"Você não pode ficar com ela" foi o que Zeus bradou quando invadiu o submundo. "Tenho direitos, agora. Você perdeu a aposta" Hades respondeu com simplicidade. "Quebrar o acordo e me impedir de ficar com ela seria violar as leis do universo. Nem você pode fazer isso." Logo atrás dele, Perséfone dormia ainda no vestido escarlate que usara para a festa no Olimpo.

Zeus, sem argumentos, ergueu os braços. "O que preferes, Hades? Devolver Perséfone ao Olimpo ou desaparecer deste plano?". Hades nem ponderou. "Mate-me".

O líder do Olimpo reuniu todo poder que conseguiu em suas mãos e jogou o raio sobre o irmão, que desapareceu.

Zeus, cheio de culpa, olhou para o lugar onde Perséfone deveria estar. Vazio. Presumiu que a deusa já deixara o submundo. Então voltou ao Olimpo. No mundo dos humanos, choveu torrencialmente durante duas semanas seguidas.


- O que está tentando fazer, Malfoy? – A garota pergunta sorridente, o mapa do maroto bem escondido na capa. Achara-o desarmado no caminho para a cozinha, de madrugada. O momento perfeito para a vingança.

O rapaz estremeceu, sabendo muito bem que teria uma retribuição à altura por parte dela. Desarmado e sozinho, contra ela que estava bem preparada, admitiu mentalmente que tinha poucas chances.

Ele vira-se para ela e, repentinamente, agarra-lhe o braço, tentando tirar a varinha da mão dela. Não obteve sucesso e acabou no chão, o pé dela sobre sua garganta.

- Eu não preciso de capangas pra te nocautear, doninha – Ela sorri enquanto ele luta para tirar o pé dela de seu pescoço. Por algum motivo, percebe, não luta com tanta firmeza quanto deveria. Algo em si crê que o que ele iria receber em seguida era apenas justo, e isso retirava sua força de resistência.

A ruiva, continuando a prendê-lo no chão com magia, chutou-o, arranhou-o, socou-o e fez tudo o que sua raiva ordenava.

A última coisa que o loiro viu antes de desistir de ficar acordado naquele corredor foi o sorriso satisfeito da ruiva após cuspir em seu rosto. Deu ele mesmo um pequeno sorriso ao vê-la saindo, sem entender muito bem por que se sentia tão aliviado por entendê-la tão bem.