Capitulo dois:

Sucedeu no Bosque

— Você é uma intromissão doninha desajeitada.

— E você um furão febril.

— Marginal invejoso.

— Elitista traiçoeiro.

Draco e Ron levavam quase cinco minutos assim, sentados um em frente ao outro. Ron em sua cama, Draco na de Harry. E tanto os olhos cinzas como os azuis permaneciam entornados se olhando fixamente, as mãos de ambos aferradas à orla do colchão e seus corpos inclinados ligeiramente para diante, como se em qualquer momento se fossem lançar um contra o outro, mas se resistissem ao fazer.

— Vamos seguir assim até meia-noite ou quando te pensas sair de MINHA habitação? —protestou Ron franzindo o cenho.

— Até que se cole a vontade… Garrocha espancada.

— Quisesses!... doentios puros ossos.

— Como se fosses um Adonis! Não és mais que uma horripilante cenoura desgrenhada.

— E tu uns cabelos tingidos deslavados não pudeste ter encontrado um tinte mais discreto?

— Ah vá! E desde quando o vermelho "me destroça a retina" é um modelo de delicadeza?

Os demais habitantes daquela habitação chegaram nesse momento e ao vê-los somente entornaram os olhos e dedicaram-se a seus assuntos pessoais, já era costume que aqueles dois dedicassem vários minutos a se insultar aproveitando a ausência de Harry, e segundo o que tinham ouvido no salão principal, seguramente os olhos verdes estava passando muito mal nas masmorras.

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Harry ao fim chegava à porta do escritório, depois de sua louca correria baixando tantos degraus que já lhe doíam as pernas… é que ninguém pensou em instalar um elevador em Hogwarts?

Depois de tocar escutou a inconfundível voz de Snape permitindo-lhe a entrada, o coração batia-lhe muito rápido, pensou que quiçá* tinha sido pela apressada correria. Abriu a porta esperando encontrar um energúmeno disposto a devorá-lo inteiro. E talvez sim, mas de outra maneira. Severus tinha preparado um bom discurso para repreende-lo por sua impontualidade, mas ao vê-lo respirar agitado, com sua camisa branca colada ao corpo pelo suor e essas gotas cristalinas escorregando tentadoras por seu pescoço… deixaram-lhe sem fala. (*quiçá = talvez)

— Sinto chegar tarde, Professor, é que…

— Outra vez andava dando espetáculos pelos corredores? —perguntou depois de obrigar-se a sair do trance.

Harry não respondeu, ainda que não andava exibindo nos corredores como o homem perguntava, não achava que tivesse porque lhe dar explicações sobre sua vida íntima. Seu nariz franziu-se graciosamente retirando-lhe a mirada. Snape não soube como pôde se controlar e não se lançar sobre ele para lhe tirar esse gesto tão infantil.

— Que tenho que fazer agora? —perguntou Harry deixando a um lado seu mochila.

— Sente-se aí.

Severus assinalou uma mesa colocada a metade de sua mesa com uma singela cadeira a um lado. Harry obedeceu sem protestar ainda que seguia sem entender ou seria que o pensava pôr a fazer alguma redação?... Pensando em isso, sacou um pergaminho de seu mochila.

— Que faz?... Não vai precisar isso.

Ao escutá-lo, Harry voltou a guardar todo e seguiu com a mirada ao Professor. Este se dirigiu a um armazém contiguo no que permaneceu por um par de minutos. Quando saiu, levava em suas mãos algumas pequenas caixas de cristal que colocou sobre a mesa em frente a ele. Os olhos verdes não lhe decolava a vista nem um segundo, intrigado pelo que significava tudo aquilo. O Professor regressou ao armazém e depois saiu levando consigo um ramalhete de folhas moradas e flores de diversas cores. Suavemente pô-las junto aos frascos para em seguida ocupar uma classe algo afastado. Sentado e apoiando seus braços no respaldo, Severus conteve um sorriso ao ver a Harry confundido ante sua tarefa.

— Preciso explicar-lhe? —perguntou sarcástico.

— Se não é muita moléstia. —respondeu Harry no mesmo tom.

