Autor: Amy Lupin
Beta: Idril e Schaala
Título: Curiosidade
Par: Albus Severus / Scorpius
Classificação: PG-13
Resumo: Albus e Scorpius têm maneiras diferentes de lidar com a própria curiosidade. Um não consegue sossegar enquanto não sanar suas dúvidas, o outro sabe apreciar um bom mistério.
Avisos: Fic escrita para a 1ª Edição do Projeto Pinhãozinho - Innocent Love do 6 Vassouras. Continuação de "Um toque de Glamour"
Situação: - Estudando no jardim de Hogwarts
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.
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Não era intencional, mas desde o Baile à Fantasia Albus estava prestando mais atenção à população masculina de Hogwarts que o normal. Não que ele pretendesse tomar alguma atitude caso identificasse o garoto com quem havia ficado, porém como o adolescente curioso que era não poderia deixar passar a oportunidade de desvendar aquele mistério.
Albus estava assumindo que o garoto havia deixado pelo menos uma característica intocada pelo Glamour, caso contrário o moreno não teria nenhum ponto de partida. Infelizmente o objeto de sua busca havia escolhido características muito comuns e aquilo dificultava bastante sua procura.
Albus havia se baseado na estrutura física do rapaz, pois mudar a forma do próprio corpo exigiria feitiços ou poções muito mais complexos que um simples Glamour. Sendo assim, estava procurando por um garoto magro e mais ou menos da sua altura. Imaginou que o nariz era falso, pois só conseguia imaginar uma pessoa com um nariz perfeito como aquele – e essa pessoa havia servido de inspiração para o nariz que Albus escolhera. Sim, estava falando de Scorpius, mas o loiro estava fora de questão. Primeiro porque era mais baixo que o garoto que Albus havia beijado. Segundo porque Scorpius jamais escolheria uma aparência tão mundana quanto a de seu alvo.
A partir de então, Albus já havia procurado por todos os garotos que atendiam àqueles pré-requisitos físicos mais os cabelos castanhos. Não conseguiu refinar muito sua busca, portanto tentou encontrar os de olhos azuis. Novamente, não obteve sucesso. Tentou se recordar do formato da boca do garoto, porém passara a maior parte do tempo sem realmente vê-la. O formato da língua ele provavelmente reconheceria, mas aquilo exigiria um teste mais aprofundado do que um simples olhar.
Por fim Albus tentou partir do formato dos cabelos, independente da cor. E seu próximo alvo de especulação estava sentado logo à sua frente na aula de História da Magia. Um garoto da Lufa-Lufa de cabelos acobreados. Obviamente aquilo implicaria que o lufa-lufa devia ter penetrado a festa como eles, já que também não tinha idade para participar 'legalmente'. Albus estreitou os olhos. Improvável, mas não impossível, pensou.
Se fosse honesto consigo mesmo, Albus admitiria que nunca havia prestado atenção no garoto. Enquanto fazia sua análise do formato e espessura do cabelo – até mesmo se inclinara um pouco para frente para cheirá-lo – os ouvidos de Albus foram invadidos por um murmúrio não muito distante. Por um momento o garoto arregalou os olhos para o som daquela voz. Parecia a voz do garoto que procurava!
Albus olhou ao redor com o coração aos pulos. Porém seus olhos recaíram sobre Scorpius, que se gabava de suas notas para uma garota.
"O que foi?" Scorpius perguntou ao ver que Albus o encarava.
"Nada" o moreno falou, meneando a cabeça para si mesmo. Voltou a contemplar os cabelos do garoto à sua frente girando a cabeça de um lado para outro de modo a poder analisá-lo de todos os ângulos. Pelo canto do olho percebeu que Scorpius o encarava desconfiado, mas não deu atenção ao amigo. Tinha coisas mais importantes para fazer.
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Ao final da aula de História da Magia, Albus chegou à conclusão de que o lufa-lufa não era o objeto de sua busca. Ao ficar em pé, o garoto se revelara consideravelmente mais alto do que Albus e levemente corcunda. Pego entre a decepção e o alívio, Albus seguiu um tagarelante Scorpius para as masmorras.
"... que fazer o dever de Runas e ainda temos que estudar para o teste surpresa de amanhã".
"Se é um teste surpresa, como é que você sabe?" Albus perguntou com metade da atenção nas palavras do amigo enquanto a outra metade se encarregava de analisar os garotos que passavam por ele no corredor.
"Tenho meus meios." Scorpius falou pomposo e esperou que Albus perguntasse quais eram esses meios. Porém como o moreno permaneceu em silêncio pelos próximos dez segundos, Scorpius rolou os olhos e continuou. "Está bem, foi aquela garota da lufa-lufa quem falou. Ela tinham acabado de sair da aula de Runas e disse que a professora deu um teste surpresa ao final da aula".
