CAPITULO 1
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"Senhores Passageiros, antes de entrar no elevador verifiquem se o mesmo encontra-se parado neste andar."
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Fiquei parada por alguns instantes fitando a placa a frente. Realmente só um completo retardado mental não observaria o conteúdo de um elevador – três paredes em um inox de brilho fosco, um ar condicionado potente, o numero dos andares com um luminoso vermelho e a musiquinha irritante, que por algum motivo diziam que servia para acalmar, bem, não me acalmava.
Batia o pé furiosamente contra o chão, tendo como um objetivo fácil perfurar o mármore creme sob meus pés até diminuir a minha irritação por ter que passar a próxima hora vigiando corredores e salas do sexto andar; quando bem poderia estar me aninhando em meus cobertores quentinhos e ter um descente sono da beleza- coisa rara hoje em dia.
Ser anunciada como monitora chefe, teve sim um certo quê de orgulho e poder, mas se soubesse que esses ínfimos benefícios viriam acompanhados de rondas intermináveis e relatórios de uma dúzia de paginas com certeza choraria.
Finalmente, o elevador chega fazendo-me ter uma leve curva aos lábios. Vamos lá, dois minutos de "Garota de Ipanema" não me matariam, mas chegaria próximo. Apertei no seis e imediatamente retirei do bolso do meu casaco preto padrão o ipod, colocando os fones no ouvido e pondo a todo vapor Parachute para tocar.
Tamborilei os meus dedos na fria parede de aço ao meu lado dando ritmo a musica, fechei os olhos e tentei acalmar o meu coração. Tinha muitas coisas ao que pensar e resolvi ver o lado bom da ronda e utilizar esse período para colocar meus pensamentos em ordem e decidir o que faria em minha vida. E tudo seria com o menor índice de drama possível. No drama.
Saindo alegremente do cubículo musical, retirei um fone de ouvido deixando a Cheryl cantar em apenas um e fui fazer o meu querido trabalho sujo. Ou seja, acabar com toda a alegria adolescente de amassos, sexo explicito, fuga e roubo na propriedade gigantesca de Hogwarts. Mas graças ao meu bom Deus, somente o sexto andar era de minha responsabilidade, quer dizer, o escuro e longo sexto andar. Cheio de curvas e possibilidades infinitas para armações.
Geralmente eu pouco me importava com pequenas infrações, desde que elas não me deixassem corada, tudo bem, eu deixava passar, mas ao contrário, o apito tocava e as queridas câmeras colocadas a cada 100 metros fariam o trabalho sujo.
Fui até a imensa janela mais próxima para observar o tempo. Já estava escuro e o começo do outono já deixava marcas nas arvores ao lado do lago e posteriormente na floresta. Já fazia um tempo que não caminhava por entre a escuridão das arvores, com suas sombras negras que a apavorava e a excitava, e a fazia se imaginar em um romance do século XIX.
Sorrio de si mesma e voltou a caminhar. Amanhã levantaria bem cedo e iria à floresta enquanto a neblina ainda estivesse. Seria a paisagem ideal para um de seus quadros.
Depois de alguns quinze passos, sua mente voltou a se inundar com os acontecimentos da tarde; do modo como Brian Todd pegou em sua mão e pediu quase que encarecidamente por um encontro e também como aquela cena a incomodou como uma tormenta. Era fato e sua amiga mais próxima já sabia da sua dificuldade em relacionamento amoroso. Era como em um romance de saga quando sempre no segundo livro o casal se separa. Fato. Ela sabia que sentia medo do amor e de se envolver e chorar e chorar por ter um coração partido. Gostava de estar no controle de suas emoções, e quando saia em alguns encontros, eles sempre duravam até onde ela pudesse suportar. Parecia estranho, mas ela era assim, fazer o que.
Lembrou-se de Todd novamente; seus cabelos castanhos, em suas covinhas quando sorria, em seu porte alto, corpo esguio e forte e olhos aterradores, de um cinza tão profundo que chegava a deslumbrar. Ele era gentil e fazia parte do grupo classe media alta com pais empresários do ramo da informática. Tinha boas notas, histórico interessante e curto de namoradas e aparentemente com fins de relação indolores.
Quase perfeito para uma tentativa.
Sim, estava determinada a sanar essa fobia de vez e se entranhar a um garoto. Talvez assim, ela também ficasse bestificada, começasse a chamar um ao outro em diminutivos e sonharia com bolos e decorações de festa.
