Um Estudo em Fanfictions

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a Sherlock [BBC Series] fanfiction

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Capítulo 2 || Stalker

[Notas iniciais do capítulo] Obrigada, James Martins Cumberbatch e Janice Nagell, pelos reviews divos!

Obrigada, Andrew Scott, por ser tão divo ao pedir desculpas aos fãs por estar ausente na Comic-Con americana [como sempre :( ] e passar da carinha absolutamente fofa com que bate papo com Benedict Cumberbatch e Mark Gatiss (que também fizeram pose de "sorry not so sorry" no mesmo vídeo), à expressão psicótica e malditamente sexy de Moriarty em 0,0000001 segundos, só para olhar pra câmera e me matar de sangramento nasal dizendo o famoso "Miss me?"

[Aviso de Conteúdo/ Trigger Warning] Atenção: este capítulo contém spoilers. Palavras e frases em itálico vem dos tie-ins (ver notas finais) ou episódios da série.

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"Sou Sherlock Holmes, o único detetive consultor do mundo.

Não vou entrar em detalhes sobre como faço o meu trabalho, pois é possível que você não vá entender nada. Se você tem algum problema que quer que eu resolva, por favor entre em contato - apenas com casos interessantes, por favor." [1]

Então você é o detetive amador que se atreveu a entrar no meu caminho. Coitado... Não sabe que, com essa pose, nem os insetos vão querer chegar perto de você? Quanto menos clientes!

Se quer saber, eu nem preciso anunciar meus serviços na internet - muito menos recorrer à Deep Web - com um letreiro escrito "sou o único consultor criminal do mundo". Já trabalhei bastante, fiz um bom nome em minha carreira solitária, tenho muito dinheiro, uma vida confortável, várias casas maravilhosas, posso comer bem, passear por lugares paradisíacos, me vestir bem, não preciso de absolutamente nada. Nada exceto uma boa cura para meu tédio. Veja só que maravilhoso: acabei de encontrá-la. Você.

Nunca pensou em ter mais cuidado com o que posta neste site, ou com o seu estilo de escrita? Pare e pense bem (uma atividade que você com certeza aprecia) e reflita sobre o tipo de pessoas que andam lendo o seu blog... Uma delas, inclusive, te sequestrou e te deu uma pílula envenenada, em consentimento com a sua própria vontade, faça-me o favor! Deus e John Watson sabem que você escapou (quase) ileso, porque meu tolo "patrocinado" falou demais.

É isto que te agrada, um bom passeio seguido de um pouco de conversa inusitada e inteligente? Não se preocupe, só para agradecer e prolongar o entretenimento adorável que você me proporcionou, vou preparar, com todo o carinho, muitas outras armadilhas ainda melhores!

A propósito, muito obrigado pelo elogio, "Adoro quando um criminoso sabe o que está fazendo!" Vou aceitá-lo, mesmo dirigido a Jefferson Hope [2], e não a mim, já que em breve teremos o prazer de consolidar, face a face, nossa amizade virtual; e imaginarei estas palavras na sua voz, por dias a fio.

Creio que ainda seja um pouco cedo para ter certeza absoluta se você é muito inteligente, muito corajoso, ou simplesmente tonto, desocupado, louco e suicida. Apenas, por favor, permita que eu me curve à sua habilidade de atrair as pessoas erradas para o seu caminho.

Principalmente agora, que tenho todas as ferramentas necessárias ao nosso grande jogo, prontas e tinindo, à espera das minhas ordens: a imprensa, a CCTV londrina, as bases de dados da polícia e da New Scotland Yard, os sistemas de abastecimento de gás... Oh, e já que você aprecia efeitos e cenários dramáticos e bem elaborados, temos até mesmo um museu, um teatro e um planetário ao nosso dispor. E foi tudo tão fácil... o Governo Britânico e seus cachorrinhos empertigados, não tem fios de marionete, mas teias de aranha empoeiradas, sob seus controles frouxos. Pensam que tem as chaves e os cadeados de cada mecanismo que rege o mundo. Que tolos! Eu tenho a chave mestra. Olham-se no espelho e veem lordes? Muito bem, meus caros, ao invés de ficarem bravos comigo, agradeçam e por favor tratem de me ver com uma coroa!

Não que meu interesse seja perder tempo com política. Nada disso. Só quero assistir a sua atuação espetacular de todos os ângulos possíveis, e me deliciar escolhendo meus favoritos. Para você, nossa comunicação é um jogo divertido, para mim é um show imperdível.

Uma visão magnífica, acima de qualquer preço, a figura quase irreal que você finge com tanto esmero, quando desfila, com essa seriedade inexpressiva, essa estranha elegância arrogante, pela cidade que tanto ama e se desdobra em decifrar, como se você fosse o Minotauro, e ela, o seu labirinto fatal. Eu diria que a sua metáfora está quase correta; estamos, de fato, brincando com um labirinto, como bons apaixonados que somos por jogos mentais; porém eu sou o monstro todo-poderoso, o deus do nosso RPG, e você é o ratinho que corre pelos caminhos emaranhados, deliciosamente vulnerável à minha mercê.

Embora quem pareça um ratinho seja o seu pequeno companheiro, o soldadinho corajoso. O Governo Britânico acertou em cheio na descrição do seu amiguinho: coragem é uma palavra suave para estupidez; algo que ele tem de sobra; a ponto de ser gentil com estranhos, indiferente ao perigo, paciente com outros ainda mais estúpidos que ele próprio, tão submisso às suas más-criações de moleque mimado, e insuportavelmente ignorante sobre a paixonite que vocês escondem tão mal. E ele nunca resiste a terminar um "caso" com aqueles enormes olhos pidões, tão acesos de admiração quanto a voz açucarada que usa para te elogiar... Não falta muito para que você também não resista e acabe ronronando da próxima vez que ouvir seu bichinho de estimação dizer "Incrível!" ou "Brilhante!".

