Oi! Muito obrigada pelas Reviews, fiquei muito feliz em saber que vocês gostaram do começo. Continuem mandando, é sempre bom saber o que vocês acham! Demorei mas aqui está o segundo capítulo, escrevi e reescrevi varias vezes até chegar a algo que eu tenha gostado e espero que gostem também!



Capítulo 2

- Tu vives, amas e arriscas. Se não arriscares, jamais saberás o que é viver amando. -

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Comeram a pizza em pleno silêncio, trocando apenas alguns olhares que, por incrível que pareça, se mostravam um pouco constrangidos. Eles já se conheciam, pois já eram amantes, sabiam que tinham "química", mas, se fossem levar em consideração a intimidade de um casamento, eram dois completos estranhos. Kagome tentava pensar em uma solução que não repercutisse em outra grande manchete para os tablóides e Inuyasha fazia o máximo de esforço para conseguir pensar em algo. Era difícil resistir a sua nova mulher, desde o primeiro momento que ele a viu no saguão do hotel, ela lhe chamou a atenção.

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Fazer o check-in em hotéis nunca era uma coisa muito agradável quando estava lotado, e Inuyasha já estava ficando impaciente. Seu amigo, Miroku já tinha desistido, ele nunca ficava estressado; ao menor indício de aborrecimento ele ia dar uma volta, para "apreciar a beleza feminina".

Devido a um erro estúpido no sistema, sua reunião com os acionistas poderia não acontecer. Ele havia planejado tudo meticulosamente para que sua estréia nos negócios da família fosse um grande e bem sucedido acontecimento, mas já começara mal. Sua estratégia de levar todos os 9 principais acionistas para uma pequena exibição de 3 dias em um novo hotel-cassino de Las Vegas, consistia em mostrar o quanto as pessoas poderiam ser facilmente atraídas pelo o que era novidade e apresentava propostas novas também. Inuyasha acreditava piamente que seu irmão era uma pessoa extremamente monótona e isso se refletia em seus negócios, então, quando assumiu o lugar dele nos EUA queria mudar tudo, deixar atraente e sem perder a eficiência.

A demora da recepcionista para resolver seu problema estava o deixando inquieto, tanto que começou a passar os olhos à sua volta, sem dar muita importância, procurando algo para se distrair, talvez a tática de Miroku desse mesmo certo. Infelizmente não encontrou mais do que empresários gordos tomando bebidas caras e falando sobre a bolsa de valores e suas secretárias que provavelmente tinham idade para ser suas filhas. Vasculhando o saguão então com atenção, o achou impressionante, a decoração tinha cores fortes como vermelho e azul marinho, mas que combinavam perfeitamente com tons bem mais suaves. Identificou o corredor que levava para o cassino e sentiu um forte desejo de fazer uma jogada, apenas uma enquanto seu problema era resolvido, mas mandou para longe esses pensamentos tentadores e continuou olhando em volta.

Seus olhos se fixaram em duas lindas mulheres que destoavam do resto. Uma com o rosto delicado e incisivo ao mesmo tempo, os cabelos caiam lisos abaixo do ombro, mas tinham um movimento incrível, pareciam combinar perfeitamente com ela. Sem demora, quem estava ao seu lado lhe chamou mais atenção. Ela era linda, uma morena de tirar o fôlego que era mais alta que a outra, talvez uns 10 centímetros, mas mesmo assim usava saltos altos finíssimos que deixavam suas pernas mais esguias e faziam com que quisesse olhar mais, o corpo inteiro. Ela não tinha defeitos, ao longe parecia uma miragem e quando sorriu abertamente, ele soube que aquela miragem sabia muito bem usar tudo o que tinha ao seu favor para deixar qualquer um caído aos seus pés.

Por pura curiosidade ele avaliou o homem que acompanhava aquelas duas, uma vez e então duas vezes, só para ter certeza que sua mente não estava lhe pregando uma peça. Era Miroku. Aquele desgraçado tinha a atenção das duas mulheres mais lindas que já vira só para ele, e nem se preocupava em dividir com seu grande amigo que estava a ponto de se afogar em litros de wisky se seus planos para a reunião não dessem certo.

Com uma rápida olhada para o balcão em que estava apoiado, constatou que a recepcionista, a qual estava tentando resolver seu problema, agora conversava com quem parecia ser seu superior. E pelas expressões nos rostos deles, ele ainda teria que esperar muito, então não via problema algum em desfrutar da companhia de seu melhor amigo e suas duas "futuras melhores amigas". Passos largos e decididos foram dados até que se viu ao lado do homem de cabelos castanhos escuros, um pouco longos, que tinha como um irmão. As duas mulheres que o acompanhavam lhe dirigiram o olhar rapidamente o que fez o próprio Miroku se virar para constatar que havia alguém ao seu lado.