— Deve separar as folhas por tamanho, e os pétalas por cores.

Harry entornou incredulamente seus olhos ante o que tinha que fazer, mas não lhe ia dar o gosto de lhe fazer ver o incómodo que se sentia ante esse labor. Engolindo-se seu orgulho, os olhos verdes decidiu primeiro libertar-se do pior, despojar as flores.

— Deve ter cuidado, têm que ser seccionadas desde seu nascimento, Potter… de modo que, com soma delicadeza, lhe advirto.

O garoto nem voltou a olhá-lo mas dispôs-se obedecer, sujeitou uma estranha flor que tinha pétalas rosas e amarelos e com macieza foi retirando a cada um deles, tentando não os romper. O que mais lhe incomodava era saber que Snape se estava entretendo com isso, nem sequer se tinha posto a qualificar exames nem a ler livros, nem nada, podia o sentir lhe olhando a cada movimento, mas sabia fingir bem que estava só e dessa forma pôde continuar sua tarefa.

Não soube quanto tempo levava, mas de repente, uma luz cegadora lhe fez se deter abruptamente, quando pôde voltar a ver, olhou para onde estava seu Professor se surpreendendo de ver sorrindo como nunca lhe tinha visto… algo tremulou em seu estômago de repente. Nas mãos de Snape sustentavam uma câmera fotográfica.

— Surpreende-lhe isto? —perguntou Severus assinalando a câmera. —Um aluno estava jogando com ela e tive que a confiscar.

— Não me parece muito ético usar as coisas alheias.

— Isso não me importo. —assegurou encolhendo-se de ombros. —O que sei, é que esse menino jamais poderia lhe dar um bom uso… se imagina se alguém visse a imagem do prospecto de herói despojando margaritas?

— Não me envergonha. —disse, mas as bochechas coradas contra diziam-lhe. —Pode fazer o que queira com essa câmera.

— Bem… siga posando. Ah, esquecia-o, tem em uma semana mais de detenções por ter chegado tarde.

Harry olhou perplexo a seu Professor, não podia o crer… Que lhe passava a esse homem? É que já não poderia nem respirar sem que tivesse o risco de ter em uma semana mais de castigo?

Mas decidiu acalmar-se, não se ia deixar provocar, respirou e sacou o ar lentamente. Severus aproveitou o momento para tomar-lhe outra fotografia, satisfeito de que daria a impressão de um profundo suspiro enquanto jogava com flores. Harry não pôde mais que se combinar com a boca aberta ante a astúcia do Professor para saber aproveitar de sua estupidez.

Bem, já tinha o que queria, jamais poderia contra ele se de discussões se tratava, e recordando um velho provérbio muggle, decidiu que quiçá seria interessante saber a reação de seu professor se deixava de se comportar como seu inimigo. Sujeitou uma flor amarela… olhou-a por um momento sem atrever-se a nada, e sua atitude pensativa a olhando foi plasmada em outra fotografia.

Harry levantou a cara, não podia… ainda que Snape não luzia muito agressivo nesse momento, lhe era totalmente superior a suas forças se pôr a jogar com ele. A flor que pensou colocar sobre a orelha para lhe dar um gosto, voltou à mesa a esperar seu turno de ser despojada. Já nem sequer entendia como aquela ideia tinha cruzado por sua mente… caçoar com Snape? Era algo totalmente bizarro e sobretudo suicida!

Ao cabo de quinze minutos já tinha terminado com as flores e respirou aliviado de que seguramente isso significava o fim dos flashs também. Tomou o ramalhete de folhas para continuar com elas, mas uma dor em um dedo lhe fez as soltar lançando um choramingo de dor.

Snape pôs-se de pé tão rápido que a classe e a preciosa câmera ficaram atirados no solo.

— Que sucedeu?

— Não sei… algo me picou. —disse mostrando-lhe mano-a direita.

Severus sujeitou-lhe para revisá-la, notou uma pequena ferida puntiforme na palma da mão que já mostrava vermelhidão e aumento de volume notório. Revisou depois o ramo e encontrou um pequeno verme morando que se mimetizava perfeitamente com as folhas.

