o cavalete: Um ano atrás, a mesma data de seu noivado. O nó causado de poucos instantes atrás apertou novamente na garganta da jovem e ela perguntou:

"Quem é essa moça, Sai kun?" Pela primeira vez Hinata viu no rosto do moreno uma expressão completamente diferente da usual. Era um misto de felicidade e tristeza. A mesma expressão que as pessoas fazem quando se lembram de algo que têm saudade.

"É a mulher que eu amei..."

Hinata olhou novamente todos aqueles desenhos feitos para aquela moça e se sentiu uma invasora. Sai estava prestes a se casar com ela e mesmo assim mantinha um cômodo cheio de imagens de outra mulher. Pela expressão em seu rosto estava claro que ele ainda a amava... Imediatamente percebeu-se miseravelmente egoísta. Sentindo-se infeliz por estar presa a um relacionamento arranjado quando, na verdade, quem mais sofreu foi Sai.

"Gomen nasai..." Ela disse quase como que um sussurro, mas suficientemente alto para o moreno ouvir e lhe dizer com o seu típico sorriso artificial:

"Ora! Não precisa se desculpar. Não é culpa sua. Não foi por sua causa que eu terminei com ela." Estendendo um dos braços para que Hinata encaixasse o seu nele, Sai disse:

"Que tal voltarmos para a sala? Pelo visto esse almoço vai se estender até a noite. Que tal tomarmos um porre daquele champanhe rosé super caro e falir o meu avô? Assim não vamos mais precisar manter o compromisso. Mas para compensar, eu viro um pintor iniciante e você, a minha dama benfeitora. Plano brilhante, não acha?"

~x*X* *X*x~

"Lamento, mas a vaga foi preenchida esta manhã." A atendente da loja de conveniências dispensava Sasuke de mais uma tentativa frustrada de conseguir um arubaito para pagar suas contas. Por mais que tentasse, raramente conseguia alguma coisa fora do ramo da atuação, afinal, a única coisa que sabia além de interpretar era mexer com motos e alguns poucos dotes culinários. Esse já era o quarto "não" que o rapaz ouvia no dia. Saiu da loja de conveniência segurando com todas as forças seu usual ar altivo, mas a verdade é que já havia desmoronado por dentro. Só havia uma solução e ela não era exatamente a decisão o que ele gostaria de ter que tomar...

Colocou seu capacete Shoei Neotec preto e subiu na moto. Olhou para o relógio, 5 da tarde, à essa hora o ensaio para a nova peça de Ino estava acabando... O ronco do escapamento anunciou a partida do Uchiha. O teatro era próximo dali. Seria bom despedir-se dela e contar da decisão recém tomada. Conhecia bem o temperamento da amiga e sua mania que bancar a mãe da história. Provavelmente ela iria tentar convencê-lo a ficar, reclamar, até mesmo chorar e, então, depois de um longo e sofrido abraço, o deixaria ir.

Chegando ao prédio branco de arquitetura Art Deco, Sasuke desceu as escadas e chegou ao salão principal onde ficava o palco. Alguns atores estavam fazendo alongamentos, conversando, porém Ino não estava entre eles. Passou em direção aos bastidores sendo seguido pelos olhos interessados das atrizes e de alguns atores também. A parte de trás do palco também estava cheia de gente se preparando para deixar o local. Essa seria uma peça planejada para estrear na próxima temporada. Ino havia conseguido o papel principal depois de muito estudo e treinamento com as falas. Era uma pena o fato de que perderia sua estréia...

Depois de procurar por uns poucos minutos, encontrou a amiga sentada em frente a um espelho penteando os longos cabelos loiros. Assim que ela viu Sasuke sua expressão mudou. Parecia estar sentindo o que viria em seguida. Levantou-se e parou em frente ao moreno:

"Essa noite sonhei que você se despedia de mim." Ela disse com uma voz tristonha. Ino tinha um sexto sentido incrível. Conseguia ler as intenções das pessoas só de olhar seus rostos e, muitas vezes, desvendava situações de difícil compreensão apenas analisando as entrelinhas. Várias vezes Sasuke se perguntava se ela também conseguia ler pensamentos.

"Decidi ir para o interior. Conseguir alguma coisa por lá e quando estiver mais tranqüilo, quem sabe, voltar." Ele respondeu olhando-a nos olhos.

