Mãe? – Lily sacudiu, delicadamente, Gina. – Mãe? Acorda!

Hum? Lily? Que foi? – Gina se virou, sonolenta, assustada com a urgência da filha em acordá-la.

Já são 10 horas! Nós não íamos ao shopping para escolher seu vestido de noiva? – ela perguntou, aflita.

Lily, o shopping vai ficar aberto o dia inteiro e nós ainda podemos ir outro dia. – ela explicou e virou-se de lado para voltar a dormir.

Mas, mãe! Dia de semana você diz que não tem tempo e de domingo nem todas as lojas abrem! Temos que ir hoje! – ela insistiu.

A loja de vestidos abre de domingo, não se preocupe. – disse, indiferente.

Mas a loja de bonecas não! – ela bateu o pé.

Eu sabia! – Gina sentou-se na cama, indignada. – Sabia que todo esse interesse não era por causa do meu casamento. – cruzou os braços, brava.

Claro que não! – ela também cruzou os braços. – Ou melhor, talvez! Você podia ir a loja de bonecas comigo e conhecer o Josh! Quem sabe não se apaixona a primeira vista por ele e desiste do Malfoy. – ela fez uma careta ao pronunciar o nome do futuro padrasto.

Não diga besteiras, Lily! – Gina levantou-se, vestiu o hobbe e entrou no banheiro.

Sabe? Eu achei o Josh parecido com o papai. – ela se jogou na cama da mãe e ficou falando enquanto Gina lavava o rosto.

Você acha qualquer homem da minha idade, exceto o Draco, parecido com o seu pai, Lily. Pelo menos desde que eu fiquei noiva. – concluiu.

Mas ele é parecido mesmo, mãe! Tem até olhos verdes, mas não usa óculos. – insistiu.

Dezenas de homens têm os olhos verdes, Lily. – ela saiu do banheiro e fez sinal para que a filha a seguisse.

Não como os do papai! Você mesma diz isso!

Chega, Lily! – Gina pediu. – Eu não escolho com quem sair por ser parecido com Harry ou não! E eu não vou desistir do meu casamento com o Draco só porque seu tio encheu sua cabeça contra ele!

Você quer dizer meus tios, não é? Nenhum deles gosta do Malfoy. Nem o papai gostava. Ele ficaria desapontado. – ela correu e tomou um lugar a mesa.

Agora chega! – Gina gritou. – Você está passando dos limites, mocinha! Se não quiser ficar de castigo é melhor não falar mais nesse assunto, ouviu bem?

Que droga, mãe! Eu não gosto do Malfoy e ele não gosta de mim! Não é justo!

Em primeiro lugar não fale desse jeito comigo, Lily Potter, em segundo lugar, é claro que o Draco gosta de você, e aposto como você vai acabar se acostumando com ele.

Duvido! – emburrou, desprezando as bolachas que surgiram em sua frente.

Não vou mais discutir com você. – Gina sentou também e enfeitiçou os utensílios para que as servissem.

Nós vamos ou não ao shopping? – perguntou, brava.

Vamos! – Gina respondeu. – Mas você vai ficar comigo na loja de vestidos. – mandou.

Ah, não, mãe! Dessa vez você vai saber onde eu estou!

Você também tem que escolher um vestido.

Mas depois que eu escolher eu vou visitar a loja do Josh!

Sr Josh, para você. Não gosto de toda essa intimidade!

Ahf! Ele é legal, mãe!

Você mal o conhece! Como sabe que ele não é um maníaco?

Maníaco?! – ela se assustou. – Sem problemas! Eu levo o bisbilhoscópio que o tio Rony deu para o papai e aí fico sabendo se ele é perigoso. – levantou-se entusiasmada e correu para o quarto.

Você não vai terminar seu café? – Gina gritou.

Já estou satisfeita! – ela rebateu.

hr

Ótimo! Ficou ótimo! – Lily repetiu pela décima vez em frente ao espelho da loja.

