Entre Perdas e Ganhos
Capítulo 1:
You don't know me
(Você não me conhece)
Suas mãos envolvidas pelo tecido suave das luvas contorciam-se nervosamente em seu colo. Tentou respirar profundamente para acalmar-se, mas tudo que conseguiu foi uma quase intoxicação pelo perfume forte de lírios que se espalhava rapidamente pelo local. Estava sentada muito perto de um dos arranjos florais, notou. Abaixou novamente os olhos cor-de-mel para as mãos, e entrelaçou-as, fazendo, finalmente, com que ficassem imóveis. Nunca havia estado nervosa dessa forma desde que... bem, pensando melhor, aquele estado de nervosismo era praticamente normal para ela desde que soubera do noivado do amigo. E isso ocorrera há aproximadamente dois meses. Não era para menos que, desde então, passara a ouvir comentários sobre como estava mais magra, e como sempre parecia haver a sombra das olheiras sob seus olhos.
Balançou levemente a cabeça de um lado para o outro, tentando, mais uma vez, espantar a ansiedade. A pesada franja que cobria sua testa dançou suavemente com o movimento, mas a jovem a ajeitou rapidamente com a ponta dos dedos. Abriu a pequena bolsa que trazia consigo, e retirou de dentro desta um mínimo espelho redondo. Mirou o próprio reflexo, imaginando como a maquiagem era uma invenção trouxa valiosa. As olheiras haviam desaparecido completamente graças à aplicação de corretivo, e seus olhos estavam impecavelmente maquiados com uma sombra clara de tom perolado, e muitas camadas de rímel engrossavam e curvavam seus cílios. As bochechas pareciam naturalmente rosadas pelo blush pêssego, e apenas um brilho transparente enfeitava seus lábios. Infelizmente, no entanto, a maquiagem não podia disfarçar a opacidade de seu olhar, nem a falsidade em seu sorriso.
Fechou o pequeno espelho e guardou-o novamente na bolsa de mão, enquanto via todos se levantarem, e acompanhou-os. É agora.
Todos os pescoços viraram-se para trás, e então Hermione soube que, a partir dali, não poderia fazer mais nada senão fingir uma felicidade que sabia não possuir. Avistou-a aproximar-se em seu lindo vestido branco, cujo tecido leve e reluzente moldava-se ao corpo a cada passo dado pela jovem. Seus cabelos lisos e louros estavam soltos, atingindo a altura de sua cintura. Gabrielle Delacour não precisava de qualquer adorno; os profundos e intensos olhos azuis e a aparência de boneca já transformavam-na na noiva perfeita. Hermione suspirou, notando o quão radiante a jovem parecia estar. A cada passo, sentia o próprio fôlego esvair-se.
E então, ela finalmente o alcançou. Tão radiante quanto ela, Ron Weasley a esperava. Os cabelos ruivos revoltos, os olhos azuis inquietos, as mãos dentro dos bolsos do elegante smoking. Daria tudo para estar no lugar de Gabrielle naquele momento, receber aquele mesmo intenso olhar apaixonado, os sorrisos... Despertou de seu pequeno e secreto devaneio agridoce quando todos se sentaram para o início da cerimônia.
Ginny e Harry, padrinhos de Ron, fitavam o casal com carinho. Ele a havia convidado para ser sua madrinha, mas Hermione conseguira se desvencilhar da tarefa alegando que Ginny ficaria muito chateada se não pudesse ser a madrinha do próprio irmão. E, como sempre, Ron falhara na percepção de quais eram seus verdadeiros motivos. Sorriu amargamente, e sentiu dois pares de olhos preocupados sobre si. Mirou o casal de amigos, e assentiu levemente com a cabeça, indicando que ficaria bem. Se ao menos ela pudesse ter a mesma certeza...
