Disclaimer:

Premissa Maior: Twilight pertence a Stephenie Meyer.

Premissa Menor: Eu não sou Stephenie Meyer.

Conclusão: Twilight não me pertence.


Adentrando o Olimpo de deuses perfeitos esculpidos por horas de intensa devoção, Bella sentiu-se envergonhada de sua própria lassidão. Onde outros corpos exibiam contornos inabaláveis, sua paisagem era formada por altas montanhas e vastas depressões. Não havia firmeza em sua carne, apenas o gentil balançar da benigna negligência que só a auto-indulgência poderia sancionar.

Contemplava uma retirada estratégica quando o inimigo disparou um tiro certeiro; uma jovem moça de sorriso gentil convidou-a a ficar. Sempre fora educada ao extremo e negava-se a fuga fácil de uma resposta grosseira e um gesto obsceno. Resignou-se a sentar e ouvir a litania de vantagens extremas a serem obtidas pelo mero preço de obrigar-se a malhar. Em sua mente formulava rimas pobres visando a evitar, as respostas malcriadas que desejava pronunciar.

Respirou fundo e aceitou o desafio, pois a moça não era o inimigo que ela ira batalhar, mas sim sua própria preguiça que desejava obliterar. Assinou papéis e fez pagamentos ainda que seu parco orçamento viesse a sofrer por causa de sua insuportável necessidade de bela se tornar. Passada a provação de com a moça conversar, ela abandonou suas rimas, pois maiores desafios bloqueavam seu caminho.

Ao contrário de outras mulheres, não sentia prazer em comprar, uma vez que suas contas eram sua própria responsabilidade. Não havia um benevolente pagador a sustentar seus caprichos de consumo, tudo que possuía era fruto de seu trabalho, comprado com o dinheiro que ela suava para ganhar.

Ademais, sempre sentia os olhos desdenhosos das anoréxicas vendedoras a zombar de sua figura menos que perfeita e mais do que grande. Em algumas lojas nem entrava, pois temia o repúdio de obsequiosos comerciantes que tentavam a todo custo fazê-la menor do que realmente era. E Bella sempre cuidadosa com os sentimentos de estranhos adquiriria cada peça e agradeceria a insistência, ainda que nenhuma delas viesse a usar.

E assim ela possuía uma vasta seleção de roupas reservadas ao uso futuro e incerto de um corpo que ela jamais ousara conquistar. Consolava-se ela com o prospecto de que talvez por uma condição médica inominada ela viesse a ser premiada com o físico adequado para desfrutar das luxuosas peças adornando seu inescrutável closet.

Mas agora premida pela necessidade de calças elásticas e tops constritores, estava ela fortificando-se para a ingrata tarefa de ir às compras no paraíso de seus antônimos. No estacionamento do Shopping Center, ficou sentada por longos minutos, atraindo a atenção de curiosos transeuntes. Mas era insensível ao embaraço que sempre sentira ao perceber ser observada, pois estava profundamente concentrada em acalmar seu tolo coração que disparou em galopada tentando fugir da batalha adiante.

Forçando suas pernas a movimentaram-se, Bella conseguiu chegar à Praça de Alimentação. Fortificada pelo maior milkshake da lanchonete mais gordurosa, seguiu nossa heroína na histórica caminhada em direção ao seu martírio. Não parou para pensar, apenas seguiu adiante, ignorando o suor que corria por sua coluna e os tremores de suas instáveis mãos. O sorriso cruel de uma magérrima vendedora, a fez tremer de desespero e a quase fugir em direção à segurança.

A mão do destino interveio, barrando o seu caminho estava a sorridente Angela, seu olhar benigno prometia gentileza, pois com certeza ela recebia comissão. Mais confiante, Bela esqueceu as rimas e pela primeira vez em sua vida adulta realmente se divertiu ao experimentar peças feitas para seu corpo e suas necessidades. Grata pela ajuda, Bella comprou muito mais do que queria, pois Rachel ajudara sua frágil auto-estima a sobreviver o assalto de peças pequenas demais para serem usadas por mulheres humanas.

Sim, pois Bella estava convencida que o padrão de beleza que demandava mulheres raquíticas nada mais era que o perfeito disfarce para uma invasão alienígena. As malditas rimas teimavam em pestear sua mente mesmo depois que já estava dormente na segurança de seu lar... quente?

No outro dia, Bella acordou calma, segura e confidente, pois tinha a armadura imanente para sobreviver à batalha... De novo. No outro dia, Bella acordou segura de seu sucesso, pois era uma mulher investida na campanha pela sua própria felicidade. Vestiu-se com esmero, preocupando-se com combinações de cores, criando uma aura de cuidado com a própria aparência.

Com a assistência da solicita atendente, Bella determinou a hora de menor freqüência como a perfeita, pois sua ausente coordenação motora provaria ser mais um obstáculo a ultrapassar. De fato, ao andar na esteira, Bella tropeçou em seu próprio pé indo de costas ao chão emborrachado da abençoadamente vazia academia.

O arrependido treinador a ajudou a se levantar, garantia ele ser sua a culpa uma vez que impôs um ritmo puxado demais para ela acompanhar. Teria sido o seu presente martírio inconspícuo não fosse pelo leve sorriso nos lábios do Adônis que ela adoraria esbofetear. E o seu incauto cérebro voltou a rimar para evitar as lágrimas que ela queria derramar.

Mas ela era uma mulher de fibra e resistiu os olhares maliciosos de um homem que jamais entenderia a dor da imperfeição. E ao final de seu treino partiu de cabeça erguida, pois estava determinada a não se deixar intimidar. Até mesmo o Adônis que tão insensivelmente rira da desastrada mulher teve que admitir que ela possuía caráter pois suportou com graça o que faria outras mulheres fugir em desespero.

Ao chegar em casa, Bela tomou um longo banho quente e ao invés da usual taça de vinho, um copo de limonada e um relaxante muscular. Sentia-se cansada, mas estava certa de suas resoluções, pois apesar do desastre ela levantou-se e continuou. Talvez estivesse condenada a eternas rimas internas, mas pelo menos conquistara seu medo. Acima de tudo, a mulher que jamais achou motivo para orgulhar-se de si mesma agora se olhava no espelho com patente admiração. A imagem refletida não era de alguém que se contentava em desejar, era uma lutadora determinada a dominar o mundo, lutar contra um exército, a todos subjugar. Bella sabia que a glória de seu sucesso iria desvanecer, pois novos desafios iria enfrentar. Mas por hora ela decidiu ser feliz e sorriu.


Hoje eu perdi minha Mia... 2012 acabe logo, por favor!