Capítulo I – O despertar do desconhecido.
Edward definitivamente não aceitaria que nenhuma mulher usasse de chantagem para conseguir algo com ele. Mesmo que isso significasse obter qualquer tipo de satisfação sexual. Podia ver apoiado na porta de sua vasta biblioteca a figura estranha parada em sua sala.
Não podia nem identificar quem era a principio, estava coberta da cabeça aos pés com roupas de uma dama respeitável e que certamente lhe deixavam bem mais velha do que realmente era.
Olhou com um pouco mais de atenção e logo percebeu de quem se tratava. Isabella Swan Black. Estava realmente bem coberta, não a reconheceria. Se bem que acreditava que nem se estivesse nua a seu dispor a reconheceria em outra ocasião.
Ele que era apenas um boêmio pronto para curtir cada gota de sua vida e juventude, enquanto ela a esposa do futuro primeiro ministro daquele país e ainda era filha de Charlie Swan, o atual primeiro ministro. Pessoas como ela não se misturavam a não ser com seus semelhantes.
Exceto sob lençóis e a portas fechadas.
Edward mal conseguia pensar em outra coisa se não na linda morena que havia deixado sua cama há pouco. Uma noite totalmente alucinante, começou sendo seduzido em uma boate qualquer com uma dança pra lá de sensual. Ambos foram instrumentos de prazer um para o outro, ele liberou o animal mais selvagem de si, para que ela sem pudor algum perdesse todos os limites da alta sociedade e o levasse ao máximo do prazer que poderiam chegar. Nesses momentos não existia sociedade, país ou qualquer outro impedimento para tal ato, somente o esquecimento momentâneo de tudo.
Tinha certeza que aquela mulher parada em sua sala também poderia ser possuída da mesma forma. Se não fosse pelo pequeno detalhe de ter invadido sua casa, afrontando as ordens dadas por ele que não deveria ser incomodado por ninguém. Entrou de forma desafiadora em sua casa, passando por seus empregados e ficando incansavelmente a sua espera. Teria que se controlar enquanto caminhava em sua direção para ver o que desejava esta alma tão petulante.
- Me diga o que tanto deseja a essa hora? Creio ser algo importante para invadir minha casa e afrontar as ordens que dei aos meus empregados. – Novamente ele controlava o sentimento de fúria que lhe tomava o corpo.
Edward odiava ser contrariado e odiava mais ainda quando suas ordens não eram seguidas ou eram abruptamente infligidas por pessoas como Isabella.
Mas algo lhe agradava, pois sentia que essa mulher a sua frente estava com certo temor dele. E ele desejava que ela sentisse tal temor, precisava saber que ali, na casa dele, nada e nem ninguém iria defendê-la. Ali estava na casa de Edward Cullen e nem o primeiro ministro e nem o aspirante a tal poderiam interferir em nada.
Queria deixar bem claro e de maneira bem objetiva que apenas iria satisfazer quem ele tivesse interesse e não quem tentasse conseguir por meio de chantagens e invasões.
Esperava avidamente por uma reação de Bella, queria que ela lhe enfrentasse e soubesse as consequências de seus atos ao invadir sua casa e desafiar suas ordens. O silêncio no ambiente chegava ser incômodo.
- Sra. Black, estou esperando, não se mostrou tão acanhada quando passou por meu empregado – Queria desafiá-la a dizer a que veio, que simplesmente como muitas damas da sociedade, queria se aproveitar de sua fama – Vamos, me diga o que uma mulher como você, poderia querer com um homem como eu?
Ela apenas tinha um olhar perdido e um pouco deslumbrado para Edward, mantinha-se em seu canto, protegida pelo seu excesso de roupas. Virou-se vagarosamente em sua direção para que pudesse lhe dizer algo.
Ele sabia o impacto que causava no primeiro contato, não era dono de uma beleza comum, era algo espetacular, tinha cabelos cor bronze que modelavam de maneira desorganizada a forma de seu rosto com o toque peculiar de seus olhos verdes penetrantes. Até a maneira como se vestia chamava atenção, pois enquanto a maioria na alta sociedade estava de terno e grava, ele sempre tinha algo moderno e feito sob medida para ele.
- Quero que me ensine como agradar um homem. – A voz de Bella saiu abafada pela vergonha que sentia em seu pedido.
