Hogwarts

Havia algo em começar a ir para Hogwarts que dava a Lysandra a sensação de ser crescida. Ela sabia que ainda não era uma adulta, mas sentia que também não era mais criança. E o segredo da segunda varinha também contribuía para isso.

Ela logo encontrou com as amigas e elas estavam conversando animadamente quando Arcturus chegou para cumprimentá-las e começou a flertar com ela. Ela adorou a atenção, embora tenha ficado um pouco envergonhada. E adorou ainda mais quando ele realmente trouxe chocolate para elas. Entre as duas visitas de Arcturus, elas foram incomodadas por um trio de nascidos muggles que pensaram que poderiam intimidá-las e um horrendo prefeito Weasley.

Assim que a segunda visita de Arcturus acabou, as meninas começaram a provocar Lysandra sobre as atenções do rapaz.

"Ele é um bom partido.", argumentou Lys. "Bonito, educado, nos deu chocolate e o principal: é um bruxo tradicional. Eu acho que se eu tivesse que me casar com um dos nossos outros visitantes, eu iria preferir morrer ou perder minha magia."

"Lys! Não fale uma coisa dessas nem brincando!", horrorizou-se Circe.

"Qual parte? Casar com um deles, mor..."

"Nenhuma dessas!", interrompeu Belvina. "Todas são horríveis demais. Nós estamos indo para Hogwarts e deveríamos falar sobre coisas mais agradáveis."

"Sabe, nem todos os nascidos muggles são ruins. Pense em Bowman Wright.", disse Circe.

"Circe! Quadribol! Jones! Nossa tataravó!", disse Lysandra, entusiástica e misteriosamente.

"Você acha que podemos? Esquece, é claro que podemos! Mas como vamos fazer isso, como vamos escolher?"

"Ei! Vocês podem nos dar uma idéia de sobre o que estão falando?", perguntou Tabitha.

"Nossa tataravó, Lilith Greengrass, quando estava em Hogwarts, ficou amiga de uma bruxa nascida muggle. Com muito carinho e orientação, essa bruxa, chamada Mary Jones, começou a seguir nossos costumes e fundou a família Jones.", respondeu Lys.

"Eu vou dizer para os meus pais que é um experimento social.", afirmou Belvina.

"Eu também. E como vamos escolher a colega que iremos ajudar?", acrescentou Georgiana.

"Pode até ser mais de uma. Podemos até ajudar algum menino, se ele não for totalmente idiota.", respondeu Lysandra. "Vamos observar os nascidos muggles. Iremos nos aproximar dos que mostrarem potencial."

"Potencial? Que tipo de potencial?", perguntou Melusine.

"Talento. Inteligência.", começou Lysandra.

"Boas maneiras. Charme. Podemos começar explicando o que é um grimoire e como ele funciona.", acrescentou Circe.

"Assim iremos ver quem realmente vale a pena. Gostei disso."

As aulas eram divertidas, mas nada se comparava ao Clube de Duelos. Em menos de dois meses, ela já tinha sido promovida para a categoria dois! Assim que o primeiro duelo dessa categoria terminou, com a vitória dela, claro, as meninas se reuniram em uma sala para festejar. Além das cinco amigas de infância, três das mais promissoras nascidas muggles haviam sido convidadas, Katherine Evans, de Ravenclaw, Mary Southwood, de Hufflepuff e Elizabeth Molyneaux, de Gryffindor.

As três estavam espantadas e animadas com a idéia de duelar. Não era considerado apropriado para mulheres muggles, mas todas elas tinham histórias sobre homens que conheciam duelando, com espadas ou pistolas.

"Eu ainda não consegui entender o que é uma pistola.", reclamou Lys.

"Você sabe o que é um canhão?", perguntou Elizabeth.

"Sei. São grandes coisas de metal que jogam bolas de metal longe. Eles usam para atacar castelos."

"Pistolas são como canhões em miniatura.", a explicação não conseguiu dissipar o ar de confusão das outras bruxas. "Se vocês me visitarem no feriado eu peço para meu pai mostrar, será mais fácil de entender."

Essa foi a deixa para a mudança de assunto e a explicação do significado do Yule, das cerimônias e rituais que poderiam ser realizados nessa época do ano.