Não. – Gina falou, displicente. – Não gostei.

Mãe! Eu não agüento mais experimentar vestidos!

Sossegue, menina! É o meu casamento e você não vai nele de qualquer jeito só por que quer olhar umas bonecas. – falou.

Mas mãe...

Só mais este. Prometo que é o último.

Mas eu já experimentei este, mãe!

Mas eu não lembro direito como ficou. Quero ter certeza. – Gina insistiu.

Vai ser esse! – Lily se enfezou. – Ficou lindo. Agora tchau! – sem pensar duas vezes ela vestiu a roupa com que chegara ao shopping e saiu correndo da loja.

Mas que menina! – Gina reclamou.

Vai ser esse mesmo, sra? – a vendedora perguntou.

Hum... Vai. Pode separar. – ela suspirou. – Agora vou escolher o meu.

Por aqui, por favor. – a moça a guiou.

Lily sentia-se aliviada por ter se livrado da tarefa enfadonha de provar vestidos de dama-de-honra. Ainda no meio do caminho começou a ajeitar suas roupas, que ela havia vestido as pressas para se livrar da mãe. Não demorou para ela chegar a loja de bonecas de seu amigo.

45, 90, senhora.

Certo. Você pode embrulhar para presente, meu jovem?

Pois não. – Josh respondeu, sorridente.

Oi! – ela o cumprimentou, sorridente. Lembrou-se de prestar atenção a qualquer barulho que seu bisbilhoscópio pudesse fazer, mas ele continuava imóvel em sua bolsinha.

Lily! – ele se espantou. – O que faz aqui? – perguntou enquanto separava um laço que combinasse com o pacote da boneca.

O mesmo de sempre: esperando a mamãe escolher um vestido. – falou, aborrecida.

Aqui está, senhora. – ele entregou o pacote à cliente e recebeu o dinheiro. Assim que a mulher saiu, ele passou a frente do balcão para cumprimentar direito sua nova amiga. – Há quanto tempo!

Hum... Uma semana, não é? – ela sorriu e o abraçou.

É mesmo. – ele respondeu, sem graça com tamanha demonstração de carinho. – Para mim pareceu um tempão.

Para mim também. – ela respondeu.

Hoje você não veio vestida a caráter, hein? – ele puxou as mesmas duas cadeiras da outra vez e colocou-as na frente do balcão.

Não. – ela sorriu. – Escolhi de uma vez um das dezenas de vestidos que mamãe me fez experimentar e corri para cá.

E ela? Já escolheu um? – perguntou.

Que nada! – respondeu. – Mamãe não quer se casar. Toda noiva que se preze passa horas pensando no vestido e quando sai para comprar já tem na cabeça exatamente o que quer. Minha tia Hermione, por exemplo, quando foi casar com meu tio sabia exatamente como seria seu vestido.

Hermione? Que nome... Incomum.

Também acho, mas combina com ela.

Bom, algumas noivas são mais indecisas que as outras. – Josh respondeu, divertido.

Algumas noivas querem se casar, outras não!

Essa semana não serviu para te fazer sentir o mínimo de simpatia por seu futuro padrasto?

Eu nunca vou ter simpatia por ele, Josh! – ela falou, revoltada. – Mas eu tenho simpatia por você! – disparou.

Oh! Obrigado. Eu também tenho muita simpatia por você, Lily. – ele sorriu.

Eu não me importaria se você fosse meu padrasto, sabia? Falei ainda hoje para minha mãe que você se parece com o meu pai.

Como você sabe se não o conheceu?

Mas eu vi fotos dele.

Fotos de quando ele era criança? – perguntou. – Escute, é normal uma criança não aceitar bem quando sua mãe decide se casar de novo...

Não é esta a questão, Josh! Eu não me importaria de mamãe se casar de novo, desde que fosse com um cara legal e de quem ela realmente gostasse.

Por que ela se casaria com alguém de quem não gosta? – ele perguntou.

Para não chorar mais pelo meu pai! Só por isso! – ela respondeu de uma vez.

