Oii meuu povoo amadoo! Estou-me aqui!.. Espero messsmo que estejam gostando da adaptação, nesse cap, vocês conhecerão um pouco do "nosso"(meu) Pirada Inuyasha, a partir de agora a história realmente se foca no casal.. Curiosos?! Haha!
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- Posso lhe servir um pouco d'água? - O homem não respondeu. Kagome sentiu uma infinita pena. O prisioneiro estava tão pálido que não deveria ter forças para falar. Era loiro e sua pele muito branca o fazia parecer um anjo. Aquele homem não podia ser um pirata. Suas feições eram gentis. Ele não tinha o aspecto sujo e rude de um mal feitor. Certamente fora vítima de um terrível equívoco.
Era preciso dar de beber a ele antes que sucumbisse de sede. Mas como? Kagome tornou a oferecer a água e ele em vez de fazer ao menos um gesto de recusa ou de agradecimento, fechou os olhos. Ela insistiu. Apanhou uma concha pela metade, aproximou-a devagar da boca crispada e entornou a água em gotas sobre os lábios, Kagome retirou um pouco de água com a troncha e derramou algumas gotas nos lábios contraídos. Ele abriu os olhos e fitou-a com desconfiança enquanto a água lhe escorria pelo queixo obstinado.
Era a primeira vez desde que Kagome entrara na cela que surgira a oportunidade para uma análise mais minuciosa da quele homem. Ele era realmente lindo.
O peito desnudo exibia músculos bronzeados do sol. A pele brilhava de suor. Os ca belos loiros contrastavam com o cobre da pele. Os olhos cas tanhos eram intensos. Kagome precisou interromper o exame à súbita onda de timidez que a inundou ao se dar conta de que estava sendo alvo da mesma curiosidade que a levara a adentrar aquela prisão.
Os olhos do prisioneiro traduziam profunda amargura, mas ao contrário do que acontecera com o carcereiro, ela percebeu que o sentimento não era dirigido a sua pessoa e que embora ele devesse ter feito muitos inimigos durante sua vida, sabia distinguir entre os bons e os maus.
Uma segunda tentativa de lhe dar água foi igualmente inútil.
— Beba. Garanto que é limpa e fresca. — Dessa vez, Kagome se inclinou para frente de modo a posicionar a concha sob os lábios do desconhecido de modo que ele pudesse beber a água sem se molhar. Seus olhares se encontraram. Uma sensação estranha a invadiu. Ela aproveitou para garantir a qualidade da água. Talvez a demora em aceitá-la fosse o receio de envene namento. — Pode beber sem medo. Eu só quero ajudá-lo.
A dedução de Kagome não poderia ser mais correta. Sem des viai- seus olhos dos dela nem sequer por um segundo, o prisio neiro cheirou a água e se pôs a sorvê-la em pequenos goles. Tomou a concha inteira e continuou com os olhos fixos nos dela. Kagome adivinhou que a sede ainda não fora saciada. Apa nhou uma segunda concha e ajoelhou-se diante dele para servir.
Ela sentiu vontade de chorar ao perceber que o pobre homem ainda queria uma terceira concha. Ninguém merecia sofrer tan ta sede. Mesmo que fosse um pirata. Seu rosto estava sujo e coberto de suor. Havia marcas de arranhões na testa e nas faces.
Movida por um instinto súbito, ela ergueu a barra da saia e rasgou uma tira da anágua. Só se deu conta do que fizera ao dar com o olhar surpreso do homem.
Mas ao contrário do que seria o esperado, Kagome sentiu excitação mais do que pudor. Voltou a si nesse instante e escondeu os tornozelos. Em seguida mergulhou a tira de tecido fino na água que restara no balde e pressionou-a delicadamente primeiro na testa e depois nas faces acaloradas.
— Não tenha medo — ela murmurou ao vê-lo encolher-se. - Não irei machucá-lo.
Pouco a pouco, Kagome percebeu que estava conseguindo ga nhar a confiança do desconhecido. Limpou delicadamente o rosto escurecido pela barba por fazer e umedeceu os lábios carnudos que ainda precisariam de muitos cuidados para se recuperarem da sede que os maltratara. O sangue ameaçou cor rer mais depressa em suas veias, mas ela se obrigou a lembrar que, apesar dos traços bonitos, estava diante de um criminoso. Por um breve momento. Porque quando se deu conta do que fizera já era tarde demais. As gotas d'água em excesso escor reram pelo canto da boca e ela usou o polegar para retirá-las. Perturbada, olhou nos olhos dele que a fitavam com fixação, embora indecifráveis.
Decidida a não mais encará-lo, Kagome transferiu sua atenção para o peito e para os braços a fim de verificar se havia algum ferimento que pudesse ser limpo. Ao encontrar uma mancha de sangue em um braço, esfregou-a. Não imaginara que fosse um corte aberto e que em vez de alívio, provocaria dor.
— Oh, perdoe-me. — Kagome afastou imediatamente o pano e precisou fitá-lo apesar de sua decisão em contrário. Ele tivera de fechar os olhos e de apertar os lábios para não gritar ou gemer. Ela tornou a pedir que ele a desculpasse. Não cabia em si de aflição pelo mal que causara. Perguntava-se o que poderia fazer para se redimir quando ele teve uma reação inesperada que a encheu de indescritível prazer: ele lhe sorriu.
Uma fantasia absurda e impossível atravessou a mente de Kagome. E se em vez de Onigumo, fosse aquele homem que es tivesse a sua espera no altar? Imaginou-se olhando para aqueles olhos castanhos e trocando juras de amor e de fidelidade diante dos pais, familiares e convidados. Depois imaginou-o levan do-a para a cama e se obrigou a voltar à realidade. Deveria ter enlouquecido. Como podia se entregar a sonhos de romance e paixão com um homem acorrentado em uma cela escura no aguardo de uma sentença? O que ele pensaria a seu respeito se tivesse meios de saber o que se passava em sua mente.
O coração de Kagome batia acelerado. Algo lhe dizia que seu interesse por aquele homem estava sendo correspondido. Por outro lado, como poderia ser diferente? Ela era o único ser vivo naquele inferno a ter um gesto de bondade com ele. Não deveria ser motivo de surpresa que ele estivesse cogitando so bre a identidade de sua boa samaritana.