Definitivamente aquilo não era algo que Edward estava esperando nada o preparou para esse pedido.
Totalmente sem reação, durante longos minutos parecia que o coração dele deixava de pulsar. Só conseguia pensar em imagens eróticas, uma mulher nua, o possuindo. Pensava nela de todas as formas que uma mulher podia possuir um homem, pelo prazer dela e o seu também.
Um fogo abrasador lhe tomou o corpo inteiro, contra sua vontade podia sentir sua ereção lhe apertando a calça. Pensava em todas as formas que já servira a diversas mulheres e o quão descartável tinham sido todas as vezes. Eram objetos uns nas mãos dos outros. Finalmente ele foi dominado por uma fúria primitiva.
Sentia essa fúria toda pelo desejo de Bella, por vir até ele, de maneira egoísta, pedir que a ensinasse como dar prazer a um homem e talvez o que mais o irritasse é que sentia necessidade de satisfazer esse desejo. Mesmo que achasse que essas mulheres jamais se preocupariam em lhe fazer sentir prazer, em lhe fazer gozar.
Ao contrário do que imaginava, ao se aproximar dela não teve nenhum passo de hesitação, ela permanecia no mesmo lugar. Queria atravessar a barreira de respeitabilidade que ela tinha atrás de suas sérias vestes.
Esta visão próxima que Bella tinha só fez com que observasse com mais atenção todos os traços de sua beleza. Mas também podia ver que essa pose era muito diferente do que estava acostumada.
Edward, além de tudo era um homem que já tinha dado a volta no mundo, estava acostumado com os costumes de diversos lugares e não apenas o desta sociedade que habitava no momento.
Havia boatos que tudo que tinha aprendido foi em uma de suas viagens a Arábia, mas não apenas trouxe os costumes de serem bons amantes, também seus valores, que faziam das mulheres como objetos de venda e troca por qualquer razão.
Ele já tinha visto mulheres pagarem com suas vidas por atitudes bem menos atrevidas do que a de Isabella no momento.
Embora Bella não tivesse noção do que poderia ser verdade ou não nessa história, certamente deveria sentir medo.
- Agora me diga novamente o que deseja – Edward murmurou de maneira sedutora.
Ela podia sentir no ar seu aroma delicioso misturado ao cheiro de sexo impregnado em seu corpo, mas manteve-se firme em sua posição.
- Quero que me ensine como agradar um homem – Repetiu de maneira serena e vagarosamente olhando fundo em seus olhos. Mesmo que para isso precisasse levantar muito mais o seu rosto do que gostaria.
Olhando-a de perto, ele podia ver que tinha a pele muito branca. Ainda era uma mulher jovem, não devia ter muito mais que 30 anos, olhos cor de chocolate. O rosto que se elevava para ele era mais oval do que redondo, tinha o nariz arrebitado e apesar de lábios magros, muito apetitosos. E o mais importante de tudo, mesmo com as pupilas dilatadas, seu rosto não entrega nem 1/3 do temor que deveria estar sentindo no momento.
- O que te faz crer que sou capaz de lhe ensinar tal proeza Sra. Black?
- Simplesmente porque você é... – Sentiu que ia vacilar neste instante por sua fama, uma coisa era invadir sua casa para lhe pedir e outra era lhe dizer na cara que sua fama a levou até ele.
- Estou realmente esperando por sua resposta senhora. – Edward já demonstrava mais impaciência.
- Certo, foi sua fama que me trouxe aqui. – Levantou mais ainda o queixo – Muitas mulheres falam aos ventos que se os maridos estivessem dotados só com a metade de suas habilidades, não haveria uma só mulher infiel em toda a Inglaterra.
Toda a expressão dura dele se desfez para uma expressão sarcástica.
- Pois muito bem, então me envie o seu marido e o instruirei para que você possa lhe ser fiel novamente.
- Vejo que não deixará que reste nem um pingo de orgulho em mim – Bella endureceu os lábios os contraindo pela inquietação.
- Prossiga Isabella. – Mantinha-se indiferente a tudo.
- Eu amo Jacob, na verdade não é ele que precisa ser ensinado para evitar a traição seria justamente o oposto. – Continua a morder seus lábios – Eu não tenho a intenção de dormir com você, preciso apenas que me ensine como agradar meu marido e trazê-lo de volta a minha cama.
