Título: A Esposa Virgem
Autora: Deborah Simmons
Sinopse:
Ele queria vingança.
Ela ansiava por paixão!
Bretanha, Idade Média
Isabella Swan ficou desapontada com o desinteresse de Edward Masen em fazer-lhe companhia no leito nupcial... É que Edward, obrigado a se casar, por ordem do rei, com a sobrinha de seu maior inimigo, jurara vingar-se fazendo-a sofrer. Mas Isabella sabia como conquistar o coração do marido de uma maneira que ele jamais imaginara!
Capítulo 2
Edward percebeu a aceleração do pulso, mas não tentou controlá-lo. Haviam cavalgado depressa e alcançado o convento em dez dias. saboreava a onda de satisfação enquanto esperava a noiva. A vitória era quase sua! Vitória sobre os demônios que o perseguiam há tanto tempo, que haviam destruído os sonhos de um jovem cavaleiro otimista e mudado seu caminho para sempre. Finalmente, executaria a vingança e, então, talvez voltasse a ser o que era.
Emmett estava ao lado e Edward o observou. Como sempre, as feições do companheiro não revelavam nada. Todavia, Edward sentiu-lhe a desaprovação. O sírio não apreciava esquemas que envolvessem mulheres. Ele já ultrapassara os limites ao indagar o que aconteceria depois da vingança. Edward não se dera ao trabalho de responder. A moça seria sua mulher e ele teria muitos anos para exercer a vingança na última descendente de Swan.
Ela se chamava Isabella. Edward a imaginava como uma versão menor de seu inimigo. Teria cabelos negros e pele desbotada como a do tio. Criada em convento, ela devia ser um tipo delicado e imprestável, refletiu, aborrecido. Só precisava olhar para a mulher que comandava a ordem a fim de confirmar a crença. Pequena e encurvada, ela movia-se com a lentidão da idade. Seria fácil forçar uma pessoa assim a satisfazer suas vontades.
- Quero me casar tão logo ela apareça - disse Edward, escondendo a excitação sob a expressão impassível.
- Isso é impossível, meu senhor. Padre Goode foi visitar uma irmã enferma e o sacerdote mais próximo está em Litton, a um dia de viagem - informou a abadessa.
Edward abafou uma praga e virou-se para um homem atarracado atrás de Emmett.
- Alec, vá buscar o padre.
- Sim, senhor.
- Faça-o chegar aqui amanhã.
- Pois não, meu senhor.
O homem saiu enquanto entravam três freiras.
- Ah, Isabella - a abadessa exclamou acelerando a excitação de Edward.
Mas qual das três seria a noiva? Todas usavam hábitos pretos e toucas brancas. Mantinham o rosto abaixado, o que não permitia ver-lhes as feições. A única diferença era a altura da do meio. Observando-a, Edward surpreendeu-se com seu repentino olhar de curiosidade. As três sentaram-se num banco.
- Isabella, querida, tenho boas notícias para você - informou a abadessa e, mais uma vez, a do meio levantou o olhar vivo.
Certamente a criatura desinibida não era a noiva, pensou Edward. Talvez ela apenas não fosse tão discreta como as outras duas.
A abadessa prosseguiu em voz trêmula:
- O rei mandou um marido para você. - Edward olhou para a do meio e viu-a encarar a velha freira. Suas feições expressavam dissidência e não submissão. Não se comportava como uma religiosa.
- Não acredito. Por que Augusto demonstraria interesse por mim?
Edward mal disfarçou o choque. A criatura alta e rebelde era Isabella Swan?
- É verdade, minha querida. O rei mandou a notícia da morte de seu tio e a ordem para você se casar com o barão de Belvry com a finalidade de unir as terras.
A moça passou o olhar por Edward numa avaliação rápida. "Sim, Isabella, conheça seu senhor e lastime-se", pensou ele encarando-a com ar de triunfo.
Sem piscar, ela enfrentou-o. Devia ter uns dezoito anos, calculou ele. Tinha rosto oval, pele pálida, nariz pequeno e boca bem delineada. Os olhos, ao contrário dos pretos de Swan, eram castanhos e faiscavam. Abruptamente, ela os desviou.