"Hmm..." Albus comentou, já totalmente disperso. Havia um garoto bastante promissor vindo em sua direção. Ele tinha os cabelos loiro-escuros, porém eram curtos e desfiados. Só restava saber se a altura batia. Albus esperou o momento certo e deu passo para o lado no momento exato em que o garoto passava por ele, fazendo com que seus ombros se encontrassem quase dolorosamente.
"Hey, preste atenção!" o garoto ralhou ao olhar para trás e Albus meneou a cabeça, desapontado. Alto demais. E a voz era bem diferente.
"Certo. O que você está fazendo?" Scorpius havia parado à sua frente para bloquear seu caminho e o encarava com os olhos estreitados.
"Estou indo para a aula do Slug, oras" Albus resmungou e tentou passar pelo loiro, porém este tornou a bloquear seu caminho.
"Não, você está com aquela cara de novo".
"Que cara?"
"De quem está aprontando alguma" Scorpius falou balançando um dedo magro na frente do moreno antes de cruzar os braços. "Al, você está tentando arrumar encrenca?"
"O quê? Não!" Albus falou e esperou um momento de distração de Scorpius para contorná-lo e retomar sua caminhada. "De onde você tirou isso?"
"Você fica encarando as pessoas o tempo todo" Scorpius começou a listar. "Agora há pouco ficou olhando para o cabelo daquele lufa-lufa como se imaginasse como ele ficaria com um chiclete grudado. E você acabou de trombar em um garoto mais velho. Propositalmente".
"Eu não estava sequer mascando chiclete!" Albus argumentou depois de uma breve pausa culpada e Scorpius bufou.
"Ótimo. Me chame de idiota".
"Pessoal, pessoal!" Mitiko, uma colega sonserina do mesmo ano que eles veio correndo até os dois. "A aula de Poções foi cancelada! Aconteceu um acidente com o caldeirão de um dos primeiroanistas e a sala foi interditada".
"Ah, perfeito!" Scorpius comemorou. "Assim nós podemos ir agora mesmo!" ele falou olhando esperançoso para Albus, que franziu a testa.
"Aonde?"
"Nos jardins! Estudar! Será que você não prestou atenção a uma palavra do que eu disse, Albus?" Scorpius falou por entre os dentes cerrados antes de segurar o braço do moreno e conduzi-lo à direção oposta à que eles estavam indo.
"Vocês se importariam...?" Mitiko começou a falar, porém Scorpius a ignorou completamente, arrastando Albus para longe.
"Eu disse" Scorpius continuou. "Que temos dever de Runas e..."
"Sim, essa parte eu ouvi" Albus atalhou, irritado.
"E que é primavera! Nós poderíamos estudar no jardim ao invés de ficar naquela luz verde fantasmagórica da sala comunal".
"Ah, não sei... Não me parece o tipo de coisa que você sugeriria. Já estou até vendo você reclamando dos insetos" Albus torceu o nariz e Scorpius soltou um rosnado.
"Nós temos feitiços para isso, Al. Vamos".
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Scorpius sabia que era só uma questão de tempo até Albus dizer alguma coisa esquisita de novo. Porque fazer ele já estava fazendo. Estava olhando disfarçadamente por sobre o livro para o outro lado do jardim. O loiro resistiu à vontade de perguntar o que ele estava fazendo e bufou quando leu o mesmo parágrafo pela quinta vez sem prestar atenção a uma palavra sequer.
"Ok" Albus falou finalmente abaixando o livro.
'Aqui vamos nós', pensou Scorpius baixando o próprio livro e inclinando o corpo para trás, colocando as mãos no chão. Haviam estendido a capa de Albus no gramado e feito um feitiço simples de incenso para manter os insetos afastados.
"O que foi dessa vez, Al?"
"Aquele garoto do outro lado" Albus fez um leve aceno de cabeça na direção em que estivera olhando pelos últimos quinze minutos. "Ele está olhando para cá?"
"Não" Scorpius rolou os olhos. "Ele está olhando para todo lado. É óbvio que está esperando por alguém".
"Você acha?" Albus se endireitou. "Será que ele está esperando que um de nós vá até ele?"
"Seria um pouco estúpido da parte dele, não? Ele poderia ter chamado ou feito algum sinal enquanto você estava olhando".
"Eu não estava olhando!" o moreno se indignou.
"Claro que não" Scorpius falou sarcástico e assistiu enquanto uma garota aparecia do outro lado do jardim. "Lá está. Provavelmente combinaram de matar aula juntos".
