Naruto não me pertence. Mas como tenho vida fora daqui do FF, logo também terei personagens e séries que serão meus por completo. Afinal, estes sairiam da minha cabeça... Porém, é claro que é ótimo planejar fanfics UA com a obra do Kishimoto-senpai. É muito divertido. E um bom treino para a escrita.

Bem, é isso. Vamos logo ao que interessa.


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- II -

O cheiro subia. Carne, batatas e queijo fritando no óleo, e o barulho de liquidificadores indicava que o lugar tinha mais coisas a oferecer. As mesas estavam repletas de alunos dos colégios próximos, a deixar o ambiente ao mesmo tempo mais divertido e abafado.

- Ah, chega! Pode ser? – Ino gritou – Quer saber? Se ele foi embora, problema dele! Eu é que não mais correr atrás daquele infeliz!

- Puxa, eu nunca vi você desistir tão fácil de um garoto. – Tenten estava debruçada sobre a mesa. A voz saiu com alguma força apesar do tom levemente deprimido: Neji não pôde acompanha-la até em casa desta vez – Você não acha que foi porque você acabou assustando ele? E quem mandou alguém precisar ir te buscar para você ir pra fora?

Uma risadinha ao lado da moreninha.

- Você quer calar a boca, Keiko! – Dedo em riste. O azul dos olhos escurecido de raiva e fuzilando a namorada do Sasuke – Eu só não preciso mais correr atrás de menino nenhum. Pra quê? Só para a rua inteira ficar me olhando com cara de que eu sou bobo-da-corte? Eu, hein! Me dê um motivo, só um, para eu não me arrepender de ter pagado aquele king-kong na frente de todo mundo!

- Olá, pessoal!

Naruto havia acabado de chegar à mesa, Hinata segurando-lhe uma das mãos. Começou avisando a Keiko que Sasuke havia vindo sim, apenas se atrasara um pouco. E que ainda estava esperando no lugar de sempre. A garota correu feito uma bala.

Sakura sorriu. Era tão fofo vê-lo cedendo a cadeira vazia para a Hyuuga, até porque não era muito do feitio dele fazer isso para outras pessoas. Mas... aquela expressão...

- Você não mentiu para ela, não? – O loiro tremeu ao ver a cara da outra.

- É verdade, Sakura-chan! O teme ainda está lá! – Naruto se indignou. Virou-se para mais adiante, em seguida – Ah, Ino, eu tenho aqui uma coisa para você. – Puxou um papel do bolso.

- Hm... – Pegou-o, fazendo pouco caso. Era um endereço. – O que é isso, Naruto?

- É onde fica a toca do cara de espanador, 'ttebayo! Vai lá e manda ver!

- Está louco! – Ino tacou o papel no loiro – Nara Não-Sei-Mais-O-Quê não existe! Eu não vou mais atrás de um cara que eu sei que não existe!

- Ah, por favooooor! Só mais isso, Ino. Só mais isso já que aquele meu outro plano deu errado, 'ttebayo!... – Afundou a cabeça na mesa.

- Seu plano?

- Se aquele rapaz é tão imaginário assim, então porque o vi na porta daquele carro agora há pouco? – Inquiriu Tenten. – E você viu melhor do que eu.

- Deve ter sido histeria coletiva. – Sakura brincou.

- Ahhhh... Nem você está do meu lado, hein, Testuda? – E para todos na mesa – Vão ser felizes!

Ino se levantou, apanhou suas coisas e saiu da mesa o mais rápido que pôde. Mas ninguém, pelo visto, fez questão de chamá-la de volta. Estavam mais ocupados em discutir o quando a colega estava injuriada por ter levado um bolo do outro garoto. Um sinal evidentíssimo de que ela estaria apaixonada...

Foi ao banheiro. Deixou a água descer na pia por alguns segundos antes de começar a lavar o rosto. De tanto tentar, já sabia que aquilo não funcionava para tirar rapazes de rabo-de-cavalo da sua cabeça. Nem água, e nem aquele sabão ordinário, e nem sequer o mais potente dos tira-manchas. Aquele cara vivia piscando em sua mente. E em nova pose: Quase entrando no carro e com o olhar espantado. Que legal...

Mas foi melhor assim. Foi melhor ele ter dado as costas e se mandado. A coisa ruim que o rapaz sempre trazia consigo com certeza sumiria junto.

- Só que ele vai voltar no próximo sonho. – Ino fechou a torneira quase ao mesmo tempo em que escutara a inconveniente frase.

- Já estava demorando, Sakura.

A outra se aproximou. A imagem dela no espelho. Semi-reflexo de asas.

- Ino, o que você ainda se lembra daquele sonho da cerca creme? Um dos primeiros, lembra?

- Lembro sim. Eu saí voando e deixei aquela coisa pra trás. Mas eu só estava sonhando e, além do mais, eu não sou você. Ou seja...

- Mas existem um monte de maneiras de sair voando e deixar o monstro comendo poeira. – Sakura interrompeu, sorrindo. – Você e Shikamaru só precisam descobrir quais são.

- Eu não vou mais falar com ele. – "Droga, Sakura! Agora é que vou ficar lembrando do nome desse cara até o fim dos tempos, grrr! Que ótima fada-madrinha eu tenho!"

- Algo me diz que você vai mudar de ideia em, deixe-me ver... cinco minutos. – Sakura pôs em cima da mesa o papelzinho com o endereço.

- Ei! Assim vai molhar! – Ino agarrou-o. Abriu um bolso da pasta e jogou-o dentro – Isto vai ficar comigo então! Satisfeita?

Sakura se segurou para não rir. Podia até não serem tão pouco tempo, mas Ino ainda iria repensar o assunto. Se não o fizesse, não seria a porquinha da qual cuidava já há dezesseis anos. "Eu te conheço, Ino-buta-chan!"

ooo

- O que é aquela janelinha alí? – Tayuya apontou. Já estavam em frente à casa dos Nara.

- É um quartinho de guardar coisas velhas. Não tem nada de interessante lá.

- Então, vou querer ver isso de perto! E você vai me mostrar.

Bem que ia responder algo, mas Tayuya já havia saído do veículo. Então, resolveu deixar para lá. Shikamaru saiu pela mesma porta da prima, ainda com o pensamento nas listras fugazes de árvores passando. Fazia muito tempo desde a última vez em que se sentira assim tão... deprimido.

- EI! VOCÊ AÍ!... – Uma voz escandalosa. De garota. – ESPERA UM MINUTO AÍ!

Uma hora. Uma hora sem grandes intercorrências. Tempo o suficiente para ele e Tayuya jogarem suas pastas em cima da cama (dele), de almoçarem com a família, de procurarem algo para fazer naquele período vago antes do tempo de fazer as lições de casa.

E ela se esqueceu, está parecendo, da curiosidade pelo quartinho de cima. Shikamaru observou a prima esparramada no sofá, a perna passando por cima do encosto, assistindo à TV. Nem ele próprio ficava tão à vontade na própria casa (Yoshino ralharia com ele). Deixou a garota lá. Melhor sair.

No meio do caminho encontrou a escada do quartinho. Escadinha estreita, de espiral, o terror doméstico dos que tem medo de altura. Alguém havia espalhado papéis pelos degraus.

De repente, pensou em chamar Tayuya. Ficou com muita vontade de subir lá também.

Acabou resolvendo ir sozinho.