- Conseguiu resolver tudo? – por um breve momento ele focou seu pensamento em outra coisa alem das duas lindas mulheres que o inebriavam completamente.

- Não. – Colocou as mãos nos bolsos, da calça jeans escura e voltou sua atenção para as outras duas. – Acho que não fomos apresentados ainda, sou Inuyasha, muito prazer. – ele sorriu levemente para ela, tornando sua introdução mais amigável.

- É um prazer conhece-lo, me chamo Sango – ela também sorriu - e essa é minha amiga, Kagome.

A morena apenas lhe dirigiu um breve acendo com a cabeça e um sorriso no canto dos lábios. Ela mantinha sua pose elegante, mas não prepotente, e os braços cruzados sobre o peito lhe davam a impressão de que não estava à vontade.

- Estava falando para Sango que seria ótimo ter a companhia delas para o jantar, não é mesmo Inuyasha?

- Claro. – Miroku não a conhece de hoje, ponderou ele. O fato de ele a tratar por Sango apenas, sem nenhum "Senhorita" ou sobrenome acompanhando o chamado, demonstrava certo grau de intimidade, o qual ele suspeitava ser bem elevado. – Vocês ficarão para o final de semana?

- O plano é esse. – A bela de nome Kagome lhe respondeu, dando a ele o privilégio de ter seus lindos olhos azuis acinzentados focados apenas nele. – Acho que nos vemos essa noite então. Vamos subir Sango? Ainda há coisas para fazer.

Antes que ela pudesse responder Kagome já caminhava em direção aos elevadores, o que tornou a despedida muito curta, apenas um "até mais" muito breve. Um tanto rude sua atitude, Inuyasha pensou, mas logo se distraiu com seu amigo que ainda olhava para as portas do elevador que tinham acabado de se fechar, e pela sua expressão ele ainda parecia ver Sango a sua frente. Estava completamente hipnotizado por ela.

- Vamos lá, Dom Juan, também temos coisas a fazer – Despertou Miroku de seu encantamento com um, pouco sutil, tapinha no ombro. Enquanto ele recobrava a compostura, Inu ria, sempre com as mãos enterradas nos bolsos, e já voltava para o balcão da recepção onde esperava que seu problema com as reservas já tivesse sido resolvido.

Depois das 6 horas da tarde, Inuyasha passou a olhar para seu relógio de pulso constantemente. Não estava confortável sentado na grande cadeira principal da sala de reuniões e apesar de estar habituado com o traje formal, não via a hora de se livrar da gravata de linho cinza que lhe apertava a garganta. Estava começando a achar que seu lugar não era aquele, sua força de vontade e a ânsia de um jovem para superar um novo desafio, estavam enfraquecendo. Agora ele via que sua vida era fácil demais, o problema com mulheres não eram nada perto da queda da bolsa de valores e uma festa exigia o mínimo de esforço perto de uma reunião. Isso porque estava no cargo havia penas duas semanas.

Seis e meia, seu relógio marcava. Deveria se encontrar com Miroku às 7, já que jantariam com Sango e Kagome. Ele mal podia esperar para isso, tanto que sua mente não conseguia focar-se nas inúmeras reclamações que seus colegas proferiam.

- Você tem certeza que tem capacidade para cumprir tudo o que sugeriu? – Um senhor de formas avantajadas e cabelos brancos, dirigiu a indagação com ferocidade para Inuyasha, esperando, claro, que ele respondesse "não".

- Sim, Arthur – sem dar muita importância para o que ele falava, ele respondeu automaticamente: - O modo como meu pai e irmão comandam os negócios, é, com certeza, muito eficiente. Porém, receio que eu não me enquadre ao método deles. Então, depois de algumas pesquisas e análises, surgiram essas propostas, se me deixarem explicar, posso lhes assegurar que não são absurdas.

Os nove homens se entreolharam visivelmente preocupados e inseguros. Até Kouga, quem deveria ser seu braço direito, tinha uma grande dúvida evidente em sua expressão. Pouco me importa, pensou Inuyasha, se quiserem, podem me tirar dessa cadeira em um segundo. Continuou a encará-los de forma relaxada, sua postura não era de um grande executivo ou de uma ameaça para eles, queria apenas ser um deles, talvez seus ombros tivessem relaxados de mais, e em seu rosto poderiam perfeitamente ver que não havia vontade alguma da parte dele de estender aquela reunião.

