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Capítulo Dois

Gina não queria acreditar no que tinha ouvido.

- Você disse Harry Potter?

- Sim. Já ouviu falar dele, certo? Um chef fantás­tico. Tentei sua receita de bolo de chocolate. Deslum­brante.

- Você quer que eu trabalhe com ele?

- Isso não é formidável? Sabia que você ficaria encantada. Não é todo dia que temos uma celebridade na escola.

- Por que eu?

- Além de ser minha amiga, você é a única da equi­pe competente para ocupar essa função. E confio em você. Sei que adora experimentar coisas que ajudem aos estudantes. E se esse trabalho funcionar, poderá fazer imensa diferença para esses garotos especiais.

- Que garotos?

- Victoire Delacour e Teddy Lupin.

Ah. Gina começava a entender aonde Luna queria chegar. Ensinava Victoire, e todos na escola conheciam Teddy Lupin. Victoire era terrivelmente tímida, e Teddy, um aluno rebelde. Duas crianças problemáticas no que dizia respeito a comportamento.

- Que acontece com Victoire e Teddy? - perguntou Gina intrigada.

- Estou preocupada com eles. Victoire precisa de algo que lhe dê prazer. E Teddy necessita de algum interesse, um incentivo para procurar emprego quando deixar a escola. E, por incrível que pareça, ambos são bons na mesma tarefa: cozinhar.

- Verdade? - A idéia não combinava com a impres­são que Gina tinha deles.

- Sim. Hermione contou-me e fiquei observando ambos numa aula.

Teddy fazendo aula de tecnologia alimentar. Mal podia acreditar.

- Você está brincando, certo?

- Foi a única opção que restou a ele após ter sido expulso do departamento de estudos comerciais. Lem­bra-se do incidente com pornografia na Internet? De qualquer modo, observei-os e sei que são talentosos.

- Mas o que isso tem a ver comigo e Harry Potter?

- Quando eu soube das habilidades deles, fiz com que Teddy e Victoire entrassem no concurso de culiná­ria para garotos. É um concurso muito prestigiado e o primeiro prêmio é uma bolsa na melhor faculdade de hotelaria da Inglaterra. Pode imaginar o que somente o fato de participar da disputa faria pela auto-estima de Victoire? E pela orientação profissional de Teddy?

Gina podia imaginar. Com sorte, aquilo pode­ria transformar a vida das crianças.

- E quanto a Harry Potter?

- A escola foi contatada pela assessora de imprensa de Potter, que havia recebido os detalhes do orga­nizador do concurso. Potter ofereceu-se como voluntário para ajudar alguns garotos participantes do concurso. Não contei aos garotos ainda porque não está definido, mas ele está interessado na Escola Slater.

- Você não enxerga? Potter está fazendo isso como autopromoção - disse Gina. - Para parecer compassivo e dedicado a crianças.

Luna deu de ombros.

- Quem se importa com o motivo dele?

- Eu! Não desejo que nossos alunos sejam um veí­culo publicitário para alguém que só se importa com a própria fama.

- Nossa! Você parece que tem alguma coisa contra esse homem. Nem o conhece pessoalmente, certo?

Gina não queria contar que havia conhecido Harry naquela tarde porque teria de admitir que sen­tira uma incrível atração por ele.

- Estou preocupada com nossos alunos, só isso - respondeu. - A última coisa de que Victoire e Teddy precisam é fazer parte de publicidade armada.

E a última coisa de que Gina precisava era gastar seu tempo com Harry Potter.

- Por isso preciso de sua ajuda. Alguém para acom­panhar Harry com as duas crianças, a fim de se certificar de que estão obtendo total benefício dessa proposta.

- Por que não Hermione? Não entendo nada de comida.