Seria até algo bom, já que, se recolhesse aquela papelada toda, ninguém iria implicar com ele depois. Obrigou-se a fazê-lo. Algumas vezes, Shikamaru teve a impressão de que havia algo escrito na parte de cima das folhas, mas quando olhava, nada. Limpas. O último papel estava atravessado por baixo da porta. Será que lá dentro estava cheio deles também? Shikamaru suspirou. É muito chato ter que descer, atravessar a casa toda, pegar a chave e voltar. Resignado, se abaixou e, como o espaço antes da porta era diminuto como uma caixa de fósforos, acabou empurrando um pouco a porta no ato. Estava aberta!

Mas antes que pudesse respirar aliviado, Shikamaru estacou. Não podia ser!

ooo

Atenção! Você está sonhando agora.

Mas o que ela está fazendo alí? Como ela conseguiu saber onde você mora? Como foi que ela entrou na sua casa?

("Ino!", você a chama.)

Ela não está nem aí para o resto do mundo. Ela está olhando apenas para algo mais à frente. Você só vê o rabo-de-cavalo dela. Não, essa não é a aquela garota. Ela não é assim tão apática. Ela não é assim tão distante.

("Ino!", você a chama uma, duas, três vezes... Medo, medo, medo.)

Ela não está vendo! Tem alguém na frente, na frente do algo que ela está olhando. Chegue mais perto! Ande! Ela está com a mão inclinada para frente. Você tenta segurar aquela mão, tenta, tenta. Ela parece escorregar.

(Uma roca de fiar!)

Ela está com o dedo quase na ponta brilhante de morte. O alguém está dando um sorriso macabro. Venha! Venha! Está quase...!

("Ino!")

Ela espeta o dedo no fuso. Mal o sente...

O ar escapando do peito. O chão vindo, doce e rápido...

Um olhar feliz enquanto folhas de papel voam mundo afora...É tão dolorido quanto se fosse você estivesse no lugar dela.

ooo

Dormir na hora que dá vontade é ótimo. Só que, na hora de despertar, a pessoa acaba completamente perdida no tempo e no espaço. Sestas são tão problemáticas... Embora a própria lembrança dessa palavra já seja um grande auxílio para se orientar.

- ...mas quero deixar muito claro. – Alguém entrou cantarolando – Não vão comer nada sem mim!*

BLAM!

- Ah, te acordei! Desculpa, priminho. – Tayuya deu um empurrãozinho na porta. Nada comparado ao chutaço de segundos atrás – Se bem que já está na hora de você levantar mesmo.

Shikamaru nem se moveu. De susto.

- O que foi? – Ela se acercou da cama. Blusa preta com rendas nas alças e saia branca até um pouco abaixo dos joelhos. A voz bem doce. – Está me olhando assim por quê? Se esqueceu, foi?

- Como assim... me esqueci? – Levantou-se lentamente. Estava esfregando um dos olhos quando se lembrou de que Tayuya queria ver o quartinho de cima. Não era isto?

O que acabou trazendo outra lembrança a tiracolo. O sonho!

- Peraí, não me esqueci não. – Tayuya se impressionou com a rapidez como ele se recompôs do cochilo – Algum problema se for agora mesmo?

- Era isso o que eu ia te perguntar, pô.

Após deixar o quarto, nem se lembrou mais de Tayuya. Estava seriamente preocupado, mesmo que de segundo em segundo gritasse para si mesmo que aquilo não tinha fundamento. De todos os sonhos que já tivera, aquele – a Ino e o fuso – havia sido o mais real. Impressionantemente real.

E de fato havia papéis em branco espalhados pela escada. O terror de Shikamaru aumentou. Estivera dormindo mesmo naquela hora? Não, estava. O que ele teria feito se Ino, de verdade, caísse desacordada na frente dele? As reclamações de Tayuya não o atingiram, de tão longínquas que soaram. Mas a prima lhe fez o favor de catar toda a papelada.

Desta vez, a porta estava fechada de fato. Descer, atravessar a casa, voltar. Percurso longo. Longo. Shikamaru rodou ansioso a chave na fechadura.

Entraram.

- E você ainda diz que aqui não tem nada de interessante! É só cavar um pouquinho por aqui e a gente acha algo. – Tayuya falou com um sorriso enorme. Garota estranha, deve mesmo gostar muito de coisas velhas. Shikamaru apoiou as costas na parede, após quase cair para trás pensando que já estava longe da entrada.

Não soube precisar o quanto se sentira aliviado naquele momento. O cômodo era mesmo atulhado de caixas, sacolas, coisas esparsas... Velharias que não incluíam uma roca de fiar. Impossível encontrar algo do tipo alí. Tayuya olhou para ele e deu uma risada sonora.

- Sabe, este aqui pode ser o nosso lugar escondido e secreto, que tal? – Tayuya falou. Olhava para baixo, depois virou-se, apoiando as mãos na beirada da janela – Não me diga que nunca sentiu vontade de ficar aqui para sempre, remexendo nas coisas ou olhando o mundo lá embaixo!

- Pra ser sincero, não. – Garota estranha. Fato. – As nuvens ficam na parte de cima.

- Você é tão chato...

ooo

Ino nunca entendeu isso de rapazes e moças estudarem em colégios separados. Ou melhor, entendia, mas não aceitava. Ambos têm praticamente quase as mesmas motivações. Todos querem ser bem sucedidos no trabalho e felizes no amor. Por que separar? Para evitar o perigo da tentação?

Garotos falam tanto de garotas quanto estas falam deles. Ela sabia disso. Enquanto saía de sala após mais uma longa manhã, Ino ficou se lembrando do dia em que ela e Sakura se tornaram, por um dia, estudantes do colégio masculino. Saíram-se dois excelentes rapazes, atuação perfeita! O tipo de coisa que só uma fada poderia fazer por alguém.

Aquilo havia sido um misto de aula de biologia e aventura, mais ou menos como em um safári, olhando bem de pertinho o habitat e o modus operandi daquela espécie curiosa. A única coisa ruim disso tudo é que fora nesta mesma ocasião em que Ino, enquanto ouvia a conversa de dois garotos sobre coisas indecentes, reparou sem querer em um penteado peculiar ao longe. E, então, tudo começou.

O sol agora estava todo recolhido ao lado de fora. Mais cedo, ele entra quase todo pelos vitrais da entrada. Um episódio que Ino sempre gostou muito de ver. Nisso Sakura era muito boa: Em fazê-la conhecer as pequenas e belas coisas da vida.

E, falando nela... Ino olhou para os lados várias vezes até encontrar a amiga já na rua, conversando aparentemente sério com um garoto gordo – Que lhe pareceu bastante familiar. Disparou até os dois.

- Ei! – Acenou. – Estava pensando em ir embora sem mim?

- A-Ah... Não, jamais! – Ino arqueou uma sobrancelha ao ver que a amiga estava bastante embaraçada. O rosto bem vermelho. – Você demorou, sabia?

- Então, agora sou eu que vivo me atrasando, é? – Ino questionou, divertida. "Só acho que você devia ter mais bom gosto ao escolher um pretendente, Testuda."

Porém, levou um susto ao perceber a cara feia com a qual o rapaz a estava fuzilando. Como se ele tivesse lido os pensamentos dela!

- Não ligue, a Porquinha é assim mesmo! – Não, isto já está ficando macabro. Sakura virou-se para amiga logo em seguida – Este aqui é Akimichi Chouji. Ele é amigo do seu rapaz dos sonhos.

