Capítulo 2: A busca
"Porcaria! Se as coisas continuarem assim... Logicamente serei reprovado" raciocinou Sean mentalmente enquanto esfregava os olhos, era típico fazer isso, quando se acorda de uma noite mal dormida. O único contato maior que Sean tinha com Pedras-do-Sol, além daquela que vergonhosamente ele carregava no pescoço, eram aquelas instaladas em seu quarto. Ele concentrou-se na luz e rapidamente o quarto se iluminou, aquelas pedras há muito tempo o garoto pensou em usar como uma Pedra-do-Sol para seu teste, mas descobriu que seria inútil "Meu pai disse que a maneira mais fácil de conseguir uma pedra do sol é no festival de música. Mas eu infelizmente não quis participar. Será que terei mesmo de roubar de alguém? Ou escalar uma torre?" disse o menino baixinho, cada vez mais convicto de que acabaria arranjando enormes confusões.
"Maldição! Se as coisas continuarem assim, muito provavelmente acabarei aprovada" pensou Rina entre um movimento de sua espada, executado com precisão. Rina tinha um cabelo negro, liso com as pontas levemente encaracoladas. Portava uma espada poderosa, onde também estava cravada uma Pedra-do-Sol, porém tinhas ordens expressas para não usar tal arma.
Ela era feita de um metal retirado de uma caverna de mândrus que ficava a alguns quilômetros de seu clã. A garota sonhava em um dia assassinar um Merwin e com seu chifre ter uma espada poderosa. Mas se a situação tomasse o rumo que deveria, há alguns anos o pesadelo da garota se concretizaria e o dia em que ela recebesse a ordem para tornar-se uma matriarca chegaria. A visão de seus olhos castanhos claros ficarem leitosos a aterrorizava. As repreensões que recebia por treinar sua habilidade com armas aumentavam ultimamente. Lições sobre sabedoria e liderança eram cada vez mais aplicadas para Rina. A garota estava certa de sua vocação: desejava a todo custo morrer pelo seu povo nas batalhas e não guiar ele ao sucesso. Mas as vozes das Matriarcas eram mais altas. E os argumentos da menina eram quase nulos. Não demoraria muito e sua angústia se tornaria realidade.
"O que faz com essa espada? Já dissemos você está somente a alguns circuitos de ser uma Matriarca Jovem, apenas deixamos essa poderosa espada em seu quarto porque você nos disse que gostaria de ter uma arma como decoração... Se continuar usando-a, vamos retirá-la, já que nos prometeu o contrario e não cumpri os seus selos. Ainda mais se tratando DESSA arma... Essa Pedra do Sol cravada na base é muito valiosa" disse Milen, a Matriarca que ensinava Rina tudo o que conhecia.
Um pedido de desculpa chorosa espalhou-se no ar quente do quarto de Rina. Mas o que se passava na mente de Rina era o contrario... Ela pensava: "De que adianta essa Pedra, se ninguém a usa, os Homens-do-Gelo poderiam tentar usar a magia que dizem vim dessas rochas em seu benefício... Como os Escolhidos! Enfim, voltemos a mais um dia chato de lições tediosas..." resmungou Rina, a única unidade que sabia lhe entender... Sua própria mente.
O dia atual era folga para Sean. Queria estar treinando, queria estar brincando com seus incontáveis amigos do castelo. Queria poder exibir uma Pedra-do-Sol original a todos. Foi nessas condições que esbarrou em uma pessoa... Um conhecido, uma das pessoas que ele mais invejava. Esse sentimento cresceu, ao ver agora, o que sua prima Lena carregava, além daquela enorme Pedra original cravada num anel muito brilhante.
"Pequeno Sean, o que faz aqui?" perguntou a garota. Lena era uma bela garota, cabelos ruivos e lisos emolduravam um rosto levemente pálido. E o uniforme violeta lhe caía muito bem. Ela possuía um belo anel com uma Pedra-do-sol. E Sean pode notar, havia ganhado uma pedra nova, tão brilhante quanto à do anel, só que ficava em um belo colar.
"Bela pedra" comentou Sean com grosseria, o garoto se recusou a oferecer luz à prima com aquela humilde pedra que tinha. Sem responder pra menina porque estava nos corredores violeta sendo ele um mero aprendiz da vermelha, Sean perguntou onde havia conseguido a pedra. Lena era três anos mais velha que ele. Como se isso não bastasse Lena era conhecida por todo o castelo devido a sua incrível habilidade em criaferas, um jogo que tinha se tornado bem popular entre escolhidos, quando há muito tempo atrás os tabuleiros foram todos recolhidos e levados a uma área especial do castelo, onde qualquer um pudesse jogar caso marcasse hora.
"Obrigada. É original assim como a do anel. Eu não a queria, mas meu irmão fez questão de me dar quando ganhou na competição da música" falou Lena sorrindo.
Sean sentiu raiva, há tempos ele queria uma pedra original, mas tudo que seu pai tinha lhe dado era uma pequena pedra. "Como se for pra ordem vermelha já não fosse humilhante suficiente..." pensou Sean com um olhar furioso.
"Hei Sean... Estou indo jogar Criaferas, está afim?" falou Lena amigável.
"Claro... Mas só se você concordar com uma coisa" disse Sean misterioso. Ele tinha finalmente a chance de ganhar uma pedra do sol, mesmo que para isso tivesse de passar por cima da prima.
"Fale" comentou Lena, sempre tratando Sean muito educadamente.
"Vamos apostar nossas pedras do sol!" exclamou Sean
"Está louco!" respondeu Lena
"Qual é... Você tem duas pedras originais, só vai perder uma" falou Sean tentando convencer a menina.
"Hmm... Está bem... Mas Sean, eu acho que quem vai perder é você" falou Lena. Por mais educada que fosse tinha plena consciência de que era a melhor. E deixou isso bem claro.
"Vamos só ver" respondeu Sean, e os dois jovens começaram a se dirigir para o salão de criaferas, que ficava nos níveis verdes.
Prévia:
Uma partida divertida, uma aposta arriscada, um emocionante combate de monstros em miniaturas... E uma declaração de morte... Próximo capítulo: Aposta de valor
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Espero que tenham gostado. Os cap estão vindo com bastante entusiasmo, mas nos controlamos pra ter certeza de que tudo vai dar certo...