Ainda bem que tenho estômago forte, e nem mesmo estas cenas enjoativas me fazem desistir da compulsão de te vigiar, da ideia de prolongar o nosso espetáculo. Paciência... Afinal, ninguém é perfeito. Quanto menos um certo detetive consultor, incapaz de perceber que não passa de um garotinho nerd, drogado e antissocial, uma criança carente e negligenciada. Não perca tempo acreditando que consegue disfarçar o seu desespero infantil por atenção só de se vestir como um adulto. Tudo que você consegue é atrair ainda mais olhares de cobiça luxuriosa, curiosidade mórbida, mais anseios malignos e hiperativos, que se entrelaçam e alimentam os seus próprios.

Principalmente o meu, faminto por mais que a sua aparência, mais que as suas expressões e movimentos calculados e ensaiados com a cautela de um felino predador. Quero muito mais que a sua beleza, muito mais que a sua lucidez forçada pode oferecer. Quero me perder nos perfumes e sabores do seu passado e do seu presente. Pode acreditar que minhas mãos já seguram o seu futuro, o prazer celestial e indescritível que será torturar seu corpo disciplinado, sua querida mente e seu negligenciado coração até à morte.

Mas, por enquanto, quero saber, com todos os detalhes imundos, como você se transformou, de um adolescente rejeitado, magrelo, frágil e viciado, na figura esguia, elegante e angulosa, a visão agradavelmente viciante, nestes ternos justos que marcam seu corpo todo e não deixam muito esforço para a imaginação alheia pintar os seus contornos agradáveis e eficientes. Você nunca desperdiça atenção, energia, palavras nem pensamentos. trabalha com a paixão de um artista, a paciência de um monge - e a obsessão de um viciado.

Como posso agradecer por sua dedicação louvável ao trabalho ter me transformado na sua nova obsessão?! Estou fascinado, lisonjeado.

Mas não pense que vou fazer cenas açucaradas e tediosas, como seu bichinho de estimação. Nada disso. Vou, graciosamente, atender ao seu pedido.

"Olhe só, sra. Hudson. Silencioso. Calmo. Tranquilo... Não é detestável?"

Um "assassinato legal" basta para te animar? Então, que tal cinco?! Ora, meu querido, jamais faça ofertas ao diabo; ele pode aceitar. E se divertir magnificamente com a surpresa e ultraje hilários com que você despencou no chão. Uma fruta madura não cairia com tanto escândalo...! E pensar que, se eu alterasse um único número do meu comando, seria o seu apartamento, e não o da frente que explodiria... Pobre Sherlock.

No entanto, que maravilha!, você responde quase perfeitamente à minha opção de te deixar viver. Seus olhos brilham de interesse à análise da minha carta de amor. Gostou do celular cor-de-rosa (uma concessão ao seu soldadinho de estimação)? Das pistas do envelope? Da minha caligrafia? Que pena que você não a reconheceu no bilhete em que te dei meu número...

"Parece que não sou o único neste mundo que se entedia."

E a sua voz é tão deliciosa! Profunda, sensual, convidativa, mesmo através da sua rudeza habitual e do filtro do telefone. Oh, não se preocupe; sou um caçador paciente. Por enquanto, posso me conformar com a distância do nosso relacionamento, apenas com telefonemas e mensagens povoados de cadáveres, blefes e obscenidades. Posso manter a compostura e a paciência, enquanto você elogia minha capacidade de tecer boas cenas, bons dramas...

"Sobem as cortinas..."

Enquanto sua voz irresistível me elogia do outro lado da linha, você mal percebe a rapidez com que se aproxima o momento que vou apreciar sua beleza viciante realçada por agonia, pavor e desespero. E ao contrário desse seu esquecimento ofensivo, esse desapego profano, pode acreditar que será uma lembrança que guardarei por toda a vida, como um tesouro inestimável.

Não é o início instigante de um filme, é a cena magnífica do grand finale. Em respeito à sua obsessão, ao seu esforço, e à sua atuação excelente - apesar da sua seriedade desnecessária - prometo que te darei a honra de ser o protagonista da minha ficção épica!

Agora, venha ver a bagunça excitante que tenho feito aqui fora, no grande e malvado mundo real. Saia desse apartamento miserável onde você imagina que conseguiu construir uma torre de marfim - não sobrou muito dele, de qualquer maneira - e venha brincar comigo!

Juro que te esperarei com toda a minha ansiedade e paixão.

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[Notas finais do capítulo]

1. É com estas palavrinhas educadíssimas (#sqn) que Sherlock se apresenta em seu site, The Science of Deduction, oferecendo seus serviços de consultoria. Assim como os blogs de Molly e John, foi escrito por Joseph Lidster, um dos roteiristas de Dr. Who, para parecer que os personagens, de fato, montam e mexem nestes sites (tie-ins).

2. Duas versões de Study in Pink, e em nenhuma eles se deram à bondade de dar um nome ao taxista do capeta! :( Isto não se faz! Bem, em homenagem a sir Arthur, então, vou atribuir este nome aleatório para o "suicida em série". O motivo está no livro Um Estudo em Vermelho. Leia e divirta-se.

3. Como eu queria saber desenhar, para fazer uma fanart do Moriarty, posando de Joker sorridente e maligno!

4. Sherlockians de plantão, na medida do possível, por favor, COMENTEM!