O talento de Lysandra em Duelos, sua beleza e inteligência, lhe renderam muitos admiradores. Já no primeiro ano dois deles começaram a se destacar, Arcturus Black e Octavius Malfoy. Os dois eram opostos em aparência como o dia e a noite, um moreno de olhos escuros e o outro loiro de pálidos olhos azuis. Apesar disso, ambos eram bonitos e elegantes, além de excelentes duelistas, o que esfriava o entusiasmo dos outros concorrentes. Lembrando do conselho que a mãe dera a Sirius sobre Hesper Gamp, Arcturus começou a mandar presentinhos para Lysandra, como flores e chocolates. Octavius o imitou na primeira ocasião que teve.

A moça se sentia lisonjeada com a atenção, mas não pensava muito nisso, afinal, ela tinha só doze anos e ainda preferia brincar a namorar. Seu primo tentou se juntar a seus admiradores, mas a moça não entendia as atenções dele como qualquer coisa além de afeição e responsabilidade familiar.

"Lysandra, você fica mais bonita a cada dia que passa."

"Obrigada, Gil. Mas por que o elogio? Você está querendo alguma coisa de mim?"

"Só por que eu sou um Slytherin não posso admirar você?", brincou.

"É a primeira coisa que eu penso, quando alguém começa a me elogiar logo no começo da conversa. 'Você é tão inteligente! Pode me ajudar nessa tarefa?' e coisas do gênero."

"Por mais talentosa que você seja, não deve conseguir me ajudar com as tarefas do quarto ano. A única coisa que eu quero é a sua companhia. Vamos caminhar à beira do lago?", perguntou o rapaz, oferecendo o braço.

"Claro! Como são as aulas de Trato de Criaturas Mágicas?"

"Ravenclaws são sempre obcecados por aulas e estudos.", provocou. "É interessante, nós estamos aprendendo sobre pegasi agora."

A menina passou a questioná-lo a fundo sobre o assunto, não vendo absolutamente nada de romântico nisso, enquanto o rapaz se congratulava internamente por ter mais sucesso que seus outros dois concorrentes.

A visita aos Molyneaux no feriado de Yule foi estranha e interessante. As seis meninas, pais e irmãos passaram um dia na mansão. Os condes ficaram horrorizados ao saberem que todas as mulheres trabalhavam, nenhuma delas por necessidade e que uma mulher poderia se casar e não usar o nome do marido, se não quisesse. O horror deu lugar ao orgulho quando Elizabeth explicou seus planos para fundar a família Molyneaux no mundo bruxo. E a mãe da menina disse que tinha certeza de que Jane Austen aprovaria isso.

"Jane Austen?"

"Uma escritora muito famosa em nosso mundo. Eu sou uma fã dela."

"É a irmã de Elizabeth Austen! A que escreveu um romance muggle baseado no casamento da irmã com Phlegethon Darcy."

"Esse nome é ainda mais estranho que Fitzwilliam. As cartas que Cassandra Austen destruiu deveriam ter referências ao mundo de vocês! Isso é tão fantástico!", a condessa desmaiou de excitamento segundos depois de terminar essa frase. As bruxas secretamente culparam o espartilho que ela usava.

As aulas de tiro à tarde foram muito divertidas. O irmão de Elizabeth tentou argumentar que isso não era apropriado para damas, mas foi derrotado em seu argumento quando soube que algumas das mulheres trabalhavam prendendo criminosos. A prática com arco e flecha ajudou com a mira de Lysandra, que foi a melhor em seu grupo atirando. Mesmo assim ela foi muito ruim, mas isso não impediu que ela ficasse interessada. Infelizmente, seus parentes se recusaram a permitir que ela continuasse aprendendo a atirar.

Elizabeth, Katherine e Mary passariam o solstício de inverno no 'Recanto de Leda', uma das propriedades da família Greengrass, assim como as outras meninas do grupo.

No segundo ano, Lysandra descobriu uma paixão por história. Não a das aulas de Binns, é claro. Tudo começou com sapo de chocolate que Arcturus lhe dera. A figurinha era de Alberta Toothill, a famosa duelista. Com sua paixão por duelos, ela resolveu estudar os duelistas famosos, seus estilos e truques. No final do ano ela tinha um calhamaço de informações sobre vários bruxos, bruxas, goblins, gigantes e outras criaturas, um arsenal de feitiços e táticas muito ampliado e suas notas em História passaram de EE para O.