— Não se preocupe, não é venenoso… mas precisa uma poção para a dor e baixar essa inflamação.

— Posso ir então à enfermaria?

— Não é necessário, eu tenho um pouco… Venha.

Severus sujeitou-lhe da mão e levou-lhe para um amplo cadeirão que fazia parte de uma saleta junto ao armazém. Ele se mergulhou a buscar algo e saiu para se ir a sentar junto ao garoto, quem olhava como sua mão luzia a cada vez pior, agora o ponto tinha uma coloração violácea.

— Seguro que não é necessário que vá à enfermaria? —perguntou temeroso.

— É que não confia em minha capacidade?

Harry não respondeu, o Professor pareceu não precisar resposta também não porque já abria o frasco e depois de sacar com seus dedos uma quantidade generosa de um gel marrom, voltou a sujeitar a mão de Harry e começou à espalhar com suas próprias mãos.

Harry surpreendeu-se do bem que se sentia. Tinha uma sensação refrescante que aliviava a dor enquanto podia sentir os dedos de seu Professor trabalhar com maestria… se surpreendeu dos encontrar tão suaves e delicados apesar dos grandes que eram, tanto, que sua mão parecia desaparecer entre as de Snape.

Inclinou um pouco sua cabeça notando que não era a primeira vez que se fixava nas mãos de seu Professor, em outras ocasiões também o tinha feito, quando lhe entregava alguma tarefa, ou quando lhe olhava sustentar sua varinha durante suas antigas e frustradas aulas de oclumência, no entanto, sim era a primeira vez que o fazia de maneira consciente.

E ainda que a dor ia minguando, aquilo era tão extraordinariamente relaxante que não o mencionou para deixar que continuasse massageando por um momento mais.

Olhou a expressão concentrada de Snape, sabendo espalhar o unguento e pressionar nas áreas que mais afetadas sentia. Não pôde evitar ficar admirado de sua sabedoria, ele seguramente tinha feito aquele unguento, e era provável que fizesse os que tinha usado durante todas suas estâncias na enfermaria. Compreendeu que seu Professor sabia mais que fazer poções, mais que feitiços ou oclumência… que tantas coisas lhe faltariam por conhecer de Severus Snape?

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Hermione olhava escondida detrás de uma coluna em um dos jardins traseiros de Hogwarts. Sabia que o Slytherin que gostava acostumava sair a correr de todas as noites antes de dormir e era fanática ao ver. Lhe deslumbrava sua maneira pulcra e profissional de dar a cada passo e que em nenhum momento perdesse a classe que lhe caracterizava.

Nervosa, deu-se um olhar a si mesma. Aquela ocasião tinha decidido fazer algo mais que olhar e fazendo a um lado seus temores, se afundou em um traje esportivo cor rosa. Quase envergonhou-se de ver-se assim, com a tiara rosada lhe sustentando sua alborotado cabelo, mas sabia que a Zabini lhe atraíam as garotas doces e delicadas… uma prova disso era Pansy Parkinson, com quem saía ocasionalmente e que parecia ser sua preferida dentre todas as noivas que tinha tido.

Tomando ar, Hermione decidiu comportar-se o mais estúpidamente que podia, se isso era necessário para chamar a atenção do aposto moreno, estava decidida inclusive a ser a mais boba de todo o colégio.

— Olá. —suado-lhe fazendo um esforço por trotar ao mesmo ritmo que Blaise.

— Granger?

Zabini quase detém-se ante a surpresa de ver à inteligente garota ataviada dessa maneira. No entanto, repôs-se rapidamente e continuou com seu exercício tentando ignorar o fato.

— Não sabia que gostavas de correr. —mentiu Hermione sorrindo-lhe entre suspiros de cansaço. —Eu também acostumo o fazer, mas cerca do lago… hoje vim para cá e tem sido uma surpresa te encontrar.

— Sentes-te mau?

Blaise deteve-se de imediato, notava a vermelhidão da cara de Hermione e sua respiração entrecortada, mas o que mais lhe intrigava era o sorriso tonto que jamais tinha visto na garota.

— Não… estou bem porque o mencionas? —perguntou esforçando-se por continuar sorrindo.