Ino deu um olhar mortal para Sakura. Mas logo, simpática, apertou a mão do moço à sua frente. Amigo do Shikamaru...

- Escuta, err... – Ele ia falar algo, pensando que ela havia esquecido seu nome. Mas Ino emendou rápido – E aquele seu colega? Ele está aí hoje, não está? – Perguntou um tanto abruptamente.

- Ela está caidinha por ele!

- Sakura!

- Tudo bem, Ino! – Chouji sorriu. Por bem pouco tempo. – Bem, ele faltou. Acho que foi uma gripe...

- Puxa, tomara que ele melhore logo. – Ino recolheu os lábios para dentro da boca e os fez voltar, devagar, enquanto fitou algum ponto da paisagem. Não esperava sentir uma onda tão grande de frustração.

Esperava tanto rever aquele preguiçoso esquisito? Os sonhos dão conta disso, não dão? Se bem que até eles andaram rareando um pouco. Supõe-se que isso seja algo bom, não é verdade? Além disso, nem queria mais chegar perto daquele endereço. Aquela casa emanava um ar sombrio e assustador. A coisa estava lá dentro, tinha certeza.

Girou os olhos para o outro lado. Encontrou uma Testudinha sorridente enquanto Chouji se afastava... Peraí!

- Ei! Ele nem se despediu de mim!

- É que você nem ouviu ele dizendo tchau. – Sakura parecia gritar "Que fofo! Que fofo!" por dentro. Ino sorriu com o canto da boca.

- Sei... – Sabia mesmo.

- Ah, nem venha com essa! – Ino riu mais. – Pode parar, Porca! E quem está com pendências no amor aqui é você! Sente saudade de Shika-kun, não é?

- Que Shika-kun o quê? Isso soa tão mal... – "E Shikamaru-kun é ainda pior"

- E eu sei que tem uma coisa que você quer pedir para mim. Fique a vontade, deve ser algum tipo de coisa que eu sei resolver facinho, facinho!

- Pff!... Por que você acha que eu vou pedir se parece até que você já sabe o que é? – O sorriso de Sakura confirmou o que Ino estava pensando. – Tá bom! Mas só amanhã, caso eu pense em me arrepender.

ooo

Atenção! Você está sonhando agora.

O homem acabou de voltar de algum lugar e entrou pesado na sala. Tão pesado quanto chumbo. Você está longe, mas é incrível como o peso do sujeito contamina a tudo e a todos. Nem ele aguenta. O sofá meio que o recebe. Parece que a casa não tem teto.

(Ele desabou todo na cabeça dele. Junto com as ervas-daninhas, as nuvens escuras, a floresta de espinhos...)

E então ela chega. A sua garota sorri. Ela não está com aqueles vestidões estilo Rei Sol. Só uma blusinha simples e uma saia simples. Simples, simples, simples. Parece que ela e o homem têm o mesmo rosto. Eles se fundem, eles se completam, eles absorvem a alegria e a tristeza um do outro. Ela o olha por detrás do sofá e põe toda a força no olhar para que o homem possa se sentir melhor.

(Ele tem medo de que a Bruxa a devore.)

- Ino... – Ele sussurra. Os lábios dele fechados. Colados. Massa vezes aceleração (Multiplique força gravitacional por dez). Nervosos. Ele vai ser devorado pelo próprio peso se não se libertar. – Ino, você é tudo o que tenho.

(Mas ele não pode fazer nada. Só havia uma maneira de derrotar a maldição.)

- Eu não quero perder você! – Ele a abraça. Ele alimenta o medo que ela própria também sente.

(Mas você não pode fazer nada.)

ooo

Todo instrumento musical, quando manejado por alguém que não sabe lidar com ele, solta apenas sons irritantes. As flautas que o digam, mesmo quando estão em boas mãos. Mentira, é que ele estava detestando flautas hoje.

Shikamaru estava detestando ver Tayuya tocando após tê-lo forçado a acordá-la e a preparar alguma coisa para ela. Só podia ser mesmo alguém da família.

Com a pasta em punho, passou direto pela prima, que sequer lhe deu um oi. Parecia pensar que estava em alguma festa ou em um desses barzinhos com música ao vivo, só assim para estar usando aquele longo e garboso vestido preto. O vestido favorito dela. Algo um tanto estranho para quem normalmente prefere blusões bem folgados, apesar de ela ter usando bastante roupas mais justas nos últimos dias.

Já ia saindo. Sentiu um pequeno calor na mão direita antes de tocar a maçaneta da porta, calorzinho tal qual como se alguém a tivesse apertado. Seus pais não o deixariam sair se ele não fosse gentil com as visitas. Só um pouquinho de consideração.

- Você não vai pra escola também? – Perguntou.

Tayuya não parou a música. Apenas virou uma das folhas da partitura e a ergueu de forma que Shikamaru pudesse ver o enorme "Não" escrito no verso.

- Então tá. – Esqueceu-se de dar tchau. Fechou a porta.

O dia estava normal. Sol normal, brisa normal, aquela tranquilidade normal. De certa forma, Shikamaru não tinha do que reclamar. Parecia que a sua vida estava voltando aos eixos. Certo, havia um elemento novo de madeixas ruivas, mas a moça era só uma Nara normal. Ou uma Mizuno normal – Seja lá o que isso significasse. E ainda havia o remorso por conta de quando finalmente vira Ino pela primeira vez.

Falando nela, até seus sonhos estavam ficando normais. Sem ela. Basicamente, a moça só aparecera naquele em que também estava o pai dela. E no repeteco dele. O repeteco mais sem graça que Shikamaru já teve de um sonho do tipo.

Devia estar feliz por isso. Uma vida sem Ino, sem os colegas enchendo o saco (Sem o Asuma enchendo o saco também, mas este é vaso ruim de quebrar), livre de mais problematiquices... Naruto e Lee estava barulhentos e impulsivos como sempre, Kiba ainda reclamava de ter que ajudar na loja da família e da falta de uma namorada, Neji e Sasuke eternamente concentrados em quaisquer assuntos que lhes sejam importantes. Todos se preocupando apenas com as próprias vidas. Melhor dizendo, com as vidas de outros garotos que não sejam o Nara. Gostava de ser invisível. É, Shikamaru estava mesmo feliz.

O dia no colégio também foi tão normal quanto o resto. Aquela normalidade faceira e doce que dá uma sensação de conforto completo. Parecia até que o ambiente da instituição estava meio etéreo agora, como se alguma nuvem tivesse baixado por alí e abraçado o local com sua força branca e leve. Até a barulheira típica da hora da saída estava em um tom tão agradável que pareciam aquelas conversas extremamente leves de café-da-manhã. Ah, aliás, as nuvens...

A primeira coisa que Shikamaru fez ao sair foi olhar para cima.

... estavam perfeitas.

- Céus! Mas quem é essa... – Alguém exclamou. – Que linda!

- Por Kami-sama, é uma princesa – E música. Havia música.

Shikamaru olhou na direção de onde vinha o burburinho. Muito estranho o pessoal se referir a uma garota sem colocarem alguma conotação safada nas palavras. Eles pareciam maravilhados. O Nara se aproximou um pouco mais para ver o que estava ocorrendo, embora não tenha sido muito difícil vislumbrar alguns pedaços de um tecido róseo por entre um monte de gente fardada.

Alguém estava cantando para os alunos. Gente de ambos os colégios em torno da caixa de som, de uma vitrola supervisionada por uma garota de cabelos rosados que trajava um vestidinho colorido. E...

