Vampire Tales

Criança da noite.

Disclaimer: Death Note e seus personagens não me pertencem. Mas eu pedi o Mello em casamento, e o danado fugiu com o NearXD

Fic criada de fã para fã. Yaoi, se não gostar bom já sabe né?

Universo Alternativo.

Ps: Alguns termos podem ser difíceis de compreender, vide especificações abaixo.

Nos primeiros caps usarei os nomes originais dos personagens que podem ou não ser substituidos por suas alcunhas no decorrer da história.

1- Criança da noite - Um jovem vampiro recem iniciado.

2- Abraço - Na cultura dos vampíros é assim que denominam a arte de trasformar humanos em vampiros. Alguns vulgarmente chamam de beijo.

3- Um vampiro quando oferece seu sangue a um humano, após algumas dosagens este se torna viciado. O humano que consome o sangue de um vampíro pode vir a ter poderes ou não. Contudo se torna servo do vampiro que o aliciou.

4- Um humano somente é transformado em vampiro se este ao morde-lo misturar uma mínima parcela de seu próprio sangue ao do seu escolhido. Contudo se o escolhido já for um servo viciado, apenas a mordida já é o bastante para torna-lo um vampiro

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Londres 1815

A lua cheia brilhava intensamente. Raito gostava de noites como aquela, já que seu companheiro não chegava então admirava a lua e todo seu encanto sentado no parapeito da janela. Lhe foi entregue a seus cuidados uma "criança da noite¹". A antipatia foi imediata e recíproca, mas ambos se esforçavam para conviver, pelo menos até que seu senhor retornasse.

A "criança" era pálida como sua condição, seus cabelos brancos e olhos negros, vazios. Suas roupas brancas acentuavam ainda mais sua pálidez, sua fala era sempre mansa mas algumas vezes escondia um sarcasmo ou irônia que irritava Raito imensamente. Contudo a impressão que o mesmo causara no rapaz não foi das melhores, e em comum acordo, falavam entre sí apenas o estritamente necessário.

Algumas horas se passaram quando finalmente Raito pôde ouvir alguém bater à porta.

- Entre. - disse ele.

O jovem vestido de branco apenas abriu a porta sem entrar. Falou sem rodeios:

- Poderia manter sua serva longe dos meus aposentos?

Raito encarou-o levantando as sombrancelhas surpreso com o repentino pedido.

- O que ela foi fazer lá?

- Me aborrecer.- disse o rapaz enrolando uma mecha do cabelo.

- Farei o que puder. - respondeu Raito secamente.

- Grato. - Pretendia o jovem retornar a seu quarto quando foi chamado.

- Nate.

- Sim? - deteve-se por um instante.

- Você já se alimentou? - não que estivesse preocupado. Para Raito se Nate morresse não faria diferença, mas já que fora entregue a seus cuidados...

- Estou muito bem. Grato...

- Não foi isso que eu perguntei. - interrompeu Raito bruscamente.

- Não. - disse Nate imediatamente.

- Você tem sorte. Não entendo porque agi assim. - disse Raito levantando-se do parapeito da janela e caminhando na direção do alvo rapaz.

- Sorte? - disse Nate pausadamente. - Estou morto! Não vejo em que isso possa ser chamado de sorte.

- Você é imortal!! - retrucou Raito parando diante de Nate. Olhando-o diretamente nos olhos vazios e sem vida do rapaz. Cuja a estatura é bastante inferior, mesmo para sua idade. A face não esboçava expressão em relação a repentina aproximação.

- Imortal? Vampiros são apenas animais. - disse Nate enrolando novamente a mecha do cabelo, seu tom de voz era irritantemente calmo aos ouvidos de Raito. Fez uma pausa e continuou. - Piores que os humanos, pois vivemos para comer enquanto os humanos aproveitam a reprodução e os louros de uma vida mortal.

- Eu discordo! - disse uma voz em tom cordial que vinha das escadarias. Ambos não haviam notado sua chegada.

- Sua audição extremamente aguçada sempre me assombra. - disse Raito casualmente enquanto via o dono da voz se aproximar.