— Vejo-te… demasiado agitada. Segura que fazes exercício?

— Claro.

Blaise ia dizer algo mais, mas a estridente voz de Pansy lhes interrompeu, chegou até eles saudando ao garoto com um ruidoso beijo na bochecha. Hermione franziu os lábios querendo assassinar à inoportuna que já se pendurava do braço dos olhos azuis.

— Que é isso que levas posto, Granger? —perguntou zombadora. —Talvez esse empacotado que te trazes defendendo aos elfos domésticos já te fez te vestir como eles?

— Não pretenderás que use vestido para correr? —repreendeu molesta.

— Querida, para tudo há que ter elegância, mas nem com um feitiço de glamour o conseguirias.

— Será melhor que nos vamos. —propôs Blaise antes de que Hermione decidisse responder e aquilo se prologara ainda mais—. Adeus, Granger.

Blaise sujeitou da mão de Pansy e afastou-se com ela deixando à castanha furiosa consigo mesma. Depois de vê-los desaparecer, tirou-se a estúpida diadema arrojando ao solo para depois sentar-se ela sobre a grama.

"Sou uma desajeitada" se recriminou furiosa. "Nunca poderei gostar de Blaise"

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Pela manhã, Ron acordou-se murmurando algo bem como "pele de lagartixa mau assoleada", mas ao olhar para a cama de seu amigo, conseguiu acordar de tudo. Harry dormia ainda, tinha um amplo sorriso em seu rosto, mas a mão que ficava sobre a almofada estava vendada.

— Harry? —chamou-lhe acercando-lhe—. Harry, acorda.

— Que horas são? —perguntou sonolento enquanto se aferrava a sua almofada e sorria ainda mais.

— Faltam vinte minutos para as oito. Tens que te levantar ou se nos fará tarde de novo.

— De acordo… já vou.

— Harry que te passou na mão?

— Eh?... Ah, nada importante, me picou um verme, mas já tudo está bem.

Nesse preciso momento, e provocando que Ron sentisse seus músculos engrossar-se, se escutou a voz de Draco ao entrar no quarto.

— Como que te picou um verme? —perguntou subindo à cama sem importar-lhe empurrar ao ruivo-. Meu pobrezinho, joli! Dói-te muito?

Harry negou sorrindo, recebendo feliz os mimos de Draco quem encheu-lhe de beijos a mão vendada. Ron decidiu meter-se melhor a banhar, preferia deixar de ver esses abraços que lhe golpeavam o fígado. Mas quando saiu, um pouco mais relaxado pela ducha, viu que o casal de noivos se beijavam fogosamente abaixo das cobertas e já não pôde ficar sem fazer nada.

De um sozinho movimento, tomou ao loiro do ombro afastando-o de Harry.

— Disse-te que te levantasses, Harry, se nos vai a fazer tarde outra vez e tudo por culpa deste convencido urgido.

— Pelo menos alguém anda urgido por Harry, porque de ti, ninguém, ruivo frígido!

— Já, tranquilos os dois. Agora mesmo me vou a banhar.

— Precisas ajuda? —perguntou Draco beijando a mão vendada.

— Não… posso sozinho.

Harry entrou ao banho divertido de ver a cara de frustração de seu noivo. E ao ficar sozinhos, novamente, loiro e ruivo olharam-se como touros, no entanto, nenhum dos dois deu o primeiro passo para a briga que ansiavam.

— Vais sair-te ou que? —provocou-lhe Ron. —Também preciso de privacidade em minha habitação para me poder mudar.

— Por mim o faz. —respondeu recostando-se na cama de Harry—. Ou supões que estou que me morro por ver teu escultural corpo de gato lampião?

Ron rosnou, mas decidiu ignorá-lo, de modo que foi para seu baú sacando um uniforme limpo. Perto, Malfoy pretendia fingir estar só na habitação, mas quando viu que o Gryffindor se desfazia da toalha, estando de costas ao loiro, ficou gelado, se assim eram os gatos lampiões… oh vá que deviam fazer exercício!