Ela e Georgiana juntaram esforços para estudar História independentemente e tinham o audacioso propósito de prestar os exames mais cedo, o que as livraria das horrendas aulas de Binns, cuja única qualidade era não notar o que eles faziam em sala, a não ser que alguém perguntasse algo para ele. O que significava tempo livre para a pesquisa independente.

Suas já impressionantes habilidades em duelo melhoraram ainda mais e a única coisa que a atrapalhava, era que sua magia ainda não tinha terminado de se formar. Ela não poderia, por exemplo, lançar alguns dos feitiços que Gifford Ollerton criara para combater gigantes, mas podia usar muitos dos feitiços que a maioria de seus colegas só aprenderia nos últimos anos de Hogwarts, se tanto.

O terceiro ano de Lysandra em Hogwarts foi marcado por três eventos importantes, em sua opinião. E outro muito importante fora de Hogwarts.

O primeiro evento importante foi o começo das matérias opcionais. Ela escolheu três matérias diferentes, Aritmancia, Runas e Trato de Criaturas Mágicas. Embora essa última tenha sido um sucesso com todos os alunos, especialmente nas lições sobre puffskeins, a favorita dessas três para Lysandra era Runas.

A descoberta da atração física foi o segundo evento. Ela teve seu primeiro beijo com um colega de Ravenclaw, Raymond Bragge, na sala comum, em uma festa depois da vitória do time deles contra Hufflepuff.

"Você quer ir comigo para Hogsmeade no fim de semana que vem?", perguntou ele antes deles se separarem para a noite. "Passear pela vila, almoçar no Três Vassouras, essas coisas. Juntos. Como um casal."

"Claro. Por que não?"

Na terça-feira ele cancelou o encontro, com medo dos olhares que Octavius Malfoy, Arcturus Black e Gilbert Yaxley lançavam em sua direção. Eles não precisaram nem ameaçá-lo ou amaldiçoá-lo. Lysandra riu e brincou com as amigas sobre isso 'Está claro por que ele não foi para Gryffindor como o pai. Imagine que excelente Auror ele será!'.

Mas depois disso, ela decidiu ser discreta em suas poucas aventuras em Hogwarts. A mais constante dessas aventuras era com Vivienne Dunbar, uma Ravenclaw do sexto ano, com quem ela se encontrou até a moça se formar. Elas chegaram a brincar com a idéia de um casamento múltiplo no futuro, já que Vivienne também tinha tido encontros com Arcturus e Octavius.

O terceiro evento foi prestar a prova N.O.M de História com Georgiana e os alunos do quinto ano, que acreditavam que a motivação delas era apenas se livrar das aulas de Binns. Ambas passaram com not currículo do próximo ano iria ser planejado para permitir que elas estudassem junto com os poucos alunos do sexto ano que se aventurariam a continuar o curso. Arcturus deu um par de pistolas de duelo para ela, como um presente secreto para comemorar o feito.

O grande evento fora de Hogwarts foi o casamento de seu irmão Olaf com Pamela Flint, prima de Melusine e sobrinha de Úrsula. Ele parecia feliz, por isso ela estava contente por ele, mas não podia deixar de pensar que a noiva era meio sem graça e que ele poderia ter feito melhor.

A mudança de século no meio do ano letivo não foi considerada tão importante, já que o calendário gregoriano era apenas o mais comum que a comunidade bruxa usava no dia-a-dia, marcando a passagem de três gigantescos cometas mágicos pelo sistema solar. E os passeios em Hogsmeade não eram mais do que o esperado.

As aulas de sexto ano de História da Magia não eram diferentes das aulas dos outros anos. O fantasma do Professor Binns falava e os alunos faziam outras atividades, inclusive estudar a matéria. Georgiana e Lysandra acrescentaram os textos de Beauxbattons aos seus estudos. Os de Durmstrang eram usados desde o segundo ano, herdados de Aurora.

Isso acabou ampliando a visão das duas meninas sobre o mundo mágico. O que parecia ser um importante acontecimento em um país era ignorado em outro e vice-versa. Poucos bruxos conseguiram superar a barreira do território e serem importantes no currículo escolar das três escolas.