- A senhora sabia disso e não me avisou? - indagou à abadessa.
A voz revelava emoção, mais precisamente, raiva. Teria essa moça, de fato, sido educada num convento?, conjeturou Edward.
- Ora, Isabella - começou a abadessa e as outras duas freiras trocaram um olhar como se esperassem uma cena.
Não ficaram desapontadas, pois Isabella levantou-se e interrompeu a superiora:
- Não venha com panos quentes. A senhora recebeu a notícia e não me avisou. Ficou com medo de que eu fugisse e esse janota não lhe pagasse uma boa recompensa? - perguntou apontando o dedo para Edward.
"Janota?" O insulto feito com tanta naturalidade deixou-o fora de si. Foi preciso um grande esforço para não demonstrar a raiva. Tinha vontade de sacudi-la pelos ombros. Mais tarde, ela pagaria por essas palavras e por muito mais.
As freiras não disfarçaram o olhar horrorizado e a abadessa aproximou-se com olhar apaziguador.
- Isabella, você sabe que o ouro não me atrai. Se pensasse um pouco, veria que tenho seu interesse em mente. Você não vive feliz aqui e, agora, tem a oportunidade de iniciar uma nova vida. Aceite-a e que Deus a abençoe.
- Eu não ficaria desconfiada se a senhora tivesse me informado antes. Por que não o fez? Pensou que eu tentaria escapar?
Escapar? Que tipo de mulher era essa para falar tanta tolice? Tencionava mesmo desafiar o rei?
- Chega! Não importa quando você foi informada. Nós vamos nos casar e você não tem escolha - disse Edward em tom enérgico.
Isabella virou-se para ele.
- Existem sempre escolhas, meu senhor! - Petrificado com os olhos castanhos falseando, Edward não conseguiu falar. Por que tanta raiva? Era ele quem deveria odiá-la, não só por causa do tio como também por sua língua afiada. Então, ela virou-se e deixou o aposento sem a permissão da superiora ou a de seu senhor.
Edward nem percebeu mover-se. Viu-se à porta com Emmett segurando-lhe o braço.
- Deixe-a em paz por enquanto - aconselhou o sírio em voz baixa.
Perplexo com a falta de controle, Edward retrocedeu. O sangue latejava nas veias.
- Perdoe Isabella - pediu a abadessa. - Ela é muito impetuosa e até um pouco inflexível, mas acabará cedendo. Só precisa de um pouco de tempo para se acostumar com a idéia.
- Por que a senhora não a avisou de minha vinda? Isso teria evitado a cena desagradável - censurou Edward.
A abadessa desviou o olhar, levando-o a pensar se Isabella não teria dito a verdade. Ela fugiria em vez de se casar com ele? Por quê? Ela ignorava o que existia entre o tio e ele. A abadessa havia lhe dito que Swan jamais demonstrara interesse pela sobrinha e, por isso, a mandara para o convento. Desde então, eles nunca tinham se comunicado. Isabella não podia sentir afeto por alguém a quem mal conhecia.
Uma idéia perturbadora tomou forma na mente de Edward. Perscrutando o olhar da abadessa, perguntou:
- Isabella tem um amante pelas redondezas? Ou algum outro laço que a prenda por aqui?
As freiras não contiveram exclamações diante das palavras francas.
- Não, não, meu senhor! Não existe nada que prenda Isabella aqui. Trata-se apenas de sua rebeldia - garantiu a superiora.
- Ela é muito teimosa - disse uma das freiras.
- E não gosta de nada que não seja ideia sua. Isabella teve uma vida muito dura - aparteou a outra.
- Num convento? - Edward perguntou com ar de dúvida.
- Após a morte do pai, ela e a mãe passaram necessidades. A mãe morreu logo depois. Seguiu-se um período difícil até o tio providenciar o dinheiro para Isabella juntar-se ao convento - explicou a abadessa.
