Como vão vocês? Então, eu estava planejando postar o capítulo mais cedo, mas algo totalmente terrível aconteceu comigo: fiquei bloqueada. Pois é, mesmo com a cabeça explodindo de ideias eu simplesmente fiquei brigando com o papel em branco do word por três dias. Sensação mais horrível que se pode ter. Mas hoje eu consegui colocar a cuca pra trabalhar e fiquei o dia todo trabalhando nesse capítulo. O final pelo menos saiu do jeitinho que eu queria hahaha. Espero que gostem!
Ah, mas antes queria mostrar a música que está me inspirando a escrever e me ajudou a desbloquear as ideias, só pesquisar por The Heart Wants What It Wants da Selena Gomez. Enfim, sem mais enrolações haha Boa leitura!


Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto.


"Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela. O humano é só." – Clarice Lispector (Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres).

Cafeína em excesso poderia causar vários tipos de problemas: ansiedade, insônia, aumento do ritmo cardíaco, tremores musculares... Principalmente para alguém que passara uma noite inteira empurrando garganta abaixo mais e mais do liquido escuro delicioso. Mas para amantes de um café bem feito e quentinho, recusar uma xícara era praticamente um pecado. Ainda mais quando Shizune lhe oferecia com todo o amor, sempre quando notava que você precisava de um pouco mais para manter a sanidade. Coisa que estava acontecendo com frequência.

Encostadas em um dos corredores do hospital, Sakura e Shizune deliciavam um momento de descanso de cinco minutos. A cirurgia de mais cedo as deixara esgotadas e nada como uma boa cafeína para repor as energias. Sakura bebericava distraidamente em sua caneca cor de gelo, uma mão enviada em um dos bolsos do jaleco. Shizune, com sua caneca verde musgo, considerava a companheira com certa curiosidade. Poderia ser apenas impressão sua, mas Sakura lhe parecia a cada dia mais cabisbaixa. Apenas imaginava claro, que se devia a um certo paciente que se encontrava em um dos quartos próximos, sob os cuidados seus e de Tsunade. Um paciente bem teimoso e cabeça dura.

- Sakura, Naruto vai ter alta amanhã não é?

- Uhum. – murmurou com um biquinho formando em seus lábios rosados, enquanto observava distraidamente o pouco líquido escuro que ainda restava.

- Você já foi visita-lo? – perguntou antes de beber mais um pouco do conteúdo da caneca.

- Ainda não, não tive oportunidade. – ela mordeu o lábio inferior distraidamente. Shizune não se conteve e deu um meio sorriso, meneando a cabeça em seguida.

- Ele está bem... Também vai receber alta amanhã. – Sakura não conseguia esconder o que realmente queria perguntar. Ela era orgulhosa demais. A rosada nem sequer olhou para Shizune quando retrucou secamente, devolvendo-lhe a caneca,

- Não sei do que você está falando. – e girou nos calcanhares.

- Sakura...

- Te vejo mais tarde, Shizune. – acenou já de costas para a companheira.

Shizune a observou enquanto sumia no fim do corredor. Com um suspiro, dirigiu-se até a cozinha do hospital. O amor poderia ser uma droga às vezes.

Ela estava um caco. Cansada física e mentalmente, não sabia como arrumara forças para a cirurgia que realizou há quinze minutos. Shinobis que voltavam gravemente feridos de missões eram realmente complicados. Com as mãos ocupadas pela bandeja cheia de bandagens limpas, seguia de cabeça baixa até o quarto de Naruto. Alguns pontos sobre seu estado de saúde precisavam ser revisados antes de dar-lhe alta. Foram três semanas aguentando as crises de histeria do loiro em querer deixar o hospital logo. Uma criança que chorava com medo de agulhas era bem mais fácil de lidar. ''Ele está bem... Também vai receber alta amanhã'' dissera Shizune. Sakura inspirou profundamente, sentido a garganta apertar. Tentou de maneiras inimagináveis não proferir por seus lábios a pergunta que coçou em sua língua o dia todo. Não perguntar ''como vai o Sasuke-kun?'' ia contra os seus instintos. Mas necessitava mostrar que o fato da rejeição que estava sofrendo não lhe atingia em nada. Amor próprio; essa era a questão. Mas ela era sempre tão fraca e seu rosto não escondia o fato do quanto ela estava gritando por dentro. Do quando seu coração sangrava.