- Estamos ouvindo. – curto e objetivo, Miuga se pronunciou pela primeira vez. Ele fora, e sempre seria, o braço direito e esquerdo de seu pai, quando mais novo Inuyasha costumava chamá-lo de "tio Miuga", mas agora ele o desafiava como um inimigo. E isso o fez reagir.

O olhar que Miuga sustentava do outro lado da longa mesa retangular, fez com que ele buscasse suas ultimas forças e a postura displicente, quase de um menino mimado, evoluísse para algo completamente diferente. Se olhe olhasse no espelho agora, veria seu irmão, sempre serio e analítico, devido à tamanha semelhança na atitude daquele momento.

Ele se levantou decidido, já que estava ali, que fizesse tudo do jeito mais convincente possível.

- Começaremos reduzindo os juros para empréstimos, sei que temos um dos juros mais baixos do mercado, mas com os investimentos certos podemos reduzir ainda mais, e aumentar nossos lucros.

Ele destrinchou sua lista de planos mais uma vez, explicando tudo e automaticamente rebatendo qualquer dúvida ou empecilho que eles poderiam vir a expor. Realmente não esperava que concordassem com tudo, mas que pelo menos lhe deixassem colocar em prática as mudanças mais significativas. Era obvio que queria arriscar muito mais do que qualquer um que já tivesse passado por aquele posto, mas se as coisas dessem certas - e ele acredita que dariam, - por mérito dele aconteceriam melhorias muito significativas. E o reconhecimento conseqüente de tudo isso, seria impagável, finalmente ele provaria que não era apenas um playboy de 28 anos que só pensava em mulheres e gastar dinheiro.

Ao final, por mais que tivessem escutado sem dar uma palavra, os acionistas, em especial Miuga, fez com que ele se sentasse em seu lugar e escutasse todas as objeções deles. Boa parte do plano dele foi acatada, porém a parte que foi descartada era essencial, então ele pensava em uma maneira de fazer com que a aceitassem. No momento ele se encontrava já fora da sala de reuniões e completamente mudado. Agora mais relaxado ele esperava o elevador que o levaria para o restaurante onde já deveria ter encontrado seus amigos a mais de uma hora. Suas roupas foram substituídas por uma calça jeans escura e uma camisa branca, seus cabelos negros ainda estavam úmidos do banho que tomara depois da reunião, sua aparência estava renovada mas seus pensamentos ainda passeavam pelas falas dos acionistas.

Ele disse a si mesmo, que no momento que colocasse os pés para fora daquela sala, ele não pensaria mais em negócios. No começo ele achou fácil fazer isso, mas à medida que foi se envolvendo com os problemas e os desafios que sua presença representava ali, sua mente ficou vinculada ao trabalho Ele não via a hora de superar todos os empecilhos.

Inuyasha parou de caminhar por um momento, assustado ao constatar o que se passava pela sua mente, nunca achou que seria difícil esquecer de tudo e fazer o que sabia fazer de melhor, aproveitar um bom descanso. Estava ficando como seu irmão e isso lhe dava muito medo. Mas ordenou que expulsasse todos esses pensamentos que o perturbavam e aproveitasse, afinal a entrada do restaurante do hotel estava a poucos passos.

A alta porta dupla era de uma charmosa madeira escura trabalhada e pela entrada já poderia ter uma idéia das cores quentes que se espalhavam por todo o lugar, proporcionando um ambiente intimo e aconchegante. Surpreendeu-se ao se deparar com um bar logo ao centro, a estrutura elegante era imponente, o balcão devia ter vários metros e bancos altos estavam dispostos em todo seu comprimento. Atrás as bebidas estavam todas expostas e eficientes barman's preparavam os drinks. O salão era oval tinha o requinte do século passado com cortinas pesadas de veludo vermelho e mobiliário em madeira escura. Tudo era impecável, mas não se parecia com o bistrô que o hotel disse que possuía.

Bistrô ou não ele não se importava, Kagome estava lá, usando um vestido preto que a valorizava em todos os aspectos. Mas estava sozinha, sem Miroku ou Sango por perto, o que era estranho. Aproximou-se calmamente dela, ela bebia uma taça de Martini então demorou para notá-lo e quando o fez, sorriu, o que o encorajou mais ainda a se colocar ao lado dela.