- E onde ela viveu durante aquele tempo? - Edward quis saber.
- Conseguiu abrigo na casa de um burguês. Não passava de uma criada.
Ótimo! A noiva vivera como subalterna. Todavia, saber de seus percalços não dava prazer a Edward. Talvez porque eles tivessem sido provocados pelo destino e não por ele. Desejava ser a única fonte de sofrimento para Isabella Swan.
- Ela não parece ser subserviente - comentou em voz seca.
- Trata-se de uma boa moça, meu senhor, mas não tem vocação religiosa. Quem sabe não se dará melhor como castelã? - sugeriu a abadessa.
Edward franziu a testa. A criatura de maus modos não se parecia com nenhuma dama que ele conhecia. Alice nunca levantava o tom de voz e era uma mulher finíssima.
Edward quase riu com a comparação. Linda e delicada, a irmã não tinha nada a ver com a noiva de olhos castanhos e faiscantes. Imagine educada em convento! A velha abadessa não devia ter muito controle de seu rebanho. Mas bem depressa, ele inspiraria o temor de Deus no coração de Isabella Swan.
Chegou quase a sorrir ao pensar na vingança. Quando terminasse, a noiva sentiria saudades de seu passado miserável. Até a vida de camponesa lhe pareceria melhor.
Isabella correu para o dormitório. Calculava de quanto tempo dispunha. Logo estaria na hora das vésperas e sua ausência na reza seria notada. Por que ela? E por que agora quando tinha, finalmente, se resignado à vida no convento? Não possuía paciência necessária para a vida religiosa, mas, ali encontrara alimento, agasalho e segurança.
Tarde demais, lembrava-se de que a vida fora do convento era crivada de perigos. Fome, frio, degradação e outros horrores escondiam-se na primeira curva da estrada. Isabella os conhecia bem. Encarou as perspectivas enquanto fazia uma trouxa com a roupa de cama. Pagamento pequeno pelos anos de serviços prestados ali.
Já podia sentir a falta de ar que a acometia quando estava assustada. Há quanto tempo não tinha de lutar para respirar? Tentou acalmar-se. Agora, seria diferente. Era mais velha e mais experiente. Poderia trabalhar como criada para uma família respeitável. Não, pensou, estremecendo. Na cidade, encontraria outro trabalho que a mantivesse fora de perigo.
Colocando seus parcos pertences na trouxa, amarrou-a e deixou o dormitório. Deveria levar algum alimento, mas não se atrevia a ir até a cozinha. Várias freiras deviam estar a par de sua situação e perceberiam sua tentativa de fuga.
As portas, sem dúvida, estavam guardadas e Isabella dirigiu-se a uma janela. A altura era grande, mas não havia outra maneira de escapar, pensou olhando a grama lá embaixo. Não tinha tempo a perder. Precisava fugir antes que ele viesse em seu encalço.
Muito tempo atrás, tinha pensando em constituir família, com um marido que não desperdiçasse as moedas como o pai. Talvez um comerciante, ou um cavaleiro. Mas jamais aspirara tão alto como um de Masen, famoso no país por sua fortuna.
Isabella mal podia acreditar que ela, a filha de um homem fracassado, estivesse noiva do proprietário de Belvry. Embora tivesse desistido de se casar há muito tempo, poderia ter mudado de idéia se o homem houvesse se mostrado bondoso em vez de amedrontá-la com sua brutalidade.
Estremeceu. Lembrou-se daquele rosto - atraente, mas inflexível - e daqueles olhos sombrios e cheios de raiva. Decidiu-se. Não poderia ficar ali. Ignorava porque ele a desprezava. Talvez não quisesse se casar, ou alimentasse alguma diferença com o tio. Ela já sobrevivera uma vez e voltaria a fazê-lo. Melhor do que submeter-se a um tipo como aquele. Jogou a trouxa e passou as pernas pelo peitoril da janela.