O impulso de tocá-lo foi tão forte que provocou uma espécie de alheamento em Kagome. Na tentativa de recuperar o controle, ela respirou fundo. Tinha certeza de que jamais se arriscaria a um gesto tão ousado se estivesse diante de outro tipo de homem e de outra situação. Mas aquele prisioneiro era tão lindo e es tava tão indefeso que ela se entregou ao impulso de lhe fazer uma carícia. Nunca antes lhe ocorrera tentar adivinhar a textura de uma barba. Seria áspera como parecia? E se lhe desse um beijo? Um beijo inocente no rosto? Não estaria lhe fazendo nenhum mal, certamente.
Kagome não conseguia raciocinar. Parecia ter sido possuída por forças sobrenaturais. Não se lembrava nem sequer de quem era. O que poderia acontecer se obedecesse a seus instintos? Ninguém poderia testemunhar sua insensatez. Ninguém saberia o que se passara entre Kagome Higurashi e o pirata loiro.
Como por vontade própria, sua mão tateou o rosto dele. Seus dedos tremeram. Ele não tentou recuar. Apenas ficou olhando para ela.
Um ruído a fez interromper o gesto e soltar o braço ao longo do corpo. Virou-se instantaneamente para a porta. O corredor se apresentou a sua visão e bloqueando a luz encontrou a figura maciça de Kouga.
— Você está bem? — ele perguntou como se sua respiração estivesse em suspense.
Kagome sentiu que empalidecia de susto. Sua reação não teria sido diferente em flagrante delito. Mas não foi a única afetada pela súbita presença de Kouga. O olhar antes gentil do prisio neiro se encheu de um ódio mortal.
— Oh, sim. Estava terminando de dar água a ele — ela respondeu com um fio de voz.
— Fiquei preocupado com sua demora — Kouga explicou. — Tem certeza de que está bem?
— Sim, sim.
Sem fazer o menor caso do olhar carregado de raiva do outro, Kouga sugeriu que ela desse a visita por encerrada e que voltassem para casa. Kagome se apressou a obedecer, e sem se atrever a se despedir, ou mesmo a dirigir um último olhar ao prisioneiro, acompanhou-o sob o terrível impacto da porta ao ser brutalmente fechada outra vez.
Os passos ecoaram, fúnebres, pelos corredores, mas Kagome não ouviu. Seus pensamentos continuavam presos àquela cela, não por seu aspecto sórdido, mas por causa da atraente figura ali encerrada.
— Kouga me contou sobre o casamento — o carcereiro disse à passagem de Kagome. Ela estava tão absorta em seus pensamentos que demorou alguns instantes para se dar conta de que o brutamontes talvez não fosse tão brutamontes quanto ela supunha. Pestanejou e procurou sorrir. Casamento? Ele es taria imaginando que Kouga fosse seu noivo?
— Casamento?
— Sim. Aposto que mal pode esperar pelo grande dia.- Kagome balançou a cabeça, olhou para o alto, tentou lembrar a figura de Onigumo, mas foi do pirata a imagem que se formou em sua mente.
— Não consigo pensar em mais nada.
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- Não pude evitar seguir seus passos. Sinto-me mais atraído por você a cada dia.
Kagome não era a única com problemas. Seu noivo continuava se comportando com as outras mulheres como se não tivesse assumido um compromisso de casamento.
— Não é certo abordar uma moça em uma via pública — repreendeu-o a jovem de cabelos e olhos escuros.
- Como posso evitar? — questionou Onigumo, um mestre na arte de dizer às mulheres o que elas apreciam ouvir. — Como resistir a sua beleza? Como manter meus lábios selados se meu coração é incapaz de calar?
A moça não queria corar, mas um rubor de prazer lhe tingiu as faces. Porque deveria ser verdade ou Onigumo Peridot, um dos melhores partidos da Martinica, a quem não faltavam mu lheres, não se daria ao trabalho de persegui-la.
— De qualquer modo, monsieur — a jovem murmurou, tí mida —, não é certo nos falarmos sem termos sido apresenta dos. O costume é o cavalheiro levar sua família à casa da moça e pedir permissão ao pai dela para visitá-la.
Onigumo era homem experiente demais para cair em arma dilhas como aquela. O sonho de toda mulher era ser a única na vida de um homem, mas qual o homem que queria apenas uma mulher em sua vida?
Proibido, logicamente, de dar aquele tipo de resposta, Onigumo usou de sua costumeira galanteria para mudar o rumo da conversa.
— Acredita que nossos encontros são obra do destino? Oh, não. Eu não confiaria ao acaso a decisão de tornar a vê-la. Eu a segui. Tenho observado seus passos, tão fascinado estou por sua beleza e por sua graça.
A moça que se chamava Kikyou era, agora, toda sorrisos. Não se lembrou mais de parecer tímida, enfeitiçada pelas pa lavras e pelos olhos azuis sedutores. Seu pretendente não era verdadeiramente bonito. Era sua autoconfiança e suas maneiras gentis que lhe davam aquele charme especial.
— Não deveria me dizer essas coisas, monsieur. — Ela deu uma risadinha.
— Eu não deveria fazer muitas coisas — Onigumo concordou com um brilho malicioso nos olhos ao mesmo tempo que se inclinava em uma mesura e levava a mão enluvada aos lábios.
O significado daquela mensagem não foi apreendido, mas os olhos de Kikyou faiscaram. Ela gostava do jeito daquele homem. Gostava até mesmo do modo como ele movia a cabeça e os cachos da peruca lhe roçavam os ombros. Mas por mais que lhe agradasse a figura e o comportamento de Onigumo Peridot, ela preferiria que ele soltasse sua mão. Porque, de repen te, ele a estava apertando ao ponto de machucá-la.
Atônita, ela tentou se desvencilhar. Sem sucesso, notou que seu pretendente estava olhando, estarrecido, por sobre o ombro dela. Nesse instante ela reuniu forças e se desvencilhou. Quando virou para trás, encontrou uma moça mirando-os com as mãos apoiadas na cintura. As sobrancelhas estavam franzidas cm sinal de reprovação. Parecia uma camponesa pelo modo como estava vestida. Não a conhecia, mas algo em seus olhos azuis lhe dizia que estava ligada de alguma forma ao homem que lhe fazia a corte.