- Bem vindo Lawliet! - disseram Raito e Nate em uníssono.

Lawliet vestia um terno de fino corte, com a gravata frouxa e a camisa para fora da calça. Estava descalço, odiava sapatos e meias. Sempre que chegava em casa a primeira coisa que fazia era ficar descalço. As mãos estavam enfiadas nos bolsos e caminhava encurvado em direção aos dois rapazes.

- Olá Nate. Raito. - disse Lawliet suavemente com um cumprimento de cabeça.

- Não ouvimos você chegar. - disse Nate.

- É claro que não. - sorriu Lawliet. - Pensa realmente que vivo só para comer? - perguntou queixoso.

- ... estou enganado? - arriscou Nate sem encara-lo.

- Estou em falta com você, mas prometo reparar isso. - fez uma pausa. - Mais tarde conversaremos melhor. - Entrou no dormitório e fechou a porta sem mais nada acrescentar. Deixando Raito do lado de fora diante de Nate que segundos depois se encaminhou até o seu refúgio.

Raito entrou no quarto e bateu a porta propositalmente:

- Me deve algumas explicações...

- Por exemplo?

- L... - era assim Raito que o chamava quando estavam a sós. E L achou curioso que Nate se dirigia a ele da mesma maneira. - Por que ele e não eu?

- Preciso de você... - tentou explicar Lawliet.

- Como escravo de certo, mas deixe-me lhe dizer uma coisa. Não possuo a eternidade a meu favor. O que vai fazer quando eu estiver velho demais?

Lawliet ficou pensativo mas nada disse. Apenas abriu o armário de roupas, retirando o paletó e a gravata.

- Vai me descartar? - insistiu Raito.

- Você ainda é jovem... - disse Lawliet de costas para o rapaz que estava visívelmente furioso.

- Não foi isso o que eu perguntei!! - gritou Raito se aproximando.

- Muito bem então!! - exclamou Lawliet elevando ligeiramente o tom de voz. Virando-se para encarar o companheiro que se assustou com a reação repentina e recuou. A íris de Lawliet que era negra perdera a cor e seus caninos ficaram visíveis, a voz também se modificou.

- Talvez Nate não esteja totalmente errado. - prosseguiu Lawliet, caminhando vagarosamente em direção a Raito que recuou até cair sentado na cama. - Se eu lhe der o "abraço²" sabes bem que nunca mais verás o dia. Nunca mais sentirá o sabor da comida e nunca mais apreciará o calor de outra pessoa da mesma maneira. - Lawliet segurou Raito pelo queixo erguendo-o. Este gemeu de dor pelo toque frio e brusco mas não conseguiu reagir. Apenas o encarava e ouvia o que o vampiro dizia.

- Nate não teve escolha. As circunstâncias me forçaram a tomar tal atitude. - explicou Lawliet sem entrar em detalhes e antes que Raito pudesse formular qualquer pensamento. Beijou-o, envolvendo-o em seus braços.

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Eram três da madrugada, não havia nenhum relógio mas Nate sabia as horas. Ele sempre sabia. Já faziam várias horas que montava um quebra-cabeças, ignorando o cálice com um líquido vermelho em cima do móvel não muito distante da cama. Uma brisa suave passava pela janela, o quarto escuro estava perfeitamente iluminado pela luz da lua.

Quando eram quase quatro horas, Nate começou a se sentir ansioso. Passou o braço sobre as peças em cima da cama derrubando todas ao chão. Fitou o cálice e refletiu, meneou a cabeça e tentou ler um livro.

Quatro e quinze, o livro não estava funcionando.

Quatro e vinte, o livro voou pela janela.

Quatro e vinte cinco, sentiu seus caninos saírem involuntáriamente. Não estava se sentindo muito racional.

Quatro e meia. Bebeu o líquido, naquele momento sabendo que essa seria uma batalha que não poderia vencer.

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Desculpa qualquer erro, não tive tempo de revisar...

Devo continuar ou não?Rewiews.