A queda tirou-lhe o fôlego. Deitada de costas na relva, Isabella respirou fundo. Sua posição estava longe de ser a de uma dama. O hábito levantado mostrava-lhe as pernas abertas e a touca torta a deixava com ar irreverente. Não importava. Seus dias de decoro rígido chegavam ao fim, pensou, sorrindo.
Foi então que Isabella o viu.
Ele estava a um passo de sua cabeça. Se estendesse a mão, poderia tocar-lhe as botas que apareciam sob a túnica de tecido fino. Levantou o olhar. Ele tinha as mãos nos quadris e, acima dos ombros largos, o rosto não escondia a fúria. Os olhos dourados lembravam a ponta de punhais.
- Se tentava se matar, deveria ter escolhido uma janela mais alta - comentou Edward.
Perplexa com tais palavras, Isabella continuou deitada, fitando-o. Que tipo de monstro seria esse homem para dizer tal coisa?
- Vou mandar pôr grades nas janelas de seu quarto em Belvry - avisou ele.
Isabella sentou-se abruptamente e endireitou as roupas. Numa atitude decidida, encarou o inimigo. Ele sorria como se seu constrangimento o agradasse. Sentiu o sangue gelar nas veias.
- Conforme-se com seu destino, pois amanhã, nos casaremos - aconselhou ele.
Edward não a trancou por fora. Não havia necessidade. Mulher alguma, nem mesmo Isabella Swan, conseguiria passar por seus homens. Deitado numa enxerga dura, numa das celas reservadas a visitantes, ele sentia-se satisfeito. No dia seguinte, Isabella seria sua.
Mas tratava-se de um criatura estranha. Edward não podia entender por que ela tentara fugir para não se casar.
E pular de uma janela? Poderia ter quebrado o pescoço, roubando-o da oportunidade de vingança.
Não, ele tomaria todo o cuidado para que a tola não se arriscasse outra vez. Isabella precisava de mão firme, pensou ao lembrar-se de sua figura absurda caída no chão. Um pouco dos cabelos tinha escapado da touca branca. Eram castanhos e brilhantes e Edward os imaginou soltos. Havia tido também a oportunidade de apreciar-lhe as pernas. Bem torneadas. Precisava examinar a noiva com mais vagar.
Edward virou-se de lado e respirou fundo. O que lhe importava a cor dos cabelos de Isabella, ou as formas de seu corpo? Afinal, ela não passava de instrumento para executar a vingança.
Logo estariam casados, mas Edward não queria nada com o corpo de Isabella. Jamais se deixava dominar pela paixão e a sobrinha de Swan não o subjugaria dessa forma, ou de outra qualquer.
Ela poderia ter feito os votos perpétuos, pois não lhe conheceria as carícias, nem de outro homem. E essa privação seria apenas o início de...
- Meu senhor?
Vinda da escuridão, a voz interrompeu-lhe os pensamentos. Sem ruído algum, Edward segurou o cabo da adaga na cintura. Tinha tirado a túnica, mas conservara a arma. Como aprendera muito tempo atrás, lugar algum era seguro e não se podia confiar em ninguém, nem mesmo em freiras.
Edward olhou para a entrada da cela, que não tinha porta, ou cortina. Apesar das sombras, distinguiu uma silhueta curvada. Num movimento brusco, sentou-se.
- Não! Fique onde está, por favor. Sou eu, a abadessa Marie. - A voz era baixa e meio sem fôlego. - Quero trocar uma palavrinha com o senhor.
A essa hora? Se não fosse sua idade avançada, Edward desconfiaria das intenções da freira.
- Do que se trata?
- De um assunto muito delicado, meu senhor. Eu não tocaria nele se pudéssemos nos ver à luz do dia.
- Está bem. Fale logo - instou Edward, irritado.
- E sobre Isabella, meu senhor. Peço-lhe que não a trate mal.
A irritação cresceu.
- Ela vai ser minha mulher e não lhe dirá mais respeito.
- Sei bem, meu senhor. Mas eu não gostaria que se impusesse a ela.
Com todos os diabos. Estaria a abadessa querendo aconselhá-lo sobre assuntos matrimoniais?
- A senhora não quer que o casamento se consume? - indagou, incrédulo.