Onigumo não cabia em si de perplexidade. Kikyou parecia uma princesa em comparação a Kagome com aquele vestido marrom e avental branco que nunca a vira usar antes. Nem poderia, porque Kagome o encontrara com as roupas velhas de sua mãe, resolvera usá-lo para não chamar demasiada atenção durante a visita que acabara de realizar. Ao mesmo tempo, ele precisava pensar em uma desculpa plausível para a cena que sua noiva acabara de presenciar.
— Kagome! Que surpresa vê-la por aqui. — Onigumo pretendia a desdobrar em elogios, mas se deteve à idéia de que soaria falso e até mesmo irônico nas circunstâncias.
— Por favor, deixe-nos a sós — Kagome pediu não à moça com quem Onigumo estava flertando, mas ao próprio.
Kikyou não sabia o que estava acontecendo, mas sua in tuição lhe disse que era ela o motivo do constrangimento.
— Quem é ela? — Kikyou perguntou a Onigumo com a lesta franzida. E a demora dele em responder foi tão grande que Kagome se sentiu no direito de fazê-lo.
— Sou a noiva dele — informou com educação. Porque a moça, afinal, não tinha culpa. Se havia algum traidor entre eles, era Onigumo.
— Noiva? — Kikyou repetiu em choque. Em seguida, com a voz impregnada de indignação, dirigiu-se a Onigumo. — Agora entendo porque não se dispunha a conhecer minha família.
Ao ver Kikyou se afastar. Onigumo tentou detê-la.
— Não precisa ir embora desse jeito! Não cometi nenhum crime!
Em silêncio e desapontamento ele seguiu a linda Kikyou com os olhos. Sua angústia perdurou por longos momentos. Mas assim que a figura graciosa desapareceu por entre as ár vores, ele decidiu que era preciso continuar com sua vida.
— Minha adorável noiva, é sempre um prazer encontrá-la.
— Como se atreve? — Kagome pestanejou.
Onigumo tentou se armar com uma desculpa. Em primeiro lugar, fingiu inocência. Depois reflexão porque realmente não conseguia pensar em nenhuma justificativa nas circunstâncias. Passou para a inconformação quando percebeu que Kagome não acreditaria em nada do que dissesse, e, por fim, tomou para si o papel de acusador.
— Eu lhe faço a mesma pergunta. Onde esteve? Por que está perambulando pelas ruas quando deveria estar em casa se preparando para nosso casamento? Como acha que me sinto ao descobrir que minha noiva vagueia pela ilha em vez de ficar ao lado da mãe para aprender a cozinhar e a costurar? Além disso, por que está vestida como uma simples camponesa?
Kagome se sentiu ofendida pela última observação. Não era segredo para Onigumo que sua família era pobre e que não so brava dinheiro para comprar vestidos elegantes. Mas naquele momento ela não pretendia perder tempo com a provocação. Não permitiria que Onigumo escapasse impunemente da afronta.
— Sei que não irá se casar comigo por amor.
— Como pode dizer isso? — Onigumo procurou segurar a mão de Kagome, sem conseguir.
— Não tente negar. Assim como o senhor, não estou me casando por minha vontade. Mas sou boa filha, cumpridora do meu dever e primo por minha dignidade. Seria de esperar que o senhor fizesse o mesmo.
— Não entendo o que está querendo dizer.
Mas ele entendia e Kagome não estava disposta a prolongar a discussão que só levaria a mais mentiras. Deu-lhe as costas e começou a se afastar. Ele a seguiu com súplicas e mais des culpas. Ela sorriu consigo mesma. Aquilo era um bom sinal. Porque era uma confissão de culpa.
A caminhada até sua casa deu a Kagome a oportunidade para refletir e se acalmar. A brisa do mar trazia consigo o cheiro de folhas tenras. Como de costume, o tempo estava perfeito. Os canaviais se espalhavam a perder de vista. Vez por outra, um trabalhador mais humilde se curvava a sua passagem. Ela acei tava a saudação por hábito, não por direito.
Filha de nobres. Que ironia! Seu pai não tinha dinheiro, nem um título importante. Eles nunca puseram os pés em Versailles. Ela nem sequer saberia como se comportar se algum dia a con vidassem para uma festa no palácio. O mais provável era que Vossa Majestade, o rei Louis IX a mandasse expulsar de seus domínios, conhecido como ele era pelo rigor de seu protocolo.
Como simples escudeiro do campo, embora se igualasse aos nobres que frequentavam a corte, seu pai não tinha acesso aos salões reais e mal conseguia sustentar a casa. Daí a necessidade do casamento da primogênita com um burguês. Não havia lugar para o orgulho. Por mais que lutassem, a sobrevivência estava difícil e a salvação de sua família estava em seu poder. Um casamento era o recurso que estava ao seu alcance. E, ao que ela sabia, eram sempre os pais quem escolhiam os futuros côn juges de seus filhos. Seu coração romântico, é claro, sempre se deixara embalar pela esperança de um noivo bonito e gentil. No entanto, além de não ser atraente, Onigumo estava tão longe de se apaixonar por ela quanto ela por ele.
No fundo, ela não o culpava por procurar outras mulheres. A verdade era que ela também gostaria de conhecer outros homens. Não se importaria se Onigumo resolvesse manter um relacionamento extraconjugal. Desde que ele soubesse respei tá-la e fosse discreto.
Ao mesmo tempo, não lhe parecia justo que ele procurasse um amor fora enquanto ela permanecia tran cada em casa.
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Era tarde da noite e a casa de Kagome estava envolta em silêncio. Todos se recolhiam ao pôr-do-sol e se levantavam quando ele tornava a nascer. Ela e Rin dividiam um quarto simples e uma cama no terceiro andar da casa. Era praticamente desprovido de móveis, mas o cheiro de madeira e a pequena janela por onde elas miravam a lua o tornavam acolhedor. Rin não se importava que a irmã tivesse escolhido o lado da cama mais próximo da janela porque de onde estava ela também podia ficar admirando o céu até ser vencida pelo sono.
— Aconteceu alguma coisa com você hoje — Rin adi vinhou.
— Por que diz isso? — Kagome ajeitou as cobertas sobre as duas.
—Porque eu sei. Vi um brilho diferente em seus olhos.