(fim da cena)
A música animada espalhava-se pelo ar, trazendo muitos convidados para o centro da pista. Os noivos estavam separados, recebendo cumprimentos dos amigos. Um quarteto de garotas louras e esbeltas rodeava Gabrielle, soltando risinhos enquanto conversavam animadamente. Ron era rodeado por outros amigos, alguns dos tempos de Hogwarts como Neville e Luna, e outros colegas do Chudley Cannons. Hermione não pôde deixar de notar que ele lançava olhares à jovem esposa a todo momento, os quais eram prontamente correspondidos por ela. Suspirou.
- Hey... Mi... – Ginny começou, colocando uma das mãos sobre o ombro da amiga. Hermione fitou-a, e forçou mais um sorriso. – Tudo bem?
Ela fitou demoradamente a taça de champanhe a sua frente, ponderando as palavras que diria. Não estava bem, e aquilo estava mais do que óbvio, mas ela não podia se deixar abater. Ainda era melhor amiga de Ron, deveria estar muito feliz por ele. Apanhou a taça e virou seu conteúdo na garganta de uma vez.
- Claro. – Respondeu, fitando-a nos olhos. – O único problema é que minha taça já está vazia!
Ginny sorriu, colocando uma mecha do sedoso cabelo ruivo atrás da orelha. Sabia que Hermione fingia muito mal, e que seu fino disfarce se desmancharia quanto mais bêbada a amiga estivesse. Decidida, esvaziou também a própria taça, e acenou para o primeiro garçom que passou por perto, pedindo por mais champanhe.
- Mas o que é que você está fazendo? – sussurrou Harry a seu ouvido. – acha que embebedá-la vai ajudar em alguma coisa?!
- Se a bebida pelo menos tirar essa expressão de velório dela, vai. – Harry apenas suspirou. Ginny era teimosa, mas se acreditava que podia ajudar Hermione, então até poderia concordar com ela. Quando o garçom se aproximou, viu Ginny e Hermione apanharem uma taça cada uma. Hermione esvaziou a sua em apenas alguns instantes, enquanto Ginny levava a taça à boca e a recolocava na mesa, sem sorver gole algum. Notando que era observada, a ruiva rapidamente fitou o namorado e deu uma piscadela. Essa não...
(fim da cena)
Em uma mesa um pouco mais afastada, um jovem estava sentado, agitando tediosamente o copo contendo firewhisky em suas mãos. Uma garota, provavelmente uma das primas veela de Fleur e Gabrielle, o acompanhava. Mas ele sequer olhava para ela, enquanto fitava a pista onde parte dos convidados dançava e cumprimentava os noivos. Seus olhos cinzentos então voltaram-se para uma outra mesa, ocupada por apenas três pessoas, e o contraste ficou óbvio. Ali havia insegurança, tristeza, dor. E apenas algumas mesas adiante, na pista, podia ver uma explosão de alegria. Baixou os olhos para o copo, e agitou-o novamente, fazendo os cubos de gelo estalarem.
Viu o garçom aproximar-se daquela mesa mais uma vez, servindo seus ocupantes com mais uma rodada de taças de champanhe. Balançou levemente a cabeça de um lado para o outro, em desaprovação. Já podia prever que, dali algum tempo, haveria algum escândalo causado por excesso de álcool.
- O que foi? – A garota perguntou em um sotaque francês carregado, enquanto jogava para trás as ondas sedosas de seus cabelos. Ele ainda não a fitava.
- Hm.. Não quer pegar mais um desses para mim? – E indicou o próprio copo, que já estava quase vazio.
- Oui! – Ela levantou-se e ajeitou o vestido rosa-bebê justíssimo, e afastou-se da mesa.
- Draco, Draco... o que você está fazendo aqui com essa veela? – Perguntou para si mesmo, enquanto exibia nos lábios finos um sorriso debochado. Terminou de esvaziar seu copo, e levou os braços para trás, cruzando-os atrás da cabeça. A verdade é que, desde o fim da guerra, fazia muitas coisas que condenaria na época da escola. Quando imaginaria que estaria presente no casamento de um Weasley por ter sido convidado? Agora trabalhava com Potter, outros Weasleys e Granger no Ministério, não eram amigos, mas colegas de trabalho que se respeitavam.
