Gisele POV
Mas o que infernos estava acontecendo? Eu senti o baque do meu corpo no chão, seguido por um zumbido em meu ouvido causado por estrondos. A princípio, eu pensava que estava em um pesadelo de péssimo gosto, mas assim que senti os braços de Han protegendo minha cabeça, eu soube que algo estava muito errado. Abri meus olhos, com a visão ainda embaçada e vi um borrão de claridade excessiva causada por dezenas de buracos na parede.
"Que p...?" Eu gritei, desesperada. Pisquei repetidamente para tentar clarear meus olhos, mas não adiantava. Tateei o primeiro móvel que alcancei, uma cabeceira de madeira, encontrando só um abajur no caminho. Praguejei mais uma vez e senti que Han começava a me puxar para que eu me levantasse. Meu corpo não respondia direito e eu sentia como se meu cérebro fosse explodir. Mesmo cambaleante, coloquei-me sobre minhas duas pernas, mas não me movi a princípio.
"Não há tempo pra procurar; temos que ir" Han disse, começando a me puxar pelo caminho. Não sei exatamente o porquê, mas arrumei a alça do meu baby doll que insistia em cair pelo meu ombro e imediatamente passei a tatear minha cintura, onde geralmente guardava minhas armas. Era óbvio que eu não dormia com um revólver enterrado no pijama e minha memória não conseguia resgatar onde infernos eu havia colocado as armas. Senti um solavanco conforme Han me puxou novamente, chamando minha atenção. "Agora, Gisele!" Ele exigiu e eu respirei fundo, apertando meus olhos. A adrenalina finalmente correu pelo meu corpo e eu despertei, enxergando as paredes brancas do corredor passando pela minha visão periférica. Posicionei-me ao lado da janela da parede externa do corredor e movi a cortina suavemente. Meus olhos demoraram um instante para se acostumar com a claridade, mas assim que eu pude ver melhor, encontrei uma dezena de homens armados no jardim. A roupa escura contrastava com a areia branca do fundo da paisagem, permitindo que eu contasse com clareza quantos eram. Não eram dez, mas nove. Cada um carregava uma metralhadora e todos estavam vestidos com coletes à prova de balas. Quem infernos eram aqueles desgraçados tentando nos matar? Será que alguém do esquema do Rio demorou dois meses para rastrear nossos passos? Não, aquilo era patético. Meus olhos se estreitaram quando percebi que alguns daqueles rostos eram conhecidos. Eu podia jurar que já havia visto pelo menos meia dúzia deles no México, quando eu trabalhava para o Braga. Era isso, então?
"Definitivamente, temos companhia" Anunciei, travando meus dentes. Olhei pra Han, que continuou a seguir pelo corredor. Ele parecia tentar encontrar alguma coisa e eu comecei a trabalhar nisso também, sabendo que precisávamos ao menos das armas e dos carros para fugir dali ou para enfrentar quem quer que fossem aqueles caras. Ouvi um estrondo e um grunhido masculino conforme um brutamonte saiu da cozinha e agarrou Han pela cintura, colidindo com a parede. Senti a parede estremecer conforme o corpo de Han bateu na barreira e escorregou, caindo no carpete. Antes mesmo que ele pudesse se levantar, o homem o levantou pelo pescoço com uma facilidade de quem levantava um travesseiro. Outro golpe no rosto de Han se seguiu e ele caiu sobre a mesa de vidro da sala, espalhando cacos por todo chão. Eu arregalei os olhos, pensando com rapidez. Aquele filho da mãe seria capaz de dar uma surra até no Dom ou talvez no Hobbs, mas eu precisava fazer algo. Assim que vi Han tentando se recompor e o brutamontes seguindo em sua direção, eu corri pelo corredor, dei uma larga passada até a cadeira da sala, apoiando o outro pé no sofá para então entrelaçar minhas pernas em volta do pescoço do cara. Travei minhas coxas com força, emendando em uma sequência de cotoveladas e socos na nuca musculosa. Ele grunhiu e eu gritei também, tentando manter a chave em volta de seu pescoço. Respirei fundo e envolvi meus dedos em volta do rosto dele, tentando pressionar a cabeça contra o corpo.