Passara por mais um corredor, com suas luzes baixas fazendo com que sombras em forma de garra aparecessem por entre as paredes negras, seus passos ecoavam e se misturavam com o tic-tac do relógio matre de cada andar, lá fora ventava e o vento zumbia, e ela pensara que isso era uma bela cacofonia.
Já passara pelas estatuas quando seu pé encontrou a quina de um dos assentos de madeira que ficavam de cada lado do corredor. Madeira pura contra o pequeno pedaço de carne que era o seu mindinho. Abafou o grito e os palavrões seguintes, levantando a perna para segurar seu dedo mais propriamente. Pulou algumas vezes e finalmente seus olhos se abriram, sentindo a dor latejar mais fracamente. Retirou o suor de sua testa com as costas da mão direita e sentou no banco respirando fundo em uma espécie de alivio. Ficou a observar a noite mal iluminada e o poderoso vento quando achou que tivesse escutado algo.
Era um chiado, talvez um rato ou um dos gatos dos alunos, pensou. Escutou de novo. Seu alarme interno apontou que algo estava realmente acontecendo. Amarrou seu longo cabelo rubro em um coque frouxo e em passos lentos e quase que imperceptível tentou se aproximar do local onde achara ter escutado algo.
Virando o terceiro corredor da ala leste, o chiado aumentara. A alcova. Seu pensamento denunciara o local já comum de tantas travessuras, a famosa alcova entre os quadros ancestrais. Tão típico e cansativo, que já espera ver um terceiro-anista com sorriso amarelo com trajes para dormir fazendo alguma bobagem. Talvez até pichando um dos quadros.
Endireitou os ombros e fez sua cara das mais sérias daquelas que impressionam, para fazer o garoto urinar nas calças quando uma frase quebrou todo o encanto.
- Você gosta assim, não é?
Uma voz fininha, tentando ao máximo ser sexy soou pelo local. Lily riu, sempre ria com as garotas "super-sexies" da escola.
Um gemido masculino foi ouvido. Era a resposta da pergunta?
Dera mais um passo a frente, talvez com a iluminação vindo da esquerda desse para ver quem era o casal safadinho. Um, dois passos e voilá.
Seu corpo todo endureceu, ficara em uma espécie de transe. Não poderia, não seria.
Mas era.
Ele estava encostado na parede, seu porte alto fazia uma grande sombra sob o chão, seus cabelos estavam desgrenhados e colados na testa pelo suor. Seus olhos estavam fechados por detrás dos óculos de grau de armação negra, mordiscava ligeiramente o lábio inferior. Sua camisa branca social estava completamente aberta, mostrando suas aureolas rosadas e a continuidade de seus músculos superiores, inferiores e oblíquos bem trabalhados, quase tencionados, formando ondas leves em seu ventre. Estava ainda mais bronzeado e podia-se ver gotículas de suor viajando por sua pele e terminando no final de sua barriga.
Lily respirou mais forte
Uma de suas mãos estava encostada na parede, espalmada, enquanto a outra segurava com força por entre seus dedos finos e longos os cabelos loiros de farmácia que ela já conhecia de quem. Suas pernas estavam entreabertas, e ela já sabia que sua calça preta estava aberta. Dava para perceber pelo caminho do pecado que começava após seu umbigo e terminava em seu baixo ventre.
Ela sabia que aquelas mãos eram calejadas. Ela sabia que ele estava gostando, e muito. Ela sabia.
- Não consegue falar, eh? Ora, ora, mereço então ir à festa com você, já que o deixei sem palavras.
Voz oleosa.
- Cala essa sua boca e chupa!
Ele falou, mas em nenhum momento seu tom era amoroso, era grosso, autoritário, tão típico dele. Ela era só um objeto a ser usado e descartado.
A loira voltou ao seu trabalho, ajoelhada no chão de mármore, seus joelhos deveriam estar doendo, pois seu corpo todo pendia em direção ao baixo ventre do troglodita. Seus cabelos loiros, lisos e compridos caiam por suas costas e chegavam até após a sua cintura, sua roupa estava perfeitamente posta.
Aquilo era só um boquete de negócios.
Hilário, não?
Ele continuou a empurrar e soltar a cabeça loira em direção a sua genitália por alguns minutos e tudo que Lily podia fazer era olhar paralisada a cena à frente. Ela lembrava daquela boca, agora só um traço em seu rosto fino, beijando-a ardentemente. Lembrava daquelas mãos calejadas apertando seus seios, suas costas. Lembrava daqueles gemidos baixos em sua orelha. Ela lembrava.
Esfregou o canto dos olhos, pensando ser uma miragem e tentou não perceber o calor em seu baixo ventre aumentar ao pensar nele. Não. Não podia.