Dissimuladamente, Draco percorreu as linhas marcadas do torso de Ron que bem sabiam se ocultar debaixo das roupas usadas e velhas que sempre usava. De repente, teve a impressão de que Ron luzia mais alto e atlético do que tinha suposto. Queria resistir-se, mas seus olhos não lhe obedeciam, as pupilas se lhe dilataram ao máximo ao se fixar no traseiro perfeitamente redondeado… para terminar, o ver se vestir resultou uma experiência única… o que não entendia era porque.

Harry saiu nesse momento do banho, e sem dar-se conta do que fazia seu noivo. Lançou um feitiço para deixá-lo enclausurado baixo os cortinas de sua cama e poder mudar-se de roupa. Ao ver fazer isso, Ron ficou pasmado… porque não se lhe tinha ocorrido isso? Ainda que… realmente tivesse querido privar-se de sentir essas miradas percorrendo lhe por completo?

— Porque encerraste-me, joli? —perguntou Draco desde o interior da cama.

— Para que não andes bisbilhotando.

Draco e Ron engoliram duro ao escutá-lo, mas o riso inocente de Harry fez-lhes saber que não se referia a eles e decidiram seguir fingindo que nada passava. No entanto, quando Draco, desde adentro, escutou que Harry lhe pedia a Ron ajuda para poder se vestir, sentiu que queria desesperadamente sair e o impedir.

— Eu te posso ajudar, joli. —propôs de imediato.

— Não. Seguramente quererias desvestir me, não me vestir, Draco. —negou divertido. —Ron, isso doeu!

— Lamento-o. —ouviu-se a desculpa forçada do ruivo. —Deixa de mover-te tanto ou não poderei abrochar tanto botão.

— É que me fazes cócegas!

Draco sentiu que o estômago lhe ardia tão só de imaginar os dedos de Ron acariciando a pele de Harry. Felizmente o tormento não durou bem mais e um par de minutos depois, por fim o feitiço terminava e as cortinas se percorriam para lhe deixar sair.

— Lamento-o. —desculpou-se Harry sentando a seu lado—. Não estás molesto por te encerrar, verdade?

— Não, claro que não. Vamo-nos?... se damo-nos pressa podemos atingir o café da manha juntos.

— E arriscar a outra semana de castigos se Snape vê-nos? —questionou Harry preocupado—. Não, obrigado. Melhor vemo-nos entre as aulas, Draco… ah, a propósito, ontem à noite teu padrinho alongou-me o castigo em uma semana mais.

Draco abriu a boca desagradavelmente surpreendido. O seguinte fim de semana era saída a Hogsmeade e isso significava que Harry não poderia ir. Ron, quem dava-lhes as costas arranjando seus livros, teve que se morder os lábios para não sorrir.

Uns minutos mais tarde, Draco teve que se despedir com um breve beijo ao ver que seu Padrinho se encontrava no salão. Lamentou não poder se sentar na mesa com Harry, mas esperava pelo menos, conseguir ter em um dia livre para poder sair com ele, de modo que era melhor não propiciar mais o mau caráter de seu chefe de casa.

Ron e Harry sentaram-se à cada lado de sua amiga olhando-lhe com preocupação. A castanha comia esganada seu cereal apoiando um cotovelo sobre a mesa e na mão sua frente. Seu cabelo tinha amanhecido mais desordenado que de costume, e para cúmulo, seu rosto era a representação do pesar.

— Sucede-te algo, Mione? —perguntou Harry acariciando lhe o cabelo, ainda que mais bem tentava o apartar para poder ver a cara de sua amiga.

— Nada. —gemeu em um suspiro tão lamentoso que não tinha nada que lhe invejar a Murta.

— Segura? —interveio Ron. —Vês-te… fatal.

Hermione se ergueu esquecendo de seu café da manhã para olhar com reproche a seu amigo.

— Tu me odeias verdade, Ron?

— Que? Não! —exclamou apressado o ruivo.