- Sim, por isso é tão magricela. Não come nada. - Engatando a marcha, Luna seguiu em frente sem se im­portar com o semáforo. - Hermione cuida da mãe, que é doente, e não tem tempo depois das aulas. E, cá entre nós, ela também não é muito boa em manter a disci­plina. Quase não consegue controlar Teddy e tem dificuldades para conversar com Vicky. E se não pode lidar com uma dupla de adolescentes, como vai ficar de olho num homem adulto que tem a própria agenda?

Ela sorriu e continuou:

- A propósito, o homem é bonito e interessante.

- Você o conhece pessoalmente?

- Oh, sim. Ele é atraente.

Gina sentiu uma estranha sensação dentro do peito.

- Uma vez assisti a um programa dele na TV e não achei nada de especial. Pareceu-me um homem comum - mentiu.

- Pode crer que ele é muito especial. E galanteador. Se eu não o conhecesse bem, diria que estava interes­sado em mim - argumentou Luna.

Gina detectou a estranha sensação no peito como ciúme, e tentou reprimir o sentimento. Ter ciúmes de um homem que nem sequer gostava era absurdo!

- O que quer dizer com "se eu não o conhecesse bem"?

- Às vezes, leio revistas de fofocas. Harry Potter está com uma mulher diferente a cada semana. O homem flerta até enquanto prepara suflês.

Gina recordou-se daquele olhar brilhante avaliando-a como se ela fosse uma caixa de bombons. Uma onda de calor percorreu-lhe o corpo inteiro. E, desta sensação, não podia livrar-se. Se trabalhasse com Harry Potter, o que aconteceria?

- Então você quer que eu proteja Victoire e Teddy de um homem superficial que está interessado no que pode obter para si mesmo?

- Eu não disse isso - retrucou Luna. - Quero que você se certifique de que os garotos tirem proveito des­sa experiência, e que ajude Harry a lidar com as crian­ças. - Ela parou o carro diante do edifício de Gina, e encarou a amiga. - Você é a melhor pessoa para este trabalho. Sondei Teddy sobre os professores e ele falou que gosta de você. E sei que já fez algum progresso com a timidez de Victoire - continuou Luna.

Victoire havia realmente sorrido na aula da semana anterior, quando Gina elogiara seu trabalho. Aquele único sorriso mantivera Gina feliz por vários dias.

- Ela é uma boa menina.

- Sei que serão horas extras - disse Luna. - E que você não está interessada em cozinhar. Mas importa-se com os alunos.

Sim, importava-se. Seus alunos eram a única coisa que lhe restara para se importar. O contato era limita­do à escola, claro, mas poder cuidar deles era algo maravilhoso. E, nos últimos dois anos, aquelas eram as emoções mais verdadeiras que se permitira sentir.

- Tudo bem - concordou Gina, rendendo-se. - Farei isso.

Harry estava sentado à mesa da cafeteria, prepa­rando-se para saborear um delicioso café expresso. Tomou um gole. Aquilo era perfeito para relaxar os nervos. Fazia dez longas horas que tomara um café da brilhante máquina italiana de seu restaurante Magnum, às seis horas da manhã. Havia tomado o café-da-manhã sozinho, examinando suas anotações sobre mudanças sazonais no cardápio, que queria discutir com seu subchef Henry, antes dos preparativos para o almoço.

Mas então um acidente na estrada que levava a Dover havia bloqueado o trânsito, e a entrega das la­gostas que Henry programara para o almoço daquele dia atrasara completamente. Para piorar a situação, dois dos cozinheiros haviam faltado por causa de uma gripe. Como resultado, Henry assumiu a cozinha, enquanto Harry pegava seu Jaguar e corria até Londres a fim de buscar as lagostas.

Quando tudo, finalmente, voltou ao ritmo normal, ele foi para o escritório do Magnum e se sentou dian­te de um prato de sopa para almoçar. Com a colher a caminho da boca, ouviu o telefone.

Era Lilá, sua assessora de imprensa.

- Preciso falar com você sobre a Escola de Culiná­ria para Crianças - disse ela.