- Nossa, eu não sabia que a Ino-chan cantava tão bem! – Ouviu uma garota falar.

Os pés de Shikamaru afundaram na calçada.

No centro de tudo, a jovem com um enorme vestido que era mais rosa-salmão do que o elegante chapéu que lhe adornava a cabeça. Havia um caixote sobre seus pés, mas ela parecia flutuar. Durante a parte instrumental, ela deu uma piscadela para Sakura. Tinha de admitir que não havia como não gostar de um plano perfeito e bonito daqueles. Ela dançou suavemente e, quando precisou levar novamente o microfone à boca, a voz dela mais uma vez se encaixou muito bem à música. Como sempre.

Enfim, no alto da leveza, os olhos da cantora brilharam quando ela mirou para a frente. Bem. Para. A. Frente.

Ino o encontrara.

- Anata wa kitto... – Ela terminava - ...o-oujisama!**

O som de aplausos se misturou aos acordes finais. Como se houvessem sido feitos um para o outro.

ooo

- Você por acaso... – Vitrolas não lhe traziam boas lembranças. Sua tia surtara quando, sem querer, ele havia quebrado uma dessas ao inventar de brincar de bola. Não era a toa que hoje gostava mais de jogos de raciocínio - ... fez isso só pra chamar a minha atenção?

- Que convencido! – Ino exclamou enquanto fechava o bagageiro do carro – Eu cantei porque todo mundo naquele lugar estava precisando de um pouco de diversão. Até você estava, não estava?

- Problemática...

O carro partiu, fazendo com que um pouco do vestido da garota fosse um pouco para frente, como quem quer tocar de leve o infinito. Sakura vislumbrou por perto uma plaquinha com bolinhas geladas e doces piscando como neon à noite. Seria uma boa pedida para os pombinhos, afinal.

- Por que você vai pedir sorvete para nós dois se você pode tirar alguns não sei de onde?

- S-Shikamaru!

- Ino, eu já sei que ela é sua fada-madrinha, tá? – Bufou – Vi nos sonhos.

- Está bem, já que você quer assim... – Ino ainda estava espantada quando Sakura tirou as mãos de trás de si e, com elas, duas garbosas casquinhas de duas bolas cada. – Porquinha, o de limão com morango é o seu. Agora... acho que vou querer algo da sorveteria mesmo.

- Ei! Ei, Testuda, volte já aqui! – Gritou enquanto a outra dava um tchau muito arrastado. Ideia de ficar a sós com o rapaz dos sonhos não lhe pareceu tão agradável na prática.

Mas era o jeito.

- Tsc... Eu não vou conseguir comer tudo isso.

- Peraí, Shikamaru, volta e para! – Ino voltou-se para ele, falando rápido. E ao mesmo tempo tentando quase que arranjar algo para dizer – Você disse "Vi nos sonhos"?

- O nome dela não é Haruno Sakura? – O olhar de Ino arregalou-se um pouco mais. Aquelas duas bolinhas azuis capazes de fazê-lo ficar sem jeito, Shikamaru acabou de descobrir. – Vamos ver as nuvens? Isso tudo já está ficando um saco.

Ele ficava tão bonitinho com o rosto vermelho.

As nuvens continuavam perfeitas. Só a grama que não estava, ou era a Ino que estava doida para se levantar dalí o quanto antes. Deitar no chão significa torturar roupas delicadas.

- E desde quando é isso? – Ela perguntou.

- Faz quatro meses. Vi o seu cabelo e, não sei porquê, acabei sonhando com ele depois. E então... eu me apaixonei.

- Perdidamente?

- Não force a barra, problemática. – Ouviu Ino murmurar algo como "cara chato", mas ignorou. – E o que você sabe sobre mim?

- Vamos ver! – Ino pôs o dedo sobre a boca, ar pensativo. – Seu nome é Nara Shikamaru, não tem animais de estimação, dorme cedo e acorda tarde, é praticamente um clone do pai e a mãe é uma déspota... – Shikamaru riu nesta parte. – O que mais? 9 em cada 10 pessoas que você conhece o pressionam para arranje logo uma namorada, dorme no mínimo 15 minutos em cada aula e seu melhor amigo é... – Calou-se de súbito.

- É o quê?

- Um cara bem legal. – Ino concluiu de uma forma que deixou Shikamaru ainda desconfiado. Por alguns segundos, ela não falou mais. – Ah, e tem mais uma coisa. Você nunca namorou.

- Tsc... E você já ficou com o Sasuke. – Shikamaru completou, desanimado.

- Pontinho pra mim!

- Isso depende do ponto de vista. – Passou um ventinho na praça. Algumas folhas caíram sobre o vestido da Ino, que as recolheu rapidamente. – Significa que você já provou coisa melhor nesse assunto.

- Alto lá! Como pode afirmar isso com tanta certeza se até agora nós só nos beijamos em um desses nossos sonhos? E você era só uma câmera de TV com uma vassoura embutida.

- Eu estava tão ruim assim?

- Quer coisa pior do que beijar uma lente de vidro? Eu me senti ridícula quando acordei! Mas até que foi uma lente com... com... com vida.

Ino mudou de posição: Estava de costas para o céu, e o olhar focado em Shikamaru, que amassava o guardanapo do sorvete com uma das mãos. Os rostos a centímetros um do outro. Ficaram assim por algum tempo, indecisos, pedindo por um pouco mais de aconchego mas ainda não se sentindo prontos para isso. Tudo aquilo era tão estranho, tão sobrenatural...

- Já vi que tivemos alguns sonhos em comum. – Ele falou, enlevado com a proximidade. Fez menção de tocar-lhe o rosto, mas a mão mal se moveu. Será que faria algo errado? Será que ele iria acordar e ela iria sumir de novo? Ela ainda parecia tão distante. – Teve algum sonho em que era você quem me observava?

- Ora, um monte! O que você estava pensando, hein? – Ela sentou-se sobre as próprias pernas, afastando-se de supetão – Quer ver? Vou te contar um dos melhores!

ooo

Atenção! Você está sonhando agora.

Você mal consegue andar. Chegou algum cantor famoso, algum ator, ou os Cavaleiros do Apocalipse? Está todo mundo correndo na direção contrária e você tentando seguir em frente como se pudesse ir contra aquele formigueiro desvairado. Mas que força de vontade você tem! Você vai conseguir chegar até a Hinata antes que o seu rapaz vá embora.

- Olha o olho verde, a pele de pelúcia, dentes branquinhos! – A voz fininha da amiga anunciava os produtos com uma desenvoltura incomum. O rosto dela está vermelho de tanto fazer esforço – Desconto de 20% até o final do dia, é pegar ou largar!

(A cara de desagrado dele é de rachar de rir! Não, você não a vê, mas olhe como as mãos deles se enterraram nos bolsos. Vai furar a calça e vai jorrar água dalí, que nem nos filminhos do Pateta! Ele é magro e comprido que nem o Pateta.)

- Estou sem dinheiro hoje, eu já disse. – Ele diz – Outro dia eu volto.

- Descontinho de 30% para você, pode ser? Olha aqui, vou te mostrar uma coisa que está na promoção! – Pega uma peruca preta – Cabelo do Orochimaru só por 55 ienes. E é original, outra loja cobraria o dobro do preço.

(Aposto que os fios estão quebrados!)

- Que problemático!... Outro dia, está bem?

- Então, que tal esse olhos aqui? Faço por 30 ienes o conjunto!

