II.

Na manhã seguinte foram ao centro comercial mais próximo comprar algumas roupas. Uma das primeiras coisas que viram foi o Impala estacionado perto da Igreja, na rua principal. Fizeram compras rapidamente. Olivia estava com dores na coluna e no pescoço, resultado da noite passada no sofá. Planejavam inspecionar o local onde os restos da criatura haviam sido encontrados e verificar a existência de alguma coisa estranha. E em algum momento, dar uma boa olhada no quarto dos Winchester. Estavam tomando café, quando os irmãos entraram na lanchonete. Peter fez um sinal discreto, mas Olivia já havia visto os rapazes e acenado calorosamente.

"Podemos nos juntar a vocês?"-perguntou Dean.

"Claro, seria um prazer."- A voz de Olivia soava amigável.

Dean sentou perto de Olivia; Sam ao lado de Peter. Houve um silêncio momentâneo, logo depois rompido por Dean.

"Estão gostando do lugar?"

"Ainda não vimos quase nada. Peter e eu viemos fazer compras. "

Pairou um silêncio constrangedor. Então Dean perguntou diretamente:

"Há quanto tempo estão casados."

"Três anos."- responderam os dois.

"Legal. São de Nova Yorque?"

"Eu sou; ela é de Boston."

Olivia sentiu que eles deveriam retomar o controle da conversa. Como quem não quer nada, lançou a pergunta inocente:

"Vão almoçar aqui ou no hotel?"

Sam, que estivera calado, olhando para Olivia, finalmente entrou na conversa:

"Provavelmente vamos passar o dia na cidade. E vocês?"

Peter arranjou um pretexto.

"Estamos pensando em conhecer o lago. A Olivia quer tirar umas fotos."

"Ah,é um lugar bonito."

Minutos depois, o casal King saiu lanchonete. Foram para o local onde os restos da criatura tinham sido achados. Apesar de olharem tudo com bastante cuidado, não registraram nada de anormal. Peter cogitou a possibilidade de descobrirem outros restos com um aparelho detector de gases. Mas achava que no momento seria bom vigiar os irmãos para descobrir se a presença deles tinha relação com a criatura. De volta ao hotel, enquanto Olivia vigiava o estacionamento, Peter entrou no quarto dos rapazes para ver se achava algo significativo.

"E então?" –Olivia falou sem encarar diretamete Peter.

"Revistei o quarto. Nada de muito interessante: muitas revistas pornográficas, umas garrafas d'água escondidas debaixo da cama, um monte de roupa espalhada, garrafas de cerveja, pacotes de batatas fritas e sal grosso. A arrumadeira deve ficar louca. Encontrei ainda uma mala velha com uns pós e substâncias de aparência repugnante - tirei amostras para serem analisadas- e alguns utensílios de prata escurecida. Nada de muito esclarecedor."

"Que tipo de utensílos"

"Facas, crucifixos e uns pedaços irregulares de prata. Eu diria que são balas de confecção caseira. Daquelas que em filmes utilizamos para matar lobisomens."

"Seria ótimo revistar o Impala. O que esconderá aquela mala?"

"Esqueça, Olivia. O Dean certamente vai notar se mexermos no carro."


Desta vez Peter se arrumou primeiro e ficou esperando Olivia. Quando ela saiu totalmente vestida do banheiro. Ele engoliu seco. Ela havia caprichado. Usava um vestido de crepe preto, curto, com uma gola alta. A parte de trás tinha uma fenda que descia do pescoço até a cintura.

"Já está pronta?"

"Vou calçar as sandálias e passar batom."

"Então ande logo."

Ela calçou as sandálias prateadas e passou uma leve camada de batom. Ficaram separados no elevador, mas na hora de entrar no restaurante, Peter pegou sua mão e armou seu melhor sorriso. Dean e Sam já estavam lá.

Dean olhou-a da cabeça aos pés, com aprovação. Sam abriu um sorriso cândido. Ambos se levantaram quando o casal se aproximou.

"Vão nos acompanhar?"

"Vamos, Peter?"

"Tudo bem."

Peter não tirava os olhos de Sam que ainda sorria para Olivia. Voltando-se para Dean, perguntou:

"Onde comprou aquele Impala? É maravilhoso"

"Herança de família. Depois do jantar quer dar uma olhada de perto?"

"Com certeza."


Sam e Olivia caminharam pelo jardim do hotel enquanto Dean 'apresentava' Peter ao Impala. Sentaram-se em um banco de madeira, bem na orla do bosque. Olivia parecia estar com frio. O vestido preto apesar de bonito, não aquecia. Sam, tirou o próprio casaco e gentilmente o colocou nos ombros dela. Ela deu um sorriso melancólico. Sam não conseguiu se conter e acabou falando:

"Não quero parecer intrometido, mas ... bom... o você e o seu marido, não sei bem como dizer.."

"O casamento não anda bem bem. Nós viajamos juntos para ver se a situação melhorava."

"Pelo menos ele se preocupa com você."

"Não é um grande consolo. "

"Qual é o problema?"

Olivia sem querer falou o que sentia:

"Sabe, eu não me sinto realmente segura sobre o que ele sente. Ele não age como se me quisesse de verdade."

"Não sei,não. Talvez seja o jeito dele. "

Chegou a cabeça bem perto do rosto de Olivia e de repente colocou o braço nos ombros dela. Apesar de espantada ela não o repeliu. Sentiu que ele estava sendo gentil. E afetuoso.

"No final tudo dá certo."

"Tomara, Sam."

Ela sentia paz, conforto ao lado dele. Deitou a cabeça em seu ombro. Sam sentiu o perfume de seu cabelo. Ela parecia um anjo. Um anjo de verdade. E ele gostava quando ela falava seu nome. O ouvido afiado de Sam ouviu o barulho de pés no cascalho. A pessoa havia parado. Sam aproximou os lábios do ouvido dela e disse:

"Creio que seu marido está parado, aí atrás."

A pessoa intensificou o barulho. Os dois voltaram a cabeça e viram Peter que se encaminhava na direção deles com uma cara séria. Sam tirou o braço e falou calmamente.

"Já de volta, King! Veio se juntar a nós?"

Peter fuzilou-o com o olhar.

"Vim buscar a Olivia. Nosso primo Phillip já ligou duas vezes e não conseguiu falar com ela."

"Eu não trouxe o celular. Devo ter deixado no quarto."

"Devolva o casaco do rapaz, Olivia. Vista o meu."

"Absolutamente, King. Amanhã a Olivia me devolve."

"Boa noite, Sam. E obrigada pelo passeio."


Peter Bishop estava muito contrariado.

"Olivia, esse Sammy é muito esquisito. Fiquei preocupado em deixar dois vocês sozinhos."

"Não exagere. É só um garoto."

"Garoto? É homem feito. Deve ter pelo menos uns 27 anos."

" E o Impala? Afinal, o Dean abriu a mala?"

"Abriu. Só tralha. Livros velhos, ferramentas, mais sal grosso. Nenhum corpo, com certeza."

"Para que querem tanto sal grosso?" - indagou Olivia.


Ela entrou no banheiro e trocou o vestido preto por jeans, camiseta e tênis. Ele estava colocando lanternas em uma bolsa de lona. Ela checou as armas. Vestiram os casacos e apagaram as luzes. Desceram pela escada de serviço. Poucos minutos depois estavam dentro do bosque, na trilha que levava ao lago.