Savior

I don't want to be here anymore

I know there's nothing left worth staying for

Your paradise is something I've endured

Ela não conseguiu dormir um minuto se quer. Ficar longe daquele leito apenas piorava seu grau de ansiedade e tornava tudo pior. O mínimo movimento daquele ninja a fazia quase saltar da cadeira onde estava mal acomodada, e já trocara as bandagens dele pelo menos três vezes nas últimas três horas... Além de ter verificado as mudanças enzimáticas pelo menos cinco.

Sabia que era errado analisá-lo internamente sem permissão, mas também não sabia se havia sido certo salvá-lo, então qual era o problema? Além do mais... Nunca havia visto nada parecido com o que ocorria no organismo daquele homem, Juugo.

Duas horas atrás, quando a febre dele piorara, pôde ouvir entre um delírio e outro muitas palavras sem sentido... Mas dentre elas fora capaz de identificar algo parecido com Kimimaro e... Sasuke.

Levantou-se pelo que deveria ser a enésima vez e caminhou até a maca, tocando a testa de Juugo com cuidado e fechando os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, foi porque ele estava segurando sua mão, os olhos de íris vermelha fixos nela enquanto ele permanecia sentado na cama.

Acordado. Há quanto tempo ele estava acordado sem ela saber?

"-Quem é você?" – ele pareceu atordoado por um instante, e por um motivo que ela não soube nomear... Observou-o tocar as bandagens e observar os lugares onde antes haviam ferimentos, para em seguida voltar os olhos para ela novamente. – "...Foi você?"

Assentiu com a cabeça por não saber exatamente o que falar... Apenas continuou fitando-o enquanto passava as mãos pelos cabelos e olhava para as mesmas em seguida.

"-...Eu estava com meus pássaros." – ele voltou a olhá-la nos olhos. – "Eu pensei que fosse morrer. Quem é você? E... Onde eu estou?"

"-Perto de Otagakure." – Sakura mordeu o lábio inferior levemente. – "...Eu sou... Haku." – sorriu de maneira tímida. Porque os homens falaram que Juugo era um monstro? Até agora lhe parecia alguém muito gentil.

"-Porque você me salvou?" – ele fitou o teto antes de tocar o próprio peito. – "Porque eu estou... Calmo... Ainda?"

Calmo? O que ele queria dizer com aquilo?

"-Heh, não importa. Tenho que voltar..." – Sakura observou-o levantar-se da maca e caminhar até a porta, girando a maçaneta lentamente. Esperou que ele virasse para trás e tentasse atacá-la, mas... Nada. – "Obrigado, Haku."

Quando finalmente não ouviu mais os passos dele no corredor, Sakura voltou a respirar de maneira adequada. Apoiou-se na mesa quando pensou que seus joelhos fossem ceder, e não soube nomear o motivo pelo qual estava chorando.

Estava viva... E aparentemente não havia nada de errado. Ainda.

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"-Juugo!" – o ruivo piscou algumas vezes assim que saiu da pequena casa, levando alguns minutos até se acostumar com o forte sol e avistar quem estava o chamando.

Suigetsu. O que ele estava fazendo ali?

"-Seu idiota, o outro ninja falou que deveria mesmo estar por aqui caso ainda estivesse vivo e Sasuke se deu ao trabalho de me mandar ver." – ele colocou uma mão na cintura, tombando a cabeça um pouco para o lado enquanto prestava um pouco mais de atenção no ninja à sua frente. – "O que é isso? Andou se machucando? Então era verdade?"

"-Hm..." – Juugo voltou a tocar as bandagens, olhando para o próprio abdômen enquanto permitia-se um suspiro. – "Eu... Acho que quase morri dessa vez."

Suigetsu estreitou os olhos para ele, analisando por instantes o que acabara de ouvir. Juugo poderia ser tudo, menos mentiroso... E se quase tinha morrido, como alguém havia conseguido salvá-lo ali? Não haviam médicos bons no país do arroz, o que tornava aquilo praticamente impossível.

"-Como quase morreu?" – arqueou uma sobrancelha, curioso.

"-Aparentemente Haku salvou a minha vida." – voltou a fitá-lo. Haku? E porque aquele idiota estava tão calmo e sorrindo?

"-Quem é Haku?"

"-É o médico da cidade."

"-Um médico..." – levou uma mão ao queixo. – "E ele é bom?"

"-O melhor que já vimos."

"Hmm... Decidido. O tal médico vem conosco."

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Fora proibida de olhar o caminho todo até a entrada de Otogakure, embora todos os cidadãos do vilarejo em que estava soubessem onde era, ninguém jamais ousara se quer mencionar que caminho tomar para chegar lá.

Tudo o que ela sabia era que era perto, uma vez que o País do Arroz em si não era muito grande... E realmente, a viagem não havia demorado muito tempo embora ela houvesse perdido um pouco a noção devido à falta da visão.