Em parte por que o transporte bruxo a longa distância antes da adaptação dos trens era precário. Carpetes voadores eram o meio de transporte mais seguro e confortável nesses casos, mas foram banidos em quase todo o globo, com exceção de parte da Ásia por razões comerciais e políticas. Por melhor que fossem os encantamentos de conforto em uma vassoura, ela não permitia muito movimento, o que deixava a pessoa com câimbras após algumas horas, além de ser individual. O floo não atravessava grandes extensões de água, especialmente quando essa fosse salgada. Lagos e rios eram possíveis de serem contornados, mas não se conseguia ir até a Ilha de Wright, por exemplo. Isso deu início à superstição muggle de que bruxas têm medo de água corrente. Aparatação em longa distância demandava grande poder mágico e capacidade de concentração, sendo impossível para a maioria dos bruxos. O mesmo vale para a criação de portkeys. Carruagens, terrestres ou aladas, necessitavam de muita perícia mágica, ou grandes quantias em dinheiro para contratá-la, para que a viagem transcorresse com conforto e discrição. Embora bruxos de alto nível, mágico e/ou financeiro, frequentemente viajassem pelo mundo para estudar, dificilmente eles deixavam sua marca nos lugares por onde passavam.

Defesa continuou sendo a matéria favorita de Lysandra. Naquele ano, uma das lições mais interessantes, foi criar proteções contra furto e destruição para objetos, começando por pequenos, como uma agulha e indo até um aposento inteiro, montado especialmente para isso fora do castelo, para que as defesas desse não interferissem com o aprendizado.

Mark Prince, assistente da professora de Defesa, Dorothy Peasegood, era o responsável pelo Clube de Duelos e sugeriu que Lysandra participasse do Campeonato Amador de Duelos de Godric's Hollow, em que os duelistas ainda não eram Mestres em Duelos ou Defesa, mas a maioria era tinha pelo menos a primeira qualificação pós-N.I.E.M's. Ela participou de duas categorias e ficou em sexto lugar, de trinta e sete participantes, na categoria Simples e em oitavo de quarenta e dois na categoria Obstáculos Não-Humanos. Isso garantia a ela vaga na versão internacional do campeonato, como titular na categoria simples e como reserva na outra. Os duelos simples eram um pouco parecidos com a esgrima muggle, dois oponentes, armados apenas com a varinha, em uma plataforma sem objetos, que deveriam derrotar o outro, imobilizando, desarmando ou nocauteando, usando qualquer tipo de magia, exceto as que causem danos permanentes ou os imperdoáveis. Na categoria obstáculos não-humanos, o duelista simplesmente tinha que chegar de um ponto ao outro da sala. O problema era o que poderia haver entre esses dois pontos. Nesse campeonato fora usado o padrão: um labirinto, encantado para permitir que a audiência visse o que acontecia nele, recheado de criaturas mágicas e obstáculos enfeitiçados.

No final do ano letivo, Lysandra e Georgiana prestaram a prova N.I.E.M. de História da Magia. Novamente elas conseguiram o feito de terem nota O.

Naquele verão, o grupo de nove meninas iria passar três semanas sozinhas em Ker-Ys, uma cidade exclusivamente mágica da França. Alguns pais iriam acompanhá-las até lá até e ficariam até terminar o Campeonato Amador Internacional de Duelos, em que Lys participaria. A colocação dela foi inexpressiva, mas ela não se importou, pois aprendeu muito durante o torneio.

Antes de ir embora, Phineas pediu para conversar com Lys, Georgiana e os pais das duas.

"Quando Hogwarts oferecia educação além dos sete anos básicos, havia uma classe chamada Estudo de Magia Antiga. Como vocês duas já passaram, brilhantemente, aliás, no N.I.E.M de História da Magia, nós podemos abrir uma exceção e permitir que vocês façam esse curso. Nós forneceremos o local, mas o professor deverá ser pago por vocês.", nisso ele apontou para os pais. "Eu já falei com Madame Bagshot e ela está disposta a aceitar o cargo por três mil galeões ao ano. O que vocês acham?"

"Eu não sei.", Lysandra foi a primeira a recuperar a presença de espírito para responder. "O que aprenderíamos nesse curso? Que utilidade ele teria para nós?"