Han levantou em um pulo, mesmo com a dor evidente nas costas, passando a revirar as gavetas dos móveis da sala. Uma chuva de objetos começou a se espalhar pelo carpete conforme ele continuava na busca e eu comecei a ficar impaciente. Onde infernos eu guardei a arma? Como pude ser tão descuidada? Antes que eu continuasse a me culpar, o grandalhão segurou meus joelhos, tentando se livrar do golpe. Eu entrelacei meus calcanhares e apertei os dedos contra os olhos dele, ouvindo-o gritar de dor. Ele pendeu pra frente e eu me segurei com mais força, quase causando cãibra nas coxas pela força que eu fazia. Assim como fui para a frente, minhas costas foram empurradas contra a parede com força em seguida, mas eu não soltaria tão facilmente.
"Vai logo, Han!" Eu gritei.
Ele repetiu o gesto mais uma vez, dessa vez com mais força. Uma pontada alcançou a base das minhas costas e eu grunhi. Ele soltou meus joelhos e tentou alcançar meus braços, travando os dedos contra minha pele. Senti como se meu corpo fosse se dividir ao meio conforme ele começou a me puxar pelos braços para tentar me jogar para a frente. Concentrei toda minha força nas coxas, tentando me manter na posição. Aquilo só piorou a pressão nos dois extremos do meu corpo e eu gritei mais uma vez, travando os olhos. Ele se chacoalhou mais uma vez e eu soube que não ia aguentar por tanto tempo.
"Pra quem você trabalha, seu filho da mãe?" Exigi entre os dentes. Puxei meus braços, tentando me livrar dos dedos dele. Tateei os bolsos do colete e encontrei algo que parecia ser um rádio ou um celular. Enterrei meus dedos dentro do bolso, fazendo força para arrancar o que quer que fosse aquilo.
"Gisele!" Han gritou. Abri meus olhos e encontrei ele de pé no meio da sala, com uma arma apontada para a cabeça do grandalhão. Soltei a pressão das pernas e fui puxada em um solavanco para a frente, sendo jogada de costas no chão. O barulho que meu corpo fez contra o carpete foi abafado pelo som do tiro, que atingiu o centro da testa do cara, que caiu morto. Embora meu corpo ainda estivesse se sentindo dividido ao meio, me levantei com rapidez, ajudada por Han.
"As chaves?" Inquiri, ouvindo um tintilar nas mãos de Han. Ali estavam as chaves do meu Porsche e do Mazda. Ele segurou uma na mão direita e a outra prendeu na palma da esquerda. Busquei a mão dele, a fim de pegar a minha chave, mas os dedos dele não se destravaram. Soltei uma expressão de surpresa.
"Talvez devêssemos ficar juntos..." Ele cogitou, parando em frente à porta dos fundos.
"Você ficou maluco?" Quase gritei, prendendo meus dedos contra os dele. "É estupidez seguirmos em um só carro. Se tivermos problemas, estamos ferrados" Argumentei, encarando os olhos negros de Han. "Han, confie em mim. Isso é o que somos" Pedi.
Han simplesmente me olhou, tentando buscar alguma coisa no fundo dos meus olhos. Reuni toda confiança que tinha e o encarei de volta, estendendo a mão para receber a chave. Ele me entregou uma pistola e a chave do meu Porsche, assim que começamos a receber os primeiros tiros dos homens que ainda estavam plantados na frente da garagem. O portão foi perfurado e as explosões das balas contra a estrutura de metal ecoavam pelo cômodo. Eu me abaixei, seguindo assim até a porta do carro. Minha mente fervia, conforme eu me lembrava dos rostos que nos esperavam lá fora. Eu comecei a resgatar a identidade daqueles homens e consegui lembrar que muitos deles trabalharam para o Braga em algum momento, mas que desapareceram depois da fuga de Dom e Brian pelos túneis da fronteira e da prisão do meu ex-chefe. Toretto e eu chegamos a cogitar que alguns deles pudessem nos perseguir, mas quando tudo se acalmou e não tivemos nenhum sinal dos traficantes, chegamos à conclusão de que o esquema tinha chegado ao fim. Aparentemente, estávamos errados. Eu não sabia exatamente o que eles queriam, mas o meu melhor palpite era que eu era o alvo. Eles não conheciam Han, nem ninguém mais da equipe. Conheciam Brian e certamente também poderiam ir atrás de Dom, mas eles estavam a salvo juntos, perto de Elena e Mia. Eu tinha, então, que pensar como tiraria Han do foco e como sairia dessa maldita ilha.
