Título:
Amor, o refúgio das almasAutora:
Miss LyricE-mail:
meninaspop@hotmail.comSinopse:
Nem estranhos acontecimentos podem deter duas pessoas de se apaixonarem. Ginny e Draco aprendem a se gostar e mostram que para uma alma conturbada não há melhor esconderijo que o amor.Disclaimer:
Nenhum dos personagens me pertencem. Eles são de J.K.Rowling, que tem todos os direitos sobre eles. Essa fan fic não foi escrita com fins lucrativos. Somente por diversão.N/A:
Essa fan fic está sim centrada em Draco e Ginny. Terá cerca de quinze capítulos (no máximo, se eu estiver realmente inspirada) e conta como esse casal se apaixonou, entre alguns mistérios "casuais" em Hogwarts. Tentarei fazer o melhor possível e conto com a ajuda de quem ler a fan fic para melhorar cada vez mais. Isso poderá acontecer através de críticas construtivas, elogios e sugestões. Ficaria grata se rewiews fossem deixadas ou se eu recebesse e-mails. No mais, espero que gostem.2º Capítulo
Vagando pela madrugada
Um figura esguia se esfregava nas paredes de pedras, às vezes prendendo a respiração para não ser reconhecida. Era Charlotte Wicked, agora com um aspecto bem mais desafiador do que quando fora apresentada na Seleção das Casas. Vestia uma roupa preta, e botas de salto alto, aparentava ter mais de onze anos, que era sua realidade.
A garota pensava não estar sendo percebia, o que não se confirmou. Sentiu uma mão pesar sobre seu ombro e, não resistindo, virou-se para ver quem era: Draco Malfoy. Ele, por sua vez, tapou a boca da menina, antes de levá-la, à força, para dentro de uma porta em um corredor quase abandonado da escola.
Se depararam, os dois, com uma sala pequena e suja. Sentaram-se no chão e Charlotte olhava ameaçadoramente para Draco, que perguntou:
-O que estava fazendo a essa hora fora da cama?
-Diga-me você o que fazia.
-Olha, não interessa. Eu sou um quase monitor-chefe, estudo aqui à anos, me asseguro.
-Ou será que saiu para ver se encontrava uma certa garota?
-Que garota?
-Será que você não poderia me responder isso? –os olhos negros, meio violetas, da menina cintilaram e estavam arregalados.
Draco estranhou a pergunta e a má sensação que teve ao ouvir aquela pergunta. A menina, Charlotte, não parecia a mesma que havia entrado tão bobona em Hogwarts. Indefesa e que definitivamente não tinha jeito de uma sonserina. Naquele momento, não. Era uma menina forte e terrível, que conseguiu fazer uma coisa que muitos bruxos poderosos jamais haviam conseguido. Ela fez Draco perder seu sarcasmo.
-Você é estranha, e deve ter personalidade dupla. Não sei ao certo do que se trata esse desvio de personalidade, mas já não gosto. Você é anormal. –disse Draco, com uma careta.
-Eu não me provocaria se fosse você.
-Por que não? Você é uma menina de onze anos com problemas de personalidade. O que pode me fazer de mal, me diga? Somente arruinar minha casa, a Sonserina, o que conseguirei evitar. Não sei como não foi mandada para a Lufa-lufa, o que não seria uma má idéia: lá, você poderia conhecer pessoas esquisitas como você. –Draco levantou-se para sair, mas não conseguiu abriu a porta nem com um feitiço.
Quando olhou para trás, o garoto notou que os olhos de Charlotte estavam prateados e fixados na porta. Draco percebeu então o que estava acontecendo e teve calafrios. Na mente dele, foi como se tudo se esclarecesse. Aquele menina não era uma bruxinha normal, absolutamente. Afinal, ela o impedira de sair daquele lugar, sem usar nem varinha. Draco se assustou ao sentir o poder que a menina exalava.
-Quem é você? –ele perguntou.
