Normal: narração e fala

Itálico: pensamento

Capítulo 2.

Ao sair do porão, e parar no hall, a primeira coisa que Lindinha percebeu é que a casa não estava em melhores condições. Havia um buraco enorme numa escada que, aparentemente, levava à saída, e um quarto sem porta estava coberto de teias de aranha!

E pra completar, não tem luz! - reclamou, por pensamento, após apertar, em vão, um interruptor que ativaria um estranho elevador perto da escada.

Voltando ao quarto sem porta, localizado embaixo da escada, Lindinha conseguiu ver um painel de fusíveis. Ou, pelo menos, ela achava que era, pois com tanta teia de aranha na frente, não dava para identificar.

Espero encontrar alguma coisa que ajude a tirar essas teias. É a única forma. - pensou a loira, ao notar que não era seguro tirar as teias quando as mesmas estavam cheias de armadeiras. Estando sem poderes, seria mais difícil ainda sair viva da casa se fosse picada pela aranha mais peçonhenta do mundo.

Ao notar que havia mais duas portas no local, Lindinha foi até a mais próxima e a abriu, entrando no que parecia ser a cozinha. Tão deplorável quanto o hall e o porão, estava até com madeiras pregadas na janela!

Sem dúvida, não dava para escapar por ali.

Talvez alguma coisa nessa cozinha possa me ser útil. - pensou ela, indo até o armário embaixo da pia e abrindo a única porta destrancada, encontrando, para sua surpresa, uma garrafinha cheia de, segundo o rótulo, veneno para rato. - Era só o que me faltava. Agora tem ratos aqui?!

Notando outra porta conectada à cozinha, Lindinha deixou o veneno onde estava e foi verificar, pensando ser um armário. Mas, na verdade, levava direto à sala (tão imunda quanto os outros cômodos vistos até então), onde um gato prato dormia no sofá, ao lado do que parecia ser um...

Um espanador! - exclamou ela, por pensamento. Com um sorriso no rosto, se aproximou para pegar o espanador, mas não esperava que o gato acordasse e a atacasse com suas unhas, rosnando. Lindinha não se machucou, mas acabou caindo de bunda no chão por causa do susto.

- O QUE FOI AGORA, JAMES? - berrou uma voz que Lindinha conhecia muito bem. Apavorada, escondeu-se atrás da cortina, segundos antes do sorveteiro aparecer. Olhando para os lados, ele bufou, irritado. - Primeiro a pirralha foge, e agora esse gato rosna sem motivo?! Sinceramente, se ele continuar assim, vou coloca-lo na geladeira também!

Também?! - surpreendeu-se a loira, saindo de trás da cortina depois que o sorveteiro foi embora. - Eu devia checar a geladeira, só pra garantir. Mas antes, preciso dar um jeito de tirar esse gato de perto do espanador!

Foi aí então que se lembrou do veneno para ratos. Talvez funcionasse com o gato também, mesmo sendo contra seus princípios matar um animal.

Mas é ele ou eu. - pensou, voltando à cozinha. Pegando o veneno para ratos no armário, derramou seu conteúdo numa tigela de água que havia ali. - Seria bom acrescentar mais alguma coisa, só pra disfarçar.

Felizmente, no armário acima da pia, Lindinha conseguia ver uma caixa de ração para gatos. Com a ajuda de um banquinho, conseguiu pegá-la, colocando um pouco da ração na tigela.

Atraído pelo cheiro da comida, o gato apareceu na cozinha e avançou na tigela... só para cair morto no chão segundos depois.

Uau! Esse veneno agiu rápido! - surpreendeu-se ela, por pensamento, antes de continuar: - Se eu sair daqui viva, vou fazer propaganda dele ao Professor, caso surjam ratos lá em casa.

Sem perder tempo, Lindinha voltou a sala e pegou o espanador, antes de passar por outra porta que havia ali e acabar no hall de entrada novamente. E uma vez que se livrou das teias, e das armadeiras, se alegrou ao confirmar a hipótese.

No quarto sem porta, havia mesmo um painel de fusíveis.