—Mesmo que tivesse acontecido, eu não poderia lhe contar.
—Eu juro guardar segredo.
—Não seria certo. Você ainda é pequena demais para carregar o peso de um segredo. A tentação poderia ser mais forte ii não teria nem sequer o direito de me zangar se você me traísse.
—Eu sou capaz de guardar qualquer segredo. Por favor, confie em mim.
Rin era sua única irmã e elas sempre foram amigas e confidentes. A decepção seria grande demais se ela insistisse na duvidar.
—Está bem, eu vou lhe contar. — Kagome fez um sinal para Rin guardar silêncio enquanto ela se certificava de que os pais não iriam ouvir. — Conheci um pirata na prisão. -Os olhos de Rin dobraram de tamanho.
— Um pirata? Você não ficou com medo?
— Não, bobinha. — Kagome deu uma risada. — Foi ele quem teve medo.
— Ele estava com uma arca cheia de ouro e jóias?
— Claro que não! Ele estava acorrentado. Deve ter perdido todo seu ouro ao ser capturado.
— Quem fica com o ouro dos piratas quando eles são presos?
Kagome encolheu os ombros. Deveria ser bem mais interes sante conhecer um pirata em franca atividade, com sua camisa decotada de mangas bufantes e correntes de ouro ao redor do pescoço.
— Não sei.
— Por que você foi à prisão?
— Senti vontade, de repente. — Agora que Rin lhe fi zera a pergunta, Kagome cogitou se o impulso tivera a ver com a proximidade de seu casamento, de certa forma também um adeus à liberdade.
— Não haverá uma segunda vez, haverá? — A voz de Rin soou apreensiva.
— Não, é claro que não. — Foi a primeira vez que Kagome mentiu para a irmã. O porquê disso, ela própria não entendia. Porque diante dessa pergunta ela se deu conta de que precisaria fazer uma nova tentativa de ver o pirata loiro.
Rin adormeceu logo depois, mas Kagome permaneceu acordada por um longo tempo ainda, lembrando daquele ho mem com os braços musculosos flexionados por causa das cor rentes que o prendiam à parede. Imaginou-o acariciando-a por todo corpo. As mãos bronzeadas a seguraram com força e ele a beijou. Precisou respirar fundo. Até seu noivado, nunca fora dada a sonhos românticos. Não haveria nenhum mal se o objeto de seus desejos fosse seu noivo. O problema era que não su portava a idéia de Onigumo tocá-la, enquanto a imagem de um pirata não lhe saía do pensamento...
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Ela queria voltar. Simplesmente não conseguia parar de pen sar no pirata. Mas dessa vez iria sozinha. Estaria sendo Ingrata com Kouga, pois sabia que ele concordara em levá-la paia ganhar sua atenção, mas realmente não o queria a seu lado.
Não se reconhecia mais. Primeiro fora seu noivado, depois a descoberta sobre a existência dos homens, em seguida a atra ção por Kouga e agora um pirata. A mudança acontecera em um piscar de olhos. A curiosidade-antes ingênua e infantil, agora se tornara atrevida e perigosa.
Kagome se apresentou ao carcereiro com firmeza e confiança.
Soube representar tão bem seu papel que ela mesma se surpreendeu com seu sangue frio.
— Kouga disse que não haveria problema caso resolvêsse mos voltar aqui porque é seu amigo de longa data. Combina mos o encontro diante do portão, mas acabo de saber por um mensageiro que ele ficou retido e que era para eu entrar sozi nha, sem medo, porque poderia me fiar em sua proteção e em sua larga experiência com os malfeitores.
O homem obviamente ficou satisfeito com o elogio e não criou nenhuma dificuldade para Kagome embora não entendesse o motivo de sua presença.
— O que quer aqui novamente?
— Visitar o prisioneiro e lhe dar água. — Kagome trazia uma fruta escondida no avental, mas não a mencionou com receio de que fosse confiscada.
— Todos eles recebem comida e água — o carcereiro de clarou.
— Está bem. Não acho certo mentir a um amigo de Kouga. Admito que estou aqui porque sou curiosa. Não é todo dia que uma mulher tem a chance de ficar perto de um pirata sem correr perigo.
A resposta pareceu tão cômica e honesta que conquistou definitivamente a simpatia do carcereiro.
— Entre.
Kagome disfarçou um suspiro de alívio. Não esperava que o carcereiro fosse lhe confiar a chave da cela, mas ele o fez. No minuto seguinte ela estava percorrendo o corredor abafado e escuro. Pareceu-lhe cruel sentir o cheiro do mar, o símbolo do poder e da liberdade, naquele lugar de confinamento e deses perança. Era afortunada por estar ali apenas de visita.
A porta foi aberta com um guincho e a luz penetrou na escuridão com o impacto de um raio. Ela ouviu o protesto do pirata e não pôde reprimir uma onda de compaixão.
Ele lhe pareceu tão bonito quanto sua lembrança. Ou ainda mais. O queixo estava completamente coberto pela barba e os cabelos desgrenhados lhe emprestavam uma aparência jovial e selvagem ao mesmo tempo.
Dessa vez, como carregara consigo uma das tochas que iluminava os corredores, Kagome fechou a porta para não serem vistos nem ouvidos. Apesar da sujeira e da umidade, sentou-se no chão, sem se incomodar com o desconforto.
— Trouxe-lhe algumas fatias de abacaxi — avisou-o. — Espero que goste.
Kagome aproximou a fruta dos lábios do prisioneiro e sorriu. Os olhos castanhos a fitaram com atenção. Não pareciam olhos de um malfeitor.
A desconfiança o havia abandonado. Dessa vez ele aceitou a oferenda com gosto e avidez. Kagome lamentou não ter trazido nina quantidade maior.
— Eu me esqueci de lhe dizer meu nome. Chamo-me Kagome. Kagome Higurashi. Posso saber o seu? — Ela deu uma pequena risada diante do silêncio que acompanhou seu pedido de desculpa. — Imagino que esteja aborrecido comigo por minha ligação com Kouga Wolf por ter sido ele a me trazer aqui. Mas está enganado. Porque não existe nada entre mim e Kouga e ele nem sequer me acompanha no dia de hoje. — Enquanto falava, Kagome apanhou uma concha de água e deu de beber ao prisioneiro que começava a dar mostras de um súbito interesse na conversa. — Kouga e eu somos apenas amigos. Eu estou noiva, na verdade. Não dele, mas de alguém que meus pais escolheram porque acreditam ser um bom partido para mim. Espero que eles estejam certos e que eu seja feliz. É tudo que me resta e sei que devo obediência a seus pais.