-Logo você saberá. Eu desejo saber algo de você. Será possível? –perguntou ela, já sabendo que Draco não lhe recusaria nada, pelo menos não naquele momento. –Prometa estar me apoiando, sem depender do lado que eu decidir apoiar.
-Fala-me do bem e do mal?
-Não exatamente. Falo dos fracos e dos fortes, dos corajosos e dos que se rendem ao primeiro esforço. Qual for o que eu escolher, diga que estará comigo.
-Sim... está bem. Eu... prometo. –não havia firmeza enquanto Draco falava.
Charlotte pegou a mão do rapaz e a segurou por alguns segundos. Quando a soltou, Draco sentiu-a arder, o que nunca mais deixou de acontecer. Seus olhos pesaram e ele não conseguiu abrí-los por um tempo e, quando o fez, viu que Charlotte estava imóvel, deitada sobre o chão. Ela usava as vestes comuns de Hogwarts e os óculos grandes, "maiores do que seu rosto", como haviam comentado. Ela parecia outra vez a menina que havia sido caçoada na primeira noite do colégio, "boba e cambaleante". Ela abriu os olhos e soltou um gritinho de medo ao ver Draco a encarando.
-O que estou fazendo aqui? O que estou fazendo aqui com... você? –perguntou a menina, se afastando do garoto.
-Não seja tola. Acha mesmo que eu acredito que não se lembra de nada?
-Lembrar? Lembrar do quê? Ah, que dor de cabeça, raios!
-Patética, é isso o que você é! Se acha mesmo que eu vou cair nessa história de menina inofensiva e desmemoriada, você está muito enganada! Deixe de ser dissimulada. –falou Draco, bastante irritado.
-Eu não sei do que está falando... não compreendo! Minha cabeça... minha cabeça dói! Meu corpo está dolorido... eu vou morrer?
-Por favor, sem cinismo.
-Cinismo? Me explique! O que está acontecendo, me diga!
-Quer dizer que você não sabe mesmo??
-Saber do quê? –a menina se levantou, batendo nas roupas, a cabeça baixa. Assustada, gritou de repente: -Por mil trovões! Você me seqüestrou, é isso? Você me seqüestrou?
-Não! Não, o que fiz para merecer isso? Olham presta atenção, eu não te seqüestrei! Por que o faria? Por enquanto, esqueça isso tudo. Afinal, esquecer para você é algo rotineiro.
-Esquecer que você me seqüestrou? Você está maluco? Vou contar tudo para o Professor Dumbledore, tenho certeza de que ele saberá o que fazer.
-Ah, então está bem. Conta tudo para ele. Mas, quando eu disser para todo mundo que você tem um desvio de personalidade e tem poderes ocultos, quero ver o que você vai fazer!
-Poderes ocultos? Personalidade desviada? Mas... sobre o que você me fala? –ela se dirigiu para a porta, mas parou repentinamente. –Ai, minha cabeça... creio que não poderei andar...
Draco foi até ela e disse, seu rosto contrariando sua fala:
-Vamos, eu lhe ajudo.
-De jeito nenhum! –a menina se recompôs. –Para você me seqüestrar de novo? Não, eu vou me embora. Mesmo que desmaiei pelo caminho, é melhor do que passar mais um minuto ao seu lado. Adeus. –Charlotte saiu pela porta, deixando Draco confuso, irritado e completamente exausto para trás.