Ouvi o ronco do motor do Mazda e afastei todos aqueles pensamentos, me concentrando no inferno que encontraríamos ao sair da garagem. Coloquei a arma e o celular do cara morto no console do carro, ligando o meu motor. Assim que estouramos o portão de metal da garagem, uma chuva de balas nos atingiu. Seguimos em ziguezague pelo jardim e eu não tive dúvidas antes de passar por cima de um dos infelizes parado na frente do meu carro. Pegamos uma apertada estrada de terra que cortava a mata fechada, deixando a casa pra trás. Olhei pelo retrovisor e percebi que eles paravam de tentar nos atingir, voltando-se para entrar nos Rovers que estavam parados na areia. Merda. Eu tinha que pensar em um plano. A ilha era pequena, nós certamente não conseguiríamos sair pelo aeroporto e nem pegar nenhum barco no porto. Pensei, então, em alugar algo que pudesse nos tirar dali, mas todos nossos documentos falsos e os cartões estavam na casa. Com certeza não haveria ninguém disposto a nos doar um barco ou um jatinho e roubar um não seria uma boa ideia. Se chamássemos a atenção da polícia estaríamos ferrados. Merda, merda, merda. Eu continuei a praguejar e fechei meu pulso, socando o volante. Eu precisava de uma estratégia pra descobrir o que eles queriam comigo, alertar o Dom e dar um fim nos nove patetas. Tudo isso, claro, sem colocar a cabeça de Han a prêmio. Quando estávamos no Rio, eu me sentia mais segura porque todos nos envolvemos em um plano estratégico. Agora eu estava em um lugar desconhecido, sem munição e de pijama. Isso sim era patético.
Olhei uma saída ainda mais apertada à esquerda e sinalizei para Han, piscando os faróis. Eu precisava ter ao menos cinco minutos com ele, para tentar minimamente organizar um plano de ação. Eu teria que tirá-lo do alvo sem que ele percebesse, já que eu tinha certeza que Han ficaria irritado se soubesse que eu queria resolver a situação sozinha. Saímos da estrada e estacionamos entre algumas árvores, encontrando novamente na praia. Eu já sentia meu pijama encharcado de suor e o sol intenso não estava ajudando. Senti a brisa do mar, aliviando um pouco meu nervosismo. Han saiu do Mazda, vindo em minha direção.
"Você está bem?" Perguntou.
"Sim" Fui em direção a ele. "Não temos muito tempo. Precisamos pensar em uma saída".
"Bom, precisamos fugir daqui" Ele soou óbvio e eu quase me irritei, respirando fundo.
"Como? Estamos numa porcaria de uma ilha, sem documentos e sem dinheiro. Não podemos pegar um avião, muito menos alugar um, nem um barco, nem sequer uma jangada" Eu grunhi e chutei a roda do meu carro, sentindo o dor na ponta dos meus dedos. Além de tudo, eu estava descalça.
"Se acalme, Gisele" Han pediu, com o mesmo semblante sereno. Eu ficava me perguntando como ele conseguia ficar calmo daquele jeito. "Nós podemos enfrentar, então".
"É?" Eu resfoleguei, com sarcasmo. "Tenho cinco balas no meu pente e você não deve ter muito mais. Nem que colocássemos todos em fileira, daríamos um jeito" Apoiei os dois braços no teto do carro, respirando fundo. "Estamos presos aqui. Eles vão varrer cada palmo de areia pra nos achar. Ninguém viria até o fim do mundo e iria embora de mãos vazias. Han" Eu chamei, encarando-o. "Eles vão nos achar".