"Vocês aprenderiam a maneira como os povos antigos usavam magia, basicamente. Uma qualificação em Magia Antiga é considerada essencial para minha profissão.", respondeu Amélia Avery, que era uma desamaldiçoadora.

"Eu quero fazer isso. O curso deve ser interessante e Madame Bagshot é brilhante", disse Georgiana. Lysandra concordou e os pais concordaram em pagar o valor pedido pela professora.

Depois da partida dos pais, as meninas aproveitaram para relaxar, se divertir, exercitar seus conhecimentos de francês e paquerar. Belvina, Tabitha e Melusine voltaram para a Inglaterra com um relacionamento sério na bagagem.

Algo que todas elas trouxeram na bagagem, literalmente, foi mais uma varinha, seguindo o conselho de Lysandra. Todas eram poderosas o bastante para isso. A de Lysandra era de prata, com espinho de La Velue, uma espécie de porco-espinho verde do tamanho de um touro, excelente para Duelos, combater criaturas mágicas e purificação, que era a arte de 'limpar' algo ou alguém de magia perigosa, uma das funções de um desamaldiçoador.

O quinto ano era o ano das temidas provas N.O.M.s. A experiência de Lysandra e Georgiana com o assunto as ajudou a não se preocuparem tanto quanto as outras meninas.

As aulas de Madame Bagshot eram fantásticas e previam até curtas excursões fora de Hogwarts, como a ida à verdadeira Stonehenge, Avalon e Brodgar. Elas também eram difíceis e puxadas, especialmente por que as meninas não tinham o tipo de conhecimento de outras matérias a que Madame Bagshot estava acostumada.

No primeiro fim de semana em Hogsmeade, aconteceu o que ficou conhecido como 'Incidente de Durmstrang' pelos estudantes de Hogwarts, embora só um estudante daquela escola tenha sido envolvido.

O auror encarregado da investigação, talvez por descuido, talvez por querer aparecer, resolveu interrogar os suspeitos na rua mesmo.

"Srta. Yaxley, o que aconteceu?"

"Não tenho certeza. Aquele... aquele rapaz, me chamou e começou a falar comigo como se fosse alguém que eu conhecesse há anos. Quando eu não o reconheci, ele ficou bravo, me agarrou pelas mãos e pelo cabelo e me puxou para o beco."

"Ele não tem três mãos."

"Não, mas é imenso. Com uma única mão ele conseguiu segurar minhas duas. Eu comecei a chutá-lo, mas ele não parecia sentir. Quando ele caiu no chão, imaginei que eu tivesse acertado um machucado anterior ou coisa assim."

"Sua história não é muito convincente, senhorita."

"Essa é a minha varinha, pode testá-la."

"Nenhum dos encantos bate com os danos causados. Você não viu quem o atacou?"

"Não, eu não vi. Mas, se eu descobrir quem foi, a pessoa ganhará uma caixa de sapos de chocolate de presente."

"Úteis para diminuir o efeito dos dementadores em Azkaban, se essa pessoa puder levá-los para lá.", esnobou o auror. "Sr. Malfoy, o senhor..."

"Eu estava em Honeydukes. O Sr. Flume pode confirmar isso.", quando o senhor confirmou a afirmação de Malfoy, o auror passou para o próximo alvo.

"Sr. Black, o que o senhor tem a dizer sobre o ocorrido."

"Espero que o imbecil sofra bastante e sinto não ter participado do que fizeram com ele.", disse Arcturus, apresentando sua varinha para conferência. Enquanto o auror conferia a varinha, ele perdeu a rápida expressão de surpresa de Malfoy.

Poucos privilegiados, como Belvina, saberiam da história verdadeira e o mistério atiçaria a imaginação dos colegas por meses.

Sem maiores incidentes, o ano foi passando e logo chegaram os N.O.M.s. e depois as férias. Lysandra ficou muito satisfeita com suas notas. Sua performance em Defesa foi tão boa, que foi sugerido a ela tentar o N.I.E.M. naquele mesmo ano. Mas embora ela já fosse proficiente em magia não-verbal e conseguisse produzir um patronus não-corporal, não tinha certeza se conseguiria um O, por isso iria continuar com as classes normais. A nota dela em Defesa foi O+++, inédita no teste. A de Charmes foi O+, Runas e Aritmancia O, Transfiguração, Trato de Criaturas Mágica, Astronomia e Poções EE, Herbologia A. Poções precisou de um esforço extra da parte dela, com tutoramento por Melusine.