Todo o calor do corpo de Edward se dissipou com tal declaração.
- Você não se rebaixaria a tanto, sou apenas um boêmio que vive de uma herança com fama de sedutor, não é mesmo?
- Apenas não desejo ser infiel ao meu marido. – Respondeu de maneira simples.
Podia ver naquelas palavras que à aquela mulher não faltavam valores, mas tinha conhecimento dos rumores de que o ministro da economia e fazenda tinha uma amante. Não parecia nenhuma novidade no meio que circulava.
Jacob Black era um plebeu e como tal tinha mais cobranças de seus eleitores do que se simplesmente fosse da aristocracia. Era cobrado moralmente, devia ter a mesma postura e moral que sua rainha.
Bella com certeza tinha isso como uma preocupação, não queria ver a ruína na carreira de seu marido, por isso o queria de volta em sua cama, evitando esse tipo de situação para tal. De alguma forma ela achava que o problema era algo nela, algum problema com a sedução ou a falta da mesma.
- Mulheres que amam seus maridos não pedem a desconhecidos que as ensinem como agradar um homem – Esse foi um Edward ácido e cortante.
- Realmente as covardes não pedem, preferem noite após noite ficarem sozinhas, aceitam o fato que eles encontrem o prazer com outras mulheres. De fato, as covardes não. – Bella sabia o que queria e exatamente o quanto este homem poderia mudar sua vida.
Essa resposta fez que o silêncio entre eles ecoasse pela sala, apenas o barulho da respiração de Bella se misturava no ambiente, essa respiração em intervalos breves e rápidos enfraqueceu o rosto de Edward... O fôlego desta mulher.
Bella piscou rapidamente. Por um momento ele sentiu o desejo de flertar, mas logo viu o brilho de lágrimas em seus olhos.
- Eu resisto em ser uma pessoa covarde – Ergueu seus ombros – Por isto estou aqui, sem o menor pudor lhe pedindo que me ensine como agradar um homem.
O sangue golpeou as têmporas de Edward. De algum jeito, as mulheres árabes e as inglesas se pareciam.
Uma esposa árabe aceita às concubinas de seu marido com resignação. Uma esposa inglesa aceita às amantes de seu marido ignorando-as. E claro, em nenhuma das duas culturas, uma mulher pediria socorro a outro homem para assegurar os devidos cuidados ao marido.
Edward ali, próximo a Isabella podia notar que ela trazia um cheiro sem graça por suas roupas e corpo, estava acostumado a receber mulheres muito perfumadas em sua cama. Já essa era sem graça até no cheiro.
— E como poderia lhe ensinar a dar prazer a seu marido se eu mesmo não dormir com você, senhora Black? — a provocou.
Os olhos dela permaneceram tranqüilos, indiferentes à curiosidade sexual que se apoderava do corpo de Edward.
— Suponhamos que a sua mulher queira aprender a lhe agradar. Pra isso ela teria que ir para cama com outro?
- Se eu tivesse uma mulher e ela quisesse me agradar, eu mesmo a ensinaria. Nós descobriríamos juntos o que nos agrada.
— Mas você já dormiu com mulheres casad...
— Já dormi com muitas mulheres.
Ela ignorou sua brutalidade.
— Portanto, se for possível que uma mulher aprenda a agradar a um homem sem contar com a experiência pessoal, não vejo motivo pelo qual você, um homem que se beneficiou dessa preparação, não possa por sua vez instruir uma mulher como eu.
Muitas mulheres tinham pedido a Edward que mostrasse as técnicas sexuais que ele usava para agradar uma mulher. Mas nenhuma tinha pedido que ele ensinasse as técnicas sexuais que as mulheres usavam para agradá-lo.
Foram os efeitos das bebidas consumidas misturadas com uma noite de sexo intenso, que provocaram a seguinte pergunta de Edward. Ou talvez foi a mesma Isabella Black. E perceber uma pontada de dor diante do que nenhuma mulher, nem oriental nem ocidental, arriscaria por ele como o que aquela confrontava por seu marido. Punha em jogo sua reputação e seu matrimônio para aprender a agradar sexualmente um homem para que não tivesse que recorrer a uma amante.
O que faria falta para que uma mulher como ela, uma mulher respeitável, queria um homem como ele?
Como seria ter uma mulher disposta a fazer tudo para obter meu amor?