Ele respirou fundo, tentando pensar. Eu sabia que ele estava ponderando as coisas que eu disse, tentando arranjar uma saída que eu tinha certeza que não existia. Na atual conjuntura, estávamos mais do que mortos.
"Vamos pedir ajuda ao Dom." Han sugeriu.
"Isso se eles também não estiverem tentando pegá-lo..." Eu quase murmurei, vendo Han torcer as sobrancelhas em uma expressão confusa. Balancei a cabeça, fechando meus olhos com força. "De qualquer forma, Dom demoraria a chegar aqui. Além disso, tirá-lo de perto dos outros pode ser exatamente o que eles querem".
"Do que você está falando? Quem são eles?" Ele se aproximou, apoiando-se no teto do meu carro também. Passei a mão pelo rosto, começando a ficar inquieta. Precisávamos sair daqui e eu não tinha certeza como explicaria tudo.
"Eu acho que Braga não está totalmente fora de cena. Tenho certeza que conheço alguns daqueles rostos" Sugeri, vendo a expressão passiva de Han desaparecer. Agora ele parecia preocupado. "Não sei se eles estão aqui por vingança ou por dinheiro; talvez seja uma queima de arquivo. Em qualquer uma dessas possibilidades, se eles estão aqui, Dom também pode estar em risco".
"Merda..." Han passou a mão pelos cabelos, inquieto. "Nós temos que falar com Dom".
Peguei o celular que estava no console do carro e comecei a digitar alguns números, enquanto Han mantinha seus olhos na estrada logo atrás das árvores, procurando sinais de qualquer um que pudesse estar atrás de nós.
"Onde você arranjou isso?" Ele perguntou, com uma expressão confusa.
"Peguei emprestado do seu amigo na sala" Respondi simplesmente. A ligação demorou um pouco a ser completada, mas assim que eu estava para desistir, ouvi a voz grossa de Toretto do outro lado da linha.
"Dom?" Chamei.
"Gisele?" Ele questionou, provavelmente estranhando o número do telefone.
"Está tudo bem aí?" Perguntei. "Mia? Brian?"
"Sim, estamos todos bem. O que está acontecendo?"
"Eu acho que Braga está atrás de nós..." Respirei fundo, conseguindo perceber o tom de surpresa do outro lado da linha.
"Braga?" Ele repetiu. Ao fundo, consegui ouvir Brian dizendo algo como 'ele está na prisão de segurança máxima'. "Como? Onde você está?"
"Estou em Nassau, com Han" Expliquei. "Fomos atacados agora há pouco por caras que eu tenho certeza que já vi envolvidos com o cartel do Braga. Preciso que você mande uma carona".
"Eu estou indo".
"Não." Cortei imediatamente. "Braga também pode te querer fora de cena e você tem a sua família". Ponderei, sabendo que ele entenderia. "Toretto, estamos sem munição e sem um único centavo. Nos consiga um voo particular, um barco, qualquer coisa". Assim que terminei a frase, comecei a ouvir o barulho de alguns carros se aproximando. "Merda..."
"Nós temos que ir." Han determinou, abrindo a porta do carro.
"Aguentem firme, eu vou tirar vocês daí." Toretto disse. Eu murmurei um 'ok', desliguei o celular e voltei para o carro. Repeti o mesmo processo de ligar o motor e sair pelas árvores, alcançando a estrada apertada de terra. Assim que olhei pelo retrovisor, um palavrão fugiu imediatamente pela minha boca. Eles eram muitos. Além disso, eu não conhecia a ilha e não fazia a menor ideia de como despistaríamos aquele batalhão sem chamar a atenção da polícia. Afundei o pé no acelerador, percebendo que a estabilidade do carro na estrada de terra era quase zero. Meu volante trepidava e os ruídos da areia contra a lataria criavam um som agudo. Era óbvio que eles tinham uma vantagem absoluta por estarem em SUVs. Olhei mais uma vez pelo retrovisor e contei sete Range Rovers em nossa cola. Precisávamos chegar ao asfalto rápido, mas eu duvidava que isso aconteceria nos próximos dez quilômetros, pelo menos. Havíamos escolhido uma casa muito longe de qualquer sinal dos enormes Resorts e centros de turismo de Nassau.