Kagome serviu o homem até saciar sua sede.
— Sou uma tola, não? As chances de felicidade são poucas quando não existe amor entre um homem e uma mulher. Alguns dizem que o amor vem com o tempo, com a convivência, quando um aprende a conhecer o outro. Mas pelo que sei sobre meu futuro marido, é pouco provável que eu encontre a felici dade a seu lado. — Kagome fez uma pausa e suspirou. — Ima gino que esteja estranhando meu comportamento, mas não so fro das faculdades mentais. Apenas sinto necessidade de viver, de conhecer o mundo e tentar descobrir se existem pessoas que nos compreendam melhor. Deve lhe parecer absurdo que eu esteja me abrindo em confidencias com alguém que nunca mais tornarei a ver, mas, talvez, seja justamente esse o motivo para eu lhe confiar meus desejos mais secretos. — Kagome tornou a suspirar.
— Em que ficou pensando enquanto eu lhe falei sobre mim? No amor que deixou no último porto? Em sua família distante? Nos crimes que cometeu? Ou se é coincidência ou um golpe do destino a presença desta ilustre desconhecida em sua cela que fala pelos cotovelos? — Kagome concluiu com um sorriso esperançoso.
O inusitado aconteceu naquele momento. O prisioneiro olhou para ela e retribuiu seu sorriso.
— É capaz de me perdoar por minha audácia? Pela curio sidade que me fez vir aqui por duas vezes? Porque embora eu realmente quisesse lhe dar água e frutas, estava ansiosa por ver um pirata de perto. Se quiser, sairei imediatamente.
Ele não disse sim nem não. Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos. Foi nesse instante que Kagome notou dois filetes de sangue escorrendo pelos pulsos. Os grilhões o estavam cortando. Ela precisava fazer alguma coisa.
Olhou ao redor como se alguém pudesse vir em socorro. Cogitou chamar o carcereiro, mas algo lhe disse que ele não a ouviria quando se tratava de afrouxar as correntes. Pensou no molho de chaves que o guarda lhe emprestara. E se uma delas abrisse o cadeado? Estaria correndo perigo se o soltasse? Ele estava fraco e ferido. Além disso, continuaria preso por um dos braços.
O pirata gemia a cada tentativa fracassada até que ela final mente encontrou a chave certa.
Nesse momento, a alegria de Kagome por seu sucesso foi substituída por um grito rouco e por uma sensação de vertigem. Porque seu pescoço foi apertado por dedos que pareciam tentáculos. A fragilidade e os gemidos haviam sido puro fingimento. Ela tentou se desvencilhar e a pressão em sua garganta aumentou.
— Agora solte o outro braço — o homem ordenou junto a seu ouvido. Ela sentiu um arrepio. Ele falava de um jeito diferente, mas que não chegava a ser um sotaque.
Incapaz de falar, ela fez um movimento de aquiescência com a cabeça e seus cabelos roçaram no peito dele. Seus olhares cruzaram nes se momento e ela sentiu as faces corarem.
Soltas as correntes, o pirata manteve um braço ao redor do pescoço de Kagome e com o outro prendeu-a pela cintura.
— Veio a cavalo?
Kagome refletiu por um instante e decidiu mentir. Porque pre teria ficar à mercê daquele pirata a sacrificar sua querida Monique.
— Não.
Ele lhe apertou a garganta com mais força. Provavelmente deveria ter lido a verdade em seus olhos ou em sua hesitação.
— Não minta para mim, se não quer que eu lhe faça mal.- Com os olhos marejados ao se sentir sufocar, Kagome precisou reconsiderar sua posição.
— Eu tenho uma égua do lado de fora, mas é de estimação. Promete que a soltará para que volte para casa e para mim quando alcançar seu navio ou seu esconderijo?
Kagome não esperava, realmente, que o pirata fosse responder quase com galanteria.
— Não lhe roubarei sua égua. — Ele a soltou naquele ins tante e ela precisou fechar os olhos de tanto tossir. De repente, sentiu que era puxada com violência. Abriu os olhos e foi ar rastada pelo corredor. O prisioneiro que antes parecia pequeno por estar encolhido de dor, tornara-se alto e imponente.
Kagome lembrou-se do guarda à porta e acalentou a esperança de escapar. Porque o pirata poderia percorrer os corredores sem ser visto, mas ele nunca conseguiria passar pela porta e ganhar a liberdade. A não ser que o portão estivesse desprote gido. E ele estava. O que não poderia ter acontecido, aconteceu. O guarda pegara no sono e só se deu conta da tentativa de fuga com tomada de refém quando era tarde demais.
— Não toque na arma ou eu quebro o pescoço dela! — O pirata avançou e se apoderou da pistola em cima da escrivani nha. — Não nos siga se não quiser morrer!
O pânico dominou Kagome ao ouvir a advertência do pirata. Ele pretendia raptá-la?
Não teve coragem de questioná-lo enquanto corriam em di reção ao local onde ela deixara Monique, mas assim que a montaram, ela não pôde mais se calar.
— Por que vai me levar consigo? Já não conseguiu sua li berdade?
— Poupe seu fôlego. Temos um longo percurso pela frente.- Kagome estremeceu à autoridade daquela voz. Era estranho sentir os braços daquele homem em cada lado de seu corpo conforme ele segurava as rédeas. Ao pensamento de onde es tavam encostadas as pernas dele, ela agradeceu mentalmente a brisa que soprava em seu rosto afogueado. Por mais que se esforçasse, não conseguia evitar a excitação de ter as costas encostadas ao peito musculoso e desnudo de um homem bo nito. Verdade fosse dita, ela estava gostando de poder galopar rumo ao norte da ilha que era uma região deserta onde dificil mente os encontrariam.
No início Kagome procurou se curvar para a frente de modo a manter seu corpo o mais afastado possível do dele. Mas a cavalgada era dura e o cansaço a venceu. De que adiantava, afinal, se preocupar com pudores em uma hora como aquela? O mínimo que o pirata lhe devia, depois de usá-la para recon quistar sua liberdade, era servir de encosto.
