Riqueza & Vaidade

Capítulo 2: O Lorde.

Antes do sol se por, todos a jovens filhas do sr. & sra. Miller estavam prontas, exceto Mary, que ainda não havia sido encontrada em lugar nenhum.

- Deve estar na casa da árvore... – Sibilou Liliam – Ela não saiu de lá desde que chegou...

- E é melhor assim – Continuou sra. Miller - Vamos, sentem-se em seus lugares de costume.

Camillie colocou-se ao lado da lareira e começou seu novo bordado: algumas flores no tecido de seda branco. Mirelle foi para junto ao piano, e começou a tocar delicadamente. Liliam puxou a Amanda e se sentaram no sofá junto a Sra. Miller. Já o sr. Miller se instalou em sua grande poltrona de couro. Todos estavam comportados e era quase uma visão atraente para aquele que entrasse no estabelecimento. Então, se ouviu som de uma carruagem. O primeiro impulso das jovens fora correr para a janela a fim de ver o misterioso convidado. A sra. Miller censurou as garotas para que não o fizessem.

Um dos empregados entrou na sala anunciando o esperado convidado:

- Sr e Sra Miller; Jovens damas... Lorde Aries.

Ouviu um som de surpresa estendesse no cômodo quando o benevolente homem passou pela porta. A face de seu rosto parecia esculpida por anjos, e seus traços fortes davam o ar de uma inteligência única. Graças ao seu físico perfeito, realmente poderia ser chamado de Lorde. Seus cabelos longos estavam presos, deixados sobre o ombro esquerdo, enquanto ao direito o casaco recém tirado para entregar ao empregado.

- Boa noite – Apenas disse isso. Todos ainda estavam espantados. Percebendo nenhuma reação, pigarreou.

- Ah! – Sr Miller deu um salto da poltrona ao perceber a indiferença dos demais – Seja muito bem-vindo! É uma grande honra conhecê-lo, senhor.. Quero dizer, Lorde John – Estendeu-lhe a mão como cumprimento.

- Me chame apenas de Shion – Respondeu ao aperto de mãos o educado cavaleiro ao expor um sorriso – John é apenas a pronuncia inglesa de meu nome de origem.

- Entendi... – Disse o confuso anfitrião – Bem, onde estão meus modos.. Aqui, deixe-me apresentar a minha adorável esposa e minhas amáveis filhas.

Sra Miller ainda estava de boca-aberta; seu marido a fitou e percebendo sua reação, a esposa se levantou e seguiu até onde os senhores se encontrava.

- É uma grande honra, mi lorde... – Shion agradeceu e se referenciou – E essas são minhas queridas filhas.

As jovens se puseram de pé ao lado da mãe. Ficaram em fileira; Da mais velha a mais nova. Shion se referenciou para as três jovens.

- Camillie e Mirelle, minhas filhas gêmeas – O jovem lorde olhou sem compreender – São gêmeas fraternais – completou Sra Miller – Nasceram no mesmo dia, mas não são idênticas, apenas traços parecidos.

Fez que sim com a cabeça o cavaleiro

- E essa é a minha mais nova, Liliam - Shion encarou os olhos claros da jovem de pele leitosa. A jovem sorriu envergonhada e se referenciou.

- Mamãe... – Sibilou Camillie e olhou para a prima esquecida.

- Oh! Como pude esquecer, e essa é minha sobrinha, Amanda. É filha de Anastácia, irmã de meu esposo - Amanda fez o mesmo gesto que os demais apresentados.

***

- E então, pretende ficar por quanto tempo em Sheffield? – Perguntou tentando começar um novo assunto. Depois das apresentações, foram logo jantar. A atenção estava voltada apenas para Shion, principalmente as atenções da Sra. Miller.

- Ainda não tenho data definida para a minha partida, Sra. Miller – Respondeu o educado homem.

- Espero que fique bastante tempo então. Um rapaz tão educado... E dizendo rapaz quero me referir há sua idade! Um jovem tão novo mas tão sábio para idade, mi lorde

Todos encararam a audácia da mulher.