Ouvi o primeiro som de batida quando um dos carros colidiu com a traseira do meu Porsche. Meu corpo foi jogado pra frente e o volante deslizou sob minhas mãos. As rodas perderam o contato com a areia e eu quase entrei pelas árvores na borda da estrada, quando consegui voltar para a pista, segurando o volante. Antes que eu pudesse olhar para o retrovisor, ouvi outra batida. Han entrou com o bico do Mazda na traseira da SUV que havia batido no meu Porsche, fazendo com que as rodas traseiras do Rover se levantassem e que ele capotasse repetidamente, entrando pelas árvores. Um já foi, eu pensei. Olhei mais uma vez e vi outro colado na traseira do Mazda, tentando acertá-lo. Diminuí a velocidade até ficar lado a lado com a SUV, percebendo que Han havia entendido o que eu queria fazer. Ele também colou no outro lado do Rover e nós batemos contra a lateral do SUV quase ao mesmo tempo, repetindo a manobra outra vez. Quase fomos varridos da estrada quando o Rover começou a ziguezaguear pela pista, perdendo o controle. Ele girou uma ou duas vezes até acertar outro SUV, jogando-os contra uma árvore.
Olhei pra frente e vi o primeiro sinal de rodovia, assim como também já enxergava as primeiras casas. Teríamos que ir pela direita ou pela esquerda e eu me esforçava pra lembrar onde ficava cada coisa na ilha de Nassau. Tudo que eu sabia era que ao norte da ilha estava o complexo turístico; ao oeste o aeroporto e as bases militares; o porto estava ao leste. Seguir no sentido das bases militares e do aeroporto era suicídio e chamaríamos muita atenção se fôssemos para o complexo turístico. Ir para o porto era arriscado, porque havia um rigoroso controle de migração por causa dos cruzeiros marítimos que desembarcavam ali. Aquilo, no entanto, me parecia a melhor opção. Primeiro porque o caminho era relativamente longo e nós talvez conseguíssemos eliminar mais alguns daqueles desgraçados até chegarmos ao fim da linha e segundo porque, exceto pelo lado sul da ilha, aquele era o lado mais vazio. Assim que alcançamos a estrada, entrei à direita, tendo Han e os outros quatro Rovers atrás de nós. Meu Porsche pareceu agradecer ao sair da terra para o asfalto e toda trepidação e falta de estabilidade desapareceram. Afundei o pé no acelerador, cortando os carros que trafegavam pela rodovia. Vi o Mazda logo atrás de mim e o brilho de quatro pares de faróis na nossa cola. Eu tinha certeza que aqueles que sobraram foram motoristas no esquema do Braga, porque eles não pareciam tão estúpidos quanto os outros que capotaram na terra. Eles desviavam dos carros com facilidade, mesmo com a alta velocidade e o balanço das enormes carrocerias do SUV.
Eu ouvi o estalo dos vidros traseiros se partindo assim que a primeira chuva de tiros atingiu meu Porsche. Passei por mais um carro de passeio, ouvindo o ronco dos motores com maior clareza. Me encolhi no banco assim que outros tiros atingiram minha lataria. Engoli seco, olhando pelos retrovisores. O Rover logo atrás de mim tinha um cara pra fora do vidro do passageiro, apontando uma metralhadora em minha direção. Eu procurei Han pelos retrovisores e não o encontrei também, tendo minha visão nublada pelo desespero. Antes que eu pudesse checar novamente os espelhos, ele saiu de trás de um caminhão e atingiu a traseira do Rover. O atirador foi jogado pra frente, mas se segurou no friso da janela. Eu quase pude sorrir antes de ver o cara com a metralhadora virar-se para Han, encontrando o vidro do Mazda bem em sua frente.
"Han!" Gritei, mesmo sabendo que ele não ouviria.