Os gemidos continuavam e seu coração apenas batia revivendo um passado de um absurdo quase glorioso.
Os olhos dele estreitaram e ela sabia que ele estava chegando ao seu fim, aproveitou ao escutar um som parecido com o de um saca rolhas vindo do fato da garota soltar seu "pirulito" por um minuto e deu um passo a frente. O encarou com toda a força que tinha, queria que seus olhos fritassem o rosto dele.
- Eu não disse pr...
Começou a reclamar pela pausa mal ajustada da garota. Mas então, ele a viu, olhos castanhos um tanto nublados pelo prazer a encaravam. Ele lambeu o lábio inferior e deu uma leve piscadela. Voltou a empurrar a cabeça da garota contra si, desdenhoso.
Ela revirou os olhos e colocou o apito entre os lábios.
Ele sorri, malicioso e assopra um beijo para ela.
Ela respira fortemente e projeta o ar para o objeto de ferro entre seus lábios. O apito toca. As luzes se ascendem, a câmera e seu lindo ponto vermelho brilhante gira e ela declara.
- Setenta pontos a menos para a casa da Grifinória e setenta pontos a menos para a casa Lufa Lufa por comportamento obsceno nos terrenos de Hogwarts. Detenção na próxima sexta.
Ele a observa atentamente, seus olhos comendo-a dos pés a cabeça enquanto ela decreta a frase. Um arrepio passa por sua coluna com aquele olhar.
A menina se levanta e esconde sua cabeça no peito musculoso dele, ele a abraça pela cintura e diz algo em seu ouvido, mas nunca tirando os olhos dela. Aquilo era uma guerra.
Lily solta o seu cabelo, e enquanto ele cai como cascata por suas costas adornando-a, junta toda a sua força e usa uma cara cínica para sorrir e falar vitoriosamente.
- Preparem seus joelhos. Limparam algumas salas - ela inclina levemente a cabeça e ajeita alguns fios rubros atrás da orelha - Mas pelo que eu vejo alguns de vocês tem experiência nessa posição. Vai ser moleza.
Ela estrala a língua e aprecia o seu tiro de misericórdia muito bem feito.
Colocando os fones novamente no ouvido e sai imediatamente, trotando o melhor possível, mas não antes de escutar um "Vaca" sair da boca suja da oxigenada.
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Seu trote aumenta até chegar às escadas, a partir dali, corre nervosamente, subindo o mais rápido possível os lances, pulando de dois em dois rumo ao seu quarto no sétimo andar. Corre mais um pouco e chega ao quadro da mulher gorda, abaixo dele digita os cinco dígitos do código de entrada, e adentra ao salão comunal vermelho e dourado de sua casa. O fogo ainda queimava nas lareiras e pouquíssimas pessoas ainda estavam deitadas nas poltronas, alguns jogavam xadrez outros assistiam televisão, entre as planas postas na parede perto da janela.
Todos pareciam entediados.
Sorriu para os poucos que perceberam sua presença ali, e continuou a andar, indo para o seu quarto exclusivo de monitora. Ficou observando por um tempo os vincos da sua porta de mogno, tentando ludibriar a mente. Seu coração ainda estava acelerado e um sentimento de traição beliscava seu peito com profundidade, talvez fosse despeito talvez fosse outra coisa, "coisa" esta que a fazia muito mal.
Se jogou em um impulso em sua cama, sentindo os lençóis frios sob seu corpo, ficou ali por um tempo, tentou chorar, mas não conseguiu. Levantou e fez a única coisa que sua mãe sempre a ensinara para acalmar os ânimos; sentou-se em sua penteadeira de madeira branca e levou a sua escova com leveza ao seu cabelo. Passadas e mais passadas, alisando, amaciando seu cabelo e curando as feridas de seu coração. Quando sua respiração já estava mais compassada e a menção de um certo par de olhos castanho esverdeados já não causava dor, trocou de roupa e vestiu o seu pijama mais confortável, aquele dos ursinhos carinhosos; caminhou até a janela e ligou o radio baixinho no ínterim.
Ficou fitando a mistura de negro, grafite e cinza claro por sua janela por um tempo, tentando não lidar com a realidade e imaginando coisas romanticamente impossíveis. Ouviu uma batida em sua porta e perguntou-se se Mary já acabara com a quantidade de doces absurda que ambas tinham comprado na ultima visita a Dedos de Mel, e vinhera pedir emprestado a essa hora da noite. Maldito vicio.