- Tsc... Moça, só me responda uma coisa. – Estava quase perdendo a paciência – Você acha que eu sou uma pessoa bonita?

O rubor de Hinata foi desaparecendo até a pele ficar completamente pálida. E depois voltou. Você sabia muito bem o que isso significava, só não sabia se seria uma coisa boa. O rapaz não vai ficar muito tempo alí. Alguém tem que segurá-lo. O Bicho-Algo-Indefinido está à espreita. Alguém tem que fazer o possível para segurá-lo!

("É claro que você é!", você grita. Acha que gritou, não? Que multidão barulhenta!)

- M-m-m-mas i-i-is-s-so s-só a I-Ino-chan s-s-s-s-sabe, s-senh-nh-nhor S-s-s-shi... – Hinata tenta falar.

("Shi" o quê? Fala logo! Calem a boca vocês todos!)

- Que coisa mais problemática... – Ele está indo embora. Ele está indo embora!

Corre!

ooo

- O que mais você queria falar comigo naquela hora, Chouji? – Sakura o fitou, interrogativa. O Akimichi não estava em um de seus melhores dias.

A laje da sorveteria era um lugar tão sossegado que mal dá para imaginar o quanto que é movimentada a área imediatamente abaixo. E dalí era possível ver claramente um casal se divertindo quase no outro lado da praça, a moça tentando imitar uma Hinata gaguejante. Sakura sorriu. Estava precisando no momento.

- O que você acha de darmos um jeito de deixar os dois a salvo por um tempo e... – Hesitou - ...irmos enfrentar a Tayuya nós mesmos? Sei lá, tentar ao menos.

- Ficou maluco? – A moça quase gritou – Mudar o feitiço de morte certa para sono profundo sem prazo de validade já foi difícil demais, como você espera que possamos derrotar aquela louca sozinhos?

- Eu não sei, mas já estou cansado de não fazer nada! Tá, eu sou um idiota mesmo... Eu devia ter feito do mesmo jeito como você agiu com a Ino... Sou um fracasso.

- Ah, não fale assim. Aposto que você não iria gostar nem um pouco de colocar bigodes nas garotas da equipe rival de futsal. A Ino às vezes me explora.

Chouji riu.

- Problema seu! – Falou em tom jocoso – Meu amigo divide a comida dele comigo, hehe!

Leve farfalhar de asas, as dele e as dela. E aquele braço macio lhe enrodilhando o pescoço e indeciso entre ser carinhoso ou apertar cruelmente até a vítima ficar roxa. Chouji olhou discretamente para trás.

- Pode parar com essa cara. – Sakura sibilou – Quando tudo isso acabar, você vai dividir lanchinhos só comigo, ouviu bem? Se outra pessoa se atrever, eu dou um soco na cara dela e no seu.

- Que possessiva! – Chouji pôs uma das mãos sobre a dela, que estava bem no ombro dele. Ela repetiu o gesto. Como era gostoso sentir a temperatura do outro desta forma. Só mesmo aquela menina para fazê-lo sentir-se tão bem em um momento como aquele.

A sombra dos dois era uma só. Longa, comprida, e pontinha tentando saltar dalí.

- Já está ficando tarde. Se depender da Porca, eles vão ficar lá o dia todo.

- Deixa eles lá. Fica aqui mais um pouquinho comigo. – Ele pediu, manhoso – Se você ficar, eu prometo que não vou atrás da Tayuya, ok?

ooo

No meio disso tudo, ainda havia o medo. O medo dele de que ela fosse destruída pelo monstro, e o medo dela de um dia ter que enfrentá-lo. Parecia que aquele era o ônus que tinham de pagar antes de... Antes de...

- Quer dizer que eu sempre vou para perto da coisa quando o sonho acaba? – Shikamaru perguntou. – Nos meus, eu vivo dando algum jeito de afastá-la de você, mas nem sempre consigo. É muito problemático.

- Mas você é quem não sai de perto dela! – Ino contestou. – Toda vez você traz ela junto! Se eu cair naquela maldição da roca vai ser culpa sua!

- Ei, ei, ei! – Ele se levantou, um pouco injuriado. Sentou-se na mesma posição que ela. – Se tem uma coisa eu não quero de jeito nenhum é que você caia na conversa daquela coisa, mesmo que a senhorita fique bem menos chata quando está quietinha dormindo... Eu acho.

- Hehe, muito engraçado! Eu não tenho cara de quem cai na conversa de monstrinhos.

- Mas caiu uma vez, em um dos sonhos. Fiquei com o coração na mão, sabia?

Ela calou-se, a expressão ainda bem azeda.

- Ino, só uma coisa... Você tem medo de mim? – A garota arqueou uma das sobrancelhas, ao que Shikamaru resolveu prosseguir – Você me dá essa impressão toda vez que fala que eu e o monstro andamos juntos.

- Eu só não quero que aconteça nada de mal, Shikamaru. Nem comigo... – A voz dela travou subitamente - ... e nem com você. Principalmente...

Silêncio, a não ser pelo canto de algum passarinho que anunciava o entardecer.

- Ah, quer saber! – Ela começou a falar como uma metralhadora - Eu não queria que você ficasse perto de mim por causa disso tudo sabia. Todo dia eu queria que você sumisse de vez só que eu também queria que você ficasse aqui comigo, sabe? Fiquei dizendo várias vezes para mim mesma que não adianta ir atrás de um cara imaginário, que ele nem era grande coisa, que ele era isso e era aquilo e o escambau! Até enrolei para ir te encontrar naquele dia porque você assim iria desistir, só que depois eu quase que não me perdoo por isso! – Tomou um pouco de ar – Tá, tá, eu sou a chata desse caso todo já que eu não conseguia me livrar de você porque eu te amo e pronto!... Pronto, falei.

- ...

- Olá! Mensagem de Marte para Shikamaru-san!... Huh?

Ele avançara, súbito, e parou de repente. De novo aquilo. Os rostos muito próximos, exageradamente próximos. Ino se desequilibrou um pouco ao se mover para trás. O que diabos esse cara estava fazendo?

- O q-que é isso? – Ambos estavam corados. A mão dele apoiada em uma das pernas dela.

- Eu só... Vamos logo passar para a próxima parte, pode ser? – Difícil dizer qual dos dois estava mais embaraçado no momento. E o Nara ainda sem conseguir entender como quase cedeu tão facilmente a um impulso de... – Essa conversa toda de "eu te amo" é complicada demais pro meu gosto.

- Não me diga que você não gostou de ouvir!

- Não, eu gostei sim... Só que... tipo... É muito problemático pra falar.

- Ah! – Ela falou tão alto que ele teve vontade de se esconder. – Já entendi! Mas você acabou de dizer "eu te amo" também, então...

Mais uma lição: Garotas problemáticas com certeza são as mais surpreendentes. Shikamaru não esperava ser puxado, encontrar a boca dela sem que os dentes de ambos se chocassem no processo, e cair no chão com ela nos braços. Ou ele nos braços dela. Ou sabe se lá mais o quê. Eles giraram uma, duas vezes, enquanto as bocas brincavam sem conseguir bastar-se de tanto carinho. Shikamaru não esperava sentir tanto desejo por aquela moça.

Ino também não esperava querer tanto e tanto daquele rapaz. Mais até do que já quis de qualquer outro. Se pudesse...

Soltaram-se extenuados após algum tempo. Só então o Nara pôde avaliar melhor o que havia acontecido, embora, de imediato, só conseguisse chegar à conclusão de que aquilo feriu o seu orgulho. Era ele quem deveria tê-la puxado para si e a beijado primeiro! Não ela!