Draco nem ao mesmo tentou sair da sala. Ele conseguiria, afinal naquele momento não havia ninguém, nenhuma Charlotte Wicked, para impedí-lo de fazer isso. Mas, não teve reação nenhuma. Sua mão doía; ele nem reparava. Estava sentado no chão, completamente perdido em pensamentos. Por que, no início daquilo tudo, Charlotte insinuara saber de alguma garota que Draco gostasse? Como poderia? Ele mesmo não sabia quem era essa garota. "Mentira. Eu sei sim", disse ele para si mesmo. Teve uma estranha impressão de que aquele ano escolar que se iniciava guardava para ele surpresas e descobertas. Forte emoções não faltariam, ele imaginava. Qual grande armadilha estava sendo preparada para ele? E, se não fosse uma armadilha? Fosse algo bom e gratificante? Por que tantas perguntas estavam surgindo? Por que ele estava tão melancólico? Mergulhou sua face por dentro de suas mãos, que o incomodaram. Ele percebeu que elas estavam inchadas. Elas pesavam demais e Draco não teve força suficiente para levantar-se. Várias tentativas frustadas foram realizadas. Começou a bater os pés, com força e ódio, sentindo-se inútil. Batia com tanta intensidade que gotas de suor começaram a pingar de sua testa. E sua mão só ficava maior. Mais inchada. A cada segundo ardia mais. Ele lutava contra a dor. E, no fundo de sua mente, ele sabia que aquela dor não seria nada comparada ao que estava por vir.
Sossegou, enfim, o corpo mole. A respiração acelerada, totalmente descontrolada. Molhado de suor. Tinha caibra nas mãos, o que fez não sentí-las mais. Melhor assim. Percebeu que era melhor não sentí-las do que ter que suportar aquela dor de antes.
Será que estava ficando maluco? Suas atitudes confirmavam essa pergunta. Ele não quis acreditar. Sua mente latejava. Mas, isso não o impediu de adormecer.
"Droga... eu dormi!", pensava Draco em seu próprio sonho. "Eu tenho que acordar. Sair daqui. Mas, estou tão cansado. Não tenho forças para isso. Ou talvez eu não esteja só dormindo! Eu morri? Não, mortos não pensam. Muito menos em seus sonhos."
O Draco do sonho olhou em volta de si. Havia uma bela paisagem. Flores, pássaros e muito verde. Um pequeno riacho corria suavemente entre algumas pedras e o som que vinha dele era como música. Draco deixou-se levar. Fechou os olhos e andou até o riacho para lavar o rosto. Tudo estava perfeito, então por que ele se sentia tão mal? Tinha uma sensação estranha e calafrios de vez em quando. "Deve ser por causa da água gelada", ele disse para si mesmo. Mas, quando abriu os olhos, teve uma surpresa. As águas do riacho, antes tão límpidas, estavam violetas. Seu reflexo não era de um Draco de dezessete anos. Era um homem, com seus quarenta anos, tinha rugas a testa e nos olhos. A barba malfeita e alguns fios brancos reluziam tristemente em seu topete dourado. Na mão, uma cicatriz. "Eu não sou esse! Ou, talvez, eu ainda não seja este", pensou Draco. Olhou para sua mão verdadeira, onde deveria estar aquela cicatriz. Não havia nada, mas doía. Sentia pontadas. Ao dobrar seus dedos, era preciso usar toda sua força.
Saiu da frente daquele riacho. Quando olhou em volta, notou que tudo havia se transformado. Não haviam mais pássaros e flores, e sim corvos negros e árvores sem folhas. A cantoria, a música de antes, havia sido substituída por uma risada fria e irritante. Draco não conseguiu identificar de onde vinha. Olhando por cima dos ombros, viu que túmulos surgiam do chão. Mortos-vivos saíam dessas covas e vinham na sua direção.
Draco gritou. Não saiu nada além de um gritinho fino. Sua voz havia sumido. Tentou correr, mas seus pés grudaram no chão. Fechou os olhos, temendo o pior. Achou que ía morrer, mesmo que aquilo não estivesse acontecendo de verdade.
Ao abrir os olhos, eles estavam molhados. Os mortos-vivos se aproximavam cada vez mais. Ele notou que o céu estava roxo. Nuvens escuras se aproximavam lentamente. Naquele momento, tudo que pode reparar foi que a lua estava negra.
Draco acordou. Havia sido só um pesadelo. Estava ofegante, tremendo dos pés à cabeça. Mordeu o lábio inferior e tentou se acalmar. Isso fora em vão.