—Se eu aceitasse lhe ensinar senhora Black, o que é o que queria aprender?
—Tudo o que possa me ensinar.
Aquele tudo vibrou no frio ar matinal.
—Entretanto, você disse que não tem nenhum desejo de ir para a cama comigo. - Disse com dureza a encarando profundamente.
O rosto de Isabella permaneceu indiferente. Era o rosto de uma mulher que não está interessada na paixão de um homem, nem na sua própria.
—Estou segura de que você possui suficiente conhecimento para ambos.
—Sem dúvida. Mas meu conhecimento se centra nas mulheres. —De repente, sua inocência lhe repugnou. - Não tenho por costume seduzir os homens.
—Mas as mulheres... Flertam com você, não é assim? —Insistiu ela.
O corpo nu da morena em sua cama tinha brilhado suarento enquanto dançava ao ritmo de seu desejo. Não possuíra nenhuma delicadeza... Nem fora nem dentro da cama.
— As garotinhas flertam. As mulheres com as quais eu durmo não são virgens. - Examinou com cinismo a volumosa capa negra de Isabella Black, que não deixava enxergar nem o volume dos seios, nem a curva dos quadris para seduzir um homem. - São mulheres experientes que sabem o que querem.
—E me diga se for tão amável, o que elas querem?
—Prazer, senhora Black. — Foi intencionalmente comum e grosseiro. - Querem o prazer de uma mulher. E você acredita que como sou maior que essas mulheres e meu corpo não é tão perfeito como o seu...
- Acredita que eu não desejo também prazer, senhor Cullen? - O olhar de Edward se encontrou com a dela.
Uma corrente elétrica de desejo puro e inocente percorreu subitamente seu corpo.
Emanava de Isabella desejos sensuais, desejos sexuais... E seu rosto continuava sendo uma máscara sem expressão.
Uma mulher virtuosa não devia buscar um homem para aprender a agradar a seu marido. Uma mulher virtuosa não devia admitir que desejava satisfação física em seu matrimônio. Quem era Isabella Black para se atrever a fazer o que outras mulheres nem sequer sonhavam?
— Um homem é algo mais que uma série de alavancas e molas que devem ficar em funcionamento para receber satisfação. - Disse Edward de forma brusca, profundamente consciente da fria perfeição daquela pálida pele feminina e do sangue quente que palpitava entre suas pernas. - O gozo de um homem depende da habilidade de uma mulher para receber prazer. Se você desejar este último, ele obterá o primeiro.
Isabella ficou rígida. A ira apareceu em seus olhos... Ou possivelmente fora o reflexo da luz do abajur que se encontrava sobre ambos.
—Tenho dois filhos, senhor. Sou plenamente consciente de que um homem não é feito de alavancas e molas. Além disso, se a satisfação de meu marido dependesse do desejo de uma mulher, então não teria abandonado minha cama. Por último, senhor Cullen, vai ou não me ensinar a agradar um homem?
O corpo de Edward adquiriu certa tensão. Isabella estava lhe oferecendo a suprema fantasia, a qual aspira um homem... Uma mulher a quem podia ensinar todos os atos sexuais que sempre tinha sonhado que uma mulher fizesse... Com ele... A ele.
— Eu pagarei pelos seus serviços – Ela ofereceu.
Edward a examinou cuidadosamente, tentando ver além daquela máscara sem emoção que era seu rosto.
— Como vai pagar pelos serviços, senhora Black? – Ele na verdade estava sugerindo algo.
— Com moeda inglesa. — Nem ela mesmo percebia seu engano em tal afirmação, tamanha sua ingenuidade.
— Esta é uma das vantagens de ser um rico herdeiro. Seu dinheiro não é necessário para que eu me mantenha. — Replicou com desinteresse fingido, tentando entender até onde ela chegaria para obter a sua busca de conhecimento sexual — E para ser bem sincero, não preciso nem do seu dinheiro e nem do de ninguém, isso me dá certa vantagem sob os demais.
O olhar da mulher não vacilou frente à sua.
— Sabe o que me está pedindo, senhora Black? —Perguntou-lhe brandamente.
—Sim. — A ignorância brilhou em seus claros olhos cor chocolate
Bella Black pensava que uma mulher como ela, uma mulher maior e sem o corpo perfeito, uma mulher com dois filhos, casada respeitosamente, não podia apresentar atrativo algum para um homem como ele.