Ele olhou para a sopa no prato. Gostaria de tomá-la ainda quente, mas o tom de voz de Lilá era mui­to urgente. Ele baixou a colher.

-Sim?

- Negociei com as três escolas que visitei. A Esco­la Santa Teresa está ansiosa para trabalhar conosco, mas fica do outro lado de Londres. A Escola Gladstone é boa para tomadas das câmeras de TV, mas os alunos já tiveram aulas de culinária. A Escola Slater tem a espécie de garotos que estamos procurando, mas a diretoria está cautelosa. Dizem que é ótimo usar o nome da escola e filmar o concurso, mas não querem que os nomes dos alunos sejam divulgados. E outra condição é que você trabalhe com uma professora o tempo todo, que vai supervisioná-lo com as crianças.

- Eles acham que serei uma má influência para a juventude da nação? Talvez você seja responsável por isso, Lilá, com as histórias que conta à imprensa sobre mim e todas essas mulheres.

Lilá o ignorou.

- Então, a Escola Slater é a melhor opção e se situa perto do seu restaurante, mas não é a melhor escolha no que diz respeito à publicidade.

Harry suspirou.

- Vamos cancelar a coisa toda. Nunca quis ir a uma escola, de qualquer maneira. Meus anos de escola foram os piores da minha vida. Por que desejaria gas­tar mais tempo numa?

- Para melhorar sua imagem. As pessoas adoram celebridades compassivas.

- Sou um chef - replicou ele. - Preparo coisas ma­ravilhosas. Sou um sujeito bom, mas não tenho tempo para compaixão. Mal tenho tempo para me alimentar. - Ele mexeu a colher dentro do prato de sopa fria.

- Você quer ser famoso, não quer?

- Hum.

Como explicar isso? Queria ser bom no que fazia. Queria que as pessoas o conhecessem. Que seus rostos se iluminassem porque ele estava lá e era importante para elas. Nada disso estava acontecendo ainda. Mas a fama era o mais perto do que procurava. Fama e trabalho seriam excelentes para preencher o vazio que sentia há tanto tempo.

- Você realmente acha que é uma boa idéia? - per­guntou.

- Sim. O mercado está inundado de chefs. Você é o melhor entre vários, mas precisa de algo mais para crescer. Ajudar crianças e trabalhar para caridade está no auge. E habilidade gastronômica não é tudo. Você não seria o melhor se eu não usasse sua aparência para fins promocionais. Mais publicidade seria um avanço importante na carreira. Ele suspirou.

- Tudo bem. Mas acho que poderemos descartar a Escola Slater, se eles são tão arredios acerca de publi­cidade e estão impondo regras. Quem é a professora com a qual querem que eu trabalhe?

- Gina Weasley. Ela nem sequer ensina gastrono­mia. Ensina inglês.

Harry deixou cair a colher de sopa no colo.

Gina Weasley. A professora de inglês com sotaque norte-americano. A pessoa que havia feito MacNugget entrar em pânico no dia anterior e o enfrentara na sala de aula. A bela e autoritária Srta. Weasley... com aquela postura correta e belos seios. A mulher que jogara os brilhantes cabelos ruivos para trás, revelando um pescoço elegante. E melhor de tudo: a Srta. Weasley de lábios sensuais que pareciam pedir para ser beijados.

- Trabalharei com a Escola Slater - disse, decidido. - Mas as oportunidades publicitárias são...

- São boas o suficiente - interrompeu ele. - Marque um encontro com a Srta. Weasley para esta tarde no Café Luciano.

Três horas depois, lá estava Harry, na cafeteria italiana, esperando pela Srta. Weasley. Tomou outro gole do café expresso e evocou o perfume dela. Laranja e canela, exótico e ardente. Os cabelos tinham aroma de caramelo. Se pudesse transformar o cheiro em sabores, jamais pararia de comer.

Ela tinha outra coisa que ele gostava numa mulher. Competência e autocontrole. Respondera à sua provo­cação com dignidade, embora tivesse corado quando ele lhe segurara a mão, revelando que sentia a mesma atração que o dominara.