- Boa Noite – ela saudou, sempre sorrindo.

Antes que ela se levantasse, ele a impediu, cumprimentando-a ali mesmo.

- Oi – simples, mas cavalheiro ele retribuiu o sorriso, logo tomando um lugar ao lado dela. – Me desculpe pelo atraso, estive preso em uma reunião, mas avisei ao Miroku que poderiam começar sem mim.

- Sem problemas – ela largou sua taça sobre o balcão e passou a apenas analisa-lo

- Eles não deveriam estar com você? – Inuyasha olhou para seu rosto com atenção e não viu nenhum sinal de maquiagem alem de um batom muito suave nos lábios e um contorno nos olhos. De qualquer maneira não poderia estar mais linda.

- Sim, mas Miroku disse que este não era o lugar que planejava jantar. Então foram ao bistrô, usei a desculpa que esperaria você aqui para deixá-los sozinhos, há algum problema?

Como poderia haver algum problema quando tinha aquele par de olhos encantadoramente azuis em sua companhia?

- Não, claro que não – a resposta dele foi rápida demais, por isso respirou fundo antes de falar novamente – Fez bem em deixá-los sozinhos, só conheci a senhorita Sango hoje, mas tenho certeza que Miroku já a conhece há muito mais tempo. – riu rapidamente com ela. Os dos pareiam saber que havia mais entre os dois.

- É Inuyasha, não? – quando ele assentiu, ela continuo – Me desculpe pela minha pressa essa manhã, não queria passar por antipática mas acho que acabei passando justamente isso.

- Não se preocupe com isso, contanto que me desculpe por ter chegado atrasado estamos bem. – Ele sorriu e ela também, pediu um wisky, desviando sua atenção dela por um momento e quando voltou a ela, deparou-se com uma expressão mais aliviada

- Meus planos para um final de semana em Las Vegas, não incluíam ninguém alem de nós duas. Minha amiga esqueceu de me avisar que estava aqui por causa de seu novo affair, enquanto eu apenas vim descansar da loucura de Nova York.

- Então somos dois que desconheciam isto. – ele ergueu o copo que foi lhe entregue a pouco para brindar com ela, mostrando-se iguais.

Enquanto bebia para consumar o brinde, continuava a olhá-la sobre a borda do copo de cristal e ela fazia o mesmo.

Talvez ele não houvesse ido até Las Vegas por nenhum caso romântico, mas talvez pudesse acidentalmente se envolver em um.

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No momento em que se conheceram, soube que faria de tudo para ter a companhia daquela bela mulher durante o final de semana. E mesmo tendo outras preocupações circundando sua cabeça, ele teve êxito em sua conquista, o que lhe proporcionou o prazer de conhecer uma mulher inigualável. Mas jamais pensara ter que partilhar daquela situação uma tanto quanto constrangedora, e muito irresponsável com qualquer outra mulher, e principalmente Kagome.

Temia que tudo o que tivesse conquistado até aquele momento fosse posto a perder. Sua cabeça girava devido aos enormes problemas, e por mais que a televisão estivesse ligada em um canal de noticias, que por sinal ele deveria estar assistindo, nada parecia tomar sua concentração.

Kagome tinha suas próprias preocupações. Odiava escândalos que envolviam eu nome ou o de sua família, recentemente havia passado por um, e não desejava experimentar tudo novamente. Se o casamento havia sido um erro, o qual os dois eram culpados, eles deveriam arcar com as consequências, mas deveria haver um modo de amenizá-las, ou pelo menos escondê-las do resto do mundo.

Já poderia até ver as manchetes : Higurashi e Taisho unem-se em uma noite de loucuras em Las Vegas.

Isso acabaria com ela.

Inuyasha se levantou deixando seu almoço quase intocado sobre o prato, estava visivelmente apreensivo quando se dirigiu ao quarto sem pronunciar uma palavra se quer. Ela entendia que as conseqüências para ele eram piores, mas se pelo menos eles tivesse coragem de oferecer ajuda um ao outro, de dirigir-lhe a palavra, talvez tudo fosse mais fácil; ela pensou.

- Onde você vai? – sua personalidade impulsiva falou mais alto, quando o viu ir em direção à porta minutos depois, completamente vestido dessa vez, com jeans, camiseta e um tênis. Esportivo mas sexy como sempre.

- Miroku ligou e eu pedi que me encontrasse no bar para uma conversa. – Ele virou para lhe dirigir a palavra automaticamente, já que a educação que recebera lhe ensinara que nunca se deve dar as costas para uma dama ou deixá-la falando sozinha.