— Porque dizes-me que sou feia justo agora? –perguntou Hermione

— Mas, mas… mas eu não tenho dito isso. –respondeu Ron

— Sou bonita? –perguntou Hermione

— Também não tenho dito isso, mas…

— Porque odeias-me, Ronald? –perguntou Hermione

Ron já não queria nem abrir a boca, compreendeu que tudo o que diria seria usado contra e com uma mirada suplicante pediu ajuda a Harry. Mas este, também não compreendia nada, compadecido a seu amigo, mas soube que Hermione andava deprimida por algo e até que lhe dissessem linda a faria chorar.

— Tu não dizes nada, Harry? —perguntou a castanha girando para seu amigo, Ron ao fim respirou tranquilo ao deixar de ser o centro de atenção.

— Q-que queres que diga? —perguntou Harry intimidado.

— Podes dizer-me porque os homens são uns idiotas?... Talvez tenhas experiência em isso.

Ron esteve a ponto de rir, mas a fulminante mirada de Hermione tirou-lhe todo o desejo de fazer. A garota simplesmente pôs-se de pé e marchou-se, não sem dantes olhar fugazmente para a mesa de Slytherin onde Pansy quase enforcava a Blaise ao se pendurar melosa em seu pescoço. No entanto, o que Hermione não atingiu a ver, foi quando Blaise, algo incomodado, conseguiu sair do agarre de sua amiga e olhou confundido a porta por onde tinha desaparecido a Gryffindor.

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Essa noite, Harry caminhava depois de o Professor Snape, ele lhe tinha dito que seu castigo seria no bosque proibido. Aquilo o tinha sumamente nervoso… que tinha planejado para lhe fazer a vida mais difícil?

"E se é uma armadilha e mata-me?" pensou agoniado para em seguida sacudir a cabeça rindo-se de si mesmo ante semelhantes ocorrências.

Quando chegaram a um clarão, Severus se deteve de improviso girando para o garoto a quem quase choca com ele, para o evitar, Harry levantou as mãos tocando o peito de Snape, e de novo apareceram essas coisas tremulando em seu estômago… talvez o jantar lhe tinha caído mau, pensou.

— É aqui. —disse o mago ignorando sua própria palpitação estomacal. —Buscaremos setas café dourado com algumas impressões em negro. Avise-me primeiro se vê-a, Potter, não o toque, há algumas semelhantes que são venenosas me entendeu?

Harry assentiu e com a ajuda de sua varinha começou a buscar os espécimenes ao redor de alguns troncos caídos. Mas ao cabo em meia hora de não ver mais que raízes secas e alguns insetos, pressentiu que seria uma busca mal sucedida, quis expressar seus pensamentos para o Professor, mas quando se girou não encontrou a ninguém.

— Professor Snape?

Ninguém respondeu a seu chamado. Rapidamente regressou correndo para onde o tinha visto por última vez, temia que quiçá tivesse caído em alguma armadilha dos centauros, ou talvez estivesse ferido. As pequenas coisas que agitava como cócegas em seu estômago agora subitamente se tinham voltado dolorosas. Amaldiçoou ter ceiado tanto, seguro tinha uma forte gastrite.

De repente algo o puxou a cintura, não teve tempo de dizer nada, em um segundo estava de costas contra uma árvore com Snape colado a seu corpo… demasiado colado a seu corpo.

Harry colocou suas mãos no forte tórax que subia e baixava ao tempo de uma agitada respiração. Compreendeu que o único perigo que tinha ao redor o tinha em frente a ele. As mãos de Snape tinham-se posado em seu quadril e podia sentir como era acariciado de uma maneira que não podia considerar um acidente.

Quis jogar fora, mas Snape colou-se ainda mais contra ele conseguindo imobilizar. Ambas miradas se encontraram e Harry percebeu como os olhos de Snape desciam até fixar em seus lábios.

"Oh, por Deus! —exclamou Harry em seus pensamentos. —Snape vai me beijar!... Snape vai a beijar me!... Snape vai a…

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Notas finais:

Sim, sim, ai fica, não se cortou o capitulo.

he he... bom, se querem saber o que passou no bosque não se percam o capitulo de manhã XD.

Já em sério, apostam que é o que segue?

Beijinhos a todas

Nota tradutor,

Como a própria autora disse, nós vemos no próximo capitulo...

Capitulo três "meu"

Até lá!