Ela...

Ainda chora por ele sim! – enfatizou. – Tudo bem ela sentir a morte dele, mas se estivesse apaixonada por esse Malfoy não choraria cada vez que visse uma foto, não?

Então você acha que sua mãe não está apaixonada?

Tenho certeza que não está! E vai ser uma besteira incrível se casar com ele!

Você já conversou isso com ela? Já falou a respeito sem falar mal desse tal Malfoy.

Hum... Não. Na verdade, cada vez que toco nesse assunto, acabo falando mal dele. Minha mãe diz que sou igualzinha ao meu pai: paranóica no que diz respeito ao Malfoy.

Que tal se você fosse sincera com ela? Por que não conta que sabe que ela chora quando está sozinha e a faz perceber que não ama esse cara?

Porque ela vai achar que é só implicância minha, mas se ela conhecesse alguém bem maneiro, aposto que desistiria de casar com o Malfoy.

Hum... Sua mãe não conhece nenhum cara legal, de quem você gosta, e que poderia fazê-la se esquecer, ou pelo menos, não sofrer tanto pelo seu pai?

Hum... Tem o tio Neville, mas agora ele está casado. – ela ficou pensativa. – Mas eu queria mesmo que minha mãe conhecesse você! – falou, empolgada.

Eu! – ele se surpreendeu. – Eu adoraria conhecer sua mãe, Lily...

Então!

Mas eu já tenho noiva... – ele mostrou a aliança na mão direita.

Mas se não tivesse... – ela sorriu, esperançosa.

Não é assim que funciona, Lily.

Por que não? Você viu a minha mãe, não viu? Ela não é linda?

Bom, eu a vi muito rápido e...

Ela é linda, não é?

É muito bonita sim, mas...

Vocês formam o par perfeito! E eu ia adorar que meu padrasto fosse dono de uma loja de bonecas!

Como você é interesseira! – ele riu. – Mas eu já disse, não é assim que as coisas funcionam, Lily. Só porque você não gosta do noivo da sua mãe e gosta muito de mim não quer dizer que pode simplesmente nos juntar e achar que vai dar certo.

Mas eu posso tentar!

Não Lily! – ele encerrou. – Não se pode ter tudo. Se você não acha certo sua mãe se casar com ele, então converse com ela, mas não tente forçar nada. Não vai dar certo.

Puxa, Josh. Eu achei que você ia gostar da idéia. – ela ficou chateada.

Sinto muito, mas nem tudo acontece do jeito que queremos. – ele tentou consolá-la. – Não podemos querer mudar a vida das pessoas só para nos satisfazer.

Humpf. Você ama mesmo essa Stephane?

Lily... Não se trata disso... – ele tentou.­

Ama ou não ama? Por que se não ama, melhor não se casar também!

Lily! Isso é comigo! Não saia por aí dizendo tudo que pensa, mocinha, pode acabar chateando alguém. – ele falou, sério.

Desculpe. – ela se retraiu, mais desanimada do que antes. – Já que você não pode me ajudar, acho que vou embora. – ela se levantou.

Não fique triste comigo, Lily.

Não... Tudo bem... – ela respondeu. – Josh? – ela parou no meio do caminho, com um sorriso maroto. – Você tem MSN?

MSN? Tenho.

Legal! Me adiciona?

Claro. – ele sorriu, pegou um papel para anotar o endereço. – Diga qual é?

gininhapotter.

gininha? – ele estranhou.

É... – ela respondeu, insegura. – É como as pessoas me chamam. Eu não disse que sou a cara da minha mãe? As pessoas me chamam de Gininha, já que ela é Gina.

Hum... Sei.

Eu sempre entro depois da meia noite. – completou.

Sua mãe te deixa ficar acordada até essa hora?

Ehr... Ela não sabe! – falou depressa. – Me adiciona, hein? Tchauzinho!

Tchau. – ele respondeu, decididamente desconfiado. – gininhapotter? Sei não...