- Então vou com você. – ela se levantou do sofá prontamente, deixando seu almoço de lado. – Se é para tratar do que aconteceu ontem à noite, tenho o direito de saber e mais ainda, podemos nos ajudar.

Havia como dizer "não"? ele se perguntou. Ela estava certa, um não sairia dessa situação sem o outro e ela também tinha de que saber qualquer que fosse a decisão que ele tomaria

- Certo, podemos ir ?

- Só um minuto. – Ela correu para o quarto e em questão de minutos mesmo, ela voltou - o que ele não esperava já que ela era uma mulher, e mulheres tem mania de pensar que minutos são horas -, seu cabelo estava solto e disciplinado novamente, e ela calçava sandálias baixas.

Deduzindo que estava pronta, ele abriu a porta para ela saindo logo em seguida. No elevador, o silencio absoluto entre os dois voltou a reinar, e quando chegaram ao andar de destino caminharam lado a lado até o bar, nada de intimidade, mãos bem longe - as dele enterradas nos bolsos da calça enquanto ela mantinha os braços cruzados sobre o peito -, e olhares vazios. Uma cena nada agradável de se ver.

Em uma das poucas mesas redondas e pequenas, espalhadas pelo bar, miroku estava esperando-os. Com a cabeça baixa, lia um jornal atentamente, e só percebeu a presença dos dois quando eles já estavam bem à sua frente.

- Oi – levantou –se para receber eles e quando eles sentaram, fez o mesmo.

Ele provavelmente estava sobre o efeito de analgésicos também, mas seu rosto transparecia uma preocupação e seriedade que Kagome jamais pensou que veria naquele homem tão tranqüilo.

- Sango ficou dormindo. – Ele logo informou a Kagome, sem precisar que ela perguntasse. Ela se sentiu grata, por isso um pequeno sorriso lhe apareceu no canto dos lábios, agradecendo-o.

Inuyasha estava alheio a breve demonstração de gentileza dos dois. Como havia sentado ao lado de seu amigo, ele esticou o pescoço para ver o que ele lia. Era a matéria do NY Post, onde os grandes protagonistas eram eles.

- Pedi que entregassem um hoje pela manhã, junto com meu almoço. Fiquei sabendo algums minutos antes de você me ligar, Miuga me acordou para lançar a bomba. – ele comentou ao ver que Inuyasha olhava para o jornal à sua frente e entregou a ele – pode ler, estava lendo pela décima vez já.

Miroku riu sem humor, e todos ficaram em silencio. Kagome estava querendo se esconder em algum lugar, ou simplesmente sumir dali, ela tinha fama de conseguir superar tudo, mas nunca pensou que um dia passaria por isso. Quando falava-se em casamento, sonhava com amor, alguém que já conhecia a anos e que um dia, lhe pediria sua mão fazendo uma surpresa muito romântica. Ela poderia ser pratica, mas ainda gostava de muitas coisas à moda antiga.

- Parece que seu pai já sabe, meu amigo, por isso Miuga ligou. Ele não conseguiu falar com você, então ligou pra mim.

- Eu acordei com a ligação da minha mãe, segundo ela, já era a 3ª vez que tentava ligar. – explicou sem saber ao certo o que estava falando, pois sua atenção estava completamente tomada pelo o que lia.

Ao terminar deixou de lado aquele pedaço inútil de papel, ainda mais determinado a tomar uma atitude, independente de qual fosse.

- Tem alguma idéia de o que podemos fazer? – Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa, perguntando a Miroku. O dourado de seus olhos estava mais intenso, muito mais profundo.

- Eu encontrei a certidão de casamento entre algumas... coisas, esta manhã. Analisei todas as linhas mais de 5 vezes, não me pareceu haver nenhuma falha. Vocês estão mesmo casados. – Pronunciou a ultima frase em tom mais baixo porque começara a perceber olhares curiosos a sua volta. Claro, todos já deveriam saber o que o jornal havia anunciado.

- Uma anulação, não é possível?

- O fato é que a confusão já está armada. Quando Miuga me ligou, não parecia nada contente com tudo isso, e pelo o que eu entendi, seus pais também não.

- Disso eu tenho certeza! – sua voz demonstrava puro sarcasmo.

- Como eu estava dizendo, - ele continuou ignorando o amigo – os acionistas duvidam da sua capacidade e responsabilidade para assumir um cargo como esse. Sejamos sinceros, você não é o favorito deles, com mais essa, acho que você corre um serio risco de perder eu cargo para o Kouga.

