Capítulo 2 - O Sinal Inesperado
Remus estava à mesa na cozinha dos Weasley junto com, Arthur, Tonks, Moody e Mundungus, tinham acabado de jantar e Molly acompanhava a pequena reunião de longe, isso vinha acontecendo desde a morte de Dumbledore, ela parecia preferir apenas escutar, não opinava em mais nada, mas Remus sabia que por dentro ela se corroia de ver sua família e as pessoas próximas sofrendo sem que ela pudesse fazer nada. E Remus se sentia da mesma forma. Desde a morte de Dumbledore, a comunidade bruxa parecia ter aceitado a derrota, a maioria tinha perdido a esperança na luta,os ânimos estavam caindo e o medo era a palavra de ordem. Mesmo os membros da Ordem pareciam ter sido derrotados antes mesmo da batalha.
-O que você acha, Remus? – perguntou uma voz suave a sua direita, despertando-o de suas divagações.
-Hã? Desculpe, eu me distrai.
-O que foi Remus? – perguntou Arthur verdadeiramente preocupado.
Molly parou de lavar a louça e virou-se para eles, como se esperando uma reação dele.
-Não foi nada, só estou um pouco cansado. – soltou um suspiro cansado antes de continuar – Mas então. Não estávamos falando do Harry?
-Bem... estávamos – começou Tonks.
-Estávamos falando que o garoto deve estar ainda muito abalado com tudo, afinal ele estava lá na hora em que o Snape matou Dumbledore. – disse Mundungus antes de soltar uma nuvem de fumaça e voltar a fumar seu cachimbo.
-Eu sempre desconfiei dele. – manifestou-se Moody – Uma vez comensal, sempre comensal.
-Ele parecia realmente se importar...
-Eu sei Molly, eu também me enganei – consolou-a Arthur, enquanto ela finalmente se sentava ao seu lado.
-E pobre do Harry. – continuou Molly a se lamentar.
-Mas ele já não é mais nenhuma criança.
-Por que diz isso Remus?
-Tonks, daqui a três dias ele vai ser maior de idade para a comunidade bruxa. E se vocês não perceberam a atitude dele, ele estava procurando se afastar pra que mais ninguém se machucasse.
-O Rony passou o verão inteiro escrevendo pra ele, mas ele nunca mais respondeu.
-Eu sei, Molly. E sei também ver o que não está escrito naquele minúsculo bilhete que ele me mandou como resposta. O Harry agora não quer mais ser apenas o menino-que-sobreviveu, ele quer entrar nessa guerra de verdade.
-Mas ele ainda é...
-Por favor, Molly – começou Arthur um pouco exasperado – Você precisa notar que todos eles cresceram, tanto o Harry, quanto o Rony e a Hermione, até a Gina, todo cresceram, ou melhor, foram forçados a crescer.
-Arthur, eu só quero protege-los, eu os amo.
-Ninguém duvida disso, Molly – consolou-a Tonks – Mas você precisa entender que, se nós não os colocarmos a par da situação, eles procurarão a verdade por si só. Dumbledore tinha entendido isso.
-Bem... – interrompeu Moody – Eu acho que o que precisamos definir aqui é sobre como trazer o Harry para a Toca.
-Mas isso só depois do aniversário dele. Foi a última ordem de Dumbledore. – atalhou Arthur.
-Certo. Eu acho que podemos intercepta-lo diretamente... quero dizer.. indo direto na casa dos trouxas e pegar o menino.
-Eu e a Tonks podemos fazer isso, enquanto você e o Mundungus podem ficar na retaguarda – dirigiu-se Remus a Moody.
-Eu sinto não poder acompanha-los, mas tenho que ir ao ministério.O Scrimgeour tá de olho em todo mundo, ele quer descobrir agora, mais do que nunca, sobre a Ordem e os planos de Dumbledore.
-Então, se já falamos tudo, me dêem licença porque hoje é meu dia de fazer ronda – declarou Moody. Mas esse mal se levantou quando batidas na janela foram ressoaram pela cozinha.
Molly levantou-se apressada e abriu a janela esperando ver uma coruja entrar, mas ao invés disso, um falcão negro voou para a mesa e pousou em frente a Remus que por um instante pareceu não acreditar no que via. Demorou um pouco para retirar o envelope que o falcão estendia, em sua pata, e mais alguns segundos se passaram enquanto ele lia o conteúdo do pergaminho.
-Remus, você está pálido. – preocupou-se Tonks – Tá tudo bem?
-É alguma coisa com o Harry? – indagou Molly em tom lamurioso.
-Não – respondeu depois de um tempo. – É de uma pessoa que eu não vejo há muito tempo. – disse isso tão baixo que até Tonks, que estava ao seu lado teve dificuldade para entender.
Mas de repente ele levantou-se em um pulo e começou a vestir seu paletó de tweed já um tanto surrado, indo em direção à porta murmurando desculpa a todos e saindo como um furacão sem dizer mais nada, deixando uma Tonks perdida. Estupefatos, todos pareceram acordar quando o falcão levantou vôo e saiu para noite pela janela.