- Ah, revigorante! – Ino suspirou. Um sorriso de orelha a orelha na face.

- Você não tem vergonha de agarrar alguém dessa forma em um lugar público, problemática?

- Foi só hoje, pele vermelha! - Brincou, sentando-se no chão – Primeiro contato com cara-pálida é sempre traumático.

- Tsc... Lamento, você não conseguiu afetar a minha sanidade mental. – Shikamaru também se levantou, ainda um pouco abalado. – Mas é o seguinte: O próximo passo é meu. Você me ama, também, então vou te pedir para que seja a minha namorada. O que acha?

- Você parece ansioso para seguir em frente, hein. – Ino reparou.

- Só quero acabar logo com isso.

- Pode ser, mas eu tenho uma condição! – Ela se aproximou, o dedo em riste. – Você e eu vamos sonhar com isso nesta mesma noite. E você vai me pedir em namoro no sonho, com tudo a que tenho direito. Pode deixar que a Sakura vai dar uma mãozinha pra gente!

Em um sonho? O Nara enrolou ainda mais a própria coluna, os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto ela se achava o máximo por causa da ideia.

- Isso vai ser muito problemático. – Comentou, sem se importar se ela ouviria ou não.

- Finalmente te achei! Por que ficou aí até agora, priminho?

Ino congelou, lívida. Shikamaru virou-se. Era incrível como Tayuya conseguia ser tão aborrecedora ao aparecer assim, de repente. Ainda usava aquele mesmo elegante vestido preto da hora da flauta. E, mais uma vez, o carro também, estacionado ao longe. A única diferença é que a outra estava se aproximando dos dois, sorrindo. O instrumento musical pendendo da mão direita como se ela tivesse tocado-o durante o dia todo.

- Hum, acho que agora já entendi! – Tayuya continuou – Que bom, Shikamaru-san, que você conseguiu. Mas será que você é muito rígido quando a questão do "momento certo" ou eu já posso me apresentar a ela?

O rapaz a fitou, emburrado.

- Ino, está é Mizuno Tayuya, uma prima minha. – Falou – Tayuya, esta é Yamanaka Ino.

- Muito prazer. – A loira estendeu a mão. A outra apertou-a, prontamente, o sorriso ganhando um ar mais amistoso.

"Essa garota..."

- O que foi? Você sempre fica com a cara feia desse jeito? – Ino apertava até com certa força a mão de Tayuya, que repetiu o gesto, quase fazendo estalar os ossos da Yamanaka. Esta puxou logo a mão de volta. – Shikamaru, me desculpe por interromper a sua felicidade, mas se eu não te achasse agora era bem provável que titio e titia ligassem para a polícia daqui a cinco minutos.

- Você acha? – Falou por falar.

- Tenho certeza, imbecil.

Nessa hora, Ino sentiu uma vontade desmedida de marcar uma das bochechas dela com uma palma bem grande, bem avermelhada. Cerrou o punho. A presença daquela mulher (podia referir-se a ela como mulher) era intimidante, assustadora, dissimulada. Como se ela fosse o Bicho-Algo-Indefinido dos sonhos dela e do rapaz. Será que...!

- Shikamaru! – Falou quase gritando – Eu tive uma ideia! Por que não vamos os três juntos para a sua casa? Assim eu vou poder conhecer a sua família, que tal?

Foi a vez do Nara sentir medo. Ela está com o dedo quase na ponta brilhante de morte.

- Até que eu gostei da idéia! – Tayuya comentou.

- Não, ainda não, Ino. – Shikamaru entrou na frente da loira, ante uma Tayuya meio surpresa com o ato. – Você nem é minha namorada ainda e já está querendo queimar as etapas.

- Mas não foi você quem disse que queria acabar logo com isso? E o que tem de mais eu conhecer a seus pais? – Ela exasperou-se. Shikamaru tentou responder e Tayuya dava um risinho abafado por trás dos dois. – É sempre assim... No final, você acaba indo embora...

"...com aquela coisa!"

Ino estava com as mãos crispadas sobre o peito dele, pronta para socá-lo a qualquer momento. Por outro lado, Shikamaru entendeu o que ela quis dizer. Aquela garota tão ousada e animada estava temerosa agora. Ele não podia ir embora, ele não podia deixa-la a mercê. Estavam sendo vigiados. Seus ímpetos de protegê-la se exarcebaram.

Num impulso, abraçou-a. Se esta fosse a única maneira de impedí-la de ir até a roca...

- Eu vou voltar hoje a noite, deixe de ser problemática. – Não queria soltá-la. Nunca. Nunca. – Hoje a noite, no sonho. Está combinado!

Ela hesitou por algum tempo, mas os braços se aconchegaram em torno das costas dele, puxando-o mais para si. A maciez da blusa do uniforme. Pensou em beijá-lo mais uma vez.

- Obrigado. – Murmurou.

- Pff... Andem logo com isso.

Não precisou esperar muito. No segundo seguinte, Shikamaru soltara a outra moça e eles, ele e Tayuya, começaram a se dirigirem juntos ao carro. Já no veículo, a ruiva descansou a flauta no colo e jogou a cabeça para trás como se pudesse olhar o céu dessa forma. Ao menos, mesmo com alguma dificuldade, deu para perceber o quanto as nuvens estavam alaranjadas e o céu todo arroxeado por causa da hora. Virou-se para o Nara para ver se ele estava fazendo o mesmo.

Ele apenas olhava para a praça pela janela, totalmente relaxado no assento.

- Até que você se saiu bem para uma primeira vez. – Ela falou, atraindo um olhar surpreso do rapaz. – E de pensar que eu ia te propor umas aulinhas de como se deve beijar uma garota! Sorte que aquele seu amiguinho escandaloso me salvou dessa insanidade.

- Você viu tudo?

- Cheguei bem na hora da melhor parte. – O carro partiu, um pouco mais e dobraria a esquina. Tayuya supôs que essa fosse a melhor hora de tirar da paralisia umas duas fadinhas que ela viu na laje de uma sorveteria. – Vamos ver até quando isso vai durar.

Shikamaru apoiou um dos cotovelos na porta do carro, distante.

- É. Vamos ver... – Curioso como ultimamente os dias vêm passando mais rápidos...

ooo

Atenção! Você está sonhando agora.

Pra quê aquele monte de gente enfileirada só para você passar, oujisama***? Pra quê? Pra quê eles têm que segurar aquelas penas de galinha enormes? Um deles deixou a dele cair no meio do caminho e Vossa Alteza só não tropeçou por que o distraído pediu desculpas logo, muito gentil e muito entrão.

(Não é pena de galinha! Elas são de faisões mágicos!)

Você só responde e segue adiante e volta com os "pra quê" da vida. Mais um exemplo? Pra quê você está cheio de medalhas no peito e dragonas**** nos ombros, oujisama? E por que você é oujisama? De que reino você veio?

(Ele veio desposar a Ino-hime! Não, esse povo exagera demais. Estão assistindo muita novela!)

Pra quê você tem que usar uma roupa que pinica tanto e botas que vão deixar um calo no seu dedão se você passar mais 5 minutos com elas? Pra quê o teto do corredor é tão alto quanto o do salão? Ah, você já está no salão?

Pra quê tudo isso, Ino?