Madame Bagshot considerou o progresso dela e de Georgiana suficiente para continuar a ensiná-las, o que 'dadas as circunstâncias, demonstra inteligência, talento e tenacidade muito acima do normal'.

Embora não tivesse participado do torneio naquele ano, Lysandra foi assisti-lo com os pais em Atlanta, nos Estados Unidos. Logo depois que eles voltaram, receberam uma visita do primo Gilbert, que logo convidou Lysandra para dar uma volta no jardim. A moça tagarelava alegremente sobre o campeonato, com ele fingindo estar interessado até interrompê-la.

"Lysandra, tenho algo muito importante para falar com você."

"O que é?", ela estava animada, imaginando que ele finalmente tinha arranjado uma namorada ou namorado.

"Você já é quase uma adulta, terminou seus N.O.M.s espetacularmente e acho que é hora de cuidar de outro aspecto da sua vida."

"Qual?"

"O romântico."

"E você vem me dizer isso? Você nunca teve um relacionamento mais sério, Gil!", a frase poderia ter sido agressiva, mas foi dita em um tom ligeiramente brincalhão que não ofendeu.

"Por que eu estava esperando você crescer, Lysandra. Eu quero cortejá-la seriamente."

"Eu? Oh! Eu sinto muito. Eu amo você, mas como primo."

"Por que eu não estava cortejando você. Mas mesmo assim, você me encorajou."

"Encorajei? Como? Em que meu comportamento com você foi diferente do meu comportamento com Olaf?"

"Em tudo! Ele é seu irmão. Nosso relacionamento foi de pré-corte."

"Só para você. Arcturus e Octavius são os únicos que poderiam dizer isso. Eles deixaram a intenção deles clara há anos."

"Mas nós sempre passeávamos na beira do lago..."

"Como primos que somos, nada mais."

"Você é uma sonsa. E vai se arrepender disso.", após a ameaça ele simplesmente foi embora e Lysandra foi chorar no colo dos pais.

Após esse episódio desagradável, o resto das férias passou quietamente e logo Lysandra e suas amigas começaram o sexto ano em Hogwarts. Mais tarde ela diria que esse ano em Hogwarts foi o mais importante da vida dela.

Era março e um fim de semana de Hogsmeade e ela estava com as amigas no Três Vassouras em uma bela mesa central. Belvina ficava trocando olhares com Herbert Burke em outra mesa, Circe tentava flertar com o bar inteiro e ela tentava decidir se paquerava com Arcturus ou Octavius, que estavam sentados em lados opostos do salão. Então David Taylor, um Gryffindor da turma delas, a abordou.

"Lysandra, você é uma moça muito bonita. Mas sua atitude não combina com sua aparência. Mulheres devem ser os anjos da casa. Você deve emendar sua atitude e se tornar mais doce e meiga. Se fizer isso, vou cortejá-la para casar."

"É mesmo?", disse a moça em tom falsamente doce. "E o que devo fazer?"

"Comportar-se e vestir-se como uma dama. Minha irmã pode ensiná-la. Largar o Clube de Duelos, pois uma mulher que luta não é atraente.", com essa declaração final ela não resistiu e gargalhou na cara dele. Assim que recuperou-se um pouco, ela o azarou com um trava-línguas, cabelo verde e joelhos ao contrário.

"Arcturus, o que achou disso? Fiquei menos atraente para você?", brincou Lysandra. O rapaz se levantou e foi se aproximando lentamente dela, sem desviar os olhos dos dela.

"Pelo contrário. Só idiotas inseguros querem mulheres dóceis e submissas. Com a sua personalidade e talento, eu te consideraria atraente mesmo que você fosse feia. Agora, se você fosse tão linda como é, mas tivesse o tipo de atitude que ele quer, eu iria só admirar de longe, como uma estátua."

"E o que você acha de mim? Aqui e agora, do jeito que eu sou."

"Fantástica. E muito tentadora."

A resposta dela foi puxá-lo pelos robes e beijá-lo, o que causou uma explosão de assovios e palmas no bar, embora os amigos de David e Octavius não estivessem participando da alegria geral.

Três semanas depois, em uma das excursões com Madame Bagshot e Georgiana, Lysandra reencontrou Octavius.

