SAILOR MOON ZODIAC – The Lost Canvas

1-Piscis

Passos rápidos pelo vilarejo do Santuário. Vestindo-se de uma alva capa, carregando pacotes. Tropeços ignorados. O alvo é a Casa de Peixes.

-Ana? – disse uma voz que retumbava da grande banheira.

-Sou eu, mestre Albafica! Trouxe os legumes para o jantar... – respondeu a encapuzada, que deixava os pacotes em uma mesa na saleta de entrada.

Albafica se remexera em meio a água quente, fazendo pequenas ondas. Ana acabara de tirar o capuz, revelando uma adolescente, quase mulher. Cabelos longos e lisos presos em duas marias-chiquinhas. O tom azul-anil brilhava na cabeleira da jovem.

-Ana, pode vir aqui, por favor? – disse Albafica.

-Sim, senhor, Mestre Albafica.

-Ora, Ana, somos amigos de infância! Tu és a filha de meu falecido mestre, convivemos com os venenos desde a tenra idade... Não me trate como superior! – resmungou o cavaleiro de Peixes.

Ana adentrou ao recinto, mas logo virou-se de costas para a banheira, corada. Albafica fez uma careta e logo se desculpou, nadando até uma camisola branca de linho e vestindo-a.

-Ei, ei! Pode se virar. Já vesti a camisola. – disse o cavaleiro.

A menina se virou, ainda corada. O rapaz fez um sinal para ela entrar na banheira, sendo respondido com um grandioso não pela cabeça:

-Isso é ridículo! – bufou Ana.

-Ué, quando pequenos brincávamos no lago!

-Não somos mais crianças, Albafica! – mal terminou de dizer e o cavaleiro puxou-a para a banheira com tudo, ignorando o pudor da menina.

Ela urrou de raiva. E Albafica riu, riu e riu. Passado o susto, Ana começou a fazer massagem nas costas do amigo, que deixara a camisola cair um pouco, mostrando as costas cheias de cicatrizes.

-Albafica... – lamentou Ana. – Tu não mereces sofrer tanto...

-Ana...

O cavaleiro virou-se para a jovem, segurou-lhe o queixo, fazendo-a olhar para ele. Os olhos assustados da menina faiscaram

-Ana, por que não diz logo que me ama? – mal terminou de dizer esta frase e Albafica beijou ternamente a menina. Passado um longo tempo, se separaram.

-Juro-te... Passado estas lutas, viveremos juntos, Ana! Sempre!

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No dia seguinte, a sala estava matizada de resto de sangue. Ana vinha correndo da cozinha, escutando o pesado barulho de passos de alguém trajando uma armadura. Shion acabara de deitar um corpo inerte no sofá da sala.

-Meu Deus! – murmurou Ana, colocando as mãos na boca, como quem não acreditasse no que visse.

-Sinto muito, senhorita... Albafica era um dos nos-...

-CALE-SE, IMBECIL! – bradou a moça. – Iria dizer que Albafica foi um dos melhores dentre vocês?

-Eu...

-Chega! Albafica só tinha valor bélico para Atena! Maldita seja a deusa da guerra e da sabedoria! – e juntando alguns ovos que segurava, jogou-os em Shion.

Shion se retirou, não por medo, mas por respeito. Ana apenas correu ao corpo de Albafica, chorosa. Beijou-lhe a testa e os lábios frios, acariciando-lhe a face pálida e matizada.

-Albafica... Tu não podias me ferir assim... Tu cumprirás em outra vida tua promessa. – murmurou a jovem.

Uma luz preencheu a saleta. O espírito de Albafica vinha despedir-se, carregando consigo uma pequena luz. Ana levantou-se temerosa, ficando a frente do espírito.

-Ana, trago-te este pequeno artefato. Transformará você em guerreira da constelação de Peixes em meu lugar. Diga: "Pelo poder da constelação de Peixes transformação!"

A mão sublime do cavaleiro pousou nas de Ana, deixando uma singela caneta azulada, com estrela dourada, dentro, um cristal azul com o símbolo de peixes. Mal esta empunhou a caneta e o espírito sumiu, deixando-a só.

-Vingar-te-ei, meu amado Albafica! Sob forma de Sailor Peixes, Atena perecerá! – e franzindo a testa, Ana converteu-se em Sailor Peixes.

2-Aries

O cheiro de almoço recendia em um pequeno casebre próximo a casa de Áries, o fogo do fogão a lenha era aceso num estalar de dedos, literalmente, pelo aspirante a cavaleiro Asturion. Seu mestre era Shion de Áries, o cavaleiro lemuriano.

