Personagem: Inuyasha/Kagome
Gênero: Drama
Classificação: K
Beta: Sem beta.
Observações: Acervo de ficlets e one-shots sobre o romance Inuyasha. Escrito por meio de linhas e inspirado na trilha sonora do anime.
Agradeço imensamente a M. Fernandes que me ajudou pra caramba a reunir pesquisas sobre o anime e as características específicas de cada personagem aqui descritos. Além de ser uma ótima escritora, é uma ótima amiga de fics! Obrigada, xuxu, outra vez!
Boa leitura, amados (as)! ;]
Linha II: Envelhecer
Música: Inuyasha's Lullaby (instrumental)
Kono yo ni umarete*
F. F. Black
Uma folha de laranjeira rompeu-se da árvore e voou devagar até o chão. O vento estava forte, fazendo com que mais algumas folhas dispersassem das árvores, volitando conforme o curso do ar gelado daquela noite. Diante dessa cena, havia uma folha, que voava soberba, contrária a todas as outras. Esta fazia círculos no ar, dançando com o vento, seguindo seu ritmo delicado. A folha então repousou dentro de uma cabana que se encontrava não muito longe da árvore em que se desprendeu, e o vento a acompanhou neste trajeto, ainda mais frio.
Aquela sensação gelada que passou por entre a cortina de palha fez Kagome arrepiar-se das pontas dos pés até os últimos fios de cabelo, fazendo-a despertar e apalpar a coberta que havia sido deixada de lado pelos movimentos durante a noite. A entrada do Inverno em Sengoku Jidai realmente era mais fria que os da Era Atual e, apesar dos poucos anos em que se encontrava longe, conseguia se lembrar daquele clima familiar.
Era Atual...Família.
O coração da jovem sacerdotisa saltou incomodado, fazendo com que despertasse por completo depois do comentário interno. Ela havia feito uma escolha e não se arrependera, mas as lembranças de sua Era incomodava o íntimo como se pequenas penas lhe fizessem cócegas em seu estômago e peito, pois das lembranças do clima apenas, fez com que imaginasse dos dias de Inverno em que sua mãe trazia uma xícara de chocolate quente ou talvez um chá enquanto, enrolada em um cobertor, estudava freneticamente para as provas. Ou até mesmo de Souta, todo encasacado até as orelhas, pronto para ir à Escola...E de seu avô montando amuletos no meio da sala – pois apenas nesse período que o fazia parar de varrer compulsivamente o Templo.
"Minha escolha foi feita e eu estou feliz."
Virou-se para o outro lado da esteira de palha e deparou com os cabelos cinza de Inuyasha, deixando-a surpresa. Seu marido não tinha o costume de deitar ao seu lado para dormir, pois frequentemente dormia sentado, vigiando seu leito, agarrado à Tessaiga.
- Inuyasha? – chamou-o, curiosa, com um semblante indagativo. – Está dormindo?
E a resposta não veio. Imaginou que estivesse realmente descansando, contudo sentiu uma contração de pernas seguidas de um resmungo impaciente.
- Inuyasha?
- Eu dormiria se você não ficasse me chamando o tempo todo. – ele disse simplesmente, sem virar para encara-la.
Inuyasha pensou que essa pergunta seria uma retórica já que se estivesse dormindo, obviamente não precisaria responder, assim como ela perceberia as condições em que apresentava. Escutou Kagome bufar baixinho, se endireitando um pouco para observar além de seus cabelos.
- Pensei que estivesse dormindo... – ela disse, com a expressão emburrada.
- Não estava.
Escutou novamente o bufar de sua esposa ainda mais alto, imaginando que ela estaria lhe xingando mentalmente com todos os adjetivos possíveis, no entanto, naquele momento em especial, ele resolveu não se envolver.
- Não sei porquê ainda me importo com você. – suas orelhinhas se mexeram ao escutar essa frase e olhou de soslaio, tentando identificar se Kagome estava falando realmente sério.
- Humpf - bufou, piscando ligeiramente devagar, voltando a analisar a Tessaiga que permanecia encostada na parede. – Você não deveria mesmo se importar. Cada um faz o que quer, pelo que sei..