Harry acenou para o garçom e pediu mais um café, enquanto pensava por que concordara com sua asses­sora de imprensa, se não tinha nem tempo nem inte­resse naquilo tudo.

Não era professor. Dera alguns treinamentos para aspirantes a chef em seu restaurante. Seus programas culinários na TV exibiam receitas e mostravam como preparar, o que era equivalente a ensinar, supunha, mas telespec-tadores não criavam confusão nem falavam todos ao mesmo tempo. E, pela sua experiência na escola no dia anterior, sabia que, se desse às costas para os garotos por um segundo, poderia ser atacado. Não muito diferente de seus próprios dias escolares, pensou. Recordava-se de como se sentia encurralado. Sozinho, apavorado, vulnerável, sem sequer uma jaula para voltar. Meneou a cabeça. Onde estava se me­tendo? Cinco segundos naquele projeto e estava lembrando-se de coisas que pensava ter deixado para trás há muito tempo. Tudo porque sentira desejo por uma mulher. Mas também não tinha tempo para mulheres. Claro, conhecia muitas. Bonitas, inteligentes e espirituosas, e as levava a restaurantes, exposições e festas. Os tablóides insinuavam que ele dormia com todas, e isso geralmente o fazia rir. Se pudessem ver sua agenda diária! Às dezoito horas por dia no Magnum e no estúdio, as horas que passava em casa escrevendo e planejando, as noites que virava trabalhando para então banhar-se, barbear-se e voltar ao restaurante.

Quando é que sobrava tempo para sexo? Tinha, talvez, tempo para uma prevaricação de cinco minutos num gabinete particular.

Para Harry, sexo era algo mais do que cinco minu­tos de apalpações. Sexo era como comida, como vinho bom. Algo para saborear vagarosamente, com todos os sentidos. Para sexo, você precisava dos ingredientes certos. O lugar certo e a mulher certa.

A professora de inglês, Gina Weasley, era, por alguma razão, o ingrediente correto.

Recostando-se, cruzou as mãos atrás do pescoço.

Quem poderia imaginá-lo ardendo-se por uma pro­fessora? Rindo, imaginou a Srta. Weasley inclinada em sua mesa, seios apertados contra uma blusa pudica, mas desabotoada o bastante para mostrar o glorioso vale entre os seios, umedecendo os lábios, e dizendo com voz sedutora: "Você tem sido travesso, Potter. Preciso vê-lo depois da aula".

- Você precisa de outro café para acordar.

Harry abriu os olhos e viu a professorinha rígida transformada na verdadeira Srta. Gina Weasley, pa­recendo menos receptiva do que em sua fantasia. Usava uma blusa chocolate, calça de linho caramelo e brincos de pedra azul-turquesa. Os cabelos caíam em cascata sobre os ombros. Os olhos, da mesma cor da blusa, o fitavam com cautela.

Ele levantou-se e estendeu-lhe a mão.

- Gina, prazer em revê-la.

Antes de apertar-lhe a mão, Harry antecipou o prazer do toque. A pele era macia, o aperto firme. Ela usava um anel de prata com pedra da lua. As pontas dos dedos estavam frias, mas a palma, quente. Imagi­nou se ela era como sua mão, fria por fora, e quente, receptiva e apaixonada por dentro.

- Sr. Potter. Obrigada pelo encontro - disse ela friamente.

- Chame-me de Harry. - Ele circulou a pequena mesa e puxou a cadeira para ela. - O que gostaria de beber?

Ela franziu o cenho, enquanto se sentava.

- Apenas um café com espuma de leite.

- Luciano! - Harry chamou o garçom atrás do bar. - Um cappuccino, per favore. Como vê, não trouxe MacNugget comigo hoje. Sobre o que vamos conversar?

Ela arqueou uma sobrancelha.

- Obrigada, mas não quero cappuccino.