Não compreendia que a curiosidade de um homem pudesse converter numa força motriz ou que o desejo de uma mulher pudesse provocar uma atração poderosa.
Edward conhecia estas coisas muito bem. E também sabia que o desejo mútuo podia unir um homem e uma mulher de maneira mais forte que os votos pronunciados numa igreja ou numa mesquita.
Girando bruscamente, Edward cruzou o tapete e estirou o braço para pegar de uma das prateleiras, um pequeno volume forrado em couro. "" O Jardim Perfumado", do Sheik Mohamed ao Nefzawi". Mais um produto de sua famosa viagem a Arábia.
Em árabe se titulava "Ao Rawd ao atir fi nuzhat ao khatir", " O Jardim Perfumado" para o deleite da alma. Tinha sido traduzido mais popularmente como " O Jardim Perfumado" para a pulverização da alma.
Edward o tinha memorizado e repetido tantas vezes como os meninos na Inglaterra faziam com as gramáticas grega e latina.
Embora a gramática preparasse os meninos ingleses para ler os autores gregos e latinos, " O Jardim Perfumado" tinha proporcionado à Edward os conhecimentos suficientes para satisfazer a uma mulher.
Também brindava excelentes conselhos para as mulheres que queriam aprender agradar um homem.
Sem deter reconsiderar aquele ato, voltou-se para a janela e lhe ofereceu o livro.
— Amanhã pela manhã, senhora Black. Esteja aqui. Em minha biblioteca. — Pensou por um instante e decidiu — As cinco em ponto.
Uma pequena e magra mão timidamente se estendeu para pegar este livro que salvaria sua vida e seu casamento. Os delicados dedos aferraram com firmeza o livro.
—Não compreendo.
— Você deseja que eu a instrua, portanto, o farei. As aulas começam amanhã pela manhã. Este será seu livro de texto. Leia a introdução e o primeiro capítulo.
Bella baixou a cabeça. Já tinha uma postura reticente a qualquer contato visual ou físico, mas agora parecia ainda mais reclusa em sua concha. Quando finalmente conseguiu o que queria parecia ainda confusa.
—" O Jardim Perfumado", do... — Desistiu de tentar pronunciar o resto do título. - Sheik Nefzawi. - Suponho que não é um livro sobre o cultivo das flores.
Os lábios de Edward se contraíram numa divertida careta.
—Não, senhora Black, é evidente que não.
— Certamente que não, mas como conseguirei ler tudo isso até amanhã e assimilar o que li...
Edward não queria lhe dar tempo para assimilar.
Queria impressioná-la.
Queria excitá-la.
Queria lhe arrancar aquelas roupas sem graça com cheiro estranho e mostrar a ela que não precisava aprender nada e sim apenas despertar o que ela desconhece.
Seu pescoço era magro como a mão. Os sapatos que apareciam por debaixo de sua estranha roupa eram estreitos.
O que desejava encerrar tão estreitamente dentro dos limites daquela roupa, a pele... Ou o desejo?
—Toda escola tem suas regras, senhora Black. A regra número um é a seguinte: não usará essas roupas enquanto estiver em minha casa.
Sua fina pele branca se voltou de uma cor vermelha.
Edward se perguntou se adquiriria essa mesma cor acesa quando se excitava sexualmente.
Perguntou se alguma vez seu marido a tinha excitado sexualmente.
Bella girou com força a cabeça para trás.
—O que eu use ou não use, Sr. Cullen, não é da sua conta...
— Pelo contrário, senhora Black. Você me procurou para lhe ensinar o que dá prazer a um homem. Portanto, o que você usa é da minha conta. — Nervosamente passava a mão pelo cabelo — Especialmente se isso for para o êxito deste objetivo. Asseguro-lhe, nenhum desses panos causam prazer a um homem.
—Talvez não a um homem de sua natureza...
A boca de Edward se endureceu involuntariamente. Como ela podia com tanta ousadia lhe dizer isso.
Infiel, canalha, sem escrúpulos, se bobear até de bastardo e entre outros nada pronunciáveis. Não havia nome que não lhe tivessem chamado, em inglês e muitos outros idiomas. Sentia estranhamente desiludido ao comprovar que ela tinha os mesmos conceitos que outros.
