SOMBRA DO PASSADO
CAPÍTULO 1
Nick termina de empilhar as fotos que estivera a observar. Procurava por algo que pudesse lançar uma luz ao caso em que Warrick e Catherine estavam a trabalhar, mas não havia tido sucesso.
-Hey, Nick.
Grisson pára próximo à porta, com uma pasta na mão. Sabe que já está quase no fim do turno, mas precisa despachar alguém para um caso que acaba de surgir, já que ele mesmo não pode ir.
-Se importa de dar um passeio no deserto? – pergunta o homem, com um quase sorriso.
-Quase no fim do turno e com um tempo quente desses? Ótima idéia, Griss.
Grissom joga a pasta, que desliza sobre a mesa e pára próxima à mão de Nick.
-Homem de meia-idade encontrado há poucas horas no deserto, sozinho, estendido próximo do carro. – Nick dá uma olhada no endereço, e como sempre acontece em sua profissão, começa a ter a curiosidade atiçada por mais um novo caso. – Leve a Sara. E é bom levarem óculos escuros...
Em pouco menos de 20 minutos os dois CSIs já estão na estrada em direção à cena do crime, óculos, boné e ar-condicionado ligado.
-Quem encontrou o corpo? – pergunta Sara a Nick.
-Um motorista de van. Ainda está no lugar, o Brass chegou antes e está conversando com ele.
Logo eles avistam dois carros de polícia estacionados, com as sirenes acesas. Uma van branca também está parada, a porta aberta, do outro lado da estrada.
-Nick Stokes e Sara Sidle, perícia de Las Vegas. – diz Nick assim que se aproximam. Brass faz um aceno, cumprimentando-os.
O homem que estivera a conversar com Brass estende a mão, de forma educada.
-Eddie Weir, às ordens. Estava contado ao capitão aqui, sempre passo por essa estrada mas nunca vi nada tão estranho. Estava voltando para Vegas bem de manhãzinha...
-Que horas eram? – perguntou Nick.
-Acho que umas seis, seis e meia.
-Não tem como ter certeza?
O homem pareceu se lembrar de algo, pois pegou o celular.
-Seis e dezessete foi a última vez que minha esposa ligou. Eu vi aquele carro uns cinco minutos depois.
Nick agradeceu, e incentivou-o a prosseguir.
-Como eu falei, sempre passo por essa estrada. Hoje vinha com sono e não estava de muito bom humor, mas estava atento à estrada. Foi então que notei, há uns duzentos metros de distância, na areia, um carro estacionado.
-E parou?
-Bom, achei que alguém pudesse estar com problemas. Podia muito bem ser um assalto, uma emboscada, mas na hora não cheguei a pensar nisso. Desci do carro, chamando, perguntando se havia alguém ali. E foi então que vi o homem caído.
-Você chegou a verificar se ele estava morto? – perguntou Brass.
-Deus que me livre, não! Olhei de longe, e ele não estava se mexendo. Liguei pra emergência na mesma hora.
Brass perguntou o que o homem fazia na estrada, e quanto tempo a emergência levou para chegar, mas Nick não ficou para ouvir. Juntou-se a Sara, que Já havia se afastado bastante observando as marcas na areia.
-Só há um par de marcas de pneu. – disse ela a Nick – E param exatamente no carro.
-Ele não foi perseguido. – conclui Nick, também mirando a areia.
Sara tirou algumas fotos e andou um pouco mais, observando as marcas mas tentando não chegar muito perto do carro para que não deixasse passar nada.
-Pegadas também não tem muitas. Só um rastro, que sai do carro e termina aqui.
Ela parou próxima do corpo do homem, estranhamente estirado de bruços. Nick observava a trajetória que ele fizera antes de morrer.
-Os passos não vão em linha reta. Ou ele não estava sóbrio, ou ferido.
-Ou os dois. – completou Sara, tirando fotos do corpo.
-Estaria tentando fugir de algo? – perguntou Nick ao seu lado, observando os braços estendidos e a expressão de angústia.
-Ou tentando alcançar algo?
Os dois pararam o diálogo, uma vez que seu colega de laboratório havia chegado para medir a temperatura do fígado.
-Morreu no máximo há três horas. – informou David, dando espaço para novas cogitações dos dois CSIs.
-O que um homem estaria fazendo num lugar como esse às 5 da manhã? – pensou Nick em voz alta. Não esperava uma resposta, mas Sara disse sorrindo:
-Passeando... com certeza o clima estava bem mais ameno do que está agora.
Logo uma ambulância chegou para levar o corpo e, certificando-se de que não haviam deixado nada para trás, os dois entraram novamente no carro, para voltar para o laboratório.
-Um carro blindado? – murmurou Sara assim que se deparou com o veículo prata encontrado na cena do crime, já no ambiente climatizado do laboratório.
-É. Nosso amigo devia ser um cara importante pra precisar de um carro blindado. - Respondeu Nick, colocando as luvas.
-Não descobriu nada a respeito dele?
-Havia uma carteira no bolso, com uma boa quantia em dinheiro. Mas documentos só tinha um passaporte, com o nome George Simon.
-Nenhum cartão de crédito, cheque?
-Só cartão de banco. Nada mais. – disse Nick com a voz um pouco abafada, uma vez que abrira a porta do passageiro e investigava o interior do veículo.
Deduzindo que ele dividira as tarefas por si próprio, Sara foi investigar o porta-malas. Mal abriu-o, avistou uma maleta quadrada e escura. Puxou-a para fora e abriu-a com cuidado.
-Nick?
-Sara.
Os dois riram. Haviam falado ao mesmo tempo. Nick fez uma mesura, brincando.
-As damas primeiro.
Ela sorriu e mostrou-lhe o que encontrara.
-Um estojo para arma?
-Não é uma simples arma... – murmurou Sara, observando com atenção – Pelo tamanho, é um rifle.
-E onde está o rifle?
-Não foi o que você encontrou?
-Não, o que encontrei foi só uma automática... – respondeu Nick exibindo a pistola.
-Será que encontramos o rifle? – perguntou Sara, sentindo-se em uma caça ao tesouro.
-Duvido, mas vale olhar...
Os dois rastrearam cada centímetro do enorme carro de luxo, não encontrando mais nenhuma arma, suporte ou sequer bala. Passaram luminol pelos bancos e pelo porta-malas, mas nada também. Tiraram algumas amostras de cabelo dos encostos do banco para análise de DNA, alguns curtos e escuros e uns poucos castanhos e mais longos.
N/A: Primeiro capítulo. Esta história não foi originalmente dividida em capítulos, ela é contínua, mas acho que fica cansativo o texto longo por isso tentei fazer uma divisão lógica. Eu escrevi ela há algum tempo, e me diverti bastante desmontando e remontando o quebra-cabeças, espero que se divirtam lendo também...