Deixando esses pensamentos de lado, lembrou-se que logo sua acompanhante voltaria, e ficaria pendurada em seu braço como estivera há pouco. Achou melhor afastar-se um pouco da mesa, e levantou-se.
(fim da cena)
Harry observou boquiaberto o número de taças vazias que povoavam a mesa em que se encontravam. Notou, entretanto, que Ginny ainda fingia beber da mesma taça de uma hora atrás.
- Acho que preciso ir até o banheiro retocar a maquiagem.. – Hermione começou, enquanto se levantava. Percebeu que algo não estava normal com seus pés, então descalçou as sandálias prateadas de salto. As luvas jaziam penduradas em uma cadeira desde a terceira ou quarta taça de champanhe.
- Quer que eu vá junto? – Ginny ofereceu, fazendo menção de se levantar também. Hermione sorriu fracamente para ela, enquanto apanhava a pequena bolsa lilás, da mesma cor de seu vestido.
- Não precisa, estou bem. Obrigada! – E então piscou para a amiga. – Pode ficar aí namorando um pouquinho, sem a Hermione 'vela' para atrapalhar.
E então se afastou da mesa, sendo ainda observada por Ginny. A ruiva passou a mão pelo vestido de seda cor de vinho, e deixou a cabeça tombar delicadamente para o lado, suspirando.
- Pelo menos ela não está a ponto de chorar agora, Harry.. – Ponderou, sentando-se novamente. Harry a abraçou. – Ou eu espero que não esteja.
(fim da cena)
Hermione desviou das diversas mesas a caminho do banheiro. Quase todos os convidados estavam na pista, então tudo que podia ver eram mesas redondas e vazias, cobertas por uma toalha branca e enfeitadas por arranjos florais que flutuavam, espalhando seu perfume. Já podia imaginar que fosse algo próximo das duas da manhã, a julgar pelo céu escuro pontilhado de estrelas, e pelas velas acesas que também flutuavam. Parou por um instante, segurando a barra do vestido, que começava a arrastar no chão.
Quando finalmente alcançou o banheiro, atirou a pequena bolsa sobre uma mesinha que havia ao lado da pia, e sentou-se no sofá carmim. Levou as mãos ao rosto, e massageou levemente as têmporas. Sentiu o corpo todo contrair-se no que imaginou ser o início de um soluço, mas conseguiu prender a respiração a tempo de evitá-lo. Segurou suas lágrimas durante o dia todo, ajudando a arrumar a noiva, sorrindo para todos, parabenizando o amigo... A palavra rebateu, traiçoeira, em sua mente, fazendo com que uma nova onda de soluços tentasse acometê-la. Hermione respirou fundo, apertando os olhos, e engoliu-os, apesar do nó que já estava em sua garganta havia dois meses. Quando voltou a abrir os olhos, decidiu que não podia ser vista daquela forma por ninguém, e levantou-se.
Na parede à sua direita havia um espelho de corpo inteiro, então resolveu analisar seu reflexo. Os cabelos ainda estavam impecavelmente presos e terminavam em pequenos cachos, como num coque. A franja espessa cobria sua testa, e a maquiagem ainda estava intocada. Passou a língua pelos lábios delicadamente, e tombou levemente a cabeça para o lado. Seu vestido lilás era um belo tomara-que-caia de um tecido opaco muito bonito, e descia praticamente reto até os pés agora descalços. Uma fita em lilás um pouco mais claro e reluzente contornava seu corpo logo abaixo do busto, dando elegância à produção. E apesar dos olhos piscarem com pesar, e do lábio inferior tremer ocasionalmente pela proximidade de um soluço contido, Hermione Granger jamais havia se visto tão bonita em toda a sua vida.
Apanhando novamente a pequena bolsa, saiu do banheiro, dando uma última visualizada em seu reflexo no espelho, como se ele pudesse dizer alguma coisa que a deixasse mais forte.
(fim da cena)
- Agora quero que todos os casais se juntem aos noivos na pista de dança para uma música lenta especial! – A cantora anunciou, fazendo com que Ron enlaçasse Gabrielle pela cintura e a puxasse para o meio da pista.