- Vir ao Café Luciano e pedir café simples é como ir ao Louvre e ver um gibi. Uma revista de histórias em quadrinhos é boa, mas você perderá a Mona Lisa. Confie em mim. Você quer um cappuccino.

- Não quero - insistiu ela e se levantou. Quando passou por ele, Harry tocou-lhe o braço.

Ouviu a mudança na respiração de Gina e soube que o contato a afetara tanto quanto a ele.

- Gina, Luciano faz um expresso maravilhoso. No cappuccino, acrescenta espuma de leite e cobre com chocolate. Fica com o sabor de um beijo doce.

Ele olhou para os lábios dela e pensou que teriam sabor melhor do que qualquer cappuccino. Os dois se entreolharam por um longo momento, a tensão sexual quase palpável no ar.

Mas, então, ela quebrou o feitiço. Pestanejou e desvencilhou o braço.

- Com licença.

Harry a observou caminhando para o balcão. A postura reta, os quadris oscilando levemente com o andar. A mulher era teimosa e tinha um autocontrole maravilhoso.

Gostava muito dela. É claro, ela parecia não cor­responder ao sentimento.

Mas aquilo não o preocupava. Era bom em conquis­tar pessoas. Uma habilidade que se adquire rapidamen­te quando se é abandonado num internato aos seis anos. Havia aperfeiçoado essa qualidade em todos os internatos caros pelos quais havia passado nos dez anos seguintes, em todas as cozinhas cheias nas quais havia trabalhado depois disso. Trabalhar duro naquilo que você é bom e fazer as pessoas gostarem de você. Era o único modo de sobreviver.

Gina voltou com um café e um cappuccino, o qual depositou na frente dele.

- Uma vez que você pediu, achei que provavelmen­te gostaria de um - disse, sentando-se.

Harry jogou a cabeça para trás e riu.

- Parabéns, Srta. Weasley. Gosto quando uma mulher me coloca no meu devido lugar. - Então ergueu o cappuccino num brinde.

Ela esboçou um sorriso. Não muito amplo, mas, ainda assim, era um prêmio, a primeira das vitórias.

- Você é canadense? - indagou ele, arriscando uma pergunta pessoal.

- Meus pais são naturalizados canadenses. Fui criada no Canadá. Sou britânica agora. Mas, por favor, não comente que uma pessoa do Canadá está ensinan­do inglês.

- Nem em sonho.

As defesas de Gina Weasley eram bem ensaiadas. Tomando um gole do cappuccino, perguntou-se por que ela havia aceitado trabalhar com ele. Enquanto limpava a espuma que ficara nos lábios, viu os olhos dela fixos em sua boca. Estava, sim, atraída por ele, mas determinada a reprimir essa sensação.

- Então vamos trabalhar juntos. Você está interes­sada em cozinhar?

- Não. Estou interessada em crianças. Luna Lovegood pediu-me para ajudar neste concurso porque queremos que Victoire e Teddy se beneficiem com isso.

- Entendo. Você não confia em mim com as crian­ças - disse ele sorrindo.

- Estou certa de que você é um profissional e tanto, Sr. Potter. Mas essas duas crianças têm necessi­dades especiais e não tenho certeza de que sua cam­panha publicitária levará isso em conta.

E quanto às suas necessidades, Gina?

- Por favor, chame-me de Harry.

- Tudo bem, Harry. Posso falar confidencialmente, com a promessa de que isso não será do conhecimen­to de sua assessora ou da imprensa?

- É claro que sim.

Ela pousou os cotovelos na mesa e inclinou-se para frente. Os braços eram delgados e os pulsos, delicados.

- Victoire e Teddy são crianças vulneráveis, com problemas na escola. Queremos que participem desse concurso para construir suas auto-estimas e ter esperança de sucesso profissional depois de concluídos os exames no próximo ano. Ambos são difíceis por diferentes razões. Victoire é tímida, e Teddy reage à autoridade com agres­são. Em um confronto, ela desiste na hora e Teddy tenta chamar a atenção pelo lado negativo.