"Oh..." Albus falou levemente desapontado quando o casal saiu do campo de visão deles de mãos dadas.
Scorpius meneou a cabeça e olhou ao redor. O jardim ficava do lado oposto aos portões do castelo e era muito pouco visitado pelos estudantes. Nem todas as flores haviam desabrochado ainda, mas a paisagem estava muito bonita. De vez em quando uma brisa soprava, movimentando os arbustos de um jeito brincalhão.
O loiro estava prestes a se inclinar para pegar o livro novamente quando sentiu Albus deitar a cabeça em sua coxa.
"Não estou com cabeça para estudar" o moreno falou manhoso.
"Não me diga!" Scorpius resmungou, deixando o corpo cair para trás ao se esparramar na capa do amigo com as mãos sob a cabeça. O sol já estava baixando atrás do castelo e as sombras estavam se alongando preguiçosamente. O céu tinha poucas nuvens e Scorpius procurou alguma forma conhecida entre elas, como costumava fazer quando criança.
'Aquilo podia ser um cachorro. Ou um nariz'.
"Scorpius?"
"Hm?"
"Não fui totalmente honesto com você na noite do Baile e isto está me matando".
"Ah, sério?" Scorpius tentou soar casual, porém as palavras do amigo fizeram uma pontada de culpa atravessá-lo. A maior parte do tempo o loiro conseguia esquecer o que havia acontecido na noite do Baile. Dizia para si mesmo que não fora nada importante, portanto não havia motivos para contar a Albus. Não era como se aquele tivesse sido seu primeiro beijo nem como se Scorpius estivesse disposto a sair com outro cara novamente. "E o que é que você tem escondido de mim? Tem alguma coisa a ver com a maneira estranha como você tem se comportado ultimamente?"
"Talvez" Albus se remexeu. "Eu fiquei com uma pessoa na festa".
"Como você conseguiu? Da última vez que eu o vi, você estava parecendo uma garota".
"Por sua causa! É óbvio que eu mudei minha aparência".
Scorpius encolheu os ombros, mesmo sabendo que Albus não podia ver seu gesto.
"Pra quem nem queria ir à festa, até que você aproveitou, não? Eu também fiquei com uma pessoa na festa. Pronto. Nós dois estamos nos sentindo melhor agora".
"Não! Você não está entendendo. Eu fiquei com um garoto!"
"Você o quê?" Scorpius apoiou o peso do corpo nos cotovelos para poder encarar o amigo, o coração aos pulos.
Albus estava fazendo bico.
"Não sei o que me deu, ok? Eu estava lá entediado num canto esperando que você aparecesse e de repente vi esse garoto que estava dando em cima de uma garota sem muito sucesso. Puxei conversa, ele provavelmente achou que eu estava dando mole pra ele, PAM!, ele me beijou. É isso".
"Ele achou que você estava dando mole...? Depois de dar em cima de uma garota...?" Scorpius se atrapalhou com as palavras. "Como assim, 'é isso'? O fato dele ter beijado você não significa que vocês ficaram! Você tem que ter beijado ele de volta pra ter 'ficado' com ele!"
Albus resmungou alguma coisa ininteligível.
"O que você disse?"
"Eu beijei ele de volta, ok?" Albus respondeu, irritado. "E agora não consigo parar de pensar no que aconteceu! Fico tentando achar ele no meio da multidão de Hogwarts, mas não consigo!"
Scorpius ficou em silêncio por algum tempo, digerindo as palavras do amigo. Tornou a se deitar lentamente.
Diferente de Albus, Scorpius não havia dado muita atenção à sua própria curiosidade. Achara melhor deixar o passado no passado, afinal, parte da magia do momento se devia ao fato dele estar bêbado, beijando um estranho. Caso soubesse a identidade da pessoa, não haveria mais graça, haveria?
Bem, de fato talvez não houvesse graça caso o loiro descobrisse de repente que se tratava do goleiro esquisitinho da Grifinória, mas... Albus? Scorpius havia beijado seu melhor amigo? Se bem que fazia sentindo, agora que pensava a respeito. A voz era mesmo a de Albus. E o garoto havia perguntado se Scorpius tinha irmãos, provavelmente temendo ser um de seus primos. Scorpius teve a impressão de estar engolindo o próprio coração antes de fazer a próxima pergunta.
"E o que você pretendia fazer, caso descobrisse a identidade do garoto?"
Albus pensou antes de responder.
"Não sei. Provavelmente nada. Apenas... apenas fiquei curioso".
"Foi bom?"
"O quê?"
"O beijo".
"Normal" Scorpius sentiu quando Albus deu de ombros e experimentou algum desapontamento pela casualidade do outro. "Quero dizer, não foi diferente de beijar qualquer outra garota".