- Por que você consegue ser ainda tão grosso? Tem horas que acho que estou conversando com um velho!
Kagome virou de costas para ele, irritada, colocando a coberta um pouco acima dos ombros, indagando sobre sua impulsividade.
Envelhecer.Essa palavra rodopiava sua mente com questões que não eram justas, mesmo sendo uma condição natural da vida...Dos humanos, não dos Youkais. Muito menos para Hanyous.
A Justiça da vida não pertence a seres que não fazem parte nem de um mundo nem de outro, que vivem como bastardos sem glória ou honra e que são frutos de uma união que não deveria existir. Youkais não sabiam amar, não podiam amar, pois os Céus não haviam lhes concedido tal sentimento. E Hanyous não podiam perdurar neste Mundo.
Não podiam pois seus fluxos temporais são descompassados, trágicos. Sozinhos.
- Você irá envelhecer, Kagome...
Kagome se assusta, endireitando um pouco seu corpo na posição anterior, encarando novamente os cabelos da cor prata de Inuyasha.
- ...E Eu ficarei aqui. – Sua ultima frase saiu quase num sussurro inaldível, porém suficientemente próxima dela para escutar - Talvez isso seja uma maldição que um hanyou precise carregar.
"Porque ele está dizendo isso?", Kagome indagou de si para consigo, virando por completo analisando suas costas novamente. A frase de Inuyasha não era uma indagação, era uma afirmação concreta e Kagome pensou na probabilidade dele estar vagando sobre esse assunto a um longo tempo.
- Inu...Yasha... – sussurrou seu nome, sabendo que mesmo assim ele escutaria.
- Nem Humano, nem Youkai...Keh - Inuyasha sorriu de maneira sarcástica, sem perder o fio de seu raciocínio, e fechou os olhos. A garota, agora com vestes de sacerdotisa, procurou em meio aos cabelos prata de seu marido alguma resposta para todas as afirmações que pronunciara, ou até mesmo compreender o porquê de falar tudo isso, já que não era habitual dele falar tais assuntos. Respostas as quais não encontrou. – Meu lado Youkai deixou isso pra mim...Eu não irei envelhecer como qualquer humano normal. Irei ver todos vocês irem para o outro Mundo e não poderei fazer nada.
Inuyasha abriu os olhos, agora encarando o arco de Kagome ao lado de sua Tessaiga e frisou a si mesmo que não suportaria encarar o túmulo daquela que lhe seguiu e lutou, enfrentando todos os tipos de perigo só para ficar ao seu lado. Não suportaria ficar sem ver o sorriso doce dela – que escondia a insegurança quanto a possibilidade de ser substituída por Kikyou e, mesmo depois de todos esses fechos, o acompanhava sem algum tipo de obrigação, provando inconscientemente de que o amava sem lógica ou ensejo pré- definido. – ou até mesmo observar sua coragem e caridade para com tudo.
Kagome resolveu não pronunciar ao menos uma frase ou palavra, deixando-o somente expandir-se sobre seus medos. Então se aproxima mais de Inuyasha, aconchegando em seus cabelos, passando uma das mãos por cima dele.
Para Inuyasha, ela não era mais Kikyou, era puramente Kagome. A garota que mudou o coração de um Hanyou. Com ela, ele não estava mais sozinho.
Sua mão se encontrou com os delicados dedos dela sobre seu tórax e apertou-o com força.
- Você irá envelhecer, Kagome. - ele repetiu.
- Eu sei. - ela respondeu, com um ligeiro sorriso dolorido, afirmando ainda mais a certeza dele. - Mas eu estarei sempre com você.
E Inuyasha também sorriu, sem entender por qual razão.
*Nascido neste mundo - Canção: Ai no Uta.
N/A-1: Agradeço os comentários de M. Fernandes (tchuca de BH) e a Bulma (que sempre lê minhas fics!). Obrigada, fofas!
N/A-2: Inuyasha é trágico e melancólico para mim, mas tentarei colocar um pouquinho (bem pouquinho) de alegria na próxima fic.
Ps: Estou precisando de um (a) Beta. Interessados, contatem-me por PM.
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