- Creio que devo informa-lhe que não sou tão novo quanto apareço ser. Faço 32 anos mês que vem.

- Oh! Juraria de pés juntos que nunca pensei... Quero dizer, nunca achei que tivesse mais que 28 anos!

- A senhora também não aparenta a idade que tem, mamãe – Disse de gozação Liliam. Percebendo ter ferido o orgulho da mãe, abaixou a cabeça e voltou a comer. Shion conteve um sorriso, assim como Camillie uma risada.

- A senhorita também não parece ter a idade que seu pai me disse, senhorita Liliam.

- Sim, o senhor, meu Lorde, não é o primeiro que me diz isso... Tenho 19 anos, mas por causa de minha altura e pelo visto, mal-criação, aparento ter menos de 15 anos.

- Venho a perceber que a senhorita não entendeu – expressou-se melhor Shion – Pode ter porte baixo, ou até o intuito de ser uma pessoa sarcástica aponto de achar a menor falha para tirar gargalhadas disso, mas... Tenho que admitir que pensava a visto, que teria pelo menos uns 22 anos... – Fez uma pequena pausa – Uma mulher mais madura, eu diria. Espero não tê-la ofendido.

Liliam corou. Aquilo fora um elogiou? Shion a entreolhava ficando embaraçada.

- Essa é a primeira vez que ouço esse tipo de comentário... – Se conteve para não lhe responder algo que não gostaria de ouvir sendo retrucado. Não deixa transparecer se ofendeu-se ou não só pioraria a situação. E seu rosto vermelho já estava fazendo esse trabalho. Aqui fora um elogio... Certo?

- Pois bem – Tossiu o sr Miller – Acho que já estamos prontos para a sobremesa.

Alguns empregados trouxeram o pudim e o mouse de chocolate para a mesa. O silêncio se tardou ainda mais. Então, sra Miller lembrou e perguntou para a sobrinha.

- E você querida, pretende voltar quando para casa?

- Mas que grosseria mulher – Disse atordoado sr Miller – A menina chegou só faz menos de 6 horas e já pretende se livrar dela?!

- Não, o senhor não me entendeu, meu caro esposo. Eu quis dizer por quanto tempo ficaria aqui, já que trouxe apenas uma bagagem – a ignorância da sra Miller sobre assuntos carinhos e gentis, já irritava o próprio esposo.

- Ainda não sei bem, minha tia... Mas acho que amanhã antes do almoço, partirei para Norfolk.

- Mas o que é isso...- Disse o angustiado tio – Pode ficar! Temos quartos vagos! Pode ficar aqui até que sua mãe peça-lhe de volta!

Um olhar de censura, com uma mistura de raiva, penetrou o rosto de sr Miller. Os olhares eram de sua esposa. Mirelle, a mais calada da mesa, olhou para sua mãe e disse com carisma:

- Acho que mamãe está apenas insatisfeita por não termos nos avisado, assim como fez o Lorde Shion, Amanda.

- Sim, isso mesmo... – Acompanhou a desculpa – Quero que fique o tempo que precisar para se estabelecer, minha querida. Mas... Pretende fazer algo enquanto estiver aqui?

O momento da pergunta temida chegou. Amanda sabia que não poderia mentir para a tia, mas porque bem naquela hora, em frente a um desconhecido?

- Bem – a coloração branca de seu rosto, ficara vermelha – Minha mãe acha que encontrarei um bom partido aqui.

Um silêncio penetrou novamente a sala de estar, mas logo fora quebrado pelas gargalhadas de Camillie, que percebendo estar deixando a prima ainda mais encabulada, disse:

- Dou risada não pela sua sinceridade, prima, e sai pela falta de opções que temos.

- Camillie! – Gritou sra Miller.