Muitas pessoas voltaram para suas mesas, e uma melodia doce teve início com as primeiras notas de um piano.
Mmmm...
Gabrielle passou os braços ao redor do pescoço do marido, enquanto este a segurava carinhosamente pela cintura. Não desviavam seu olhar, e ambos sorriam.
Logo, Fleur e Bill juntaram-se a eles e também começaram a dançar.
Você me dá sua mão
E então me diz 'olá'
Eu não posso nem respirar
Meu coração está batendo tanto...
Hermione acabava de desviar da última mesa, cambaleando um pouco por causa da champanhe, e aquelas notas encheram seus ouvidos. Alcançou a mesa onde Harry e Ginny ainda estavam sentados a passos cada vez mais lentos, e deixou o peso do corpo repousar na superfície fria de uma coluna de pedra ao lado da mesa. As notas doces faziam com que seu corpo desejasse ser abraçado, amparado... Mas tudo o que sentia era o calafrio que o contato entre sua pele e a pedra proporcionava. Seus olhos cor-de-mel estavam fixos no casal de noivos que dançava, como se cada passo que dessem, o fizessem sobre seu coração. E pela primeira vez naquele dia, sentiu seus olhos arderem, e esqueceu de apertá-los.
Alguns casais já haviam se juntado aos noivos e padrinhos da noiva na pista, e tudo que Hermione podia ver era uma imagem embaçada, alguns focos de luz ao fundo e um borrão branco dançando junto de um negro. Aquilo era prova suficiente de que seus olhos haviam, finalmente, se enchido de lágrimas.
E qualquer um pode dizer
Você pensa que me conhece bem
Mas você não me conhece...
Mmm...
Harry e Ginny já fitavam Hermione, imaginando o que podiam fazer para que ela se sentisse melhor. Harry, então, levantou-se, dando uma rápida piscadela para Ginny, que entendeu.
Ele parou na frente da amiga, e estendeu a mão.
- O... que.. – Ela começou, confusa. Levou uma das mãos até o rosto e descobriu que dois filetes de lágrimas escorriam por suas bochechas. Harry não demorou a apanhar a mão dela.
- Vem. – Disse, puxando uma Hermione desorientada para o meio da pista.
Ele envolveu-a pela cintura, deixando que a amiga escondesse o rosto na curva de seu pescoço. A música continuava calma, e Harry se limitava a dar apenas um passo para cada lado, acompanhando aproximadamente o ritmo. Encostou a bochecha no topo da cabeça de Hermione, enquanto pensava em algo para dizer.
- Ah... Harry... Desculpe.. – Começou, enquanto o amigo podia sentir que seu corpo frágil tremia a cada soluço abafado. Segurou-a mais firmemente.
- Você não sabe o quanto é uma amiga valiosa. – Declarou, sorrindo levemente. – Você veio a essa festa, e esteve disfarçando até agora o quanto está triste. Eu não conseguiria ter essa força.
Ele sentiu Hermione sorrir, enquanto ainda tentava controlar os soluços.
Não, você não conhece a garota
Que sonha com você à noite
Deseja beijar seus lábios
Deseja te abraçar forte
Hermione sentiu o corpo todo contrair-se quando ouviu os versos, e uma nova onda de lágrimas preencheu seus olhos, não demorando a fazer o mesmo caminho por suas bochechas.
- Escuta.. – Harry começou. – Você sabe que ele nunca percebeu nada, e nem está percebendo nada agora, então fique tranqüila...
Ela assentiu com a cabeça, e Harry sabia que, naquele momento, a amiga mordia firmemente os lábios temendo que mais soluços pudessem escapar. Levou uma das mãos aos cabelos de Hermione, afagando-os.