"Como se você fosse muito experiente" Scorpius zombou amargurado.
"Hey, eu já beijei garotas antes!"
"Claro. Uma delas foi sua prima. E oh, você tinha cinco anos na época, a propósito".
"Idiota" Albus deu um soco na altura do rim do amigo que teria doído caso tivesse sido para valer. "Eu sabia que me arrependeria de ter contado isso a você. Mas teve a Megan. E a Courtney".
"Você chegou a usar a língua com alguma delas?"
"Ora, cale a boca!" Albus se levantou, fitando o amigo com indignação. "Você também não é nenhum perito no assunto".
"Pelo menos eu não finjo ser um" Scorpius desdenhou.
"Você me ajudaria a encontrá-lo?" Albus perguntou depois de uma breve pausa.
"Para alguém que achou o beijo 'normal', até que você está bem empenhado, não?"
Albus beliscou o braço do loiro, que retribuiu com um soco no braço do amigo e no momento seguinte eles estavam empurrando e rolando pelo chão em uma luta de força e orgulho. Scorpius tentou manter Albus no chão com uma chave de braço, mas o moreno conseguiu se desvencilhar. Albus torceu o braço de Scorpius até que este estivesse choramingando de barriga para baixo, mantido no chão pelo joelho do moreno.
"Vai me ajudar ou não vai?" o moreno falou próximo ao seu ouvido, levemente ofegante.
"Como você espera encontrá-lo se não sabe como ele é?" Scorpius exasperou-se.
"Tem que haver um jeito!"
"Talvez... talvez você devesse simplesmente partir para outra... nem que fosse com outro cara mesmo".
Albus largou o amigo e se deitou ao lado dele entrelaçando as mãos sobre o próprio peito. Scorpius massageou o braço dolorido enquanto tentava normalizar a respiração. Aproveitou para analisar o perfil do amigo, o formato dos olhos, do nariz, a boca entreaberta... Albus era muito bonito, mesmo sem se esforçar para tanto. O loiro lembrou-se de como fora beijá-lo e por um momento teve certeza de que seria mil vezes melhor se o fizesse novamente naquele instante.
"É, acho que você tem razão" Albus falou por fim. "Não seria a mesma coisa se fosse, por exemplo, aquele garoto corcunda da lufa-lufa".
Scorpius riu e foi acompanhado do riso melodioso do moreno. Sem pensar muito sobre o que estava fazendo, o loiro se debruçou sobre Albus e o beijou.
Scorpius estava certo. Foi muito melhor beijar os lábios de Albus sabendo que eram os dele. Mas ao mesmo tempo foi esquisito. O loiro se afastou lentamente, evitando encará-lo. Copiou a posição de Albus, deitado de barriga para cima, encarando o céu sem realmente vê-lo.
"Foi você, não foi?" Albus perguntou e continuou quando não obteve resposta nenhuma. "Bem, isso foi estranho".
"Yep¹..."
"Eu devia ter desconfiado que aquele era mesmo o seu nariz. Você esticou as canelas para ficar mais alto?"
"Aumentei o solado do sapato" Scorpius admitiu contrariado.
"Oh..." eles ficaram em silêncio. "Você também não sabia, sabia?"
"Nope¹".
"Bem... acho que é melhor nós entrarmos se não quisermos perder o jantar" Albus falou, já se levantando e arrumando as vestes.
"Tem razão. Podemos continuar estudando mais tarde".
Enquanto Scorpius recolhia os livros, Albus pegou a própria capa e a sacudiu para livrá-la das folhas. O moreno colocou a capa na mochila e jogou esta por cima dos ombros.
"Você tem... hmm" Albus esticou a mão fazendo menção de tocá-lo, porém desistiu colocando a mão nos bolsos. "Você tem uma folha no cabelo".
"Ah, obrigado" Scorpius agradeceu, penteando os cabelos com os dedos desajeitadamente.
Sem mais nenhuma palavra, os dois caminharam de volta para o castelo. Scorpius não sabia se se arrependia por ter se denunciado ou não. Se soubesse que as coisas ficariam tão estranhas entre eles, teria escolhido morrer com aquela informação. Mas por outro lado, não se importaria em beijá-lo novamente.
Se pelo menos Albus não achasse tudo tão 'normal'...
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N.A.: ¹ Como eu sempre imagino os diálogos deles em inglês, não consegui me contentar com um simples "É" nem achei nada que tivesse o mesmo efeito da gíria em inglês.
Obrigada a todo mundo que comentou e me incentivou a continuar. Isso aqui é dedicado a vocês ;D Continuação? Muito provavelmente ;D
Bro você é um amor *_*