- Mas é verdade mamãe! Um bom partido aqui, o mais próximo que se encontra é na própria Londres! Apenas oficias e advogados, assim como médicas e nobres, passavam apenas os dias festivos por aqui! Não estou dizer que não temos homens bons, mas do jeito que conhece o gosto de tia Anastácia, esse que pertencem ao padrão que ela deseja para Amanda.

Todos na mesa ficaram quietos com aquela afirmação. Acabaram logo a sobremesa e se retiraram para a sala. Liliam ainda evitava a olhar em volta, enquanto o lorde Shion não parava de encará-la; Mirelle se pos ao piano da sala e começou a tocar algumas notas desconhecidas dos ouvidos da prima.

- Eu mesma que compus. – respondeu Mirelle.

A melodia era bela, mas sua mãe disse para tocar alguma música que fosse conhecida pelo Lorde e pediu que Amanda cantasse. No começo negou-se, mas era evidentemente em vão.

- Ela canta graciosamente bem, não é, mi lorde?

- Certamente que sim, sra Miller.

Senhor Miller não fazia ideia de qual era o plano de sua esposa, mas conhecendo a naja com quem casou, saberia que algum veneno estava entre as presas.

- Não acha uma barbaridade da parte da minha cunhada de mandar a única filha embora?

- Sim, mas infelizmente não conheço a parte da versão da mãe da jovem e acho que todo pai gostaria de ver sua filha casada com um bom moço. A senhora também quer isso para suas filha, não é Sra Miller?

- Oh! Claro que sim – voltou seus olhos para Camillie e depois para Mirelle – Espero casar minhas duas mais velhas antes de completarem 23 anos. Minha mãe velha se casou ao 15... Bom, foi apenas porque tivemos sorte pelo rapaz ser bem requintado. Ele era filho de um amigo do ex-batalhão do meu marido.

- E a senhora pretende casar suas outras filhas com militares?

- De preferência, sim. Esse era o sonho de minha mãe, e eu o adotei para mim. Só esperamos a oportunidade certa e o jovem que eu e meu marido sempre sonhamos.

- Até a filha mais jovem? – Shion levou os olhos para Liliam outra vez, que corou ao ouvir sendo insinuada.

- Até a filha mais jovem – concordou sra Miller.

- Com licença, me desculpem pela interrupção – Entrou pela a porta umas das empregadas.

- Diga Alice... – disse Sr Miller.

- Encontramos a senhorita Mary – Alice abriu a outra parte da grande porta. Uma garota entre 14/15 anos estava escondida atrás dela. Seus cabelos castanhos e longos estavam despenteados, seu vestido branco e longo sujo de lama, assim como seu rosto e braços.

- Oh! Minha nossa! – Bradou sra Miller – Onde você estava, menina travessa?! Ficando tão... suja! Logo hoje quando temos visita!

Mary encarou Amanda sentada no sofá e depois Shion. Deu duas piscadelas e depois subiu correndo as escadas.

- Mary! – Gritou a senhora – Minha nossa... Alice, suba e dê um banho em Mary.

- Sim, imediatamente senhora.

- Os jovens de hoje... – Disse sr Miller.

Algumas horas mais tarde, lorde Shion anunciou sua partida. Apesar dos pedidos da sra Miller para que ficar um pouco mais, o jovem rejeitou o pedido formalmente e disse que voltaria para almoçar algum dia. Se despediu uma por uma das jovens, e ao chegar a fez da filha mais nova, Shion fez questão de dar-lhe um beijo duas vezes, diferentes das outras.

- Boa noite, senhorita Liliam.

- Boa noite Lorde Shion.

O jovem de cabelos longos entrou em sua carruagem e se foi. Sra Miller quase dava pulos de satisfação. Não esperava a hora do jovem partir, apesar de admitir que era um homem muito bonito, tinha também que acrescentar que era muito inteligente e abusava da paciência dos outros por causa disso; Também que achou ele muito calado. Não conseguia ver uma de suas filhas ao lado daquele homem tão frio e calculista. Liliam ficou calada o restante da noite...