O sonho havia sido muito real e Draco ainda podia sentir os arrepios que os mortos-vivos lhe causavam. Lembrava-se nitidamente do seu reflexo no riacho, em como ele parecia triste. O grito do silêncio que saíra de sua garganta, os pés grudados no chão quando tentara fugir. Os corvos o encarando. Lembrava-se de tudo, temia a tudo também. Mas, nada o marcara tanto do que a imagem de algo irreal. Nada o fizera esquecer daquilo.
Sim. A lua negra lhe parecia tão horrível. Sentia medo dela. Medo da lua. Achava terrível aquilo tudo. Pessoas faziam pedido à lua. Ela não poderia simplesmente ir para o lado das trevas!
Levantou-se do lugar onde havia adormecido. Andou de um lado para o outro naquela sala. Charlotte Wicked havia sumido de sua cabeça. Nem pensava mais nela.
Ao olhar-se no espelho, Draco soltou um grito de surpresa. Seus olhos estavam... estranhos! Suas pupilas. Suas pupilas pareciam com a lua negra. Draco teve vontade de arrancar os olhos fora. Não queria que toda vez que visse seu reflexo, ter que encarar aquela lua.
-Está ficando maluco! Não leve um sonho tão à sério. Não tema a lua, Draco. Não tema a nada. –ele dizia para si mesmo, enquanto tropeçava em alguns móveis daquela sala.
-Fique calmo, Sr. Malfoy. Fique calmo. –uma voz controlada, vinda do sofá, disse isso num tom baixo, mas suficientemente alto para Draco ouvir.
O rapaz virou-se e viu que, sentado no sofá, encontrava-se o diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore. Esse, encarava o garoto com seus olhos azuis, quase transparentes, por cima dos óculos. Sorriu.
-Sr. Malfoy. Quase nunca você deve deixar se levar pelos sonhos. Sonhos não imitam a realidade. Pelo menos, não na maioria dos casos. Antes de se amedrontar, descubra se o pesadelo diz algo sobre a vida real, se faz sentido. Se isso não acontecer, talvez você possa escrever um livro sobre todos seus sonhos ruins. Adoraria poder lê-los e quem saber conhecer um pouco mais do senhor. E aí, quem sabe, um dia poderei compreendê-lo. –Draco não falou nada. Ele não conseguiu ter reação. –Volte para sua torre. Durma bem.
-Não posso. –respondeu Draco, os olhos fixos no outro bruxo.
-E por que não? –perguntou Dumbledore.
-Eu não posso voltar para minha torre e dormir porque, se eu dormir, terei pesadelos. –Draco nunca havia imaginado que um dia assumiria que temia alguma coisa, especialmente que tinha medo de seus pesadelos.
-Vá em paz, Sr. Malfoy. Eu lhe garanto que não sonhará. E se isso acontecer, garanto que será sonhos de seu agrado. –Dumbledore sentiu que Draco ainda não havia se convencido. –Não acredita em mim? Pois então acredite em você mesmo. Se ainda não estiver confiante, Sr. Malfoy, não tenho mais conselhos filosóficos. Mas, há um recente costume trouxa, do qual todos estão aderindo: você pode procurar um psicólogo.
-Não será necessário. –ao dizer isso, Draco saiu daquela sala.
-Por Merlin! O que os hormônios não fazem com uma mente jovem? –Dumbledore, antes de sair da sala, divertiu-se ao dizer aquilo.
Draco caminhava até a Torre da Sonserina. "Velho bruxo, intrometido", pensava ele, à respeito de Dumbledore. Ao chegar na torre, lavou a mão durante um longo tempo, para que a dor cessasse. Isso não aconteceu, mas melhorou significativamente.
Foi até seu quarto, deitou na cama. Passou um tempo olhando para o teto, enquanto o sono não vinha. Olhou para a janela e se aliviou ao ver que a lua continuava branca, límpida. Depois daquilo, adormeceu profundamente. E como Dumbledore havia lhe prometido, Draco não sonhou mais naquela noite.