Inuyasha começou a ficar realmente nervoso, suas mãos começaram a suar e seus olhos se perderam olhando para o nada. Talvez fosse melhor mesmo que ele não lavasse isso até o fim... O que estava pensando? Já não era só uma questão de cumprir o que prometera ao seu pai, ele estava realmente se envolvendo com tudo aquilo, queria chegar até o final, ver tudo o que poderia fazer, tudo o que poderia melhorar. Não deixaria que Kouga, tomasse seu lugar ou até mesmo Sesshoumaru. Se ao menos houvesse uma maneira de esconder algumas coisas...

- Inuyasha – Kagome o chamou, despertando-o de seu transe quando colocou a mão sobre a coxa dele para lhe chamar a atenção.

Ele olhou pra ela no mesmo instante e infelizmente se deparou com uma espécie de medo em seus olhos, como queria que ela não tivesse que passar por nada disso!

- Talvez, eu possa ajudar. Poderíamos anular o casamento, mas o escândalo seria maior, e as conseqüências pra você, continuariam sendo terríveis, inu – ela olhava só pra ele, e miroku assistia aos dois, ansioso para saber qual a idéia dela, já que ela havia ficado calada desde o momento que sentou naquela cadeira.

- A culpa de tudo isso é tanto minha quanto sua, então acho que deveríamos resolver isso, juntos. Eu já passei por um divórcio e sei que, com as medidas certas ele pode ser muito discreto, então, poderíamos esperar algum tempo e entrar com um pedido de divórcio, como duas pessoas responsáveis que descobriram que o casamento não era para elas.

- Mas o que farão nesse meio tempo? – Miroku indagou interessado.

- Nos comportaremos como um casal normal, no que resta desse final de semana e por algum tempo. Não precisamos nos mostrar completamente apaixonados, só nos comportar como se nada disso tivesse sido um engano.

Ela defendeu sua alternativa, por mais que não gostasse realmente dela. Naquele momento tinha que ser prática.

- O que você acha, Inu? – Miroku se intrometeu, já que Kagome não fizera a pergunta.

Ele não estava em seu juízo perfeito, será que estaria mesmo cogitando a possibilidade de concordar com aquela idéia maluca? Não saberia enganar a seus pais, os empresários, seu irmão... Isso só complicaria as coisas mais ainda quando todos descobrissem que tudo não passava de uma farsa. Estava ficando apavorado, e seus grandes olhos dourados refletiam isso.

- É muito arriscado, se alguém descobrir tudo, será pior.

- Quem poderia descobrir? Só quem sabe da verdadeira história somos eu, você, Kagome e Sango. – O modo de falar do homem de cabelos castanhos alterou-se para a persuasão – Pense Inuyasha! Podemos dizer que vocês já se conheceram, através de mim e da sango, e resolveram se casar nesse final de semana pois não conseguiam ficar longe um do outro, ou qualquer besteira do gênero! Não é completamente mentira, só vamos aumentar as coisas um pouquinho, distorcer a verdade a nosso favor.

Ainda pouco convencido ele fez a pergunta mais importante

- O que você ganha com isso, Kagome? Aposto que isso não era seu sonho de um casamento perfeito... – Ele esqueceu que Miroku estava ali naquele momento, e evidenciou Kagome.

- Acredite, não era, mas aconteceu, então temos que lidar com isso, Inuyasha – Ela colocou a mão sobre o braço dele, tentando lhe passar confiança. - Eu só quero uma solução que não gere outra manchete escandalosa, e que nós dois possamos tirar proveito disso. Para mim, não há problema quanto a isso, se nós dois fizermos nossa parte, ficará tudo bem.

Quando aqueles olhos azuis encararam o seus, ele não teve dúvida que ela tinha medo do que vinha pela frente, mas estava segura de sua decisão.

Pelo rápido instante que analisou tudo, mesmo que sua consciência lhe dissesse ao contrário, ele tomou sua decisão.

- Tudo bem, vamos fazer isso. - Ele não sabia ao certo no que estava se metendo, mas lhe pareceu certo concordar com aquilo no momento.

Hoje ele tivera a prova irrefutável de que Kagome Higurashi era uma mulher única, nenhuma que estivesse naquela mesma situação, se comportaria como ela. De certa forma, ele estava ansioso para descobrir o que aconteceria nesse tempo que ficariam casados.

Sabia que ainda se surpreenderia muito com ela.