- Não até que seu coração a receba, meu senhor.
- A senhora me deixa confuso, abadessa. A igreja não exige que os votos matrimoniais sejam consumados? - perguntou Edward com sarcasmo.
- Quero lembrá-lo que estupro é pecado - disse a freira veementemente.
- Não existe estupro entre marido e mulher - protestou ele.
Não deixava de ser engraçado estar seminu, numa cela de convento, discutindo sexo com uma freira. Contudo, o fato o aborrecia.
- Deus vê e conhece tudo. Ele o julgará de acordo com sua intenção.
- Abadessa, o que a leva pensar que eu estupraria minha mulher? - Edward perguntou, tentando controlar-se.
- Vi sua expressão de ódio quando olhou para ela.
Ele não precisou negar a acusação. O farfalhar do hábito mostrou que a abadessa se afastava. Perplexo com tal comportamento, ficou olhando para a entrada da cela. As freiras de outros conventos seriam tão estranhas como as desse?
Praguejou contra a insensatez das mulheres e voltou a deitar-se. Se a velha freira não houvesse tido a audácia de adverti-lo, talvez lhe confessasse não ter a intenção de levar a mulher para a cama.
Planejava algo muito pior para ela.
Edward se viu dominado pela sensação de triunfo não sentida desde que havia destruído o exército de Swan. Não havia enfrentado o inimigo, pois este fugira covardemente. Mas agora, Edward e a sobrinha do desgraçado encontravam-se diante do sacerdote que os tornaria marido e mulher.
Isabella usava o hábito preto de freira. Provavelmente não tinha outras roupas. Pouco importava.
A noiva não era tão alta quanto tinha calculado. O topo de sua cabeça alcançava-lhe a face. Observou-a imaginando os cabelos escondidos sob a touca. Estudou-lhe as feições: sobrancelhas bem arqueadas, cílios longos e densos e lábios rosados. Estavam meio curvados e fechados. Surpreso, ele percebeu que Isabella hesitava a fazer os votos matrimoniais. Aproximou-se mais, ameaçando-a em silêncio.
Embora Edward esperasse que a noiva se acovardasse com a atitude, ela ergueu os olhos com ar de desafio. Encararam-se e ele tentou forçá-la a falar através de um olhar feroz. Ela nem piscou. Não importava tanto orgulho, pois ele seria o vencedor. A idéia o levou a sorrir. Isabella desviou o olhar e, com voz trêmula, fez o juramento.
Sua coragem o surpreendeu. Essa era uma qualidade que Edward valorizava acima de todas. Estranho encontrá-la na herdeira de Swan. Talvez tudo não passasse de tolice feminina, refletiu ele.
Tão logo o padre terminou a cerimônia, Edward anunciou:
- Partimos imediatamente. Vamos, mulher, despeça-se das companheiras.
Mais uma vez, Isabella o surpreendeu. Calada e sem lágrimas, passou diante das freiras. Por Deus, que mulher fora do comum!
Por um instante, Edward seguiu-a com o olhar, mas depois dirigiu-se à abadessa:
- Não se preocupe, eu não a tocarei - prometeu. A velha freira não pareceu aliviada e, consternada, disse:
- Ora, meu senhor, sei que Isabella não é tão linda como muitas mulheres, mas a ordem divina é crescer e multiplicar.
- Não foi isso que me disse ontem à noite.
- Ontem à noite? - repetiu a velha freira com olhar confuso.
A suspeita dominou Edward e ele virou-se para a porta. Isabella já estava lá fora, de costas para ele e junto ao cavalo palafrém. Havia sido ela, sem sombra de dúvida, quem o procurara na noite anterior. E o tinha convencido tratar-se da abadessa.
O sangue de Edward ferveu. A criatura era de uma audácia fora de conta. Imagine aconselhá-lo a respeito da consumação do casamento! Do que mais ela seria capaz?
"Dê vazão a suas artimanhas, mulher irascível. A guerra apenas começou" - refletiu Edward tentando se controlar.