Asturion era franzino, loiro de cabelos curtos, olhar doce de menina. A porta abriu-se, revelando Shion de roupas de Jamiel, olhar severo.

-Ah, mestre Shion. Fiz um almoço para o senhor. Em breve retomaremos os treinos! – sorriu Asturion.

-Não, não retomaremos mais os treinos. Por favor Asturion, as batalhas que se seguiram são ferrenhas demais! Não posso permitir que um garoto tão gentil morra agora...

-Mas, mestre Shion! – retrucou o rapaz.

-Esta é uma ordem. –disse por fim firmemente o cavaleiro.

Asturion, contrariado, fez as malas (ou sacoletas) e saiu do casebre. Chegando próximo a saída do Santuário, parou e deitou na relva verde, chorando.

-Oh, mestre Shion... Será que o senhor descobriu que na verdade sou uma garota, e que me chamo Lídia? – murmurou a aspirante. – Por isso que o senhor me botou para fora?

Um brilho forte tomou o campo. Um carneiro dourado imponente surgiu, pegando fogo. Lídia correu amedrontada alguns metros, mas depois pensou em enfrentar a criatura bizarra.

-Lídia, tu sabes por que és capaz de criar o fogo ao simples estalar de dedos? – disse o carneiro, quase que em pensamento.

Os olhos faiscaram e do carneiro, as chamas correram em busca do corpo da garota, que pegou fogo instantaneamente. A jovem berrava, mas apenas de susto, pois aquelas chamas não a queimava!

-Tu és a Sailor Áries, mestra da chamas... Vamos, diga "transformação"!

As chamas terminaram por se consumir e a figura que sobrou foi a de Sailor Áries, como nós a conhecemos!

-Vá e lute por Atena! Pelo amor e justiça sobre Terra! – bradou o carneiro que sumiu.

3-Libra

Dohko vinha caminhando pela floresta, próxima a Itália. Depois de levar Tenma para o Santuário, este recebera a missão de investigar pela região. Chovia muito, mas ele ignorava aquela água.

Mais a frente, ele percebeu que a chuva repentinamente parara e logo a frente, uma moça caída no chão. Correu em auxílio a pobre coitada, caída de bruços, virando-a, para deita-la em seu colo, apoiando-a em seus braços.

Tinha uma face tão bela quanto a de um anjo, triste e sofrida, mas bela. Mas seus olhos foram vazados, pois verdadeiras lágrimas de sangue escorriam de seus olhos. Mas respirava e tinha pulso firme.

-Como podem fazer isto com uma moça? – remoeu-se o cavaleiro em lágrima silenciosas e espontâneas.

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Dohko alugara um pequeno quarto em uma estalagenzinha próxima ao Santuário. A pobre moça estava deitada, com faixas aos olhos. Libra permanecia sentado na imensa janela, observando a cidadela. Reparou que a moça estava deitada na cama, movendo os braços em busca de algo no ar.

-Está tudo bem com a senhorita?

-Quem é você? Onde estou? – indagou a jovem.

-Me chamo Dohko, sou um cavaleiro de ouro. Pode ficar em paz, pois está em segurança agora... Como se chama?

-Castela...

Dohko parou um instante para observar os movimentos de braços vacilantes de Castela.

-Senhorita Castela... Por que te fizeram tamanho mal? – indagou receoso o cavaleiro.

-Foi minha família... Eles não aceitaram minha missão dada pelos deuses! Jamais aceitariam uma mulher em combate... – explicou Castela, retirando as faixas, revelando seu rosto belo, de olhos fechados. Então, do bolso, ela retirou uma caneta rosada, com uma estrelas dourada e dentro dela, um cristalzinho do mesmo tom de rosa com o emblema de Libra.

-O... O que é isso? – indagou Dohko, confuso diante daquele objeto estrenho a seus olhos.

-Este artefato me permite transformar em Sailor Libra... Sou uma Sailor Zodiac, serva da deusa Niké, a mesma que dá a vitória a Zeus e Atena. Eu me dirigia ao Santuário para falar com a senhora Atena. – disse Castela.

-Sailors... Zodiac...? Nunca ouvi falar...

-Se nem os cavaleiros de ouro ouviram falar... Realmente eu estaria perdida. – suspirou a moça. – Mas, mesmo sem enxergar, Dohko, eu posso ver sua alma...

"E ela, um amigo... É muito bela..."