Encostado a uma outra coluna de pedra, algumas mesas distante daquela onde Ginny ainda estava sentada, Draco Malfoy observava tudo. A camisa negra detalhada com risca de giz fazia um belo conjunto com a calça social e sapatos também negros, contrastando com a pele clara do rapaz. Ele tinha as mãos enfiadas nos bolsos, e seus olhos metálicos não conseguiam se decidir por fitar o casal que dançava, apaixonado, ou o outro, no qual a jovem mulher mais chorava do que dançava. Meneou a cabeça, e suspirou. Por mais que tivessem seus problemas em Hogwarts, agora eram adultos, e nada lhe parecia mais injusto naquele momento do que aquele contraste.
Oh eu sou só uma amiga
Isso é tudo que sempre fui
Porque você não me conhece...
Mmm...
- Potter. – Uma voz cansada se fez ouvir, e Harry fitou seu dono. – Dê um jeito de se livrar dessa música, eu fico com ela.
Os olhos verdes arregalaram-se com a surpresa, e então eles pararam de dançar. Hermione parecia adormecida, ou numa espécie de torpor.
- Estou falando sério, quem foi o imbecil que escolheu essa maldita música? Deixe-a comigo, e dê um jeito nisso. – Por favor, quase sentiu seus lábios completarem. Harry pareceu compreender a urgência que ele exibia no olhar, e entregou, ainda receoso, Hermione nos braços de Malfoy.
- Certo... Eu vou... vou dar um jeito de acabar com isso. – Saiu, decidido, na direção do palco.
Draco apenas segurou a jovem pela cintura, no início, mas assim que sentiu seu corpo tremer devido aos soluços, achou melhor passar um pouco mais de segurança, e a abraçou. Instantes depois, sentiu o tecido de sua camisa grudar na pele, molhado. Levou uma das mãos até os cabelos dela, como havia acabado de ver Harry fazer, enquanto a outra mão segurava-a firmemente pela cintura, puxando-a para perto.
- Granger...? – chamou baixinho, incerto se a jovem o ouvia ou não.
Eu nunca soube o que é fazer amor
Mesmo que meu coração doa de amor...
Sentiu, mais uma vez, o frágil corpo em seus braços tremer com os soluços, e teve certeza que aquela música não estava fazendo nada bem. Nem a música nem a champanhe...
- Não é o Harry... não é? – ela perguntou, enquanto fungava. Draco soltou o ar que estivera prendendo em seus pulmões, em alívio. Temera que, quando descobrisse que ele não era Potter, ela chorasse ainda mais, ou fizesse algum tipo de confusão. Não pela confusão em si, pensou, mas ela está todo esse tempo tentando manter as aparências...
- Não. Mas ele já está providenciando que você fique...hm.. melhor. – Não sabia o que dizer, nunca havia confortado uma garota antes, muito menos aquela garota. Sentiu-a assentir com a cabeça, e enterrar mais o rosto na curva de seu pescoço. E então não sentiu mais seu corpo estremecer.
Assustada e tímida
Deixei minha chance escapar
Chance de você me amar também...
Mmm...
Ginny observava tudo da mesa, com um pequeno sorriso nos lábios. Não podia sequer imaginar que Malfoy possuía um lado sensível o suficiente para notar a tristeza de sua amiga, e tentar confortá-la. Apesar de adultos, eles ainda possuíam, em algum lugar, algum traço daquelas crianças que se odiavam tanto.
Draco dava pequenos passos de um lado para o outro, lentamente, embalando Hermione em seus braços. Já podia sentir que a jovem adormecera.
Enquanto isso, viu Potter aproximar-se receosamente do jovem casal Weasley, conversando algo rapidamente com a noiva. Ela sorriu, compreensiva, e assentiu com a cabeça. Harry, então, dirigiu-se até o palco, desviando dos outros casais que dançavam, alcançando um dos responsáveis pela banda.
Você me dá sua mão
E então me diz 'adeus'
Vejo você se afastar
Ao lado da pessoa sortuda
- Por favor, será que você pode trocar de música? – Harry pediu, enquanto o homem o observava desconfiado. – É sério, parece que era a favorita de algum parente da noiva que faleceu recentemente, e...