"Quanto tempo isso pode levar? Você entende que isso pode ser o fim da sua carreira, não?" Ino perguntou temerosa. Sasuke era um ator excelente. Ambos haviam sonhando várias vezes em subir no palco juntos e agora ele estava simplesmente desistindo.

"Não há mais nada a fazer. Não se preocupe, eu, com certeza. vou voltar." Não precisava explicar mais nada, afinal, melhor do que ninguém, Ino sabia que há mais de um mês ele só comia macarrão instantâneo e seria despejado no dia seguinte. Antes que as coisas chegassem a um ponto tão extremo, o orgulhoso Uchiha Sasuke, com certeza, sairia por si mesmo. A loira Yamanaka suspirou e perguntou:

"Já avisou o Naruto?"

"Não." Respondeu sem culpa.

"Sasuke!" Ino o olhou com uma expressão incrédula, mas, sem demonstrar nenhum arrependimento, o Uchiha se justificou:

"Ino, eu não amo o Naruto. Ele sabe disso. Quanto mais esperanças eu der, pior será." Ino virou os olhos em uma expressão de desaprovação.

"Sabe, você devia tentar. De verdade! Está desprezando um sentimento verdadeiro que te faria feliz, se você deixasse. Por mim, ao menos tente falar com ele antes de ir embora, ok? Tenho certeza que ele ficará magoado se você for sem se despedir."

"Vou fazer isso porque você está pedido. Mas se ele ficar imaginando coisas, a culpa vai ser sua." Respondeu em uma costumeira provocação de amigos. Ela balançou a cabeça e com um sorriso contido abraçou o amigo como se aquela fosse ser a última vez que se veriam.

~x*X* *X*x~

Hinata estava dirigindo de volta para casa após passar o dia na companhia do que seria sua nova família: Sai e seu avô Danzou. Não poderia dizer que detestava esse tipo de compromisso, mas a verdade é que não ficava totalmente a vontade. Ambos ainda deixavam Hinata nervosa. Com a capota de sua Ferrari California vermelha levantada, ela seguia a uma velocidade normal. Ainda estava com a cabeça cheia de pensamento em relação a Sai e sua verdadeira musa. Será que ele ainda tinha contato com ela? Não precisava nem perguntar, pois era tão óbvio o quanto ele ainda a amava que Hinata se sentia ridícula por esperar que algum dia Sai viesse a sentir algo por ela também... Será que estaria com ciúmes? Riu de si mesma. Não poderia dar exatamente esse nome, mas era, de fato, algum sentimento que a fazia se sentir impotente e inferior. Sacudiu a cabeça na esperança de afastar esses pensamentos.

"Yoshi." Disse a si mesma enquanto respirava fundo e segurava o volante firmemente com as duas mãos. Não importava o que aconteceu no passado, logo seriam um casal e Hinata, naquele momento, havia decidido: Iria conquistar o coração de Sai. Se esforçaria para serem um casal de verdade e, quem sabe dessa forma, o moreno também acabasse conquistando o seu coração.

A mansão dos Shimura ficava em uma região afastada da cidade e relativamente distante da casa de Hinata. Ligou o rádio para fazer-lhe companhia no caminho de volta. O locutor informou: 9:00 da noite. Havia passado mais tempo do que gostaria, e ainda tinha alguns textos da faculdade para ler... Talvez não fosse problema acelerar um pouco mais, afinal, a estrada ainda estava deserta mesmo.

~x*X* *X*x~

"Kuso..." Sasuke reclama consigo mesmo.

Após pegar sua mudança na república onde estava vivendo, Sasuke, atendendo ao pedido de Ino, foi se despedir de Naruto. Estava na frente do prédio interfonando para o loiro, mas ele não atendia. Provavelmente não estava em casa... Bom, não havia o que fazer! Olhou para o relógio e constatou, 9:00 da noite. Tinha que ir logo ou ficaria muito tarde para pegar a estrada. Pretendia amanhecer em uma cidade do interior chamada Konoha e tentar a sorte por lá. Apesar de todos os milhares de pensamentos que estavam brotando em sua mente sobre carreira, família e etc, acelerou a moto e seguiu em frente. O quanto antes saísse dali, o quanto antes poderia voltar e retomar a carreira e os estudos.

