A História é uma Adaptação, e eu irei falar o nome da história no final. Os personagens de Inuyasha também não me pertencem.


Scarborough, Yorkshire, Inglaterra, 1142

"Assassinato."

A incriminação ecoou pelo salão apinhado. Carregada de uma pessoa para outra, a palavra encontrou seu caminho até o homem acusado do ato infame. "Assassinato."

— Conde Inuyasha de Falcon, responsável pelo assassinato de Kouga Du Pree suas terras e propriedades serão confiscadas pela Coroa. — O religioso de roupa negra esboçou um sorriso satânico quando terminou a sentença — Sua vida será entregue ao demônio ao qual serviu.

De sua cadeira em posição de destaque, o rei Bankotsu se inclinou para frente.

— Inuyasha? — Ele esperou um segundo antes de prosseguir: — Falcon, você tem algo a dizer?

Inuyasha tinha muito a dizer, sim, mas engoliu a resposta sarcástica. O chão duro e frio sob seus joelhos o ajudava a manter a boca fechada. Acorrentado como um cão, não tinha condições de testar o humor do rei.

Assim, correu o olhar pelo salão lotado em busca de um aliado que jurasse por sua honra. Mas, por estranho que parecesse, todos que poderiam fazê-lo estavam ausentes.

Tentou mover os músculos doloridos e observou mais uma vez o salão iluminado por tochas em busca dos três homens que o haviam despertado de seu merecido cochilo. Os três o encararam, e seus olhos e lábios inchados e narizes quebrados deram a Inuyasha uma certa satisfação. Não facilitara as coisas para eles.

— Responda ao rei! — ordenou o religioso, fazendo a túnica preta descobrir suas pernas.

Inuyasha encarou o monarca, ignorando todo o resto, e mediu seus dizeres com cuidado. Sua vida e o bem-estar de sua família dependiam de sua capacidade de controlar a língua.

— Majestade, matei muitos homens enquanto servi suas ordens. Quem saberá se aqueles que pereceram no calor da batalha eram amigos ou inimigos?

— Ninguém lhe perguntou sobre uma batalha honrada. Estamos falando de uma emboscada covarde. — O religioso posicionou-se diante de Inuyasha, apoiou as mãos gordas nos quadris e fitou-o com firmeza.

Apesar de estar ajoelhado no chão, Inuyasha enfrentou o olhar duro quase de igual para igual. Aquele homem de Deus, se é que era o caso, tinha o poder de usurpar de Inuyasha tudo o ele mais amava.

— Servo do demônio! — acusou o religioso — O que você tem a falar sobre a morte do bom Kouga Du Pree?

Inuyasha memorizou as feições do homem. Não se esqueceria, nem perdoaria os atos do religioso contra ele. Determinado, dirigiu-se ao rei:

— Quem me acusa desse ato vil?

— Quem? — disparou o religioso — Que diferença isso faz? Você é culpado, e Deus Todo-Poderoso fará com que a justiça seja feita!

O barulho do salão aumentou à medida que os presentes opinavam sobre a morte de Du Pree.

— Basta! — gritou o rei Bankotsu. Em seguida, instruiu aos guardas que soltassem Inuyasha e ordenou — Siga-me.

Inuyasha levantou-se com dificuldade e esperou, impaciente, o guarda livrá-lo das correntes. Então, seguiu o rei, esfregando os braços para reativar a circulação. Um assobio desapontado encheu o salão.

Certo de que seu executor o aguardava, Inuyasha parou no limiar de entrada do pequeno aposento para onde o rei Bankotsu o levara. Quando viu que o lugar se achava vazio, à exceção de William, o conde de York, quase gritou de alívio.

Seus aliados podiam não ter comparecido ao salão, mas naquele local privativo se encontrava o único apoio de que Inuyasha precisava. Ao vê-lo, o conde ergueu uma taça para saudá-lo.

Assim que os três se sentaram, Bankotsu dirigiu-se aos outros dois:

— Falcon, ao permitir que as histórias sobre você ganhassem corpo, atraiu esse destino.

Bankotsu ficou em silêncio, dando a Inuyasha tempo para perceber a verdade do que dizia.

Inuyasha gostava das histórias sobre o Falcão Endiabrado, mesmo que não fossem verdadeiras. Afinal, elas haviam ganhado mais da metade das batalhas de que participara, salvando-o e aos seus homens de qualquer derrota.

No entanto, agora o revés o espreitava.

O rei apontou para a porta com um movimento discreto.

— Há alguns barões pedindo por sua vida. Parece que nem todos acreditam nessa história de assassinato, como não creram na anterior. Porém, agora a muito mais em jogo. Não posso perder com essa acusação nenhum dos apoios que tenho.

Mais uma vez, o rei era franco. A batalha pelo trono tivera um preço alto. Todos os que saíram do lado de Bankotsu para lutar com a imperatriz Kagura levaram homens e ouro consigo. Independente de qualquer amizade, Bankotsu não podia permitir que aquela questão ficasse entre ele e sua luta para manter o trono.

Inuyasha inclinou-se para frente e jurou:

— Majestade, por minha honra como cavaleiro leal, juro que não matei homem algum de modo tão covarde.

Bankotsu meneou a cabeça.

— Quando Kikyo morreu, o que afirmava valia pouco, mas quase todos fecharam os olhos. Contudo, agora não estamos nos referindo á uma mulher de língua afiada. Kouga Du Pree era querido por alguns e tratado com desconfiança por outros. Temo que fora deste aposento, Inuyasha, seu juramento não valha nada.

Inuyasha se contraiu com a lembrança da esposa infiel. Cinco anos se passaram. Quando pararia de estremecer à simples menção do nome dela?

— Só tenho minha palavra para provar minha inocência, Majestade.

— Pois encontre logo outra forma. Os homens reunidos aqui estão aborrecidos, e um julgamento por combate aliviaria essa condição.

Nem que o rei o atingisse com um machado, Inuyasha teria ficado tão aturdido. Sua boca ficou seca ao imaginar que teria de provar sua inocência em uma luta sem justiça ou honra. Nem a batalha, nem a morte o assustavam, mas seus acusadores arranjariam o evento e fariam o que fosse necessário para garantir sua morte e a perda de toda a riqueza e dignidade de sua família.

Antes de concordar, Inuyasha engoliu a incerteza.

— Não consigo imaginar nenhum outro modo. — Apesar de todos os contras, teria de ganhar.

— Não nos apressemos. — William sorveu um grande gole de vinho e olhou para Inuyasha por sobre a borda da taça — Você se esquece de que alguém cometeu o assassinato.

— Tem razão. E essa pessoa precisa ser encontrada. — E o rei acrescentou: — Dentro das próximas quatro semanas.