Pôde sentir Juugo caminhando sempre perto dela, hora ao seu lado, hora um pouco mais atrás, mas sempre perto o suficiente e movimentando-se ao menor ruído que ouvia. E embora não compreendesse bem o que ele estava tentando fazer, sentia-se um pouco protegida pela sombra do pensamento de que talvez ele estivesse a protegendo.

Suigetsu caminhava mais à frente, e não reduziu o passo uma vez se quer ou dirigiu uma só palavra para ela. Era quase como se ele estivesse desconfiado de algo... Quase. Mas ele não sabia de nada, certo? Não havia como saber. Ela era apenas um médico prodígio de uma cidadela do Som, nenhum dos dois sabia absolutamente nada sobre sua vida... Logo, não havia com que se preocupar.

"-Chegamos." – parou de andar quando bateu nas costas de Suigetsu, e pôde ouví-lo resmungar qualquer coisa antes de tirar a venda de seus olhos. – "Cuidado por onde anda, moleque."

Moleque.

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Quando seus olhos verdes pousaram sobre a figura estática do moreno à sua frente, não foi como ela esperava. Não teve borboletas em seu estômago nem lágrimas em seus olhos. Pelo contrário... Tudo o que sentiu foi um imenso vazio.

Deixou a cabeça tombar um pouco para o lado enquanto o analisava melhor... O que os anos tinham feito com ele? Não parecia nem um pouco diferente da última vez que haviam se encontrado, pelo menos fisicamente. Estava tão entretida em sua análise que não notou os olhares curiosos que lhe eram lançados pelo simples fato dela não desviar o olhar do Uchiha e nem recuar com medo.

Não importava. Não mais.

Acompanhou friamente enquanto uma garota de cabelos ruivos se aproximava dele, tocando-o no ombro de maneira leve enquanto voltava-se para também fitá-la. Ela conhecia aquele toque... Aquela maneira cautelosa de se aproximar e calcular bem cada passo que daria perto de Sasuke, com medo de decepcioná-lo ou de passar dos limites que ele próprio impunha para as pessoas ao seu redor.

"-Não me parece confiável, Sasuke-kun." – Abriu a boca para protestar, mas fechou-a tão logo que se lembrou de onde estava. Quem era aquela garota? Sasuke-kun?

"-Você não conhece, Karin." – Juugo cerrou os punhos, sentindo-se irritado de repente.

Ela voltou-se então para ele, desdenhosa. Algo sobre aquela garota não a agradava. Talvez fosse o ar superior ou a maneira menoscabada que ela usava para dirigir suas palavras às pessoas... Certamente seria alguém com quem deveria tomar muito mais cuidado do que pensava.

"-Estava mesmo estranhando toda essa sua calma."

"-Juugo." – os dois ficaram quietos no exato instante em que Sasuke falou, e Sakura não soube dizer exatamente quando ele havia saído do lugar onde estava e ido parar ao lado dela.

Um calafrio percorreu sua espinha enquanto ela ponderava se o correto naquele exato momento seria rezar... E então notou o quanto havia subestimado as capacidades de Sasuke até agora.

"-De onde você veio?" – a pergunta soou calma e fria, exatamente como ela havia esperado que a voz dele fosse. Não sabia exatamente porque havia pensado que ela poderia ser completamente diferente... Aquele, apesar de completamente mudado psicologicamente, continuava sendo a mesma pessoa que ela havia conhecido há anos atrás, afinal.

Haviam certas coisas que não podiam ser alteradas com o passar do tempo e o pesar dos anos... Especialmente quando se vive em um mundo como o dele, tão centrado em um sentimento doentio como a vingança.

Tudo o que ela havia lutado para torná-lo – ou para tentar torná-lo – parecia completamente em vão e perdido. O que tinha à sua frente agora, ou melhor dizendo, ao seu lado, era um homem completamente destruído pelo peso de um destino que não lhe cabia mas que mesmo assim lhe foi imposto... E isso fora feito por ninguém menos que ele próprio.

Ela tentou oferecê-lo um caminho diferente. Naruto tentou, Kakashi tentou, todos os seus amigos tentaram... Mas ele os recusou, provavelmente por achar que o esforço seria inútil... Provavelmente por achar que eles todos não tinham nada a oferecer para ele, por achar que suas capacidades iam muito além do que qualquer um deles pudesse suportar.

Mas agora o ponto não era esse. Sua mente precisava forjar uma identidade nova para ela, e ligeiro. Ter sido encontrada em um período tão curto de tempo não estava em seus planos, bem como ser arrastada para Otogakure. Mais do que nunca, a expressão 'debaixo do nariz do inimigo' fazia sentido... E o fato dela ser sempre usada com receio agora lhe era de fácil compreensão.