O homem mudou completamente a expressão, e assentiu com a cabeça como se obedecesse a uma ordem óbvia. Subiu rapidamente no palco pela lateral, e murmurou algo no ouvido do baterista, que não estava participando da música. Ele fez uma expressão assustada, passando rapidamente a mão pelos cabelos, e levantou-se, indo até a cantora.
Oh você nunca saberá
Quem é a pessoa que te ama tanto
Porque você não me conhece...
Em apenas alguns segundos, a música foi interrompida, e a cantora anunciou que, por ser um dia tão feliz, agora cantaria algo mais apropriado para os casais ali presentes.
Draco suspirou aliviado, e viu Harry aproximar-se novamente de si.
- Ela dormiu, não é? – perguntou, tocando-a levemente no ombro. O loiro assentiu, ainda segurando-a firmemente. De alguma forma desconhecida e inusitada, sentia que a jovem mulher era, agora, sua responsabilidade.
Ginny aproximou-se deles, trazendo nas mãos a bolsa, luvas e sandálias de Hermione.
- Acho sinceramente melhor levá-la para casa, Harry – Ele assentiu, com a intenção de aproximar-se da amiga. Draco, no entanto, deu um passo para trás.
- Vocês são os padrinhos do noivo, isso não faz sentido. – Apanhou, com uma das mãos, os objetos que Ginny segurava. – Eu posso levá-la de carro, é mais seguro que aparatar...
Ginny sorriu, puxando levemente Harry pelo braço. Trazia consigo um guardanapo onde havia rabiscado o endereço de Hermione, seguindo sua intuição feminina, e entregou-o a Draco.
- Tudo bem... Mande-nos uma coruja depois, então. – Ela concordou, sob o olhar boquiaberto de Harry. – Cuide bem dela, ok?
Draco, então, ergueu-a em seus braços, e despediu-se dos dois com um aceno de cabeça.
Não precisou andar muito para alcançar o veículo negro e lustroso. Abriu a porta do passageiro e colocou-a sentada ali por um instante, enquanto deixava suas coisas no banco de trás. Afastou-se, não se dando por satisfeito. Aquela posição parecia demasiado desconfortável, e ela poderia acordar durante o trajeto. Decidiu-se por reclinar um pouco o banco. Aproximou-se, e esticou o braço para alcançar a pequena alavanca do lado oposto do banco. Enquanto ajustava a inclinação do banco, percebeu o quanto estava próximo da jovem, e um pequeno sorriso tomou conta de seus lábios quando notou que ela parecia calma. Tola, pensou, como pôde imaginar que conseguiria se sacrificar tanto?
(fim da cena)
Draco estava parado na porta do quarto de Hermione, refletindo sobre os últimos acontecimentos da madrugada. Seguiu o endereço no guardanapo que Weasley lhe entregara, e encontrou a chave do apartamento na pequena bolsa de Hermione. No instante seguinte, estava soltando seus cabelos caramelo dos diversos grampos que o prendiam, tirando a maquiagem com a ajuda de um algodão molhado, tirando o vestido e substituindo-o por uma camisa que encontrara pendurada atrás da porta, pendurando o vestido num cabide apropriado, colocando a jovem mulher na cama e cobrindo-a. E agora estava ali, fitando-a em seu sono tranqüilo e inabalável, antes de ter coragem o suficiente para apertar o interruptor e apagar a luz.
Andou pelo corredor do apartamento, e sentiu os primeiros raios do dia invadirem sua vista. Não podia dirigir até a mansão naquele estado, ou certamente provocaria um acidente. O mesmo aconteceria se tentasse aparatar. Fitou o pequeno sofá, convidativo, e então sentou-se. Talvez pudesse cochilar até que Granger acordasse, e então mandaria uma coruja para Potter.
Fechou os olhos, esperando que pudesse descansar, e que não a assustasse muito na manhã seguinte.
N/A: Ok, eu não terminei de escrever tudo, como havia prometido. Mas melhor começar a postar logo, afinal já tenho até o cap. 5. ) Aliás, preciso de incentivo para postar os próximos!
Obrigada desde já a quem está acompanhando, essa fic já é meu xodó...
D.