Parecia incrível que não o estivesse incomodando com seu peso. Ele não se queixou e nem sequer tentou se acomodar melhor quando ela, vencida pela exaustão, deitou a cabeça em seu peito.
Uma visão bendita o fez parar. Eram bananeiras que surgiam à frente e saciariam a fome além de propiciar descanso aos músculos doloridos e uma sombra refrescante.
— Por que fez isso comigo? — Kagome protestou. — Eu só estava tentando ajudá-lo.
—E ajudou. Por favor, aceite meus sinceros agradecimentos. - Kagome balançou a cabeça.
— Como pôde? Eu entenderia se não houvesse escolha, mas uma vez fora da prisão, você poderia ter me soltado. Pagou o bem com o mal.
Para espanto de Kagome, o pirata a segurou com delicadeza pelo queixo e olhou em seus olhos.
— Não sinto orgulho do que fiz, mas ao contrário do que pensa, eu realmente não tive escolha.
— Isso é absurdo! — Kagome retrucou. — Eu...
— Sabe o que é absurdo? — ele a interrompeu, brusco, de repente. — É absurdo que não esteja com medo de mim. E absurdo que seja tão mimada e caprichosa que deixou a curio sidade vencê-la a ponto de entrar sozinha em uma prisão. O que fez foi tão absurdo que não lhe ocorreu nem sequer suplicar por sua vida e por sua pureza a caminho de meu navio.
— Está enganado — Kagome respondeu, séria. — Não sou inconsequente.
— Não? — ele caçoou. — Abriu as correntes que me pren diam confiante de que nenhum dano poderia advir. É do tipo que acredita em finais felizes.
— Você me enganou — Kagome acusou-o, sem perceber que o estava tratando com intimidade. — Fez com que eu acredi tasse que estava fraco demais para me atacar. Gemeu como se estivesse sofrendo dores insuportáveis. Eu o salvei e estou sen do tratada com desprezo por minha bondade.
— Não por sua bondade, mas por sua arrogância. Julga-se superior a mim!- Não faria sentido negar. Kagome procurou apelar pelo que acreditava restar de bom naquele coração.
— Talvez eu tenha pensado que qualquer um faria o mesmo em seu lugar. Talvez algo esteja me dizendo que não será capaz de me matar e que, no fundo, está me abençoando por estar aqui neste momento.
— E talvez você esteja sendo otimista demais.
O tom que ele usou a fez calar e baixar os olhos. A situação era grave por mais que ela quisesse encará-la com tranquilida de. O problema não lhe dizia respeito exatamente. Estava além de seu controle, de seu entendimento. Não estava em seu poder solucioná-lo.
— Sinto muito — ela murmurou com um gesto de desalento.
Ele não respondeu. Em vez disso, começou a apanhar algu mas bananas. Ela observou-o em silêncio por alguns instantes. Fora chamada de otimista em tom de ironia. Não poderia dizer o mesmo sobre o pirata? Ele estava de costas para ela. Embora tivesse uma pistola na cintura, só contava com uma bala a seu favor. Se atirasse, teria de acertá-la para se ver livre do perigo de delação. Mesmo assim, ficaria completamente desprotegido e indefeso caso alguém quisesse detê-lo.
Pé ante pé, Kagome soltou o nó com que ele amarrara Monique a uma árvore. Espantou-se com a facilidade com que empreen deria sua fuga. Mas sua alegria teve curta duração. Porque Monique se assustou com o modo brusco com que ela tentou mon tá-la, relinchou e empinou. Ela procurou acalmá-la e fazê-la correr, mas o pirata foi mais rápido. Com uma das mãos, apo derou-se das rédeas e com a outra puxou Kagome pela cintura. Assustada de verdade agora, Kagome debateu-se com todas suas forças.
Certa de que ele iria matá-la pela tentativa de fuga, gritou a plenos pulmões. Calou-se, aturdida, quando seus olhos finalmente se voltaram para ele e o viu sorrindo. Não tanto pelo gesto, mas pela expressão. Porque em vez de zombar, ele parecia estar lhe oferecendo uma proposta quase amigável de entendimento.
— Boa tentativa —: ele disse, divertido. — Por pouco não a perdi.
Kagome não se conteve. De repente, esquecido o medo da morte, ela sentiu a indignação borbulhar e clamar por liberação. Não sabia conhecer tantas palavras de baixo calão. Quando deu por si, já o havia chamado por uma porção delas. Até ser interrompida por um riso que soou leve como o de uma criança.
— Jamais passaria por minha imaginação que uma senhorita de aspecto tão fino e educado soubesse palavras tão feias.
Kagome pestanejou. Ele parecia admirado de seu comporta mento, mas em um bom sentido. Como se naquele instante tivesse começado a enxergá-la sob um novo prisma.
— Venha. Precisamos nos apressar. — Ele ajeitou um cacho de bananas sobre a sela de Monique.
— Como pode ter certeza de que seu navio o espera? Ele pode ter sido capturado como você.
— Não. Dessa vez fui o único imprudente. Meu navio e meus companheiros estão a minha espera.
— Como pode saber?
— Sempre prorrogamos a partida quando um de nós é capturado. Uma semana normalmente. Duas ou três em casos especiais.
— Estamos longe e não fomos seguidos — Kagome observou. — Você não está em perigo. Por que não me deixa ir para casa? Eu não contaria a ninguém. Juraria que fui vendada e que não tenho a menor idéia da direção que você tomou.
— Sinto muito, mas preciso de sua garantia caso alguém me surpreenda antes que eu chegue à segurança de meu navio.
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Enquanto isso, em casa dos Higurashi, Kouga transmitia a ter rível notícia e contava os pormenores do desaparecimento da filha primogênita.
— Oh, meu Deus! — madame Higurashi se pôs a gritar. — Não pode ser verdade!
— Por favor, madame, imploro que me perdoem — suplicou Kouga. — Assumo inteira responsabilidade pelo que houve. Ao ceder ao capricho de sua filha e permitir que ela visitasse um detento na prisão local, cometi o maior erro de minha vida. Não esperava que ela fosse decidir voltar lá uma segunda vez. Muito menos sozinha. Eu nunca poderia ter dado ouvidos a tão nociva curiosidade.