"Não precisa se preocupar, não vou fazer uma cena, brigar com você, nem nada disso. Quero apenas conversar."

"Eu não estou só passeando, Octavius. Nós estamos estudando."

"Eu sei. Mas certamente Madame Bagshot nos dará um intervalo para tomar um refresco.", respondeu o loiro, com uma pequena inclinação para a senhora.

"Tudo bem. Mas apenas quinze minutos. Eu e Georgiana vamos sentar sob aquele carvalho.", respondeu a senhora, afastando-se deles e praticamente arrastando a outra menina junto.

"Lysandra, você sabe que eu gosto de você. Entendo que a escolha é sua, mas queria saber o por quê."

"Eu não sei ao certo por que escolhi Arcturus. Só escolhi naquele dia. Não há nada de errado com você, mas não me arrependo. Quando eu o beijei, tive a prova de que escolhi certo."

"Como assim?"

"A sensação foi diferente de todos os outros beijos. Eu não sei explicar direito. É como se fosse uma charada que eu não conseguisse desvendar até ter a resposta e então eu até me sinto burra, por que era muito evidente."

"Talvez, se você tivesse me perguntado, se tivesse me beijado, saberia que eu sou a pessoa certa para você."

"Acho que não, Octavius."

"Só um beijo. Por favor. Assim saberemos quem está certo."

"Não vai adiantar..."

"Eu prometo que se não adiantar, eu nunca mais vou te incomodar.", ela relutantemente concordou e ele a beijou. Foi um beijo longo, em que ele colocou toda sua alma, todo seu desespero, toda sua adoração por ela.

"Você beija bem. Mas isso não muda nada, sinto muito.", e ela foi calmamente se juntar à amiga e à professora, deixando o devastado rapaz para trás.

Alguns dias depois, ela se encontrou com Arcturus e contou o episódio. O rapaz ficou muito nervoso, até que ela chegou ao final. A candura e o nervosismo de Lysandra ao contar a história, fizeram o moço imaginar que ela o estava trocando por Malfoy. O alívio foi expresso com uma ardente sessão de beijos, que também serviu para assegurar Arcturus de que ele tinha sido o escolhido de sua amada.

No sétimo ano, Lysandra exigiu que Arcturus a visitasse pelo menos uma vez por semana, o que só aconteceu graças aos privilégios dele como filho do diretor. Essa foi uma das coisas que mais a ajudou a se manter calma naquele ano, o que irritava as outras meninas às vezes.

"Como você pode estar tão calma, Lys? Nós temos uma pilha de coisas para estudar e esse ano nós temos a prova mais importante...", choramingou Mary.

"Em primeiro lugar, eu já fiz uma dessas provas, por isso a pressão para mim é um pouco menor. Em segundo lugar, eu sei que vou arrasar em Defesa, em Charmes e em Runas."

"Mas..."

"Claro que eu preciso estudar, especialmente as outras coisas, mas eu sei que sou inteligente e talentosa e sei que vocês são também. Terceiro e mais importante, tenho o mais fantástico, incrível e maravilhoso namorado do mundo para me ajudar a relaxar uma vez por semana. Quando Arcturus me beija..."

"Ei! Eu não quero saber disso! Ele é meu irmão!"

"Eu poderia estar em uma sala sendo consumida por Fiendfire e não me importaria. Sem mais detalhes, prometo."

"Tão bom, assim? Nenhuma das minhas aventuras me fez sentir assim.", disse Circe.

"Não é uma aventura, é amor. Por isso é diferente.", explicou Elizabeth.

"E eu que pensava que isso era algo que só uma Gryffindor imprudente sentiria.", disse Mary.

"Que nada, Geoffrey sente o mesmo por mim."

"Mary, você deveria arranjar um namorado também, para relaxar.", sugeriu Lysandra.

"Não é qualquer namorado que ajuda.", respondeu a moça.

"Tudo bem, o amor é lindo, mas um namorado não vai me ajudar com minha tarefa de Aritmancia..."

"Pode ajudar sim, Mel, se ele for bom nisso.", brincou Katherine.

"Mas provavelmente não dará tempo de arranjar um bom namorado edele ajudar com a tarefa até segunda.", respondeu Tabitha. "Então vamos voltar a estudar?"