Inspirou fundo novamente, empurrando as lágrimas teimosas. Parou em frente ao quarto do companheiro de time, alisando a frente do jaleco com uma das mãos, como se aquilo fosse o suficiente para recompor seus sentimentos conturbados. Ensaiou seu melhor sorriso e entrou, notando que Naruto estava acordado. Na cabeceira encontrava-se um vaso de narcisos bem cuidados. Hinata com certeza já passara por ali mais cedo, trocando cuidadosamente as flores como sempre fazia. Esse ato fazia-lhe lembrar de tempos antigos, onde fizera o mesmo. Aquilo machucava como mil navalhas transpassando o seu corpo. Ao notar Sakura ali, Naruto abriu seu sorriso de orelha a orelha.

- Sakura-chan!

- Como vai o paciente mais hiperativo desse hospital? – perguntou com zombaria, depositando a bandeja na mesma cabeceira das flores. Aproximou-se para pegar o prontuário que se encontrava preso aos pés da cama.

- Com tédio. E com fome. – choramingou.

- Com fome? Mas o seu almoço não foi há poucos minutos? – quis saber, as sobrancelhas juntas em duvida enquanto analisava o prontuário a sua frente.

- A comida daqui é horrível, sem gosto nenhum. Eu quero meu lamen! – choramingou outra vez com uma careta, arrancando uma risadinha de Sakura.

- Eu já devia saber... Mas você sabe que só pode comer coisas leves Naruto. Você está em processo de recuperação – lembrou-lhe enquanto apontava-lhe um dedo acusatório e aproximava-se para alguns exames rápidos. Verificação de pulso, conferir se não tinha nada de errado usando o estetoscópio, exame de reflexo... Sakura agradecia o fato de Naruto ficar sempre muito quieto, facilitando o seu trabalho. Depois de uma rápida olhada nas feridas quase cicatrizadas do rosto, se prontificou a trocar as bandagens do braço amputado. Primeiro relaxou os músculos com seu chakra e depois começou a trabalhar concentradamente. A medica-nin era sempre muito competente no que fazia, tentando efetuar tudo com perfeição. O trabalho no hospital sempre fora perfeito para deixar sua mente ocupada. Quando acabou tudo, verificou o se o soro estava em ordem e voltou-se para o prontuário, anotando algumas observações do estado de saúde do loiro. Naruto se recuperava de modo rápido, isso porque o chakra da Kyubbi ajudava. Notara que o loiro hoje estava muito calado, o que era estranho. Enquanto o examinava, sentia-o lhe observando e sabia que estava louco para perguntar algo, mas o porquê de tanta hesitação Sakura não sabia.

- Sakura-chan? – finalmente se pronunciou depois de tanto tempo em silêncio.

- Hmm? – murmurou sem tirar os olhos das anotações que fazia.

- Você... sabe se o Sasuke vai ter alta amanhã também?

O coração da rosada desenfreou. Naruto sempre perguntava o estado de saúde do amigo, mas Sakura nunca estava preparada para aquilo. Não teve coragem de lhe contar que na verdade fora proibida de entrar no quarto do Sasuke a pedido do mesmo. Naruto estava tão feliz com seus amigos todos reunidos outra vez que Sakura quis poupá-lo de mais esse problema. Porque Sasuke tinha que ser assim, tão complicado? E porque mesmo assim ela não deixava de amá-lo?

Sakura sentiu a garganta seca e pigarreou antes de proferir o mesmo que Shizune falara mais cedo:

- Ele está bem. Também vai receber alta amanhã. – repetiu mecanicamente, devolvendo o prontuário ao seu local pertencente evitando o seu olhar. Tsunade sempre lhe informava do estado de Sasuke. Não que ela perguntasse – coisa que se segurava para não fazê-lo – mas sua shishou o fazia porque conhecia bem a pupila. E então, toda vez que Sakura visitava Naruto para os exames diários ela repassava tudo, como se a mesma também visitasse Sasuke diariamente. Mas aquilo não ia ficar escondido do conhecimento do ninja hiperativo por tanto tempo, mas adiaria o máximo se fosse possível.

Sakura voltou à bandeja para arrumar as bandagens sujas, mas sentia os olhos azuis de Naruto em si.

- Ok então... estava planejando uma comemoração no Ichikaru. Você sabe, para relembrar os velhos tempos. – ao proferir aquelas palavras, seu tom de voz tinha pouca animação. Algo como desconfiança, o que deixou Sakura meio inquieta. Ela suspeitava que o companheiro de time não fosse tão idiota assim. Talvez ele sacara algo de errado nela.