— Principalmente sem nosso conhecimento — completou o pai de Kagome.
O carcereiro que acompanhara Kouga naquela missão, o maior culpado pelo acontecido, manteve-se calado durante to do tempo.
— Eu me comprometo a encontrar sua filha aonde quer que o infame a tenha levado — Kouga prometeu. — Eu o capturei uma vez e tenho condições de prendê-lo uma segunda. O pro blema é que me faltam recursos financeiros para a empreitada. Precisarei contratar alguns homens com experiência de mar e de caça a piratas.
— Onigumo Peridot, o noivo de Kagome! — lembrou madame Higurashi entre lágrimas de temor e de esperança. — A família dele poderá arcar com as despesas.
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— Senhor, nós já nos conhecemos, mas permita-me reapresentar-me. Sou Kouga Wolf.
— O caçador de piratas. Sim, eu me lembro. Como vai?
— Infelizmente não tenho boas notícias para lhe dar.
— De que se trata?
— Vim lhe falar sobre sua noiva, Kagome Higurashi. Onigumo contraiu o cenho.
— O que foi que ela fez agora?
Kouga inclinou a cabeça, com vergonha de si mesmo pe rante as circunstâncias que o obrigavam a procurar o apoio do homem com quem a adorável Kagome estava comprometida.
— Sinto ser o portador de tão terrível notícia, mas sua noiva foi raptada por um perigoso pirata.
A reação de Onigumo não foi preocupada como a de um noivo apaixonado. Revelou apenas indignação e desconfiança.
Ciente de que não poderia contar toda a verdade, sobre ter sido o maior culpado pela situação ao concordar em levar Kagome para satisfazer um capricho e ganhar sua admiração, Kouga inventou uma história. Poderia tentar poupar o homem a sua frente, caso o julgasse merecedor, mas não facilitaria a vida daquele que estava prometido à mulher que ele próprio dese java e que não enxergava a preciosidade que o destino colocara em seu caminho.
— Houve uma fuga da prisão e mademoiselle Higurashi foi levada como refém. Temos razões para crer que ela se encontra em alto-mar neste momento. Será preciso organizar uma busca para tentar resgatá-la.
Onigumo praguejou alto diante do escândalo de tal aconteci mento. Porque todos saberiam em que condições Kagome vol taria para casa. Ele estava fadado a um casamento sem amor e sem honra por causa de um maldito título exigido por seus pais. Não que abominasse a idéia de ter Kagome nos braços. Ela era bonita e interessante. Seria agradável contar com sua pre sença quando voltasse para casa depois de satisfazer na rua suas necessidades de homem.
— Nada de mal teria acontecido a ela se guardasse respeito ao lar. Como casadoira, seria de esperar que permanecesse jun to à mãe para aprender sobre as tarefas domésticas que logo lhe caberão.
Kouga ouviu em silêncio.
— Eu diria que nada disso importa no momento. A questão é que sua noiva corre perigo e que está em suas mãos zelar por sua integridade.
Onigumo ficou sem fala e Kouga aproveitou o ensejo para dar o golpe de misericórdia.
— Meus homens e eu faremos o trabalho. Apenas acreditei que, como noivo, quisesse participar da expedição.
— Para quê? — Onigumo riu, nervoso. — Não estou com medo, é claro, e não estou me negando a custear a missão de resgate, mas, o que poderei fazer no meio do mar sem prática nem experiência em perseguições a piratas? Ao contrário do senhor.
— É verdade. Já capturei um grande número de piratas. Se é seu desejo me contratar, não pouparei esforços para trazer sua noiva de volta em segurança.
— Então, está contratado.
— Obrigado pela confiança. Agora resta-nos discutir sobre as despesas.
— Não haverá problemas nesse sentido. Falarei com meus pais hoje mesmo.-Kouga se afastou com um sorriso de satisfação. Ele ja estava antecipando os resultados do resgate. Onigumo Peridot seria vis to como o tolo fraco que era e ele ganharia não apenas o re conhecimento de Kagome Higurashi, mas seu amor. O nome dela passaria a ser Kagome Wolf. Ele mal podia esperar para tê-la em seus braços.
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Ao avistar o navio ancorado na baía deserta, Kagome ficou sem fala. Era grande e quadrado em linhas gerais e suas velas pareciam de ouro contra o sol poente. Os ventos trazidos pelo entardecer pareciam ansiosos por fazê-lo voar. As velas insufladas subiriam ao céu não fossem o peso da âncora e a atração poderosa das águas esverdeadas e das ondas cobertas da mais alva espuma.
— Aquele é seu navio? — Kagome perguntou, assombrada.
— Sim — ele respondeu, surpreendendo-a mais uma vez pela distinção da pronúncia.
— É lindo.
Eles ainda estavam cavalgando. Com as costas apoiadas no peito de seu raptor, Kagome se sentia estranha. Deveria estar temerosa de seu destino, mas a oportunidade de viver a maior aventura de sua vida era o que vinha a todo instante a sua mente. Naquele momento, com os olhos voltados para a faixa rósea e púrpura que cortava o céu azul-cobalto, Kagome abra çou-se ao xale e deu as boas-vindas aos dias que seguiriam. Pretendia ao menos experimentar o sabor da felicidade antes de encerrar essa chance pelas portas de um casamento de con veniência.
Com um suspiro, viu-se confessando ao pirata que de uma maneira estranha e singular era um prazer para ela tê-lo co nhecido. Mas ele não pareceu ouvir. Estava atento à descida de dois botes que certamente viriam buscá-los.
— Eles me viram e logo alcançarão a praia. Assim que eu subir a bordo e estiver a salvo, você estará livre para regressar a sua casa.
Um chamado ecoou no crepúsculo. Ainda assim o pirata não se moveu do lugar nem procurou se identificar. Esperou até que os homens acenassem dos barcos para retribuir a saudação.
— Ainda não me disse seu nome — Kagome lembrou no momento de se despedirem.
— Inuyasha. Inuyasha Taisho.