— Já comprovará senhora Black, que quando se trata do prazer sexual, todos os homens são de uma certa natureza.
Jogou para trás o queixo num gesto que cada vez se fazia mais familiar.
—Não tolerarei nenhum tipo de contato físico com você.
Edward sorriu cinicamente. Havia coisas que afetavam uma pessoa muito mais que o simples contato.
Palavras...
—Como quiser. —Inclinou fugazmente a cabeça e os ombros numa pequena reverência. - Lhe dou minha palavra como homem do Ocidente, do Oriente, do mundo que não tocarei seu corpo.
Embora parecesse impossível Bella ficou ainda mais rígida.
—Estou segura de que você compreenderá que nossas aulas devem ser mantidas no mais estrito secreto...
Edward pensou na ironia da formalidade. Ela o tinha chantageado e, entretanto, pretendia que ele se comportasse como um cavalheiro e fosse reservado com aquela indiscrição.
— Os árabes têm uma palavra para um homem que fala do que acontece na intimidade entre ele e uma mulher. — Edward realmente fazia muitas referências a este período da Arábia, como algo que o marcou para sempre — Chamam-no siba, está proibido. Asseguro-lhe que em nenhum caso a comprometerei.
Ela apertou sua boca com o controle que aprendeu nas suas aulas de etiqueta para se portar bem em momentos difíceis. Não especificamente este momento foi o que aprendeu, mas resolveu aplicar a ele.
Era evidente que não confiava no conceito de honra árabe. Até mesmo porque, nem árabe ele era, apenas usava conceitos que aprendeu pelo mundo para poder deixá-la completamente alterada e sem graça.
—Que você tenha um bom dia, Sr. Cullen.
Edward inclinou a cabeça.
—MA'A e-salemma, senhora Black. Estou seguro de que conhece o caminho de saída.
Já que ele realmente insistiria naquele negócio de Arábia, então era melhor acreditar na tal honra árabe de uma vez por todas.
A partida de Bella Black foi patente por um movimento áspero e o clique seco da porta da biblioteca, que se abriu e logo se fechou.
Edward observou com atenção a neblina amarela que se formava no exterior e se perguntou como tinha chegado até sua casa. Um táxi? Seu próprio carro? O motorista do ministro?
Imaginava que teria sido um táxi. A mulher se dava conta perfeitamente do perigo que corria se alguém notasse a relação entre ambos.
O estômago de Edward se contraiu de raiva.
Ele era o famoso sedutor. Ele era Edward Cullen. E ele era o herdeiro boa vida. O filho... Que tinha falhado. Nunca levaria o título de nobreza e nem mesmo respeito.
Edward, totalmente avulso entre toda aquela riqueza e conhecido por sua fama de conquistador, nada mais. A alta sociedade poderia o considerar vigoroso na cama, porém vergonhoso nos palcos da realeza.
Voltou-se, com o corpo tenso como não o tinha estado nos últimos trinta minutos.
Mohamed usava um turbante, calças folgadas e uma camisa solta. Estava com o Edward desde sua volta da Arábia.
Tinha lhe prestado diversos serviços na ocasião e quando descobriu que seu patrão iria voltar para Inglaterra pediu para vir junto, queria muito conhecer um novo mundo e participar ativamente dele.
Viu em Edward, sua única opção e por essa e outras razões, lhe é extremamente fiel.
Edward procurou em seu casaco e encontrou ali o cartão. No ângulo inferior direito estava impressa uma direção com uma decorativa letra.
—Siga Bella Black, Mohamed. Assegure-te de que não se meta em mais problemas dos que já se colocou.
A expressão de Edward se endureceu.
Aos homens como o ministro da Economia e Fazenda que se casavam com mulheres virtuosas para que lhes dessem filhos não lhes agradaria que sua esposa realizasse esses mesmos atos sexuais que eles procuravam em suas amantes.
—Quando ela estiver dentro, a salvo, vigie a casa. Siga seu marido. Quero saber quem é sua amante, onde e quando se encontra com ela e quanto tempo leva mantendo essa relação.
E entao, o que acharam?
Espero que vocês gostem assim como eu gostei! ;D
Estamos no aguardo das reviews para postar o proximo capitulo, entao que tal apertar o botaozinho aqui em baixo e fazer varias pessoas felizes?