- Sim, me parece uma boa ideia. – ela tinha receio de olhá-lo nos olhos e fazê-lo comprovar alguma suspeita que pudesse ter, já que tentou por um pouco de entusiasmo na voz, mas falhara miseravelmente. Odiava ser um livro aberto como era.

Nesse momento, alguém entrou no quarto e Sakura viu Hinata ali parada, as mãos ocupadas com mais um vaso de flores. A médica tentou esconder o meio sorriso arrumando mais um pouco o conteúdo da bandeja. Talvez Naruto fosse sim muito idiota por não perceber certas coisas que estavam bem em cima do seu nariz.

- Sakura-sama – cumprimentou timidamente, ao que Sakura devolveu com um aceno de cabeça olhando-a bem nos olhos. Pegou então a bandeja, equilibrando-a em uma das mãos virando-se para a saída.

- Está tudo bem? – perguntou Hinata, fazendo-a dar um sorriso contido. Aproximou-se depositando bem de leve a mão livre no ombro da moça, surpreendendo-a.

- Está tudo muito bem Hinata. Você poderia cuidar dele pra mim enquanto resolvo algumas coisas, por favor? Sei que você faria esse trabalho melhor do que eu. – sussurrou as últimas palavras dando-lhe um sorriso cúmplice. Os olhos perolados lhe olhavam confusamente, mas ao final a morena devolveu-lhe um sorriso tímido ao que Sakura entendeu como um 'sim'. Hinata poderia muito bem curar com coisas mais eficientes. Só dependia agora de Naruto deixar de ser tão tapado e aceitar de braços abertos os cuidados especiais de Hinata.

- Até mais Sakura-chan! – despediu-se energicamente, voltando a ser o mesmo cara arrojado que era. Ela acenou brevemente de volta e saiu para o corredor vazio.

Mas Sakura não se moveu, porque observava um quarto a poucos metros dali, com o coração apertado. O quarto dele. Geralmente um ANBU ficava de guarda a porta, mas dessa vez não havia ninguém ali. Estranho, talvez perguntasse a Tsunade depois o por que. Sakura sempre se sentia intimada com o ANBU ali parado e nunca sequer tentou se aproximar. Mas agora, a tentação de fazê-lo era mais forte do que a razão. Será que ele estava acordado? Será que já comera? No que estava pensando? Sentia-se estupida por pensar nessas coisas, mas era mais forte do que ela. Seu coração martelava na caixa torácica e sentia sua coragem crescer mais e mais. Moveu-se, o sangue martelando nos ouvidos. De onde tirara tanta ousadia? Não tinha noção. Talvez fosse a cafeína correndo nas veias ou então o desejo insano de vê-lo só por uma vez, mesmo que de longe e através da fresta da porta. Uma fina e maldita fresta de porta os separariam, mas era o suficiente para ela.

Verificava ao redor, para ter certeza de que ninguém se aproximava. Só uma espiada de leve e ela iria embora, mesmo que o seu coração lhe ordenasse que invadisse o quarto e o agarrasse ali mesmo para nunca mais deixar escapar. Apoiou a bandeja numa das mãos e foi abrindo lentamente, e o medo de que ele estivesse acordado a deixou receosa. Mas quando observou pela fina fresta, percebeu que a cama estava vazia. Suas sobrancelhas se juntaram e decidiu então entrar no leito, sem pensar muito no que estava fazendo. Fechou a porta atrás de si e analisou a cama bem arrumada. Ficou ainda mais confusa e de repente a ideia dele ter recebido alta já hoje veio-lhe a mente. Seu coração apertou-se em frustação e decepção por ninguém ter-lhe avisado nada. Mas lembrou-se do que Shizune falara, relaxando um pouco. Mas será que Shizune saberia de alguma? Claro, afinal ela cuidava do estado de saúde de Sasuke junto com sua shishou. Na verdade, Sakura não sabia o que pensar. Atreveu-se a chegar mais perto da cama. Será que pegaria mal se ela começasse a cheirar o travesseiro? Certeza que o cheiro dele ainda estava lá, como uma droga que Sakura não pudesse recusar. Igual a cafeína. Moveu-se lentamente, mas algo impediu-lhe de fazê-lo. Uma voz ecoou pelo cômodo. Uma voz que fazia o sangue da rosada congelar.

- Sakura...?

E então o som de bandeja caindo no chão de cerâmica estrondou por todo quarto e o cérebro de Sakura entrou totalmente em colapso.


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Até a próxima flores s2