Foi uma surpresa para ambos ver um homem de porte im ponente descer do primeiro bote. Ninguém precisaria dizer a Kagome que ele era o capitão do navio. Enquanto os outros se vestiam com calças justas à altura dos joelhos, camisas de al godão sem golas e sem mangas e lenços amarrados ao redor da cabeça, ele se vestia todo de preto e usava chapéu. Seus cabelos eram longos e naturais. Um espanhol, provavelmente.
Inuyasha se deixou abraçar por ele e pelos companheiros que fizeram uma verdadeira festa ao vê-lo.
— Pensei que não escaparia desta vez — disse o capitão em uma língua que Kagome não entendeu.
— Sinto-me honrado por ter merecido sua atenção pessoal em meu resgate, senhor, mas não era preciso. Eu teria embar cado em tempo. Perdoe-me pelo trabalho que dei.
— Fiz questão de vir até a praia quando descobri que não estava sozinho. Confesso que desta vez temi por sua vida.
— Como pode notar, estou bem. Apenas sinto sede.
— É justo que façamos um banquete esta noite em sua ho menagem — afirmou o capitão de nome Riten. — Sentimos sua falta. Chegamos a pensar em desistir de esperá-lo. Feliz mente não o fizemos.
Um dos homens fez um sinal para Inuyasha e ele correspon deu. Kagome julgou que fossem velhos amigos. Todos, aliás, pareciam gostar de seu raptor. Apenas o capitão lhe despertava desconfiança.
Sua intuição estava certa. O modo como ele a encarou, su bitamente, a fez recuar. Ele parecia um gigante. Seus traços deveriam ser bonitos sob o bigode e o cavanhaque. Mas o que fez a seguir a obrigou a prender a respiração. Ele desembainhou a espada com um movimento brusco e tocou a ponta em seus cabelos.
— Adorável — ele disse a Inuyasha naquele idioma que Kagome acreditava ser o espanhol. — Onde a encontrou?
— Ela me ajudou a fugir — disse Inuyasha. — Eu prometi que poderia voltar para casa assim que eu subisse a bordo.
— De maneira nenhuma! — respondeu o capitão para contrariedade de Inuyasha.
— Ela fala o espanhol?
— Não, senhor.
Ao ouvir aquela resposta, o capitão se dirigiu a Kagome em francês medíocre.
— Deixe-me olhar para você. — Ele a fez virar com auxílio da espada e depois mandou que ela erguesse os cabelos. — Lindo pescoço. — Quando continuou a falar, o capitão se dirigiu a Inuyasha. — Faz um longo tempo que não encontro uma jovem tão bela apesar da modéstia de sua roupa. Dançarei com ela esta noite antes de levá-la para minha cabine e despertar sua curiosidade virginal.
O protesto de Inuyasha foi respeitoso, mas firme.
— Senhor, eu devo minha liberdade a essa jovem e lhe pro meti a volta para os seus em segurança.
— Nesse caso, sinto por sua quebra de palavra, mas houve uma mudança de planos — afirmou Riten com um sorriso que foi erroneamente interpretado por Kagome e retribuído.
— Mas, senhor...
— Basta! Eu a quero para mim! Homens, coloquem a moça no barco!
O olhar preocupado que Inuyasha endereçou a Kagome foi in terceptado pela tripulação que por um momento não soube co mo proceder. Mas se a amizade por Inuyasha era significativa, o temor pelo capitão era ainda maior.
Diante do olhar aturdido de Kagome, que não sabia o que estava acontecendo ao ser agarrada por dois tripulantes, Inuyasha tentou apelar.
— Não pode fazer isso, capitão! - O espanhol estreitou os olhos.
— O que disse?
— Não posso permitir que a tome, capitão. Porque ela é minha. Eu reclamo sua posse.
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MEEOO.. Já deu para perceber que o Inu é um fofo *-*, por mais grosso que ele tenha sido no primeiro momento, vocês VÃO VER o doce que ele é *-*.. Kouga todo inteligente, lutando pelo amor da mocinha (como sempre ¬¬').. E a Ká é muuiitoo SAFADHENHA! MEOO DEUS!.. Dei muitas risadas com esse livro sériioo!.. Espero que estejam gostando.. Próximo cap, verão um Inuyasha frágil, que dá vontade de levar para casa!.. Miil beiijoos queridas.. Espero que continuem comiigo!
LEMBRANDO 6 REVIEWS CAP NA HORA!
BORA COMENTAAR!
Neheneria
HAHAHAH! SÉRIOOO?!.. DEVE SER TELEPATIA! Cuidado comigo hein!.. Adoro amarrar os leitores a mim.. Muahahahaha!.. Eu também AMO essa história, é minha preferida em todo o MUNDO!.. Até agora!.. Achei os dois uma mistura de fragilidade e força, de ambas partes, ele é um cavalheiro, impossível não se apaixonar.. Kouga sempre tenta.. Mas sabemos que o Inu que arrasa! Obrigada! Meu pai esta melhor! Não é meu casal farovito.. MAASSS!.. Vou ver se alguma história que tenho se encaixa nesse casal e faço uma ;).. Miil beijoos queriiidaa! E continue comiigo tah!
Jekac
Oii queriida.. Fico muito feliz que tenha gostado, conto com você durante o desenrolar dessa fantástica história!.. Miil beijoos e obrigada!
Carol
Capitulo on queriidaa! Miil beijoos
Pri
Aii que maraa que tenha gostado queriidaa!.. Essa história é apaixonante serio, sou tão leitora quando você!.. Obrigada, meu pai esta melhor ufaa!.. Miil beiijoos e continue comiigo!
Cleiu
AlÔ queriidaa!.. Aiin menina, um pirata, loiro ainda!.. Quase morri quando li a primeira vez também.. Já li esse livro 4 vezes.. Vou lendo enquanto posto, e me apaixono mais pela história! .. MEENINAA!.. Não quero que seus pais a internem.. Os meus já cogitaram essa hipótese "medo" O.O hahaha! Continue agarrada a fic MESMOO! Conto com você para descobrir o desenrolar dessa história hein! Miil beijos linda!.. E continue comiigo!
Manu Higurashi
Oii queriida, muito obrigada pela review e fico muito feliz que esteja gostando.. Miil beiijoos
Evelyn
Oii queriida.. Obriigada, essa adaptação é maravilhosa em minha opinião.. Espero que continue achando intrigante.. Miil beijoos!