Em questão de minutos, Gina Weasley transfor­mara-se de uma mulher fria e controlada numa pessoa que possuía paixão pelos alunos.

- Victoire é uma garota inteligente - continuou ela -, mas tem tanto medo do contato social que não acre­dita em seu êxito escolar. Venho ensinando-a há dois anos e praticamente não a ouvi dizer mais do que duas sentenças. Parece não ter amigos. Teddy, por outro lado, têm vários amigos, todos desordeiros. Tem difi­culdade em aprender e isso faz com que seja alvo dos encrenqueiros da escola. Assim, juntou-se a eles. Está mal em todas as matérias. - Ela tomou um gole do café. - Precisarão de cuidados especiais se quisermos o sucesso deles. Mas Luna Lovegood e eu acreditamos que esse concurso pode fazer uma grande diferença em suas vidas.

Harry esqueceu o café. Entendia agora por que tinha desejos por aquela professora. Não era somente pela beleza, determinação e graça. Era pela paixão que borbulhava sob a superfície controlada. Paixão que, naquele momento, era direcionada ao bem-estar de seus alunos. Podia imaginar a paixão que ela direcio­nada a outras coisas também. A ele, por exemplo.

Harry Potter a estava fitando. Estivera olhan­do para ela antes, flertando. Mas agora parecia obser­vá-la com admiração. O olhar era tão intenso que quase a impedia de respirar. Ela lutou por controle. Por que a olharia daquele jeito quando ela estava falando sobre alunos que ele nem conhecia?

- Desculpe-me, mas você não é Harry Potter?

A interrupção quebrou o encanto do momento, e Gina viu uma mulher de meia-idade parada ao lado da mesa, rindo nervosa.

- Sim. Olá! - Harry levantou-se e ofereceu a mão à mulher.

- Sou sua grande fã - disse a mulher, apertando-lhe a mão. - Tive de vir até aqui, para dizer alô.

- Obrigado. - Ele estava sorrindo e Gina notou que parecia completamente sincero. - Qual é o seu nome?

- Helen - respondeu a mulher, obviamente encan­tada pela atenção.

- Muito prazer, Helen. Gosta do café do Luciano tanto quanto eu?

Gina observou-o jogar charme e aceitar os elogios com graça especial. Então isso era ser famoso. Você tinha de sofrer interrupções, invasões de priva­cidade e parecer adorar isso.

Ele provavelmente adorava, pensou ela quando Harry pediu a Luciano uma caneta para autografar o guardanapo de papel para Helen. Pessoalmente, Gina não podia imaginar nada pior. Crescendo cercada de pessoas, em casas compartilhadas e comunidades hippies por todo o Canadá, aprendera a preservar sua privacidade.

Depois que a mulher voltou contente para a sua mesa, Harry se sentou e sorriu.

- Desculpe-me. Ossos do ofício.

- Esta é uma das coisas que gostaria de discutir com você - disse ela. - Victoire e Teddy já se mostram vulneráveis o suficiente sem serem o foco da atenção da imprensa. Não permitiremos que seus nomes ou imagens sejam usados para publicidade sem a permis­são dos pais e da escola. Se você falar com a impren­sa sobre o que está fazendo, terá de respeitar o anoni­mato deles.

- É claro - disse ele. - Concordei com as condições da escola e as respeitarei.

- Ótimo. - Ela terminou o café e levantou-se, co­locando a xícara no pires. - Sei que é um homem ocupado, Sr. Potter, portanto, deixarei que volte ao trabalho. Estou satisfeita com o fato de termos nos entendido.

Todavia, Gina sabia que não estava sendo sin­cera. Ela e Harry Potter vinham de dois mundos diferentes. Não haviam se entendido e jamais se en­tenderiam.

Nota: Eis o capítulo dois. Espero que gostem. Beijos e até semana que vem.

Juh.