(Ela está bem na sua frente. Tem mais guardas-figurantes ao redor dela. Ela está mais acinturada do que o normal. É o espartilho. Não é só você quem sofre.)

Pra quê ela está com o vestidão mais soberbo que ela achou no armário? Por que justo aquele todo roxo, de mangas bufantes e rendas nos acabamentos? Por que esses cachos no cabelo? Por que esse leque com figuras de cravos? Pra quê esse colar com uma safira enorme? Por que está tão deslumbrante, Ino?

(Os serviçais acabaram de anunciar o seu nome. Pode ir.)

Pra quê toda essa pujança, esse brilho em todo canto? Não é um pouco demais?

- Por que nos tempos dos contos de fadas era assim. – Ela responde.

- Pensei que tempos de contos de fadas fossem qualquer época em que desse para encaixar um príncipe e uma princesa. – Você retruca.

- E aqui dá. E então, Shika-oujisama, por qual razão você veio até aqui?

Pra quê você tem que se abaixar, fixar o pé de uma das pernas e o joelho da outra no chão? Pra quê você tem que mostrar o anel para ela? Ah, você não tem anel! E nem precisa. Pra quê anel se você não vai pedí-la em casamento e sim...

(Você se sente muito à vontade fazendo isso. Deve ser o efeito realeza, oujisama!)

- Yamanaka Ino, você aceita ser minha namorada?

(Os violinos começam a tocar uma música estranha demais para tempos de contos de fadas. E você até sente a falta da voz dela cantando. Não tem graça, mas até que está bonito o negócio.)

- Se eu quiser dançar agora, você aceita isso como um sim? – Ela retruca.

- Pode ser.

- Então vamos!

(Sonhos são bons por causa disso. Você nem ligou para nada. Está com uma roupa chamativa, fez uma pose chamativa e agora está dançando sozinho com sua garota na frente de um monte de gente. Por que você não está achando nada disso problemático, oujisama?)

Chega de "pra quê"! Você já cansou. Você só quer sentir a cabecinha da Ino no seu peito e a mão dela na sua enquanto vocês estão rodopiando. Acabou. Você só quer pensar que quando as quimeras e os monstros quebrarem os vidros das janelas e invadirem o mundinho perfeito de vocês, Vossa Alteza vai segurar a barra. Vai sim. Por mais difícil ou complicado que isso possa vir a ser.

(Você está bufando, oujisama. Que aguente essa agora!)

Enquanto isso, sejam felizes! Dancem!

ooo

No calendário está marcado: Lua cheia. De fato, uma tênue luz é a única coisa que está iluminando o desleixado quintal lá fora. Tão desleixado que uma plantinha está subindo pelo gradeado da janela do cômodo. E, sentada no parapeito, Tayuya ficou dando uns petelecos em uma folha da ervazinha até cansar. O quarto em si todo mergulhado em penumbra.

- Será que você gosta de olhar para o céu também nessas horas, priminho? – Perguntou enquanto descia do parapeito. Silêncio. – Ah, eu já tinha me esquecido... Você deve estar se divertindo bastante com aquela vadia, não é?

Já era tarde da noite. A luz vinda de fora só conseguia pegar as beiradas da cama onde Shikamaru estava. Tayuya se aproximou devagar, mais para ser irônica do que para "não atrapalhar o soninho" do outro. Ele esteve bem irritante hoje, com aquele brilho nos olhos tão irritante quanto. E ela ainda havia pensado que ele conseguiu não parecer um imbecil. Que ridículo.

Tayuya sentiu uma onda de raiva só de pensar que os olhos dele poderiam ainda estar cheios de estrelas por trás das pálpebras fechadas. Mas se controlou. Daqui a pouco ela teria motivos para se sentir melhor, e como teria...

- Tudo bem, pode aproveitar à vontade a festinha aí dentro. – Sibilou, os dedos tamborilando sobre as cobertas. – É tudo o que vai poder ter mesmo, afinal... Mas até que você é um cara de sorte. – Enfim, Tayuya se afastou e foi até a porta, sem sair, portanto, antes de completar para o rapaz – A vida nem sempre é tão boazinha, Shikamaru-san. Aposto como você já sabe disso.

Blam!

Os passos da moça ecoaram um monte de vezes pela casa antes de a ruiva girasse a chave da fechadura e saísse. Suspirou e sorriu. Gostava de fazer essas pequenas coisinhas, faziam-na se sentir parte daquele mundo, sentir que ela era quem estava no controle de tudo. Abriu a porta da frente com tudo, queria sentir o ar fresco e frio da noite. Saiu sem trancá-la novamente e jogou a chave no tapete de entrada. Ninguém iria se atrever a entrar lá mesmo.

Até aquela loirazinha havia amarelado feio ao chegar perto dalí. Tayuya riu só de pensar nisso. Seria muito divertido ver, muitíssimo em breve, a carinha de assustada da boboca novamente. Pensou que talvez fosse possível, apesar de Ino também estar se divertindo à beça àquela hora. É, talvez seja possível.

Abriu o portão da casa dos Nara e pisou direto no quintal dos Yamanaka. Ela podia!

A casa era grande e bonita, com aparência de que fora pintada há pouco tempo. Havia alguns cogumelos de cerâmica e banquinhos brancos no quintal. A varanda era ladeada por pequenos arbustos de flores brancas, róseas, amarelas. As pedrinhas da garagem davam chiadinhos quando pisadas. Sem cerimônia, Tayuya desapareceu ao se aproximar da porta da frente. E se materializou no outro lado.

A sala não era menos bonita do que o lado de fora. A escada também. A ruiva sentiu a presença de uma fada-madrinha por perto: Claro, Haruno Sakura deve ter ido dormir com a amiguinha hoje. Que triste a vida de quem precisa servir de suporte para uma pessoa sem poder algum.

- Eu sabia que você iria aparecer aqui em casa nestes dias! – Alguém falou. Tayuya olhou para cima e viu o senhor de cabelos compridos, metido em um roupão azul-petróleo. Ele parecia estar segurando algo que não dava para ver de imediato o que era. A luz que vinha de fora deixava uma nesga brilhante na coisa.

- Inoshi-san, há quanto tempo! Até que o senhor anda bem conservado... Está igualzinho como era na última vez que a gente se viu, que incrível!

- Oras, dá para ver que nisso você é melhor do que eu. – Ele riu. Voltou a ficar sério logo depois – Mas fique logo sabendo que eu não estou nem aí para o que você faz ou deixa de ser capaz de fazer. Não vou deixar que você chegue perto da minha filha.

- Oh, e o que você vai fazer? – Tayuya provocou. – Vai saltar daí e tacar a Espada da Virtude na minha cabeça? Oh, que medoooooo, seu idiota!

- ...

- Eu sei que ela está aí na sua mão. No mínimo! – Chegou mais perto da escada – Eu já a procurei muito bem na casa dos Nara e não achei, então só podia estar aqui.

- Você vai pagar caro pelo o que está fazendo com a gente. – O homem sibilou – Ninguém aqui fez nada de mal para você! O que você quer?

- Então quer dizer que se esquecer de me convidar para uma festinha de criança não conta, imbecil?

- Você realmente não mudou nada. Não passa de um monstro! – Mal Inoshi terminara de falar, a ruiva sumiu, deixando-o confuso.

Até que ele sentiu um puxão na espada, que foi ameaçar-lhe o pescoço na mesma hora. Tayuya estava bem atrás dele.

- Parabéns, você tem razão! – E o empurrou com força para o lado.