Pelo menos seu disfarce parecia persuasivo o suficiente para mantê-la viva até que uma nova ideia ou plano de fuga pudesse ser forjado... E, no momento, Sakura não estava bem certa se estava agradecida ou temerosa por estar exatamente ali e não em outro lugar, seus instintos ponderando sobre os benefícios e malefícios que aquela nova situação a traria.

O fato era que só conseguiria pensar depois que descansasse um pouco e todo o stress se esvaísse de seu corpo... E para que aquilo ocorresse, teria que ser assaz convincente.

"-Amegakure." – respondeu, tentando manter a voz firme e não vacilar. – "Atravessei o país do fogo... E foi por acaso que acabei me estabelecendo em uma das cidadezinhas próximas à fronteira." – de soslaio, acompanhou o movimento sutil do Uchiha que agora adotava uma postura ereta, a mão que antes jazia sobre o ombro dela lentamente o deixando.

Uma falsa sensação de segurança insistiu em apoderar-se dela, e Sakura a aceitou por julgá-la extremamente necessária naquele momento. Ficar em guarda e de sobreaviso não a ajudaria em nada, não agora.

"-Nunca ouvi falar de médicos em Amegakure." – pôde ouvir a garota de cabelos ruivos comentar, os olhos escuros atentos a todo e qualquer movimento seu que pudesse vir a delatar algo errado. Mas não daria a ela aquele prazer... Não a ela e não naquele momento.

"-Duvido muito que tenha ouvido falar em qualquer coisa de Amegakure." – respondeu, com uma certeza que nem ela mesma sabia ter. – "As habilidades de nossos ninjas são direcionadas ao elemento água, é verdade, mas nunca nos foi dito que deveríamos nos limitar a ele." – desviou os olhos para Karin, quase sorrindo de lado. E teria efetivamente o feito se a situação fosse outra...

"-Essa foi pra você aprender que não tem que ficar falando quando pensa que convém." – Suigetsu, ao contrário de Sakura, não tinha motivos para não sorrir de maneira sarcástica. – "Além do mais o garoto não tentou absolutamente nada o caminho todo e muito menos se recusou a vir. Também vale lembrar que salvou a vida daquele idiota." – apontou para Juugo e então voltou-se para Sasuke de repente. – "Acredito que isso tudo, por si só, já diga alguma coisa sobre ele. Ou é muito idiota... Ou realmente é muito esperto."

"-Hn." – o som característico que deixou os lábios do Uchiha a fizeram ter uma falsa sensação de conhecê-lo. Quantas vezes já não ouvira aquilo? Ou melhor, quantas vezes aquela não fora a resposta para milhares de perguntas que ela o fizera?

E agora que a situação a permitia ver as coisas todas pelo 'lado de fora', sentia-se uma completa idiota.

"-Então?" – Karin perguntou com uma curiosidade perigosamente palpável. Era como se ela estivesse esperando por um simples menear de cabeça para matá-la.

"-Juugo." – o líder do Som aproximou-se do garoto, os olhos inexpressivos. – "Ele é responsabilidade sua." – completou, deixando o cômodo sem dirigir qualquer outra palavra ao restante.

De uma maneira estranha, a garota de cabelos cor-de-rosa sentia-se levemente aliviada por ter sido deixada nas mãos do homem cuja vida salvara dias atrás. Sabia muito pouco dos três integrantes do time que Sasuke havia formado, as informações que tinha eram dispersas demais e insuficientes para ajudá-la em qualquer coisa.

Mas uma coisa era certa: dos três, Juugo parecia o menos disposto a machucá-la... Mas também parecia o mais misterioso e estranhamente instável. Perguntava-se o quanto conseguiria arrancar dele se viesse a ter uma oportunidade – e algo a dizia que teria.

E, de uma maneira inexplicável, esse mesmo 'algo' a dizia para tomar cuidado. Muito cuidado.

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I Don't Want To Be Here Anymore – Rise Against

Oie galera!

To postando o segundo capítulo bem rapidinho e cheia de pressa porque tô indo viajar... Então a próxima só vem daqui duas semanas (snif!). Mas como já está pronta, assim que eu voltar posto, promessa pra não deixar ninguém na mão dessa vez!

Vou agradecer rapidinho aqui quem comentou, e prometo que quando voltar agradeço um por um (os que comentam logados fica mais fácil, porque respondo como mensagem!): O.o, Valen123, susan n.n, Pricililica, Nagila e também pras duas pessoas que comentaram como guest! Pra quem favoritou ou está seguindo também: AzKei.

Muito obrigada de verdade! Espero que tenham gostado desse capítulo também!

Um beijo pra todas(os). Sua opinião desse capítulo também é muito importante e realmente apreciada!

Até o próximo!