Partiu em direção à rodovia que levava para fora da cidade. Era um caminho deserto, afinal, só quem morava naquela direção eram alguns poucos milionários. Sasuke conhecia muito bem aquela estrada. Até alguns anos atrás era o caminho em direção a sua casa. Sentiu algo incomodando seu peito. Deveria ligar e avisar sua mãe? Não. Sabia muito bem que seu pai lhe investigava "secretamente", então, era só uma questão de tempo até ela ficar sabendo que o filho mais novo havia mudado de cidade... Acelerou ainda mais fazendo o motor roncar ferozmente. Talvez o barulho afastasse esses pensamentos irritantes de sua mente. Estava em alta velocidade, mas não se importava. O vento frio entrava pelas brechas de sua roupa e o fazia sentir-se vivo. Só mais alguns metros e estaria fora da cidade, longe de tudo.

Foi quando no último cruzamento antes de entrar na auto-estrada, viu um carro vermelho vindo em sua direção. Por estar distraído, não havia visto a placa que indicava a recente mudança de sentido do percurso. O carro também estava em alta velocidade e não havia como desviar. Sasuke tentou jogar a moto para o acostamento da estrada, mas foi tarde demais. Bateram de frente. O Uchiha apenas sentiu o impacto e o corpo sendo arremessado para algum lugar antes de sentir a dor perfurante de ter os ossos quebrados e desmaiar.

~x*X* *X*x~

Hinata abriu os olhos e se viu cercada pelos airbags do carro. Todo o seu corpo estava tremendo, sua cabeça rodopiava e ela ainda estava confusa sobre o que havia acontecido. Desceu do carro e constatou que havia sido uma colisão frontal. Toda a frente de seu carro estava amassada e uma moto preta estava jogada não muito distante dali. Uma onda de enjoo tomou de conta do estômago da Hyuuga. Onde estaria a pessoa que a estava pilotando? Começou a procurar em volta e viu alguns metros à frente uma silhueta estendida no asfalto. No mesmo instante seu corpo perdeu as forças e ela caiu no chão chorando. Havia matado uma pessoa! Sua pressa para chegar a lugar nenhum havia resultado na perda de uma vida!

Lutando contra a vontade de desmaiar e ainda chorando muito, a jovem caminhou até o lugar e constatou que era um rapaz. Delicadamente levantou a viseira do capacete e pode perceber uma leve respiração. Ele estava muito pálido e sua perna estava em uma posição estranha. Rapidamente pegou o celular e discou para a emergência. Tudo o que poderia fazer era esperar e pedir aos céus para que ele resistisse até a chegada do socorro.

~x*X* *X*x~

"Por favor, viemos para ver Uchiha Sasuke." Ino disse aflita à enfermeira do plantão de emergências.

No meio da noite a Yamanaka havia recebido uma ligação avisando que Sasuke havia sofrido um acidente e estava na emergência. No mesmo instante, ligou para Naruto e ambos correram para o hospital na esperança de ter notícias do amigo. Enquanto conduzia os loiros até a sala de repouso, a enfermeira contou que Sasuke havia tido muita sorte apenas fraturando uma perna e, após uma pequena cirurgia para colocar o osso no lugar e alguns pinos, estava sedado e descansando.

"Mas como tudo isso aconteceu?" Naruto perguntava impaciente

"Perguntas mais detalhadas podem ser feitas à jovem que o está acompanhando. Ela também estava envolvida no acidente."

Na sala de repouso, Hinata estava sentada ao lado da maca onde o moreno estava dormindo. Como só havia sofrido algumas escoriações fez questão e acompanhar tudo o que envolvia o rapaz que descobriu se chamar Sasuke. Sentia-se tão preocupada, tão apreensiva... Clamava aos céus para que ele ficasse bem e logo acordasse. Queria lhe pedir perdão por quase ter tirado-lhe a vida. Ele era tão jovem! Tinha a mesma idade da Hyuuga. Mais alguns centímetros e poderia tê-lo matado... Fechou os olhos com força tentando não pensar nessa possibilidade, foi quando uma voz nostalgicamente conhecida lhe tirou de seus devaneios.

"Ele tava fazendo o quê?!" Naruto berrou indignado.

"Shhhh! Fala baixo, seu cabeça-oca! Estamos em um hospital!" Ino o repreendeu.

"Esse idiota resolve ir embora sem falar nada e você quer que eu me acalme? Sasuke teme! É bom você não acordar ou vou te quebrar." O loiro dizia enquanto entrava no quarto.

"Are? Hinata?"

"N-Naruto kun?"