Inoshi foi parar no final do corredor. Aquilo era muito melhor do que só jogá-lo dalí de cima e vê-lo se estatelar nos tapetes da sala. Era muito mais divertido. De fato, o objeto que agora tremeluzia nas mãos de Tayuya era mesmo a tal da Espada da Virtude. Olhou para a frente, o homem ainda estava tentando se levantar.

- Você é muito engraçado, seu velho! – Tayuya foi se aproximando, aproximando, aproximando – Eu gostaria muito de entender o que faz uma criatura miserável como você achar que pode defender a pobre mocinha indefesa do monstrinho aqui?

- Você é louca! Ai! – Mais um raio de dor. Mais um pouco de parede rachada. E um fio de sangue começando a escorrer pela cabeça.

- Vamos! Reconheça logo que você é uma nulidade para me enfrentar, Inoshi-san! Sua querida Inozinha já era, e depois eu ainda vou usar o Shikamaru para palitar os dentes! – Segurou o pescoço do homem, forçando-a a olhar para ela. – Diz aí que está com medinho, antes de eu ter o prazer de acabar com você! Anda logo!

- Eu vou proteger a minha filha... Não importa o que você faça!

- Ah, é? Mesmo depois de morto? Isso eu quero ver! – Tayuya ergueu a espada e...

.

.Continua


N/A¹ : Gente, uma pequena novidade para vocês. Para felicidade geral da nação e desespero completo dos personagens desta fanfic, anuncio-lhes que "Once Upon a Dream" vai ter, na verdade, 5 ou 6 capítulos. Percebi que iria precisar de mais espaço para desenvolver essa história... Que ainda vai ter muita coisa pela frente, vocês vão ver.

Falando em mistério, bem que não foi minha intenção, mas tive que resolver uma parte deles neste capítulo. Afinal, agora já sabemos exatamente o que a Sakura e o Chouji são. E dá-lhe ShikaIno também! Enfim, um capítulo mais calmo e romântico desta vez, que tal?

N/B: Oi, aqui é a Po-chan.s n_n, estou escrevendo essa notinha pra fazer um pedido de desculpas formal, já que a demora na postagem não é culpa da Otowa-chan, e sim minha, porque ela me mandou o capítulo faz uns – muitos – dias e eu não betei por alguns probleminhas aqui em casa (e não mandei betado antes por problemas na p**** da net). Enfim, desculpem-me pessoal, prometo ser mais rápida na betagem nos próximos capítulos.

N/A²: Ah, Pô, não precisa ficar assim. Deu tempo de a fanfic conquistar mais leitores e o mais importante agora é que o 2º cap. já está aqui.


E agora... O Show do Intervalo (ou das reviews)!

#Coala N

Hum, pelo visto está fácil eu te influenciar, não é? Primeiro, o ChouSaku: Esse é um experimento muito fofo e muito bonito de se fazer. Pode ser que eu faça outras fanfics com esse casal... Depois, "Ace Wo Nerae!": Que bom que você resolveu ir atrás do anime, garanto que tu não hás de se arrepender! E eu não pude deixar de fazer a referência porque, por mais que eu não goste muito de admitir, a trajetória do Shikamaru e a da Hiromi possuem algumas semelhanças, inclusive no que diz respeito a questão dos "senseis". É certo!

Pode se preparar para sentir mais ódio da Tayuya. Isso foi apenas 1% do que ela é capaz de fazer, e é bem capaz dos outros 99% serem demontrados nesta fanfic. Ou seja, os protagonistas estão ferrados. Por fim, realmente o capítulo anterior foi bem movimentado mesmo... Espero que você esteja continuando a gostar de "Once Upon a Dream".

#Po-chan.s

Sim, pequena mortal, estou cumprindo uma missão Rank S que é fazer ShikaIno dominar o mundo! Jajajaja! E parece que estou conseguindo... Muito obrigada pelos elogios e também te agradeço bastante por betar "Once Upon a Dream" e por uma outra coisa que eu te falei em um e-mail, mas não estou lembrada agora... pff! E muito obrigada também por favoritar esta fanfic!

#Mokoninha

Não, você não foi a primeira, mas não precisa se importar com isso, ok? E, céus, por onde eu começo?... Que bom que o "Atenção! Você está sonhando agora." está fazendo sucesso. Esta é a frase da fanfic, se você reparar bem, jajaja! E, não, a ajuda do Naruto não funcionou: Era convencer a Ino a se encontrar com o Shikamaru naquele dia, mas a Tayuya apareceu e o Nara deu no pé. Depois os outros é que são os problemáticos...

Mas, enfim, eles já começaram a namorar, e em grande estilo. E graças à Sakura (que não é exatamente um anjo, jajaja!). Espero que este novo capítulo tenha atendido às suas expectativas.

#Shiori McQueen

Pronto, aqui está o beijo que você pediu. E aqui está o 2º capítulo: Espero que você tenha ficado com vontade de ver o terceiro, jajaja!... Eu reli a primeira parte desta fanfic e, realmente, há algumas partes que não ficaram muito legais do jeito como escrevi. Pense na vontade que eu tive de refazer tudo de novo... Espero que este cap. aqui tenha melhorado um pouco em relação a isso.

E o modo como o Shikamaru se apaixonou pela Ino foi o mesmo como ela se apaixonou por ele, caramba! Ei, e me diga uma coisa, Shiori, por acaso você não sentiu algum frustração ao ver como acabou aquele primeiro encontro dos dois? É que achei que você ia falar algo sobre isso (Depois do que você disse naquela PM sobre "Robespierre" a respeito dos cabelos do Neji...). Puxa, fico feliz que você tenha gostado das partes de sonhos, eles são praticamente uma atração à parte... E pode esperar por mais inconstâncias neste sentido!

#Yagami Saika

Vou querer saber que teorias conspiratórias são essas. Mesmo que este capítulo já tenha derrubado algumas... E, definitivamente, esse FF me fez descobrir que, por mais que eu goste da Ino, também adoro escrever fanfics com o ponto de vista do Shikamaru. Já tenho umas 2 ou 3 outras ideias com ele nesse papel, jajaja! Espero que este novo capítulo tenha atendido às suas expectativas.

#Tifa Lockhart Valentine

Também amo os filmes da Disney, tanto é que eu estou quase arrependida de não botar o Naruto usando um jutsu para virar o Shikamaru e entreter a Ino na floresta enquanto o nosso preguiçoso não chega. Ah, esquece!

Ainda bem que os efeitos da tolice já foram sanados... por ora. Quanto à Tayuya, bem, você já disse tudo. E viva a nossa querida Pô!

Deixe uma review você também! Ou a Malévola vai te fazer uma visitinha hoje à noite. *risada maquiavélica*

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*Trecho da música "Se preparem", da trilha sonora de "O Rei Leão": É aquela canção que o Scar canta quando decide que vai matar o rei e o herdeiro para enfim poder subir ao trono.

**Trecho da música "Akogare", do anime "Andersen Douwa Ningyo Hime" (Vídeo: http:/ www. youtube. com/ watch?v= QTKAcZ67UiI &feature=related). Essa canção praticamente embalou o processo de produção deste capítulo e não tive como não imaginar a Ino cantando-a. É.

***Príncipe, em japonês.

****Acessório utilizado em uniformes militares antigos, nos ombros. São geralmente ornados com fios de ouro ou de seda. Não é incomum ver reis e príncipes de tempos idos (ou até mesmo dos dias de hoje) trajando-as em ocasiões especiais.

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