Passou a mão pelo cabelo e abriu a porta massageando os pés nas cerdas do tapete à frente. Uma menina de aproximadamente onze anos estava à porta, seu rosto era cheio de sardas e havia tranças em ambos os lados de seus cabelos encaracolados e ruivos. Em sua mão havia um envelope, e ela sorriu ao entregá-lo mostrando uma falha em seu incisivo central.
- Obrigada Emma, foi muito gentil da sua parte – falou, acariciando as pontas ruivas de seu cabelo. – Mas quem lhe deu o envelope?
Ela sorriu mais ainda e com as mãos pediu para que abaixa-se, colocou seu rosto junto ao ouvido e disse.
- O seu namorado.
- Mas eu não tenho namorado – disse desentendida.
Ela fez uma cara estranha, levantando o nariz ao extremo e juntando os olhos.
- O rapaz de óculos, aquele grandão do time de futebol, que usa um negocio amarelo no braço.
- Ahhh o capitão... Entendi - falou, fingindo um sorriso – Já que você já fez o que ele te pediu, vá agora para sua cama, amanhã as aulas começam cedo pra você Emma.
- Tchau Lily.
Com o envelope na mão Lily observou o galopar saltitante da menina pelo corredor.
Uma felicidade tão inocente que ela mesmo não mais possuía.
Fechou a porta e passou o trinco, caminhou calmamente até a cama e sentou-se a beirada, ligou o abajur e observou um pouco o envelope de cor creme, passou seus dedos finos sobre e fechou os olhos. Não havia esperanças nem emoções, delicadamente puxou a ponta e o abriu..
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I'm miles from where you are,
I lay down on the cold ground and I
I pray that something picks me up
And sets me down in your warm arms
Você se lembra?
Pois eu não esqueço
jp
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A bela caligrafia masculina estava recheada de crueldade. A musica. A musica.
E de repente a carta pesou muito nas mãos de Lily. E ela descobriu que aquilo não era o bastante.
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_ Considerações:
Cheryl Cole – cantora pop britânica e jurada do X factor..
Parachute – musica do primeiro cd da Cheryl Cole – 3 words
A musica final é :Set the fire to the third bar – Snow Patrol.
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Bem, como já sabem não escrevo capítulos longos, quase intermináveis. Não possuo esse dom. Todavia alcancei o meu gol neste e espero que tenham gostado tanto quanto eu.
Criticas e elogios são bem vindos e vocês sabem que possuo um senso de humor impar, então escrevam mesmo.
Um beijo especial para a minha beta Taline, que me atura no msn e me dá altas broncas (bem se voltei a escrever foi por insistência dela).
Quanto a perguntas relacionadas a OMFG! relaxem, quem sabe tenho um surto de inspiração um dia desses.
Beijocas N. Baudelaire
?haha
Reviews:
Thaty - você é praticamente uma lenda no fanfiction, e fiquei realmente muito feliz de ser vc a primeira a escrever, yeah! Bem, bem 100% não estou...mas quem está, não é? Beijos e me diga o que achou desse capitulo, eu mudei não foi?
Girl Storm: te adoro, só isso.
Bruna: leitora antiga hein hehe Isso me fez soar tão velha, praticamente sexagenária. However, então também to rezando pra inspiração aparecer principalmente em OMFG, pq sinceramente travei e não sei como sair (ideias serão aceitas). Bjuxx
CaroldoubleS: e eu que achei que falava muito palavrão hahahahahahaha! Melhor review ever! Vc juntou todos os palavrões de maior efeito moral. Uma bomba! Dercy Gonçalves está sorrindo no céu! E juro, fiquei embasbacada por uns 5 minutos só com a primeira frase. Leitora antiga tbem, ahhhh até que enfim vcs estão mostrando seus rostinhos garotas! Eu amo review, é incentivo. Ahh você ficou queimando...e agora depois de ler esse, tá só maresia? Bjocas
Carol Mamoru: Caramba! Fico feliz que vc tenha estado tão alegre com a minha volta! E que tenha lido tantas vezes as minhas fics. Vamos fazer um trato? Já que vc leu tantas vezes OMFG que tal vc me dar idéias pro possível próximo capitulo, hein? Não seja tímida... Quero ver sua próxima review !Beijos
Lariii H: Amiga, eu te adoro muito, de verdade! Vc foi uma das pessoas que me deu mais força pra voltar, então meio que essa fic é em sua honra. Beijocas triplas.
Beijocas tbém para: May B, Mrs. Mandy Black, 1 Lily Evans, 28Lily, Lyric T. , Viic M..
Review ajuda na auto estima do autor, e eu já tô lascada da cabeça, então...
Até sexta.