Por um instante Hinata sentiu o mundo ao redor sumir. Depois de tantos anos estava frente-a-frente com seu primeiro amor novamente. A expressão confusa no rosto do loiro Uzumaki deixava claro que ele também estava surpreso por vê-la.

"Hum? Vocês se conhecem?" Ino os olhava sem entender.

Após uma longa conversa, onde Hinata se desculpava a cada 5 palavras e Naruto xingava Sasuke à cada vírgula, todos compreenderam a situação. Com o Uchiha fora de risco e uma motorista responsável como Hinata prestando os devidos socorros, não havia muito com o que se preocupar. Ou quase...

"A maior questão é: Para onde vamos levar o Sasuke? Para a república ele não pode voltar e, infelizmente, na minha casa não tem espaço." Ino cruzava os braços e fechava os olhos tentando encontrar dentro de sua mente alguma solução na qual ainda não havia pensado.

"Quanto a isso, sem problemas. Ele pode ficar lá em casa." Naruto respondeu apoiando as mãos atrás da cabeça.

"Ah, ta! Vai sonhando dele aceitar isso." Ino dizia destruindo as esperanças do loiro.

"Cara, o Sasuke é um chato mesmo. Qual o problema de morar comigo? Todo mundo sabe que a gente tá junto mesmo..."

Hinata observou a cena. Será que havia entendido errado? O que Naruto quis dizer com 'a gente tá junto'?

"Não, vocês não estão! Estão no máximo ficando, sem compromisso. Eu no seu caso já teria dado uma prensa no Sasuke: Ou assume de vez esse namoro ou desocupa a moita."

"Ano... Naruto kun. Você e o Uchiha san..." Antes que ela pudesse terminar a frase, Naruto completou:

"Temos uma relação estranha, mas, basicamente, somos um casal."

O rosto de Hinata ficou vermelho no mesmo instante e as palavras sumiram de sua boca. Nunca poderia imaginar que Naruto fosse gay.

"Sasuke kun estava indo embora da cidade quando encontrou com você no meio da estrada. Estava indo embora porque aqui as coisas não andam muito fáceis para ele. Sem emprego, sem casa e sem vontade de oficializar um namoro indo morar com o ficante." Ino resumia a situação toda em poucas frases.

Hinata ainda estava um pouco chocada. Não que tivesse algo contra homossexuais! Conhecia vários e nunca os havia julgado por sua orientação sexual, mas uma pontinha de frustração brotou em seu coração. Esse fora o real motivo pelo qual ele rejeitou sua confissão sem nem ao menos pensar no assunto. Desde o começo, seu amor por Naruto estava fadado ao fracasso... A julgar pela naturalidade do Uzumaki, ele já havia exposto essa face da sua vida para todos há muito tempo. Quem diria que as coisas iriam acabar desse jeito. Suspirou e deu um leve sorriso para si mesma. De qualquer forma Naruto era muito especial para a Hinata. Queria poder fazer algo por ele mesmo que indiretamente.

"O quê que a gente vai fazer?" O loiro fechava os olhos e cruzava os braços pensando. A única coisa certa nisso tudo era que, na rua, Sasuke não poderia ficar.

"Ta-talvez ele pudesse ficar na minha casa." A voz da Hyuuga soou pouco confiante, quase que como se estivesse falando uma grande besteira.

O apartamento da herdeira Hyuuga era amplo e confortável. Poucos anos atrás, além de Hinata, seu primo, Hyuuga Neji, e sua irmã caçula, Hyuuga Hanabi, moravam lá. Porém, Neji havia mudado para a Inglaterra para fazer um MBA em economia e seguir com os negócios da família. Já Hanabi ainda era muito jovem e seu pai a havia colocado em um colégio de ensino médio interno na Suíça. Ou seja, havia dois quartos totalmente inutilizados em sua casa.

"Sério?! Porque acho que essa seria uma solução perfeita!" Naruto comentava empolgado.

"Naruto kun, você sempre foi um bom amigo e me ajudou muito. Eu sempre me senti em dívida, então, se o Uchiha san é uma pessoa tão especial para você, faço questão que ele fique na minha casa."


Vocabulário:

"Eu estou a seis passos do limite e estou pensando:
Talvez, seis passos não sejam tão longe assim."
One last breath - Creed

Tou san - Pai

Kaa san - Mãe

Nii san - Irmão mais velho

Oyaji - Pai (forma vulgar)

Gomen - Desculpe

Arubaito - Trabalho temporário, bico